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SIMPLES E EFICAZ

Após uma noite interrompida por sonhos sobre os quais não me recordo, fui alimentar meu corpo em uma padaria aqui perto.

Próximo ao meu apartamento havia um senhor de roupas gastas, barbas a serem feitas e unhas a serem cortadas. Confesso a vocês que antes que ele percebesse minha presença, procurei tornar meu caminhar mais rápido.

Tolo!! Como eu ainda sou tolo!!!

De repente aquele ser amável olhou para mim, leu meus olhos cansados e disse: Tenha um BOM DIA!!!

Palavras simples, vinda de um sujeito simples, mas que expressam um sentimento profundo.

Após alguns passos cheguei à padaria com um espírito feliz, embora minha alma ainda estivesse cansada. Uma mulher com um belo uniforme, maquiada, com cabelos feitos e que tinha um bom salário, de cabeça baixa pediu meu cartão de crédito e somente após me dar o cupom fiscal disse: bom dia.

Aquelas palavras quase não saiam de sua boca. Não vi o sorriso outrora observado. O sentimento de paz quis dar lugar ao de indiferença. Mas isso era impossível. Aquele sorriso amarelo, aquele BOM DIA com um sotaque carregado já havia preenchido meu coração.

Imediatamente fiquei imaginando no impacto que aquele coletador de resíduos recicláveis fez na minha manhã. Foi inevitável não pensar no impacto que um carpinteiro seguido de pescadores e corruptos de Roma fizeram na vida de pessoas simples e cansadas há 2000 anos. Quantas vidas eles abençoaram com um sorriso e um EU TE AMO expressos com um simples e profundo: Tenha um BOM DIA?

Nosso Pai está conosco. Animem-se! Dias melhores virão. Em breve, muito em breve, estaremos face a face diante do próprio Deus do amor.

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Rafael Campos
Rafael Campos é veterinário por formação; cientista por vocação. Atualmente é doutorando em Farmacologia (UNICAMP); discípulo de Jesus Nazaré e encantado pelo seu amor e sua Graça.

AMOR QUE HUMANIZA

O monte sempre foi relacionado ao lugar onde o homem buscava Deus e lá ouvia mandamentos e ensinamentos para vida. Moisés recebeu as tábuas com mandamentos no monte Sinai, Abraão subiu ao monte para oferecer seu filho como sacrifício a Javé e etc. Entretanto, certa vez na história Deus se fez carne e ao invés do homem subir ao monte, o próprio Deus subiu (não se sabe ao certo o tamanho deste) e diante da multidão proferiu um sermão.

“Bem-aventurados os misericordiosos, pois alcançarão misericórdia” disse o Deus encarnado. A palavra misericórdia tem origem nas palavras miseratio (compaixão, miséria) e cordis (coração), em outras palavras misericórdia significa coração compadecido, deixar que a dor do outro passe pelo seu coração.

Em tempos pós-modernos, no qual a busca excessiva pelo prazer é quase uma obrigação, fazer com que a dor alheia passe por nosso coração é algo difícil. Necessário é aprender sobre o amor com o próprio Deus do amor; Bem-aventurado é o cristão que reconhece sua limitação em exercitar o amor e pede ao Pai nosso que estás nos céus que renove nossa sensibilidade diariamente.

Jesus inúmeras vezes demonstrou misericórdia ao ouvir os excluídos e cuidar dos necessitados. Alguns dos seus discípulos, como o pastor batista Martin Luther King Jr. ou Madre Tereza de Calcutá, nunca permitiram que suas ocupações rotineiras diminuíssem sua sensibilidade à dor alheia. Pelo contrário, fizeram do imitar o nazareno algo integral, uma ato de amor sem férias, aprendendo diariamente na escola do amor cujo professor é o próprio Cristo.

Oremos ao “Pai nosso que estais nos céus” que “venha a nós o vosso Reino” e que a sensibilidade e o amor que nos humaniza, seja nos dado hoje e diariamente.

Uma palavra de ânimo para gente frustrada com igreja

Olá caro irmão(ã), por muitas razões senti vontade de escrever pra você. Tenho lhe observado e devo reconhecer, talvez seja engano meu, mas tenho sentido você um tanto quanto frio, desanimado e desmotivado com a comunidade de fé. Você não participa e não se interessa mais como antigamente pela igreja do Senhor. Por isso fiquei preocupado.

