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Ressurreição: Vitória de Cristo, Vitória da Vida

Falar sobre Páscoa é falar sobre a morte e ressurreição de Cristo. Contudo, o significado da Páscoa está atrelado ao que aconteceu com o povo de Israel no dia da sua libertação do cativeiro do Egito. Isto pode ser lido em Êxodo 12. Quando fazemos esta ponte com o A.T. o sentido da Páscoa, nossa Páscoa cristã, fica enriquecido.

Na refeição da Páscoa um animal do rebanho, macho de um ano (carneiro ou cabrito) foi sacrificado e assado. Os israelitas comeram com “lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão” (Êxodo 12.11), ou seja, prontos para uma viagem imediata. Além disso, um pouco de sangue do sacrifício foi colocado nos umbrais das portas das casas dos israelitas para que seus primogênitos fossem
poupados.

O decreto de Deus para seu povo foi: “Este dia será um memorial
que vocês e todos os seus descendentes celebrarão como festa ao Senhor.
Celebrem-no como decreto perpétuo”
(Êxodo 12.14). Assim sendo, falar de Páscoa significa falar de libertação, e dizer que Deus atuou poderosamente e salvou seu povo da escravidão.

Jesus viveu e morreu para servir e honrar a Deus. Sua morte na cruz é a grande demonstração de obediência ao Pai, serviço abnegado aos homens e amor ao Reino. Ele assumiu na cruz o lugar que era de
cada ser humano, ele na cruz se tornou o próprio e definitivo Cordeiro Pascal.  Portanto, falar sobre Páscoa é falar do
Cordeiro de Deus que foi morto pelos pecados da humanidade (João 1.29), mas que ressuscitou em poder, e glória demonstrando vitória sobre a morte (I Coríntios 15.54-57), reivindicando-o como justo (João 16.10), identificando e ratificando sua identidade divina (Romanos 1.4). Louvado seja Deus! A Páscoa é sim uma
festa cristã, e nela celebramos a vida que emana de Cristo Jesus.

Que maravilhoso poder dizer em alto e bom som: Jesus venceu a morte, portanto, é o Senhor da vida. Como Senhor da vida, tem autoridade plena para afirmar: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá, e quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente” (João 11.25 e 26). O apóstolo Paulo tinha
plena convicção que Cristo era o Senhor da vida, por isso ficava desesperado por saber que muitos não estavam dando crédito a ressurreição de Jesus, e seguindo essa linha de pensamento só poderia haver uma conclusão: “Se mortos não ressuscitam (inclusive Cristo), comamos e bebamos que amanhã morreremos” (I Coríntios 15.32). Ou seja, sem a ressurreição de Cristo, a vida perde todo o seu sentido, toda a sua beleza, toda a sua esperança, todo o seu brilho. Não se deixe enganar, meu caro irmão e irmã: Cristo está vivo!
Plenamente vivo! Está à direita de Deus e intercede por nós. Note e anote: falar de Cristo como Senhor e dono da vida está intrinsecamente ligado a falar de Cristo como ressurreto.

Que alegria! Cristo ressuscitou! Sua ressurreição enche meu coração de esperança: posso pensar na morte e compreender que ela não é o fim, visto que Cristo é a ressurreição e a vida. Por isso a cada dia tomo a decisão de seguir a Jesus: porque Ele despeja
vida na minha vida, dele sobeja graça, salvação, libertação e esperança, Ele é o príncipe da paz, em seus braços há consolo e refrigério. Nele, somente nele há vida abundante, isto é, vida divina, na minha e na sua vida. Nas palavras do pastor Ed René Kivitz: “Seguir a Jesus Cristo é colocar os pés na rota da vida eterna. Vida com
qualidade divina, que não se esgota nos limites do corpo mortal, mas se
plenifica no corpo da ressurreição, quando o mortal se reveste de imortalidade e o corruptí­vel de incorruptibilidade
”.

