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Alegria Transbordante

 Muitos pastores, missionários e líderes cristãos com zelo e no intuito por ver o evangelho salvador de Jesus ser proclamado, acabam por usar como estratégia colocar peso na consciência dos cristãos para que se engajem nesta obra, e Deus que age livremente por sua boa vontade até permite que trabalhos feitos com base neste peso avancem. Mas certamente, agir assim, com esta motivação, não faz jus a beleza do Evangelho do Senhor Jesus. Todos os cristãos têm a responsabilidade de proclamar a salvação que há exclusivamente em Cristo, porém, sua motivação deve estar alinhada com toda glória que esta mensagem traz, ou seja, é preciso proclamar o Cristo com alegria transbordante, uma alegria que não cabe dentro do coração e da mente e atinge, de alguma forma, todos aqueles que estão ao nosso redor.

A alegria é prometida por Jesus na sua oração sacerdotal (ver João 17.13), que ainda enriquece esta promessa dizendo que a alegria dele será derramada na vida dos discípulos de forma completa. O próprio Cristo é impulsionado em seu ministério pela promessa da alegria (Hb 12.2). O apóstolo Paulo convida os irmãos da igreja de Filipo a se alegrar no Senhor (Fp 4.4) e ainda explica a igreja de Roma que a alegria é uma característica do Reino de Deus (Rm 14.17). Neemias motiva o povo de Israel para a obra de Deus lembrando que “a alegria do Senhor é a sua  força” (Ne 8.10). E os salmistas também incentivam o povo a buscar alegria no Senhor, como por exemplo, o Salmo 37.4 que diz: “alegra-te no Senhor e ele satisfará os desejos do seu coração”. Veja, a alegria do Senhor está absolutamente disponível para aqueles que se rendem de coração a Deus e a Seu Filho, Jesus Cristo.

Michael Green escrevendo sobre o sucesso da evangelização nos primeiro, segundo e terceiro séculos da era cristã, afirma que uma das explicações para este êxito é justamente a alegria na vida dos cristãos, que viviam sua fé de forma bonita, fraterna, comprometida, cheia de amor e impulsionados por esta alegria transbordante e assim sua postura tinha uma força atracional muito grande na vida das pessoas, e assim o Senhor ia acrescentando a igreja os que iam sendo salvos (At 2.47). Enquanto os cristãos se alegram em Deus, Ele vai fazendo a sua obra.

Infelizmente, para muitos a vida de fé, a participação numa igreja, o ato de servir através de algum ministério, acabou se tornando uma rotina, uma mera obrigação, uma tradição. Mas agir assim não faz o menor sentido, uma vez que Deus por sua graça decide abrir as portas do céu e despejar sobre aqueles que o buscam a alegria, Deus deseja que a sua obra seja feita em alegria (Salmo 100), porque só a alegria transbordante pode fazer justiça a beleza, força, glória, profundidade, magnanidade e magnitude do Evangelho.

C.S.Lewis, grande escritor cristão do século XX, escreveu: “O cristianismo, se for falso, não tem valor; se for verdadeiro, tem valor infinito. A única coisa que lhe é impossível é ser “mais ou menos” importante.” Lewis está afirmando que não há lógica em se viver o cristianismo em mediocridade porque sendo verdade, e assim o cremos com toda nossa vida, ele tem valor infinito, mas como viver algo que tem valor infinito de forma cabisbaixa, cansada e muitas vezes preguiçosa e até infeliz?!

Talvez alguém possa pensar que não há espaço para a tristeza na vida cristã, o que é certamente, um equívoco. Claro que há, pois Deus age em nós e por nós em nossa integralidade e na dialeticidade da vida, na mistura de coisas boas e ruins que acontecem com a gente o tempo todo. Todavia, a alegria que vem de forma dadivosa do Senhor supera as circunstâncias, e cria resiliência e perseverança para que as pessoas que andam com Deus, consigam viver com coragem e firmeza a vida mesmo em meio a tristeza. O estar triste, não é contraditório com o ser alegre.

Caso você esteja vivendo de forma triste e entristecedora, convido-o a dobrar seus joelhos e buscar com disciplina a Deus confiando que o próprio Cristo prometeu derramar da sua alegria em nossos corações. Mas confie mesmo e certamente Deus há de atentar para seu clamor, afinal, a alegria é o combustível da vida cristã, não dá pra ficar sem. Lembre-se que diante de Deus não só importa o que fazemos, mas o como fazemos também. Que façamos então a obra dEle de proclamar o Evangelho, amar ao próximo, servir aos que sofrem etc com alegria, com mais alegria e com mais alegria ainda porque é assim que deve ser.