Eu reconheço plenamente que compromisso, engajamento e motivação para o serviço no Reino de Deus são coisas que brotam e nascem de dentro pra fora e não de fora para dentro. Por isso lhe pergunto: Que coisas estão no seu coração? Será que você se desiludiu com a igreja? Você achou que ela era composta de pessoas perfeitas? No patamar mais alto da espiritualidade? Com a imagem plena de Cristo? Se pensou isso, devo admitir que agiu com certa inocência. Neste mundo decadente, isso é uma impossibilidade. Todos nós estamos num processo contínuo de construção e o pecado ainda habita em nós. Somos, portanto, peregrinos, caminheiros, e como diz Romanos 8.29, nosso alvo é ser como a imagem do Filho de Deus, Jesus Cristo. Enquanto não chegamos lá, continuamos caminhando. E a Palavra de Deus ensina que precisamos fazer isso juntos. Veja que diz Hebreus 10.24 e 25: “pensemos em como nos estimular uns aos outros ao amor e às boas obras, não abandonemos a prática de nos reunir, como é costume de alguns, mas pelo contrário, animemo-nos uns aos outros, quanto mais vedes que o Dia se aproxima”.

Pergunto: como você vai vivenciar isso sem estar comprometido com a comunidade de fé? Será que é correto essa sua indiferença? Por que essa passividade? Você acredita que leva Deus a sério sem se importar verdadeiramente com as pessoas que o próprio Deus colocou perto de você pra lhe ensinar sobre o amor, a paciência, o respeito, o cuidado e a misericórdia? Admita, você precisa mudar seus valores.

Sabe irmão(ã), quero sinceramente lhe ajudar. Por isso o aconselho: Seja obediente a Palavra de Deus. Não tome atitudes baseadas em sentimentos e emoções, ou mesmo em falsas expectativas sobre outrem; haja, sim, baseado e impulsionado pela fé. Já disse e repito: seja obediente a Palavra de Deus, e entenda que o caminho da obediência é um longo caminho sempre na mesma direção, na direção do centro da vontade de Deus. Não importa o que aconteça, não importa as circunstâncias, não importa se o mundo é cheio de maldade. O importante é você se manter focado no alvo – ser como Cristo. Se Cristo se importa com pessoas, o melhor que temos a fazer é nos importar também. E mais ainda: cuidar, solidarizarmo-nos, socorrer quando preciso, orar sempre, enfim, amar as pessoas. Você não concorda que a igreja é uma comunidade excelente para praticar essas coisas?!

Caro irmão(ã): ame sua igreja, comprometa-se, envolva-se, importe-se, participe com alegria daquilo que Deus está fazendo nela, por ela e através dela. Abandone esse espírito de julgamento e orgulho. Abra mão de qualquer postura individualista, pois é no mínimo anticristã. Caminhe mais de perto com seus irmãos, conheça-os pelo nome, conheça suas histórias de vida, seus sonhos, suas tristezas. A igreja, meu caro, é criação de Deus, foi comprada com preço de sangue. Na vida em igreja, apesar dos sofrimentos, há muita alegria, alegria de fazer parte de uma comunidade formada pelo poder do evangelho. Pense nisso com carinho!

O ÁPICE DO AMOR

O que você considera ser a maior prova de amor de alguém? Talvez esta resposta esteja cativa em gostos bem pessoais. Alguns gostam de ser tocados e acham que a maior prova de amor é ser tocado. Outros gostam de ter a companhia da pessoa amada e entendem que a maior prova de amor seja compartilhar de momentos juntos. E ainda tem pessoas que se sentem amada com palavras de afirmação, elogios e etc.

Seja qual for a sua resposta, uma coisa é certa para todas as pessoas, a maior prova de amor que alguém pode dar é quando entrega sua vida para a outra pessoa. Você já experimentou isto? Alguém que te ama tanto dar a sua vida completamente para você? Deu a vida se oferecendo para estar com você aonde você fosse, de lhe dizer sinceramente o que acha das suas atitudes, que te ajuda nos problemas, te ouve quando você quer desabafar…

Muito provavelmente tivemos algumas pessoas que fizeram algumas destas coisas em alguns momentos da nossa vida com alguns de nós. Mas jamais tivemos alguém apenas 100% ser humano que tenha feito isso com nós durante toda uma vida, o tempo todo com todos nós. Como seria se tivéssemos alguém assim? Como nos sentiríamos diante dos problemas que certamente virão? Como agiríamos com as pessoas que não gostam de nós? Com certeza esta seria a maior prova de amor que alguém nos daria.

Mas como saber se alguém realmente nos ama? Como seria possível termos esta certeza? Pois para uma prova de amor é necessário que pelo menos acredite neste amor que será por nós provado. Esta é outra pergunta que talvez possa ser respondida da mesma forma como a primeira pergunta que foi feita neste texto. Se alguém der a sua vida por nós isto seria uma prova que a pessoa realmente nos ama.