Quando alguém lhe perguntar sobre o significado da Páscoa, diga assim: Páscoa é a festa que celebra a intervenção de Deus na história para trazer libertação aos seres humanos. Usando as palavras do apóstolo do amor: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito para que todo aquele que nele crer, não pereça, mas tenha vida eterna”. Páscoa é abraçar com todo o coração o
mistério da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Páscoa é se prostrar diante do Deus libertador, salvador, gracioso e benevolente. Páscoa é trazer a memória que o maior medo do ser humano, a morte, não é o fim, porque Cristo ressuscitou. Páscoa é dizer com o apóstolo Paulo: “Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte o seu aguilhão? Graças a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (I Coríntios 15.55 e 57). Páscoa é a vida de Deus fluindo do seu trono de graça e chegando até nós através da obra
remidora e redentora de Cristo na cruz. Acho que não é preciso dizer mais nada.

Soli Deo Gloria.

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

O Evangelho da crise

Certamente a igreja de Cristo precisa de um despertamento urgente. Como disse Jesus, “os campos estão brancos para acolheita”, ademais o sofrimento no mundo é gigantesco e em muito de nossos templos, supostamente cristãos, estão discutindo, há anos, sobre o sexo dos anjos. O chamado divino para ser sal e luz no mundo tem sido esquecido ou tratado levianamente. O despertamento, tão necessário, só acontecerá quando todos nós nos voltarmos para o Senhor Deus com todo nosso coração, alma, força, vontade e entendimento. Imaginemos que nós fossemos passar por uma prova surpresa exatamente agora. A prova teria 6 questões. E as perguntas seriam: Será que nós, como igreja, temos aprendido: A pensar de forma precisa?! A se comportar eticamente?! A pregar apaixonadamente?! A cantar alegremente?! A orar honestamente?! E a obedecer fielmente?!

Fica aí as perguntas para cada um fazer sua autoavaliação. Impulsionado por esses questionamentos, enfatizo que não é possível pensar num relacionamento profundo com Deus, sem passar pela compreensão e vivencia do Evangelho de Jesus de Nazaré. Infelizmente, muitos crentes pensam que Evangelho é a mensagem que tem que ser pregada somente para os não convertidos, mas isso não é verdade, isso não é verdade mesmo; o
Evangelho não é só para iniciantes na fé, como diz Tim Keller, “ele não é o ‘ABC’ da vida cristã, ele é o de ‘A à Z’ da vida cristã”. E a igreja não só precisa compreender o Evangelho com profundidade, mas precisa viver de acordo com ele. Ou seja, o Evangelho é um desafio constante para igreja do Senhor, e a Bíblia nos mostra, em muitos exemplos, que muitas igrejas se afastaram do Evangelho de Deus. Por isso precisamos vigiar e orar para não transformarmos a mensagem radical de Jesus numa água com açúcar que não faz diferença na vida de ninguém.

Por isso gostaria de pensar sobre o Evangelho da Crise. E o objetivo deste texto é que compreendamos que Evangelho de Jesus toca, questiona e transforma nossa vida em todas as dimensões, pois
não há nenhuma área da vida humana que Cristo não queira exercer seu Senhorio. 

Definindo a palavra crise

É comum ouvirmos a palavra crise, principalmente nos dias atuais em nosso país e em muitos países da América Latina. E geralmente a ideia que se tem de crise é pejorativa. Segundo Leonardo Boff no livro – Crise: oportunidade de crescimento – crise, etimologicamente, pode significar “desembaraçar” ou “purificar”. A crise age como um crisol (elemento químico) que purifica o ouro ou a prata das impurezas, acrisola (purifica, limpa) dos elementos que se incrustaram e podem comprometer a substância. Crise, neste sentido, purificar para manter o cerne, a essência. De crise vem ainda a palavra critério que é a medida pela qual se pode julgar e
distinguir o autêntico do inautêntico, o bom do mau. A crise é uma
descontinuidade e uma perturbação dentro da normalidade da vida provocada pelo esgotamento das possibilidades de crescimento de um arranjo existencial. A crise acontece quando os modelos existenciais pré- estabelecidos já não dão mais conta da realidade. Os paradigmas estão caducos. Daí vem a crise. Que gera
uma perturbação no sistema para transformá-lo.

