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EBENÉZER – Até aqui nos ajudou o Senhor

“… Até aqui o Senhor Deus nos ajudou. Por isso deu a ela o nome de Ebenézer…” – 1Samuel 7.12

Em quem você confia? Esta pergunta suscita muitas respostas mas também deveria levantar grandes reflexões sobre a nossa vida. A resposta a esta pergunta pode definir muitas coisas para nós.

Muitos irão responder que confiam na ciência, outros confiam na família, alguns confiam nos valores éticos e morais, muitos confiam em si mesmo e ainda muitos outros dizem confiar em Deus.

Mas entendo que esta resposta muito mais que verbal ela precisa ser dada através de uma reflexão profunda de vida e na nossa prática diária. Responder esta questão de formal oral é bem mais fácil que responder vivencialmente.

E é principalmente no cotidiano que iremos perceber realmente em quem (ou no quê) confiamos. Pois na nossa vida muitas vezes na prática a teoria é outra.

Podemos dizer que confiamos na ciência mas quando percebemos muitas vezes que ela não é tão exata quanto achávamos, deixamos de confiar. Seja em um diagnóstico errôneo, seja em pesquisas que condenam alguns certos tipos de alimentos logo depois tornam a aprová-los e etc.

Os que confiam na ética e na moral podem se decepcionar com crimes ou atrocidades cometidas por pessoas que “defendiam” tais valores. Podem até se decepcionarem consigas mesmas quando percebem que nem sempre conseguem viver aquilo que dizem. O famosa frase: “Faça o que falo mas não faça o que faço”.

Nesta sociedade é muito comum ouvirmos conselhos do tipo: “Siga o seu coração”. Que nada mais é a afirmação de confiar em si mesmo. E nem precisamos relatar aqui o quanto nos decepcionamos com a gente mesmo quando confiamos somente em nós mesmos.

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

 

FAMÍLIAS LÍQUIDAS – O Lar na pós modernidade

Esta segunda década do século 21 tem sido marcada pela polarização em várias áreas no nosso Brasil. Visões extremistas e radicais sobre religião, política, direitos humanos e outros assuntos tem sido vastamente alastradas na sociedade tupiniquim. Um dos temas que têm sofrido com este extremismo é a família.

Numa ponta da linha estão os radicais que se dizem “defensores da família” que dizem ter um padrão correto para a família, que tudo que foge deste padrão estabelecido por alguns não pode ser considerado uma família original e se não for do jeito deles então a família está sendo “atacada e subvertida”.

Esta visão extrema ainda ressalta que existe um padrão bíblico-religioso para a família que precisa ser seguido. A dificuldade, portanto, nesta visão é que existe uma má interpretação da família na Bíblia. Se pegarmos do começo das escrituras iremos perceber que a primeira família relatada trouxe maldição para o planeta, para os seres humanos por toda a existência terrena, foram expulsos da presença de Deus, um irmão assassinou o outro e viveu boa parte da vida como um errante.

Se avançarmos nos relatos bíblicos iremos nos deparar com famílias hebréias, israelitas, judias e cristãs chamadas por Deus mas que tiveram incestos, traições, divórcios, segundos casamentos, assassinatos, estupros, paganismo, corrupções, roubos, mentiras e tantos outros pecados e crimes.

É claro que não era o que Deus queria destas famílias mas é a realidade de todas as famílias até hoje. O problema não é querer ter uma família do jeito que Deus quer, pois entendo que isso é bom ser buscado. O problema é não respeitar configurações de famílias diferentes da sua e não enxergar que na sua família tem problemas às vezes piores que em outras famílias que tantos religiosos condenam. O problema é confundir valores de família com configurações religiosas de famílias, sem entender que Deus se preocupa menos com a forma da família e se interessa mais pelos princípios que a família vive. O problema é acreditar que a forma da sua família é melhor que outras formas de família enquanto os vários problemas (que toda família enfrenta) que se têm são ocultos para as outras famílias.