E quando esta entrega de vida é literal, ou seja, quando esta pessoa realmente morre para que tenhamos vida? Já ficamos sabendo de casos de pessoas que doaram um dos rins para outra que precisa daquele rim, pois poderia morrer se não o tivesse. Mas quem doou sabia que não iria morrer apesar do risco e de ter uma vida diferente sem um dos rins. Existem casos também de pessoas que se cadastram como doadores de todo os órgãos, mas somente quando esta pessoa morrer. Mas dificilmente ouvimos sobre algum caso que alguém se entregou para a morte para que a outra pessoa vivesse.

E quando falamos de Deus, creio que muitos de nós também gostaríamos de crer em um Deus que temos a certeza absoluta que nos ama. Mais do que um deus que nos dá coisas quando precisamos, mas de um Deus que está junto de nós quando estamos com dificuldade em algum relacionamento e quando estamos tristes.

Desconfie de um deus que não te ama. Mas busque um Deus em quem você possa ter certeza que Ele existe e que te ama ao ponto de dar a vida dele por você. Um Deus que se entrega para morrer por você sem deixar de ser Deus e vivo, é um Deus que vale a pena se entregar, pois este é um Deus que atingiu o ápice do amor.

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

Igreja: uma comunidade para amar e servir

Desde que me tornei pastor, a temática igreja nunca mais saiu da minha cabeça, durmo e acordo pensando nisso. E realmente tenho que admitir, esse tema é paradoxal. É paradoxal porque é um projeto de DEUS, nascido no coração de DEUS, motivado e impulsionado por sua graça, mas é realizado por pessoas, e onde há pessoas, como dizia o garoto Lucas da família Silva e Silva – um seriado que passava na cultura – “tudo pode acontecer”.

Desde que me conheço por gente, estou no ambiente da igreja. E confesso que já vi de tudo, ou melhor, quase tudo. Já vi pastor evitar briga numa assembleia, lembro-me como se fosse hoje, se o pastor não tivesse agido rápido, “a coisa iria ficar feia”; já vi irmão querer se auto-excluir da igreja porque era necessário fazer uma reforma no batistério. Já vi pessoas serem massacradas, pisadas e ridicularizadas dentro da igreja, tudo isso em nome de DEUS e da moral. Já vi pessoas que foram embora da igreja e nunca mais voltaram; já vi gente que foi embora, falou mal, criticou, indignou-se injustamente e depois voltou quietinho, arrependido. Já vi pessoas saírem da igreja porque se consideravam mais santas ou mais espirituais ou mais sábias do que as outras, sua santidade era tamanha que não podiam ficar com “pobres pecadores”. Vi, também, líderes virarem ateus. Convivi com jovens que cresceram na igreja, aprenderam do CAMINHO, mas o “mundão velho sem porteira” falou mais alto, foi para eles mais atrativo. Vi pessoas orgulhosas, presunçosas e arrogantes beijarem a lona. Enfim, vi muitas coisas tristes e lamentáveis na igreja.

De certa forma, aprendi que ser crente, em muitos casos, não é sinônimo de ser maduro ou bondoso, infelizmente.

Apesar dessas tristezas, aprendi a amar a igreja e vou dizer o por quê: foi por causa da ação de DEUS através da igreja que minha família há três gerações aprendeu e decidiu acolher o evangelho, foi por meio do trabalho da igreja que eu conheci a salvação que há em Cristo Jesus, foi por causa da igreja que decidi estudar música, foi na igreja que aprendi a gostar da área de educação, e isso influenciou minha decisão em ser professor; foi na igreja que recebi o chamado para ser pastor e essa ‘chama’ arde até hoje; foi na igreja que conheci minha esposa e isso foi benção pura de DEUS em minha vida, e foi na companhia da igreja que vi meus filhos chegarem ao mundo e caminhando junto dela que tenho aprendido a ser pai; foi no ambiente da igreja que minhas maiores amizades brotaram; foi na igreja que venci minha timidez exacerbada; foi através dos ensinamentos recebidos na igreja que minha família aprendeu a amar a Bíblia e eu fui junto nessa onda; foi na igreja que peguei gosto profundo pela teologia; foi na igreja que vi jovens saírem do mundo das drogas e por meio da fé em Cristo se tornarem grandes homens de DEUS; foi na igreja que vi famílias se reerguerem das cinzas por causa da graça divina e do apoio dos irmãos, vi casamentos serem reconstruídos,  relacionamentos refeitos e vidas reinventadas. Foi na igreja que aprendi que só se serve a DEUS servindo as pessoas. Assim tomei a decisão de gastar a minha vida servindo a esse povo de DEUS, para isso estudo e me preparo e me entrego ao SENHOR a cada dia.