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

Mergulhando em Deus para poder mergulhar em si mesmo

“Por que vês o cisco no olho de teu irmão e não reparas na trave que está no teu próprio olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o cisco do teu olho, quando tens uma trave no seu? Hipócrita! Tira primeiro a trave do seu olho; e então enxergarás bem para tirar o cisco do olho de teu irmão”. (Mateus 7.3 a 5)

 “Levai os fardos uns dos outros e assim estareis cumprindo a lei de Cristo” (Gálatas 6.2)

 Existem duas posturas que um ser humano pode assumir na jornada existencial: o auto-engano e autoconsciência. O auto-engano é aquela atitude teimosa e insistente tomada por alguns que se recusam a olhar para si mesmos com sinceridade, enxergar as falhas, os problemas, os vícios, as maldades que estão no fundo do próprio coração, as mazelas comportamentais da própria vida. Já a autoconsciência é aquela honestidade consigo mesmo e com os outros também, inclusive com Deus, de aceitar o que se é, com toda integridade e sinceridade, seja bom ou seja mau e assumir uma luta constante para ser melhor para Deus, para si e para os outros.

Em geral, aquele que se auto-engana tende a ser muito duro e rígido com os outros. Isso é bem visível nos religiosos que foram pedra de tropeço no caminho de Jesus Cristo quando ele passou por aqui. Justamente por serem religiosos e cumprirem uma lista gigantesca de tradições, rituais e formalidades tais homens se gabavam de si mesmos e desprezavam os que não eram da sua corja. Não só desprezavam, mas também julgavam e condenavam o tempo todo, tendo um prazer estranho de punir e ver o sofrimento alheio. Aquele que se auto-engana não tem espelho em casa, ou seja, não se enxerga e justamente por não se enxergar minoriza ou desconsidera suas próprias falhas e faltas e se concentra, doentiamente, nas falhas e faltas dos outros. Insiste em tirar o cisco do olho do outro, mas não percebe que há uma trave no seu. Jesus dá um nome para isso: hipocrisia, isto é, o ato de fingir ser algo que não se é, assumir uma atitude de ator, e viver a vida como se esta fosse um palco.

Já o que tem autoconsciência se vê, enxerga-se com sinceridade e por se ver, acaba olhando para os outros com mais tolerância. Creio que a autoconsciência não é fruto de um encontro consigo mesmo ou de sessões terapêuticas de psicologia profunda, mas é fruto de um encontro existencial com Deus. Só quem se encontra com Deus pode dizer: “miserável homem que sou, quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7.24). Ou dizer ainda: “ai de mim! Estou perdido; porque sou homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de impuros lábios” (Isaías 6.5). Perceba que o profeta primeiramente olha para si, só depois atenta para o povo. Só quem se encontra verdadeiramente com Jesus pode afirmar com toda a convicção do seu coração: “afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador” (Lucas 5.8). Só quem se abriu honestamente para Deus e disse: “pequei contra Ti ”, (Salmo 51.4) e “eu nasci em iniquidade” (Salmo 51.5) pode também orar na simplicidade de ser o que se é e no anelo por ser mais para Ele: “ó Deus, cria em mim um coração puro e renova em mim um espírito inabalável” (Salmo 51.10). Certamente, a autoconsciência é um dos melhores remédios contra a arrogância.

Infelizmente a religião, em geral, se tornou uma fonte de auto-engano, pois produz nas pessoas uma falsa sensação de virtude e segurança. Por isso que em muitos casos os religiosos adoram falar das suas proezas e do seu bom comportamento enquanto também falam mal do comportamento de outrem. Nada mais anticristão. A verdade é que por alguém ser religioso não significa necessariamente que tenha tido um encontro com Deus e Cristo. Pois um encontro com o divino deveria produzir humildade e não orgulho, um coração de carne e não de pedra, um olhar generoso sobre o outro e não um olhar cheio de rancor impiedoso e intolerante.

Jesus não nega que haja um cisco no olho alheio, ele só ensina que para poder ajudar em verdade os outros é preciso primeiramente olhar com sinceridade para si mesmo, reconhecer as próprias faltas e os próprios descaminhos, ou seja, “tirar a trave do próprio olho”, para assim estender a mão, ajudar e se dispor a ser útil “para tirar o cisco do olho do outro”.