O problema é não escutar Jesus Cristo dizendo: “ — Não julguem os outros para vocês não serem julgados por Deus. Porque Deus julgará vocês do mesmo modo que vocês julgarem os outros e usará com vocês a mesma medida que vocês usarem para medir os outros. Por que é que você vê o cisco que está no olho do seu irmão e não repara na trave de madeira que está no seu próprio olho? Como é que você pode dizer ao seu irmão: “Me deixe tirar esse cisco do seu olho”, quando você está com uma trave no seu próprio olho? Hipócrita! Tire primeiro a trave que está no seu olho e então poderá ver bem para tirar o cisco que está no olho do seu irmão.” (Mateus 7.1-5)

Na outra ponta, entretanto, temos outros radicais que acham que não ter padrão de família é mais importante que buscar ter um padrão de acordo com o que se acredita, que cada um pode seguir os valores e princípios que quiser (até mesmo não ter valores), que tudo é relativo e uma escolha do coração humano de se viver do jeito que achar melhor sem se importar com que os outros irão pensar. Acreditam que ir contra todo e qualquer princípio religioso (principalmente Cristão) vai ser melhor para a sociedade (mesmo sem distinguir estes princípios dos seus próprios valores pessoais).

A impressão que dá é que muitas destas pessoas vivem apenas de acordo com seus próprios entendimentos sobre todo e qualquer assunto sem considerar outras visões onde seus valores e princípios são alterados por cada nova resolução social mais aceita pela cultura atual (o politicamente correto). É uma visão que rejeita valores sólidos mas que preferem transitar por conceitos líquidos que podem ser mudados pelo menor grau de variação. Muitas vezes se torna inclusive uma cultura contraditória quase esquizofrênica que entende, por exemplo, a família de uma forma hoje mas que amanhã pode mudar completamente por causa de um novo entendimento às vezes compartilhado por alguém sem a menor condição intelectual de reflexão do assunto.

Esta mudança na concepção do que é família – até mesmo se deve se ter um conceito estabelecido – também pode ser alterada por um crime que aconteceu, por uma nova série que fez sucesso e outros acontecimentos provisórios que logo já se tornam padrão de pensamento (pelo menos para aquela semana).

Quando se trata de família e/ou de conceitos sobre família, é sempre necessária uma visão equilibrada que evita os extremos para que não se tenha conceitos duros e imutáveis tanto quanto definições transitórias e volúveis.

O lar tem sido sim atacado pela sociedade, tanto de um lado do pólo quanto do outro. Espero que este fenômeno sócio-cultural possa “empurrar” as pessoas para o “centro” na busca de uma visão equilibrada e que menos pessoas decidam escolher um lado dos extremos radicais degladiando-se umas com as outras fazendo com que a família seja destruída mas na prática do que em teorias.

As famílias podem até ser líquidas, mas que elas “escorram” para o diálogo, respeito e amor.

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

NO COMPASSO DA MISSÃO

No meio evangélico quando se fala de missões, geralmente o conceito vem carregado de tradições que nada tem a ver com a Bíblia e com a missiologia de Jesus.

Na maior parte das vezes muitos entendem que “missões” é só para algumas pessoas que receberam um chamado especial de Deus. Entendem também que fazer missões é ir para um lugar diferente de onde se está para pregar o evangelho. Acham que necessariamente tem que falar (verbalmente) de Jesus para as pessoas.

Estudando os textos bíblicos e lendo alguns bons livros sobre o assunto percebo que o conceito de missão é muito mais amplo do que se tem pregado.

Primeiramente entendo que todo Cristão é um missionário, pois quem é salvo por Cristo tem a missão de dar prosseguimento ao que Jesus iniciou. Não existe na Bíblia nenhum dom de missionário, apesar de sermos diferentes nos dons que recebemos do Espírito Santo de Deus, estes dons e talentos servem para a nossa missão de Deus no mundo.

Em segundo lugar compreendi que missão se vive onde se está. Não precisamos ir para um lugar diferente de onde vivemos para pregar o evangelho. Nosso campo missionário é sempre onde estivermos. Para onde Deus nos enviar devemos estar em missão. Seja do outro lado do mundo, seja do outro lada da rua.

E por último, percebo que a missão que temos como discípulos não é necessariamente falar de Jesus mas principalmente viver os valores e princípios do evangelho. Podemos sim falar do que Deus tem feito em nossa vidas mas não como uma verborragia mas com a sensibilidade do Espírito de saber quando devemos falar e quando devemos nos calar. Mas viver para ser parecido com Jesus não é uma opção mas nossa missão.