Realmente a igreja é algo paradoxal e complexo. Mas a PALAVRA me ensina que ela é coisa de DEUS, foi comprada por alto preço (Atos 20.28), e é de fato, uma comunidade para amar e servir. Há problemas nela? Sim, sem dúvida. Há caminhos que precisam ser mudados? Sim, com certeza. Todavia, faço sempre questão de lembrar ao meu coração que DEUS escolheu as pessoas para fazer a sua obra e propagarem o seu Reino, a fim de que a glória seja toda dEle. Soli Deo Gloria.

Assim, afirmo: Eu acredito na igreja, amo-a e luto por ela. É assim que vou viver a minha vida, e por esta estrada que eu vou trilhar hoje e sempre. Convido você a fazer o mesmo. Amém.

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

AMOR INACABADO

A tarefa de amar não tem fim. É uma tarefa inacabada. Por isso não podemos tirar férias do amor, pois ele não tem fim. O amor não tira férias e, portanto, nós também não podemos descansar na missão que o amor nos dá durante toda a nossa vida.

Por muitas vezes nos acomodamos em nossos relacionamentos por achar que não tem mais nenhum compromisso com o amor. Tem pais que deixam de investir amor nos filhos por acharem que tudo que tinham dar a eles já foi dado ou está tudo encaminhado. Acham que só dar um bom estudo em uma escola aonde terceirizam a educação dos filhos é suficiente. Não percebem que os bons exemplos, palavras de afeto, carinho em um abraço e beijo, falar das experiências que já passou é uma ótima educação para os filhos também.

Existem irmãos e irmãs que acham que só de não brigarem já estão amando e não tem mais nada a fazerem sobre o amor de um pelo o outro. Quando crescem acham que só de se verem em aniversários, casamentos e datas festivas já estão cumprindo com o dever do amor. Mas quantos deles são amigos e amigas de verdade? Que podem ser confidentes um do outro para que mutuamente possam se ajudar? O amor é algo que se constroem durante toda uma vida.

Um relacionamento de amor não se define ou se concluem em algumas ações, palavras, sentimentos e pensamentos. É necessária uma dedicação total e entrega de uma vida inteira ao outro. É claro que não conseguiremos fazer isto o tempo todo com todos os que nos cercam. Mas viver para alcançar este nível de amor faz com que nos empenhemos em amar com uma força e relevância maior. Nos ajuda estar atentos e menos distraídos na tarefa de amar.

Como nós amamos a nós mesmos assim devemos amar as pessoas. Alguém em sã consciência não deixa de se amar. Todo o dia se cuida na higiene pessoal, na busca pelo prazer, alegria e satisfação, em sair de situações de problemas e sofrimentos e etc. Quando percebemos como nos dedicamos a nós mesmos em amor, podemos ter uma noção de como deveríamos nos dedicar em amor ao outro. Este conselho de amar aos outros baseados no amor que temos por nós mesmos pode ser um bom caminho para o desafio inacabado do amor.

Como somos seres inacabados assim também é o amor. Estamos em processo contínuo como seres humanos em fase de acabamento. Cada situação, cada relacionamento nos molda um pouco mais para a vida. Aprendemos a viver com a vida. Ela é a nossa maior professora na arte de viver. Se aprende a viver com a vida.

Assim é o amor, um professor que nos ensina a amar. Só aprendemos a amar com o amor. Amando é que podemos crescer em amor. Dedicando-nos em amor ao outro é que criaremos uma relação profunda, honesta e relevante de amor com aqueles que amamos e que nos amam. Só conseguiremos nos entregar de corpo e alma uns aos outros se nos entregarmos ao amor, pois o amor ainda não acabou. Enquanto houver amor, existe uma chance de amar, pois é uma tarefa sempre inacabada.

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

O AMOR COMO CAMINHO

Para falar, tendo como tema o amor, o amor que não se condiciona, inesperado em si, eu me volto para a primeira carta do apóstolo Paulo aos Coríntios, no capítulo 13. Um texto que, de certa forma, dispensaria qualquer apresentação mais longa (talvez até mesmo a sua leitura), pois com toda a certeza, assim como eu (mas não mais do que eu), você já ouviu este texto, aqui ou ali, falado ou cantado, talvez alguns (ou muitas) vezes. Um texto que só de lido ou ouvido já suscita em nós algum tipo de sentimento, como algo que mexe em alguma coisa lá dentro, aqui dentro.