Paulo escreve aos Gálatas: “se alguém for surpreendido em algum pecado, vós, que sois espirituais, deveis restaurar essa pessoa com espírito de humildade. E cuida de ti mesmo, para que não sejas tentado também” (Gálatas 6.1). O pecado é uma realidade em nossas vidas, em nossas igrejas e temos que aprender a lidar com ele. O julgamento não é o jeito bíblico de lutar contra esse problema. O jeito bíblico é: buscar ajuda em Deus que é gracioso e rico em perdão, olhar para si com integridade para não se achar bom demais, e assim, com espírito de humildade, restaurar aquele que caiu.

Concluo dizendo que creio plenamente que a igreja do Senhor é uma comunidade de restauração. Ao longo da história da igreja cristã muitas pessoas não tiveram a oportunidade de serem restauradas pois foram desprezadas e excluídas. Pelo amor de Deus, chega disso! Vamos com amor e graça levar as cargas uns dos outros, sem julgamentos, sem condenações. Vamos deixar isso para quem entende do assunto: Deus que é o justo juiz. No caminho da graça a autoconsciência é uma necessidade básica. Busque isso em Deus. Em Cristo, tenho a liberdade e a coragem para dizer: cuide genuinamente de si, para poder cuidar verdadeira e desinteressadamente dos outros também. Kyrie Eleisson.

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

Eclesia Semper Reformanda

“Estou certo disso: aquele que começou a boa obra em vós irá aperfeiçoá-la até o dia de Cristo Jesus”. (Filipenses 1.6)

Igreja sempre em reforma era um dos lemas que surgiram da Reforma Protestante iniciada por Lutero, Calvino, Zwinglio e outros. Na mente dos reformadores a igreja deveria estar sempre se reformando a fim de cumprir a vontade de Deus e concomitantemente responder as inquietações e questões dos tempos, de tal modo a apresentar o Evangelho de uma maneira compreensível e acessível ao povo. Tanto que foi Lutero que lutou para que a Bíblia estivesse nas mãos do povo. Mas o que era pra ser um lema a ser seguido na prática, acabou ficando cristalizado na teoria. E as igrejas, grande parte delas, pelo menos, tornaram-se fechadas as novas questões apresentadas pela sociedade. Muitas igrejas, assim, querem responder perguntas que ninguém mais faz, apresentam o Evangelho de uma maneira tão caduca e descontextualizada que a rejeição por parte dos que ouvem é algo absolutamente certa. Será que as coisas devem ser assim?

Um fato: Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente como diz o autor da carta aos Hebreus. O Evangelho de Cristo também é o mesmo, ele continua a ser o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16). Contudo, existem coisas que precisam estar em constante mudança; por exemplo, os métodos, os recursos, a linguagem, a estrutura, a instituição. A ideia não é absorver valores mundanos, diametralmente opostos aos ensinamentos das Escrituras, não mesmo, a ideia é se tornar compreensível, acessível, transparente, contagiante, atraente sem torcer os valores do Evangelho.

O caminho de Jesus Cristo não é fácil, não é um mar de rosas, afinal, é um caminho de renúncia, de negação de si, e doação a Deus e ao próximo. É um caminho de cruz. Mas aí está a beleza escandalosa e divina do Evangelho. Pois a cruz é tanto sofrimento quanto glória. E ela é nossa vocação e nossa alegria. Só quem ama a Cristo pode entender isso.

Diante disso, a igreja, comunidade do Senhor, tem a responsabilidade de proclamar o Evangelho na beleza que ele tem, para isso, deve vencer a institucionalização, o moralismo, o tradicionalismo, o formalismo, o clericalismo e muitos outros “ismos”. A igreja tem que estar sempre se reformando, para não ser engolida pela irrelevância. Tem que mostrar na sua vivência que o Evangelho é uma mensagem para o nosso tempo. Para hoje. Para imediatamente agora. Deve transmitir na sua rotina a alegria de ser de Jesus Cristo, a paz e esperança de ser gente boa de Deus. Infelizmente, existem igrejas que tornam o Evangelho opaco e triste, sem luz, sem vida.

Será que nossa vida pessoal e nossa vivência eclesiástica demonstra a beleza e o poder do Evangelho? Se a resposta for não, busque uma transformação já. O Evangelho é um convite constante à reforma. Pense nisso!

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Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.