Às vezes, Deus faz isso conosco. O vento dele sopra, faz uma bagunça na nossa vida para colocar as coisas no devido lugar. O sofrimento é algo que Deus pode usar neste sentido.

O sistema capitalista como se apresenta hoje já mostra sinais de desgaste. É por isso que existem tantas crises. Este modelo de consumo ad infinitum não vai resistir por muito tempo. As escolas, com seu modelo de ensino tradicionalista não dão conta das demandas de hoje. Poderíamos ainda citar o modelo político de nosso país e sistema carcerário. As próprias igrejas têm passado por crises porque seus paradigmas já não dão conta da complexidade da pós-modernidade.

Mas o Evangelho de Jesus não envelhece nunca e sempre traz a Boa Notícia de Deus aos homens e mulheres de todos os tempos, de todos os lugares e de todas as culturas.

O Evangelho da Crise

Usamos a expressão o Evangelho da Crise porque o Evangelho de Jesus, sua mensagem transformadora de salvação que afirma que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, provoca crise. O Evangelho de Jesus é um incomodo para todos os sistemas inclusive para os sistemas religiosos. Exemplifiquemos rapidamente, pensando em modelos e estruturas que haviam no tempo de Jesus: Jesus gera crise no modelo fariseu da vida. Eles pregavam, como
preparação para a estourar do reino, a estrita observância da lei. Abordavam a realidade com categorias preconcebidas e moralizantes: justo e injusto, piedoso e ímpio, próximo e não próximo. Jesus, provoca este sistema ao afirmar que as
pessoas não são aceitas por Deus com base em méritos e prática da lei mosaica e da tradição da religião. Parafraseando Paulo Brabo: “Jesus Cristo era considerado pelos religiosos de sua época um judeu desaforado, por pregar que as pessoas eram aceitar por Deus com base em seu próprio cavalheirismo e graciosidade, mediante ao sacrifício de Jesus”. E não no cumprimento das regras da tradição.

Jesus gera ainda crise na modelo de vida dos essênios. Os essênios eram uma comunidade de monges de grande rigorismo, vivendo nos mosteiros de Qunran, perto do Mar Morto. Conforme os manuscritos descobertos em 1948, eles excluíam do reino todo aleijado das mãos, dos pés, cego, surdo, mudo ou portador de
qualquer mácula. Cristo, pelo contrário, convida a participar na ceia do Reino os pobres, aleijados, cegos e coxos. “O servo voltou e contou tudo a seu senhor. Então, indignado, o dono da casa disse ao servo: Sai depressa para as ruas e becos da cidade e traze aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os mancos.” (Lucas 14.21) Entre os essênios ainda reinava a mais rigorosa ordem hierárquica sob a alta direção sacerdotal. Em vez de hierarquia Cristo ensina a
hierodulia (serviço sagrado): Aquele que quiser ser maior seja o servidor, e aquele que quiser ser o primeiro seja escravo de todos (Mc 10.43 e 44). Os exemplos são muitos: herodianos, saduceus etc. Jesus gerou crise em todos estes grupos.

É tempo, portanto, de servirmos ao Senhor de verdade, com alma e integridade, sem querermos perverter sua mensagem só para ficarmos numa zona de conforto com a consciência alienadamente
tranquila. Se o Evangelho não tem gerado crises em nossos sistemas e paradigmas de vida é porque certamente o evangelho que afirmamos crer está desalinhado e desajustado com aquela mensagem que saiu da boca de Jesus. Um evangelho falsificado não
terá condições e forças para transformar o coração humano, muito menos para fazer diferença na sociedade. Deus tenha misericórdia de nós!

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

Banalização da vida na cidade

Qual o valor de uma vida?! Um carro?! Um celular?! Uma bicicleta?! Um tênis?! Uma boa quantia de dinheiro?! Infelizmente em nosso país muitas pessoas foram assassinadas por conta dessas coisas e isso demonstra o quanto a vida se tornado banal nestas terras brasileiras.

