Arquivo da tag: porumaigrejamissional

Eclesia Semper Reformanda

“Estou certo disso: aquele que começou a boa obra em vós irá aperfeiçoá-la até o dia de Cristo Jesus”. (Filipenses 1.6)

Igreja sempre em reforma era um dos lemas que surgiram da Reforma Protestante iniciada por Lutero, Calvino, Zwinglio e outros. Na mente dos reformadores a igreja deveria estar sempre se reformando a fim de cumprir a vontade de Deus e concomitantemente responder as inquietações e questões dos tempos, de tal modo a apresentar o Evangelho de uma maneira compreensível e acessível ao povo. Tanto que foi Lutero que lutou para que a Bíblia estivesse nas mãos do povo. Mas o que era pra ser um lema a ser seguido na prática, acabou ficando cristalizado na teoria. E as igrejas, grande parte delas, pelo menos, tornaram-se fechadas as novas questões apresentadas pela sociedade. Muitas igrejas, assim, querem responder perguntas que ninguém mais faz, apresentam o Evangelho de uma maneira tão caduca e descontextualizada que a rejeição por parte dos que ouvem é algo absolutamente certa. Será que as coisas devem ser assim?

Um fato: Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente como diz o autor da carta aos Hebreus. O Evangelho de Cristo também é o mesmo, ele continua a ser o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16). Contudo, existem coisas que precisam estar em constante mudança; por exemplo, os métodos, os recursos, a linguagem, a estrutura, a instituição. A ideia não é absorver valores mundanos, diametralmente opostos aos ensinamentos das Escrituras, não mesmo, a ideia é se tornar compreensível, acessível, transparente, contagiante, atraente sem torcer os valores do Evangelho.

O caminho de Jesus Cristo não é fácil, não é um mar de rosas, afinal, é um caminho de renúncia, de negação de si, e doação a Deus e ao próximo. É um caminho de cruz. Mas aí está a beleza escandalosa e divina do Evangelho. Pois a cruz é tanto sofrimento quanto glória. E ela é nossa vocação e nossa alegria. Só quem ama a Cristo pode entender isso.

Diante disso, a igreja, comunidade do Senhor, tem a responsabilidade de proclamar o Evangelho na beleza que ele tem, para isso, deve vencer a institucionalização, o moralismo, o tradicionalismo, o formalismo, o clericalismo e muitos outros “ismos”. A igreja tem que estar sempre se reformando, para não ser engolida pela irrelevância. Tem que mostrar na sua vivência que o Evangelho é uma mensagem para o nosso tempo. Para hoje. Para imediatamente agora. Deve transmitir na sua rotina a alegria de ser de Jesus Cristo, a paz e esperança de ser gente boa de Deus. Infelizmente, existem igrejas que tornam o Evangelho opaco e triste, sem luz, sem vida.

Será que nossa vida pessoal e nossa vivência eclesiástica demonstra a beleza e o poder do Evangelho? Se a resposta for não, busque uma transformação já. O Evangelho é um convite constante à reforma. Pense nisso!

Laurencie Salles on sabtwitterLaurencie Salles on sabfacebook
Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

Devedores no amor

O evangelho produz transformação naquele que se rende verdadeiramente aos pés de Jesus Cristo, e tal transformação é a
única maneira de usufruir, experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Rm 12.1 e 2). É interessante observar que o apóstolo Paulo até o capítulo 8 constrói um firme alicerce, ou
seja, ele faz teologia e agora, a partir do capítulo 12 faz um estudo profundo sobre ética (práxis da sua teologia). Veja: nos capítulos de 1 a 8 de Romanos falou sobre a doutrina do pecado (Harmatiologia), falou sobre a doutrina de Cristo (Cristologia), falou sobre a doutrina da salvação (Soteriologia), falou sobre a doutrina do Espírito Santo (Pneumatologia) etc, e nos capítulos finais de sua carta, trata das implicações das doutrinas antes citadas.