Estas ideias que muitos tem sobre missões prejudica muito o conceito bíblico de missão. E provavelmente por causa destas definições equivocadas e errôneas sobre o tema, muitos não se envolvem e se sentem desmotivados na missão. Portanto entre no compasso da Missão.

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Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

ENCONTROS TRANSFORMADORES

Na nossa vida temos muitos encontros com muitas pessoas e ás vezes até vários destes por dia. Algumas destas pessoas são conhecidas e muitas outras desconhecidas. Quando encontramos pessoas que temos intimidade pode ser que não esperamos muita novidade delas já que achamos que estes encontros são sempre corriqueiros e cotidianos e que nada de novo pode vir desta relação.

E quando encontramos pessoas que não conhecemos podemos ter geralmente duas expectativas: nenhuma ou muitas. Nenhuma expectativa, pois estamos na nossa correria e não observamos as pessoas que estão ao nosso redor ou porquê já não esperamos muito dos seres humanos mesmo. Mas ás vezes a expectativa pode ser grande. Grande porque estamos precisando de algum encontro transformador que nos ajude em algo que precisamos ou porque queremos fazer algo por alguém.

Mas destes encontros que temos em raros casos estes nos causam uma transformação pessoal. Encontros que nos marcam por toda a vida ou por muito tempo e que nos fazem refletir por muito tempo sobre aquela relação que tivemos (curta ou duradoura).

Gostaríamos muito de ter mais destes encontros profundos que nos fazem sentir vivos, úteis e relevantes. Quando não temos mais este desejo destes encontros então provavelmente estamos sem esperança em nós ou nos outros.

É claro que todos nós também passamos por encontros que nos fizeram muito mal e que igualmente nos marcam profundamente. São encontros que queremos esquecer e nunca mais termos.

Mas de todos estes encontros, entendo que há “O ENCONTRO”. É um encontro com alguém que nos conhece melhor que nós mesmos, que nos ama mais que qualquer pessoa e que tem todo o poder para nos transformar mais que qualquer suposto super herói ou heroína. É o encontro com Deus. Este é um encontro que quem passou por ele pode dizer o quanto foi transformador e importante para a vida. E nunca é um encontro único, pois Ele está sempre conosco e nós sempre temos necessidades.

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Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

A IGREJA DO ABRAÇO

Nossa igreja precisa de abraço – não é algo que se diga, porque é humano demais, mas foi o que ouvi. Cheira à gente, tem cara de desejo e se confunde com a frivolidade, passagem rápida, como se não ficasse qualquer resultado. Será que alguma igreja precisa de abraço?

Foi uma frase dita por alguém que procurava analisar uma situação. Escutei, com a perna cruzada, calcanhar por sobre o joelho e mãos que se esfregavam uma à outra. Se os meus braços também estivessem cruzados, algum especialista de comportamento humano poderia afirmar que se tratava de uma posição defensiva. Não poderia ter sido assim, porque não foi uma observação grosseira, veio como um dito lento, medido, escorregado pelo pensamento, quase um pedido. Um abraço é tão pouca coisa, que não dá para acreditar que um dia tenha virado sonho.

Tive que escutar isso, e pensar que na igreja, o lugar onde reside o amor, há falta dele. Não deveria ser assim, mas acabou sendo, e não é exclusividade daquela comunidade. A religião instituída, de qualquer natureza, é estabelecida pela definição de suas doutrinas e credos, e não tem como ser diferente. Tais doutrinas e credos acabam por tomar o lugar do ser humano por meio da estrutura e dos programas. Estabelecem-se as funções, a eficácia no desempenho, as regras de execução, os objetivos definidos, a maneira pela qual as pessoas serão alcançadas, o porquê de não terem sido, ou se o foram com muita facilidade, houve erro de planejamento? Foi pouco otimista? Erros de cálculo sobre as projeções? Vamos colocar num quadro estatístico, rol de membros, atividades desenvolvidas, receitas e despesas, treinamento aqui, desse lado o que foi alcançado próximo ao que foi projetado para que seja possível visualizar a diferença, número de pessoas no ponto de partida, aqui, número de pessoas no final do projeto, ali, as variáveis, a probabilidade de erro, dois por cento para mais, ou dois por cento para menos, está assim: deveríamos estar ali, mas estamos aqui, deve ter acontecido alguma coisa errada em algum lugar. Faltou a coluna do abraço, onde deveria estar mesmo?