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine” – 1 Coríntios 13.01

Por muitos, aqui e acolá (dentro e fora da igreja), chamado de “hino ao amor”, ou poesia do amor, ou cântico ao amor, I Cor 13 se transformou, para além de um texto bíblico em si, em um clássico literário, humano e poético; que se transportou da carta do apóstolo Paulo e de Coríntios (a cidade), e de todo o contexto religioso (judeus e gentios), eclesiástico (de igreja) ou mesmo de espiritualidade, para um lugar comum, ou mais, para um desejo comum, humano, o amor. Um desejo especialmente e essencialmente humano, pois sem amor nós (você e eu, aqui dentro ou lá fora, igreja ou mundo) nada somos (verso 02). Deixamos de ser.

E é aqui, exatamente neste ponto, naquilo que deveria ser conclusão e não o início, que começo a refletir com vocês neste texto, dizendo: sem amor eu não sou (é o verso 02).

“E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria”1 Coríntios 13.02

Assim como todo o esforço de comunicação, nesta língua humana, a nossa, comum, de gente de verdade, da escola, do trabalho, de casa, do cotidiano, ou numa língua angelical (ah se eu falasse a língua dos anjos), algo pertencente apenas aos mais espirituais e aprofundados nas coisas da religião (e este é o verso 01) – assim como tudo isso -, se for feito sem amor, é apenas barulho ressonado de metais frios e sem vida (Paulo diz o bronze e o sino); assim também a mensagem transmitida (verso 02, e é preciso lembrar que Paulo está falando aos cristãos de Corinto e não para casais apaixonados) em gnoses ou em alta sabedoria para um grupo de “eleitos” ou “escolhidos” (a igreja e os crente), se isso for feito sem amor, mesmo que exista muito de mim, eu continuo não sendo, você também não, por mais cheios de profecia, mistério, ciência e fé que tenhamos – e não empurra isso para o jeito evangélico dos outros não, dizendo isso é coisa para os pentecostais ou neopentecostais. Se não houver amor, a nossa profecia (o kerigma, a mensagem), o nosso mistério (o evangelho com suas coisas mágicas, seus milagres e muito do inefável), a nossa ciência (o conhecimento que temos de Deus e da existência), e mesmo a nossa fé, mesmo grande, a ponto de transportar montanhas (fé de mostarda, Mateus 17:20), são nada. Pois sem amor, eu nada sou.

Mesmo assim ainda há como se esforçar mais (verso 03), esforço que se mostra também na linguagem poética de Paulo, um esforço em exagero que mostra o inatingível para falar que mesmo que fosse possível, ainda será insuficiente.

“E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria”1 Coríntios 13.03

E mesmo assim, mesmo com todo o esforço, continuar-se-á encontrando o vazio daquilo que leva à inexistência. Pois sem amor, mesmo os mais belos e justos atos, mesmo os de mais profunda caridade, com as mais belas intenções, justas e nobres, não haverá nenhum valor no que é feito, nenhum proveito, como diz o texto.

Paulo, e é isso que é importante, sabe que tudo aquilo que é feito sem amor tem um fim em si mesmo, se condiciona a algo. E amor não é assim. Daí, por mais incrível que pareça, para Paulo ou para nós mesmos, para mim, para você, seus leitores, é possível ouvir uma linguagem humana ou mesmo angelical (verso 01) provida de um discurso sagrado (profético, misterioso, gnóstico, de fé – verso 02) que conduza a uma prática humanitária, social, cristã (dar os bens para sustento dos pobres) e sacrificial (o corpo para as chamas – verso 03), sem que exista um pingo de amor. E hoje, por mais incrível que ainda pareça, há uma mensagem de amor, o evangelho de Jesus, que parece – repito: parece – nos ensina a odiar, ou, tão ruim ou pior, uma mensagem de amor que leva à indiferença, o sentimento contrário ao amor.