A banalização de vida é resultado de vários fatores e tudo começa obviamente pela maldade que está instalada no coração humano, o próprio Jesus disse: “pois é de dentro do coração humano que procedem maus pensamentos, imoralidade sexual, furtos, homicídios, …” (Mc 7.21). Paulo reforça dizendo: “não há um justo sequer. […] Os seus pés se apressam para derramar sangue. Nos seus caminhos há destruição e miséria” (Rm 3.10, 15 e 16).

Apesar, do pecado estar incrustado no coração de todas pessoas, não são todos que saem por aí tirando a vida dos outros. Por que o nosso país e tantos outros da América Latina são campeões nos índices de violência no mundo? Os fatores são muitos: um Estado fraco, a força do tráfico de drogas, a facilidade em adquirir armas, a impunidade, cadeias que não corrigem, mas que punem desumanamente, educação de má qualidade e também a desigualdade social. É claro que existem outros fatores como, por exemplo, a mera ganância e a facilidade que a vida no crime pode levar ao poder e ao sucesso financeiro. Isso não são justificativas para os crimes que acontecem, mas demonstram a complexidade da violência por aqui.

E olha que nem falamos da mentalidade que a sociedade de consumo implanta nas pessoas afirmando o tempo todo que o valor de uma pessoa está naquilo que ela tem e não naquilo que ela é, tudo isso somado ao pecado, a atuação do diabo, a fraqueza de nossas instituições e a desigualdade social e muitos outros fatores geram o caos social que nós vemos todos os dias nos noticiários e também no entorno de onde vivemos.

Diante deste cenário tão triste o que a igreja de Jesus pode fazer?! Ela deve orar com mais intensidade para que o Reino venha, como está demonstrado na oração modelo que Jesus deixou (Mt 6). A igreja deve orar pisando no chão da realidade, ou seja, orar por problemas da sua cidade, do estado, do país, do mundo; deve orar pelos governantes, pela polícia, pela segurança em nossas fronteiras e que os funcionários do governo, independente da instância que trabalhem, sejam menos corruptíveis. A igreja pode ainda assumir seu papel profético, demonstrando junto aos governantes e a mídia sua indignação diante do mal social instalado que já pode ser chamado de barbárie. Contudo, as igrejas locais devem se unir para isso, devem enfrentar barreiras denominacionais pelo bem da cidade e do país. A igreja ainda deve encarnar o Evangelho, vivendo-o na prática, com gestos carregados de compaixão e propagando-o nas escolas, universidades, hospitais, cadeias, indústrias, fábricas, batalhões de polícia, nas ruas, nas favelas, enfim, em todos os lugares.

Não podemos ficar indiferentes à banalização da vida, não podemos ficar insensíveis diante de pais que são tirados de seus filhos e filhos que são arrancados de seus pais. Não podemos aceitar que as coisas são assim mesmo e que não há nada que podemos fazer. Não podemos permitir que domine e reine nas nossas mentes uma teologia fundamentalista que pensa e propaga aos quatro ventos que até a barbárie faz parte da vontade de Deus. Não mesmo, a barbárie faz parte do anti-Reino e a igreja precisa se posicionar de forma não alienada.

Nós, como cristãos seguimos ao Crucificado e Ressurreto, o Senhor Jesus, devemos, portanto, num ato de coerência, colocar-nos ao lado de tantos crucificados e injustiçados na história. Juntemo-nos a salmista quando diz: “Creio que verei a bondade do Senhor na terra dos viventes” (Sl 27.13). Associemo-nos ao profeta quando afirma: “assim como as águas cobrem o mar, a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor” (Hc 2.14). Levemos suficientemente a sério Aquele que diz: Bem-aventurados os pacificadores porque eles serão chamados filhos de Deus (Mt 5.9). Kyrie Eleison!