Assim, quando se lê, por exemplo: Rm 13.8 que diz – Não fiqueis devendo coisa alguma a ninguém, a não ser o amor de uns para com os
outros”
,
é preciso ter em mente que Deus provou o seu amor para conosco quando Cristo morreu por nós, quando estávamos num estado completo de separação de Deus (Rm 5.8). Não podemos nos
esquecer que Deus derramou deliberadamente do seu Espírito em nossos corações (Rm 5.5). E não podemos nos esquecer que por causa de Cristo, nós que éramos considerados inimigos de Deus, fomos com ele reconciliados (Rm 5.10). E ainda não podemos nos esquecer que Deus, em Cristo, derramou abundantemente da sua graça sobre nós, como as chuvas torrenciais de verão.

 Constrangidos a amar

O que Paulo está dizendo é que mediante o tamanho amor de Deus por nós, somos impulsionados a amar também. Veja II Coríntios 5.14, a palavra constrange não tem sentido pejorativo, como se o amor de Cristo nos deixasse envergonhados, confundidos, embaraçados, mas Paulo está falando que o amor de Cristo nos impulsiona, nos motiva a amar também. Podemos ampliar o leque e dizer que o perdão de Cristo nos motiva a perdoar, e que solidariedade de Cristo nos motiva a nos solidarizar também, e que a compaixão de Cristo nos motiva a nos compadecer. Diante do grande amor de Deus, somos devedores, não no sentido de pecado, pois nossos pecados foram lançados sobre a cruz, mas somos devedores no amor.

Interessante isso! Paulo faz toda uma construção teológica bem alicerçada, bem rígida, bem amarrada, complexa, mas a implicação e a consequência de tudo isso é o amor que devemos ter uns para com os outros. Amor que se importa, amor que doa, amor que intercede,
que chora junto e se alegra junto, amor que perdoa, amor que se interessa, amor que se indigna com a injustiça e luta contra ela, amor que estende a mão, amor que põe a mão no bolso, amor que é hospitaleiro, amor que faz a gente sair do círculo do egoísmo para incluir outras pessoas nele, amor que diz não ao individualismo, amor que é sinal do Reino de Deus entre nós.

 Amor– uma dívida que nunca se paga

Não podemos entender bem o verso 8 do capítulo 13 sem ler o verso 7. No inicio do capítulo 13 Paulo diz que devemos nos submeter a autoridade, ou seja, não devemos ser rebeldes, desordeiros, ou algo assim. Devemos, como cristãos, cumprir a nossa vocação de ser luz no mundo. Deve ficar claro que nós nos submeteremos às autoridades desde que elas não nos obriguem a quebrar os mandamentos divinos. É sobre isso que Paulo está falando – em outras palavras – faça o que é correto, faça o que tem que fazer. Como disse Jesus: “dai a Cesar o que é de Cesar e daí a Deus o que é de Deus”. E Paulo acrescenta: “dai a cada um o que lhe é devido (justiça): a quem tributo, tributo, a quem imposto, imposto e a quem honra, honra”. Daí, dentro desse contexto, Paulo ensina: dai a cada um o que lhe é devido”, entretanto existe um tipo de dívida que não pode ser paga, que é muito diferente do tributo, do imposto e da própria honra que podem ser pagos, estamos falando da dívida do amor. Ninguém pode se autogloriar dizendo: já amei o suficiente, não preciso amar mais. Por isso o amor é um tipo de chamado, de responsabilidade, de missão que nunca acaba. É uma tarefa inconclusa, um desafio crônico.

Compreenda: o amor é algo que tem que ser dado ao outro não porque tal pessoa seja merecedora, mas porque é uma exigência de Jesus diante do seu próprio amor gracioso. Diante de tanto amor que nos é dado, somos endividados no ato de amar. Sejamos, em nome de Jesus, obedientes no ato de amar. Que Deus nos ajude!

Laurencie Salles on sabtwitterLaurencie Salles on sabfacebook
Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.