Todavia, e aqui eu começo a terminar, e termino voltando ao começo, antes do começo até, I Co 12:31, Paulo diz: “[…] procurai com zelo os melhores dons [a melhor forma de servir a partir do sistemático e complexo mundo da religião]; e eu vos mostrarei um caminho mais excelente” (I Co 12:31), o amor. O amor não é um dom, não é dado, oferecido, presenteado. O amor é um caminho. Feito por escolha e não por imposição. Caminha por ele quem quiser. Você não é obrigado a amar. Ama se desejar. É convidado. Jesus nos chama a caminhar por ele, o amor. Ele o torna mandamento de amizade: “Este é o meu mandamento: amem-se uns aos outros” (João 15:17). João diz que “Deus é amor” (I João 4). Nele, no amor, encontramos a vida, o conhecimento de Deus, a pertença a Ele, a permanência de nós nEle e dEle em nós. João diz:

“No amor não há medo; pelo contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor. Nós amamos porque ele nos amou primeiro”1 João 4.18-19

O amor é caminho, que surge como opção de existência cristã e humana, e que se mostra para a vida comum, do cotidiano, das possibilidades e oportunidades. É o caminho no qual Deus caminhou para nos encontrar, e nos encontrando em Cristo Jesus pelo cominho do amor, nos faz o convite, caminhem por aqui também. Pois este é um caminho sempre mais excelente. Um caminho que supera qualquer dom, qualquer palavra, qualquer discurso, qualquer crença, qualquer dogma, qualquer ato, qualquer gesto. Porque o amor nos leva à existência ou nos devolve para ela. Nele, no amor, eu sou. Você é. Nós somos.

Pois o amor, um desejo humano, um caminho divino oferecido para caminharmos e sermos, é aquilo que nos completa, que nos faz ser o melhor de nós, que mostra em nós e a partir de nós, pessoas humanas e cristãs, o que há de mais belo em ser humano e em ser cristão. O amor nos faz ser, pois…

“o amor é paciente (a partir do verso 04), o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca acaba; […] – 1 Coríntios 13.04-08

Tudo o que vem depois, na vida, acaba (siga os versos 08ss). Tudo o que veio antes, na vida, acaba. Tudo o que acontece durante, na vida, acaba. Mas o amor não. Ele permanece. E permanece especialmente e essencialmente humano, como desejo. E assim se faz como um convite a todos nós, como cristãos e como pessoas humanas, para um caminho ainda mais excelente, não só aqui e não só agora, mas como caminho de vida. Então, sigamos por ele, pois é o amor que nos reconecta uns com os outros, é o amor que nos reconecta com Deus. Assim seja.

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Clademilson Paulino
casado, apaixonado por fotografia, literatura e cinema, é Bacharel em Teologia pela Faculdade Teológica Batista de Campinas (FTBC), curso convalidado pela Faculdade de Teologia da Igreja Metodista (FATEO). É também Mestre e Doutor em Ciências da Religião pelo curso de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Faculdade de Humanidades e Direito da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).

O reino de Deus chegou a vós

“O Reino de Deus chegou até vocês.”Lucas 10.9

Muito se tem dito a cerca do reino, porém os mesmos que o afirmam e o defendem tem se mostrado paradoxais na medida em que suas ações (práxis) e suas palavras têm caminhado em sentido oposto, motivo pelo qual pretendo abordar nesta pequena reflexão alguns aspectos sobre o reino. O que é? e como se posicionar face a ele?

O que é o reino de Deus? Como seu nome já o diz significa um governo que é de Deus, todavia este governo não é estático, mas dinâmico, atual e atuante em todas as situações históricas humanas. Assim, o reino é algo na qual as pessoas entram e não algo que entra nas pessoas, ou seja, as pessoas tornam-se cidadãos deste reino, e como cidadãos deste reino, atuam em conformidade com ele, tornando-se conscientes de seu papel nele para com as populações sofredoras, denunciando as mortes, injustiças, misérias, exílios, mulheres violentadas, aldeias saqueadas e etc. Humanos cruelmente desumanizando-se a si próprios  com corrupção, violência, drogas, desagregação familiar por um lado, indiferença, insensibilidade, egoísmo e desinteresse da sociedade por outro.

A teologia e a igreja que não são capazes de pensar a fé em relação a tais problemas devem pensar seriamente se está sendo agente do reino e prestando um grande serviço aos seus povos. Deste modo, da mesma maneira que o reino é individual ele é sobre tudo coletivo.

“O reino de Deus é uma coletividade – uma rede de pessoas que dedicam seu coração e relacionamento ao reino de Deus”Kraybill (1993 – o reino de ponta-cabeça)

O reino pensando desta maneira irá incidir não apenas em reflexos espirituais individuais, mas sobre as relações existentes entre o Rei e os indivíduos. 