Não está. Não há uma coluna do abraço porque o planejamento não comporta isso. Daí você lê os propósitos de algumas comunidades e nunca vê nada além do comum. Ninguém menciona o abraço, porque é simples demais. De tão inútil, não entra nas estatísticas, não faz parte de qualquer plano e certamente nenhuma comunidade que se preze tem a coragem de colocá-lo como um dos elementos centrais de seu discurso. Uma igreja que tem por alvo se abraçar, é humana demais, quase uma heresia.

Eu gostaria de fundar “a igreja do abraço”, e acho que estaria mais próxima à comunidade sonhada por Jesus. Uma comunidade de amor e afeto na qual as pessoas seriam mais importantes que o calendário, viveriam a paixão sincera de um evangelho que não precisaria ser monitorado. Cada qual daria conta de sua própria fé, teria consciência de que necessitaria conversar consigo mesmo sobre a sua própria vida, reavaliar conceitos, motivação, desempenho e o desejo de se dedicar um pouco mais. Nessa igreja não haveria cargos ou funções, só dons e amor, cada pessoa ocuparia o seu espaço com uma alegria tal que encheria os olhos de qualquer um, diferente da institucionalização forçada, que tem poucos cargos definidos, com não sei quantas pessoas querendo ocupar o mesmo lugar ao mesmo tempo, decidido por meio de eleições quem vai ficar com o quê, que não decide coisa nenhuma, lugar onde o abraço cedeu a vez para o chega pra lá.

Sem cargos e funções, está decretado: na igreja do abraço, só tem abraço! Ninguém sabe fazer nada e se fizer um pouco é porque Deus não enviou outro mais capacitado, que um dia virá e tomará o lugar, fará melhor e será abraçado por isso. Não é concorrente, é irmão no abraço, companheiro que veio fazer o que o outro não consegue, e vai ficar ali até que chegue outro melhor do que ele e que um dia também será abraçado. Haveria um culto solene, chamado culto do abraço, sem mensagem formal, cântico formal ou oração formal. Grupinhos constituídos aleatoriamente, sem sorteio ou rito, gente virada para trás nos bancos, estes seriam substituídos por cadeiras, que seriam deslocadas formando círculos de debates sobre a vida cristã, texto bíblico, troca de experiências e orações, muitas orações, gente abraçada orando junto. Um grupo cantando, outro rindo, outro chorando, ninguém distraído ou analisando as batidas do relógio, estudando o longo discurso programado, diretivo, exortativo, em algumas ocasiões até mecânico, lido, voz cadenciada, ritmada, mesma entonação e postura. Nada de fila indiana de bancos, colados um atrás do outro, e ficar olhando a nuca de ninguém. Nada disso. A igreja do abraço é a igreja do sorriso, tem que se ver a face, olhar o que dizem os olhos, ver as sobrancelhas erguidas e os braços longos que se abrem como gesto de aceitação.

Na igreja do abraço será proibido o tapinha nas costas. Coisa indecente é o tal do tapinha! Coisa de político! Na igreja do abraço, só há abraços, calor humano, gente se encontrando, se enroscando e conversando. Sem barreiras ou preconceitos, gente pobre com gente rica, raças misturadas, doutores e analfabetos, todos conversando sobre coisas comuns, seus medos, crises, dependência de Deus, conhecimento das Escrituras, sem receio de mencionar os seus dramas mais pessoais, e mais orações, outras orações, sem vozes empostadas ou vocabulário arcaico, orações na primeira pessoa do singular – “eu”, não na segunda do singular – “tu”, por ser irritantemente solene, e nem na primeira do plural – “nós”, por ser melancolicamente indefinida.

Parece muito, mas um abraço é apenas um abraço, não dá conta nem de ser heresia; coisa pequena demais para fazer tanta falta, se transformar em sonho e despertar tanta saudade.

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Natanael Gabriel da Silva
Doutor em Ciências da Religião e atualmente Diretor Adjunto para a Pós graduação e Investigação do Instituto Metropolitano de Angola, Luanda.

O QUE FAZER DIANTE DO CLIMA DE TERROR?