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

Vida, mais vida e mais vida ainda

“Eu  vim para que tenham vida, e a tenham com plenitude”. (João 10:10b)

As palavras citadas acima são do Senhor Jesus. Palavras fortes e que penetram na profundidade do coração. Jesus, nessas palavras, mostra uma de suas vocações ao vir ao mundo – trazer vida. Por isso concordo com Caio Fábio quando diz que só pode ser chamado de vida aquele existir que brota e emana de Cristo. Pensemos um pouco
nessas coisas…

É fato que se uma das vocações – e porque não dizer –  a vocação de Jesus de Nazaré era trazer a vida, isso significa que cada um de nós é chamado a usufruir dessa vida que Ele dá. Para que você não confunda a vida que brota de Cristo com qualquer tipo de
vivência ou existência passarei a denominá-la de VIDA. Infelizmente, muitos que se dizem seguidores de Cristo não têm bebido dessa VIDA. Ou melhor, não têm optado por essa VIDA. Têm seguido por outros caminhos, que na verdade são descaminhos. Preferem construir a sua própria vida, com suas próprias forças, métodos e religião, e vivem, assim, do jeito que bem entendem. Eles se
esqueceram das palavras do apóstolo do amor: “Nele (Cristo) estava a
VIDA
”. Eles foram engolidos pelas circunstâncias da existência, desistiram de sorrir em meio ao peso de se viver – que é uma realidade, como o próprio Jesus já havia dito: “No mundo tereis aflições” (João 16.33). Mas mesmo assim, as palavras de Cristo ecoam até nós: “Eu vim para que tenham VIDA”.

Jesus quando pisou nesta terra – lá no século primeiro – veio em meio a circunstâncias difíceis, nasceu num lugar de miséria e sofrimento, opressão por todos os lados, pressão do governo romano – governo por sinal sanguinário, e uma religião ultra-mega-plus-ortodoxa-fundamentalista que pouco ou nenhum compromisso tinha com a VIDA. Mas apesar de tudo isso, através de seus ensinamentos, de suas opções, suas experiências, Jesus transmitia VIDA por onde passava, com quem se encontrava. O cego de nascença pôde exultar dizendo: “não sei quem Ele era, só sei que eu era cego e agora eu vejo”(João 9.25). O cobrador de impostos Zaqueu teve toda sua vida confrontada pela VIDA, e mediante disso, vibrou e falou: “Senhor, darei aos pobres metade dos meus bens, e se prejudiquei alguém em alguma coisa, eu lhes restituirei quatro vezes mais” (Lucas 19.8). No encontro existencial com a VIDA Pedro disse: para quem iremos nós, Senhor, só tu tens as palavras de VIDA eterna” (João 6.68).
Caio Fábio, indo na mesma linha dos exemplos bíblicos, acertou em cheio quando disse que seguir Jesus é o mais fascinante projeto de VIDA.

Eu concordo e aceito a frase de João Guimarães Rosa que viver é um negócio muito perigoso, e é mesmo; eu sei que somos frágeis, limitados, vulneráveis, e somos mesmo. Eu sei que vivemos em cidades cheias de violência, maldade, e toda sorte de injustiça e vivemos mesmo; eu sei que estamos sujeitos a doenças, a perda dos entes queridos, ao esfriamento da fé e da esperança e estamos
mesmo; eu sei que o relacionamento conjugal pode passar por invernos rigorosos, que o relacionamento com os filhos pode se tornar frio e complicado, eu sei que a convivência e a vivência na igreja pode se tornar rotineira e alienada da realidade, eu sei de tudo isso. Contudo, eu sei também que Jesus disse: que veio para que trazer VIDA, e VIDA com plenitude. E sei ainda que dar VIDA, fazer com que nasça uma esperança em meio ao caos, renovar a fé, doar força na fraqueza, trazer beleza aos relacionamentos, iluminar quem
está nas trevas e fazer com que vida seja VIDA são especialidades de Jesus Cristo. Ante o que foi exposto até agora, faz-se necessário fazer uma opção, a opção pela VIDA. Opção pela VIDA em plenitude.