“O reino não consiste apenas em uma série de linhas independentes de fax espirituais que vinculem o Rei a cada súdito. O reino de Deus infunde a rede de relações, vinculado entre si tanto o Rei aos cidadãos quanto os cidadãos uns aos outros.”Kraybill (1993.p.19, O reino de ponta-cabeça)

Como vimos os integrantes do reino são também participantes do reino. Eles se posicionam face aqueles que se valem ou se aproveitam sem escrúpulo dos demais seres. Anunciando, praticando e encarnando o amor, a Justiça, a compaixão, a generosidade, a lealdade, ou espirito de serviço e de solidariedade. Porém o fazem não por serem super-heróis, por obterem superpoderes, ou por serem mais especiais que os demais. São seres comuns que o fazem pela benevolência de Deus, que os chamou das trevas para luz.

Pois Deus, que disse: “Das trevas resplandeça a luz”, ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo. Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que o poder que a tudo excede provém de Deus, e não de nós. – 2 Coríntios 4.6-7

O que fica claro é que tanto “o outro” quanto “o Eu” ambos fazem parte do Reino de Deus perfazendo “o Nós”, nisto consistirá os agentes do reino, ou seja, a eklesia (Igreja).

As pessoas que uma vez inseridas no reino se empenham na sinalização deste no aqui e agora anunciando esperança, constroem realidade futura e não apenas se atendo no passado interpretando a história. 

“À igreja é dada a tarefa de esforça-se para trazer o futuro para o presente. Sendo a igreja portadora do futuro, a promessa do Reino de Deus torna-se fundamento para a missão do amor pelo mundo”Moltmann (Teologia da esperança, p. 265.)

Como afirma Isaías: “Levando boas notícias aos pobres e anunciando liberdade aos presos, dando visão aos cegos, libertando os que estão sendo oprimidos e anunciando que chegou o tempo em que o Senhor salvará o seu povo. para dar aos que choram em Sião uma coroa de alegria, em vez de tristeza, um perfume de felicidade, em vez de lágrimas, e roupas de festa, em vez de luto. Eles farão o que é direito; serão como árvores que o Senhor plantou para mostrar a todos a sua glória.”Isaías 61.1-3.

Estes São os que encaram a vida como dom de Deus, e, portanto a tornam originalmente boa e digna. São aqueles (as) que zelarão pela harmonia e beleza do mundo. Contudo o que a Igreja de Cristo se propõe anunciar não são ideologias, não são partidos, não são meras opiniões subjetivas por assim dizer, mas sim o reino que se torna visível por intermédio da revelação última: CRISTO.

“Pois nós não anunciamos a nós mesmos; nós anunciamos Jesus Cristo como o Senhor e a nós como servos de vocês, por causa de Jesus.”2 Coríntios 4.5

Emiliano J.A. João on sabfacebookEmiliano J.A. João on sabemail
Emiliano J.A. João
Emiliano Jamba António João, Filho de António João e de Maria de Lourdes António, nascido na cidade do Huambo, província do Huambo em Angola. Do grupo étnico dos Ovimbundos que pertencem ao povo Bantu. Atualmente reside no Brasil desde 2014, na cidade de Campinas no Estado de São Paulo.
Graduando em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil (FNB), e em Direito pela Universidade Paulista,(UNIP). Membro do grupo de iniciação cientifica sobre a Ética das Virtudes, coordenado pelo Dr. Sidney de Moraes Sanches.
Membro do grupo de Teologia Negra - FTL, campinas,
Áreas de pesquisa: Religião e política, com ênfase no missionaríssimo cristão na África subsaariana Lusófona, e sua implicação na politica, Ética e filosofia Africana.

Amor Inesperado

Quando falamos em amor inesperado queremos dizer sobre situações que nos surgem quando não esperamos e que exigem de nós o amor. Lembrando que o amor não tira férias – não deveria pelo menos – precisamos estar atentos ao nosso redor, pois a vida sempre nos traz algumas surpresas que podem parecer boas, mas depois se mostrarem ruins e vice-versa.

Se estivermos distraídos na tarefa de amar, podemos perder oportunidades preciosas de amar e ser amado por alguém que já conhecemos ou não. Quem nunca se deparou com alguma situação corriqueira de perceber algum idoso ou uma pessoa com necessidades especiais precisando de alguma ajuda em algo que sabemos que ela não vai conseguir realizar sozinha? Às vezes são pessoas que conhecemos, mas outras vezes não.

Independente se conhecemos esta pessoa ou não, em situações como estas temos que estar atentos se seremos úteis ou não. Mas ambos só serão percebidos se estivermos imbuídos em amar, pois o amor considera o outro antes de nós mesmos.