Dia após dia o mundo acordava com a triste realidade da crueldade e
monstruosidade humana!
A carta dos direitos humanos já a muito fora escrita, porém a barbárie humana continua mostrando sua pior face. A cobiça pelo poder ainda continua valendo mais do que a dignidade do ser humano. Caso para dizer que Aristóteles tinha razão quando, no seu livro a política, afirma que se queremos conhecer
verdadeiramente um homem devemos dar-lhe o poder.
Como africano e angolano, solidarizo-me com aqueles vitimados pelas monstruosidades humana que tem nos levado a um estado generalizado de terror.
Não posso dizer que sei o que padecem, nem que entendo vosso sofrimento e temor, mas apenas me desculpar por tais crueldades já que faço parte da espécie humana. Desta forma, apenas posso dizer que: sinto muito, sinto muito por vossa dor, pois me revejo nas lagrimas e gritos daqueles que perguntam por justiça, por
dignidade, por liberdade, sinto muito pois me reconheço na dor dos sírios, nigeaianos, belgas, franceses, americanos, espanhóis, angolanos etc. Que perderam pais, dos pais que perderam filhos e dos filhos que perderam irmãos, em suma me reconheço na dor das vitimas destas cruéis guerras que se fundamentam em coisas
mesquinhas como orgulho ferido, ideologias vazias e sede de poder no qual tendem a desvalorizar cada vez mais a vida.
Como estudante de direito, precisamos entender que o direito surge para garantia de uma convivência harmoniosa humana dentro de uma sociedade. Logo, os tratados pactuados precisam ser respeitados por todos independentemente de quem seja, sobe risco de transformarmos o nosso habitat em caos.
Como estudante de teologia, tenho a firme convicção que nossa luta neste mundo é para e pela vida. Pois nosso Deus é o doador de toda vida, logo a vida precisa ser respeitada, valorizada e amada. Deus é aquele que saindo do seu kairós entrou no CHronos humano para eleva-lo. Ele é aquele que têm um lado e com certeza não é ao
lado dos poderosos que se encontram por de trás destas barbáries.

Mas sim aquele que se encontra junto daqueles que procuram por uma esperança, um amparo, das crianças que inalavam verdadeiros venenos nucleares, e das viúvas e órfãos que perderam seus entes.
Devemos sempre lembrar que a guerra acima de todas as coisas é a mais abominável aos olhos de Deus, a mais odiosa, pois destrói aquilo que com tanto amor fora criado por Deus e degrada o ser humano ao nível de uma formiga sem pensamento, que obedece sem saber porque obedece e combate sem saber porque combate. Pois, na verdade, na guerra o homem se bate por coisa nenhuma. (Taylor
caldwell, 1972. p.61). Não podemos fazer vistas grossas as atrocidades desumanas que temos observado um pouco por todo mundo, muito menos nos inibir face a tal problemática. O medo espalhou-se de forma generalizado. Chegamos hoje ao ponto
tal de ter medo de ter medo assim qualquer coisa que comprometa a vida estará aí nosso campo de atuação. De que maneira? Deve estar se perguntando: Sendo atalaias, denunciando o mal, lutando pela vida por meio de pequenos gestos de amor, solidariedade e
compaixão (colocar-se no lugar do outro). Sendo acolhedores para com os emigrantes por exemplo: Não fechando nossas portas para os desabrigados, nem nossas fronteiras, conforme tem acontecido.

Visitarmos e ajudarmos o estrangeiro, o órfão, a viúva ou aquele que estiver precisando. São pequenos gestos que podem ser feitos em qualquer lugar ou a qualquer momento para qualquer um neste
mundo globalizado que farão muita diferença. Se topar já seremos dois e quando menos perceber seremos bilhões. A batalha é árdua com certeza mas a vitória é certa pois aquele que é por nós é maior do que aquele que está contra nos! E agindo Deus quem impedirá! (Isaias 43:13)

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Emiliano J.A. João
Emiliano Jamba António João, Filho de António João e de Maria de Lourdes António, nascido na cidade do Huambo, província do Huambo em Angola. Do grupo étnico dos Ovimbundos que pertencem ao povo Bantu. Atualmente reside no Brasil desde 2014, na cidade de Campinas no Estado de São Paulo.
Graduando em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil (FNB), e em Direito pela Universidade Paulista,(UNIP). Membro do grupo de iniciação cientifica sobre a Ética das Virtudes, coordenado pelo Dr. Sidney de Moraes Sanches.
Membro do grupo de Teologia Negra - FTL, campinas,
Áreas de pesquisa: Religião e política, com ênfase no missionaríssimo cristão na África subsaariana Lusófona, e sua implicação na politica, Ética e filosofia Africana.