Que todos nós, hoje, em humildade, acheguemo-nos ao trono da graça e de bondade, e peçamos agora, somente uma coisa, nada mais – VIDA em plenitude. Oremos então:Senhor Jesus, o Senhor é o dono da VIDA, e só pode ser chamado de vida a VIDA que vem do Senhor. A nós pecadores, a nós sofredores, a nós indignados com a injustiça e a
maldade do mundo que construímos, a nós limitados, a nós vulneráveis,
instáveis, inconstantes derrame, por misericórdia, da tua VIDA em plenitude para que o nosso coração se encha de alegria e força para enfrentar os desafios que nos são propostos a cada dia, e que assim, o nosso existir possa valer a pena, e que então, sejamos canais dessa VIDA para que ela alcance aqueles que nos rodeiam. Amém.

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

Por uma pastoral do Reino de Deus

Entende-se por pastoral o caminho de práxis adotado por uma igreja cristã no anseio de sinalizar o Reino de Deus neste mundo decadente, violento e injusto. Não há como negar que o tema Reino de Deus embasou a essência da pregação de Jesus de Nazaré, e é nesta direção que uma igreja bíblica deve caminhar.

Segundo o teólogo latino americano Jon Sobrino “O Reino de Deus dominou a vida pública de Jesus, sendo ele o mediador, absoluto e definitivo, do Reino. Em Jesus a realidade histórica do Reino se concretiza nele mesmo. A sua conduta demonstra os sinais do Reino quando acolhe o pobre, realiza milagres, expulsa os demônios, senta-se à mesa com publicanos e pecadores, compartilha uma nova imagem para Deus”.

Para a construção de uma pastoral pela perspectiva do Reino de Deus faz-se necessário um olhar sobre o ser humano na integralidade do seu ser. Nesse sentido o conceito de salvação da alma, herdado da teologia gringa1  não bíblica (ver Lucas 4.14 a 30), é ampliado para a salvação do ser humano na completeza do seu ser: uma mistura de corpo, alma, espírito, vontade, sentimentos, emoções, sonhos, desilusão etc. Na doutrina bíblica, Deus salva o ser humano por inteiro (ver Romanos 12.1 e 2, Filipenses 2.12 e 13, Colossenses 3.10 a 17), pois alma sem corpo seria um fantasma e corpo sem alma seria um defunto.

Creio piamente que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, no acolhimento de tamanha graça o ser humano é selado com o Espírito Santo da promessa que é a garantia de pertença à cidade eterna onde reina plena a justiça, além disso, tal pessoa, tomada pelo poder libertador da graça, é impulsionada, no aqui e agora da vida, para um engajamento no Reino de Deus com o intuito de ser instrumento divino na prática de boas obras para que as pessoas sejam levadas a glorificar a Deus.

Dentro dessa lógica, evangelizar não é somente levar pessoas a Jesus, mas principalmente levar Jesus às pessoas através de ações concretas, pregação e práxis, que estejam em pleno acordo com a vontade de Deus, e sejam sinais da atuação divina neste mundo mau. Assim cada cristão é vocacionado para pregar com sua vida que Deus não se esqueceu das pessoas, mas quer perdoá-las, restaurá-las, curá-las, libertá-las, enfim, salvá-las na totalidade do seu ser e da sua historicidade e se relacionar com elas, como Pai de amor, para todo o sempre.

Para que isso ocorra é necessário sair das quatro paredes do templo, e decidir ser sal fora do saleiro. Quem vem?!

1.Seria uma injustiça afirmar que tudo que aprendemos e recebemos dos irmãos americanos, em termos de teologia, esteja equivocado. Seria verdadeiramente uma grande injustiça. Mas essa supervalorização da alma e do céu em detrimento da importância do corpo e da vida aqui na terra, certamente, não encontra respaldo na Bíblia. Para aprofundar essa questão sugiro a leitura do livro Missão Integral de René Padilha.

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Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.