Muitas vezes a nossa agenda diária está repleta de programações voltadas sempre para nós mesmos e para as nossas necessidades. E não damos espaço para incluir o outro nela. Mas a vida não dá para ser vivida apenas no que foi programado, pois ela nos traz tantas coisas inesperadas que nossa agenda sempre vai mudando. E muitas das vezes a rotina acaba nos acomodando na tarefa de sair de nós mesmos.

Mas quando estamos atentos na tarefa de amar, conseguimos estar mais preparados para os imprevistos da vida que nos exigem um olhar mais demorado e caprichado para o outro. Dão-nos oportunidades de sair de nós mesmos e manter a nossa vida em movimento sem se estagnar no rotineiro.

E se a vida demora a nos trazer estas chances? O que fazer? Será que podemos nos colocar em situações que irão requerer de nós elasticidade de agenda? Quando saímos da nossa zona de conforto intencionalmente nos aventuramos em um mundo desconhecido onde tudo pode acontecer. Não precisamos viajar para longe, gastar meses em algo para vivermos isto, mas coisas cotidianas simples, pequenas que podem nos dar experiências de amor incríveis.

A vida nos pega de surpresa em muitas situações, mas podemos estar preparados minimamente para que possamos aproveitar a vida ao máximo que ela pode nos oferecer. E o que há de melhor neste mundo do que pessoas? Ás vezes são o que há de pior também, é verdade. Mas sem pessoas não há vida, não há mundo, não há graça.

Se arrisque e se aventure na tarefa de viver atento à vida, às pessoas que lhe cerca para poder ter encontros que ficarão na sua memória para sempre e farão parte da sua história. A esperança é um motivador que nos move em direções aos outros em amor para situações não esperadas, mas que nos darão um amor inesperado.

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

Eclesia Semper Reformanda

“Estou certo disso: aquele que começou a boa obra em vós irá aperfeiçoá-la até o dia de Cristo Jesus”. (Filipenses 1.6)

Igreja sempre em reforma era um dos lemas que surgiram da Reforma Protestante iniciada por Lutero, Calvino, Zwinglio e outros. Na mente dos reformadores a igreja deveria estar sempre se reformando a fim de cumprir a vontade de Deus e concomitantemente responder as inquietações e questões dos tempos, de tal modo a apresentar o Evangelho de uma maneira compreensível e acessível ao povo. Tanto que foi Lutero que lutou para que a Bíblia estivesse nas mãos do povo. Mas o que era pra ser um lema a ser seguido na prática, acabou ficando cristalizado na teoria. E as igrejas, grande parte delas, pelo menos, tornaram-se fechadas as novas questões apresentadas pela sociedade. Muitas igrejas, assim, querem responder perguntas que ninguém mais faz, apresentam o Evangelho de uma maneira tão caduca e descontextualizada que a rejeição por parte dos que ouvem é algo absolutamente certa. Será que as coisas devem ser assim?

Um fato: Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente como diz o autor da carta aos Hebreus. O Evangelho de Cristo também é o mesmo, ele continua a ser o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16). Contudo, existem coisas que precisam estar em constante mudança; por exemplo, os métodos, os recursos, a linguagem, a estrutura, a instituição. A ideia não é absorver valores mundanos, diametralmente opostos aos ensinamentos das Escrituras, não mesmo, a ideia é se tornar compreensível, acessível, transparente, contagiante, atraente sem torcer os valores do Evangelho.

O caminho de Jesus Cristo não é fácil, não é um mar de rosas, afinal, é um caminho de renúncia, de negação de si, e doação a Deus e ao próximo. É um caminho de cruz. Mas aí está a beleza escandalosa e divina do Evangelho. Pois a cruz é tanto sofrimento quanto glória. E ela é nossa vocação e nossa alegria. Só quem ama a Cristo pode entender isso.

Diante disso, a igreja, comunidade do Senhor, tem a responsabilidade de proclamar o Evangelho na beleza que ele tem, para isso, deve vencer a institucionalização, o moralismo, o tradicionalismo, o formalismo, o clericalismo e muitos outros “ismos”. A igreja tem que estar sempre se reformando, para não ser engolida pela irrelevância. Tem que mostrar na sua vivência que o Evangelho é uma mensagem para o nosso tempo. Para hoje. Para imediatamente agora. Deve transmitir na sua rotina a alegria de ser de Jesus Cristo, a paz e esperança de ser gente boa de Deus. Infelizmente, existem igrejas que tornam o Evangelho opaco e triste, sem luz, sem vida.

Será que nossa vida pessoal e nossa vivência eclesiástica demonstra a beleza e o poder do Evangelho? Se a resposta for não, busque uma transformação já. O Evangelho é um convite constante à reforma. Pense nisso!

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.