ALEGRIA NA VIDA CRISTÃ

Muitas gerações de discípulos e discípulas de Cristo já se passaram e muitas outras ainda virão de vir. Alguns Cristãos do passado tinham uma visão sobre a vida Cristã a qual muitos aderiram enquanto outros não concordavam. Muitos achavam que “crente” que fica rindo muito e falando muitas coisas engraçadas não são pessoas sérias com Deus. Alguns inclusive entendem que Cristão não deveria rir para não perder a reverência. E ainda hoje (século XXI) é possível encontrar algumas pessoas com este pensamento.

É muito comum também pessoas que confundem alegria com risadas. Muitos entendem que ter alegria na vida é sempre ficar rindo de tudo e pra todos. Alguns Cristãos acham que viver com Jesus é ter uma alegria do tipo que nunca chora de tristeza, nunca reclama da vida, não tem depressão (como se fosse um sentimento e não uma doença) e que tem que estar sempre positivo, falando coisas boas e rindo o tempo todo. É claro que não é bom ficar chorando, reclamando e triste o tempo todo também. Mas não dá para ficar sorrindo, cantando e de bem com a vida continuamente (mesmo que seja bom tentar ser assim).

Alegria é muito mais que uma expressão exterior ou sentimento interior. Alegria é um estado emocional, uma forma de viver, uma decisão a ser tomada diariamente que nos fazer sermos contentes. Contentes no sentido de contentamento ou estar satisfeitos com o que temos mas insatisfeitos com quem somos. Alegria também pode ser externalizada em sorrisos, piadas, canções e abraços. Mas também pode ser externalizada num choro, em uma palavra mansa, num afago e no silêncio.

Mas a verdadeira alegria não vem de fora para dentro mas sim de dentro para fora. Quando ela é intencional e buscada como um modo de viver, ela aflora na vida de interior e externaliza em tudo o que se faz e diz. Esta alegria está muito ligada à paz que só Jesus pode dar. Uma alegria e paz que não está ligada às situações mas que emana do Deus que tem todo o poder para mudar nosso interior e nos ajudar a externalizar de uma maneira honesta e respeitável.

Ser Cristão é ser alegre.

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

MEU MALVADO FAVORITO

Bate-me!
Cuspa-me!

Desnuda-me!
Humilhe-me!
Estupra-me!
Penetra-me!
Saqueia-me!
Delícia-te da burrice da minha ignorância!
Abusa de mim se isto te faz feliz
Pois tenho vivido como um masoquista infeliz!
Que acha prazer apenas em seu malvado favorito!
Sim, faça tudo isso.
separadamente ou simultaneamente,
coletivamente ou individualmente,
que ainda assim terei a mais bela das desculpas,
pois tu és meu malvado favorito.

Teus créditos talvez cubram todo mal
Tua fama talvez se tornou maior que a realidade abismal
Um fantasma, uma fixação,
Um ideal, utopia, ou uma obsessão.
Mas antes viver com isso do que sem isso.
Contanto que sejas o meu malvado favorito.

Entre em minha casa;
Ofereço o resto das migalhas da minha comida;
Entrego meu afeto,
e meus aposentos,
enferrujado pelo tempo que a espera não levou,
Meu mais belo terno que do camundongo escapou,
Minhas belas donzelas que da prostituição não escaparam,
Ou se preferires meus mancebos que na roubalheira se entregaram.
Tudo porque não conseguiste transformar suas belas palavras de cinema para a realidade concreta!
E a concretude da esperança não conseguiu dar vida as promessas devassas.
Mas ainda assim seja meu malvado favorito!

Oh tu que que um dia cintilaste como as estrelas nos céus acaso não enxergas a extensa escuridão que te encontras levando consigo ao
precipício os seus?
Cade as doces palavras que acalentavam nossos corações?
Cade as mais belas promessas diluídas pelo esquecimento? Porque gotejam agora ações,
E enchem-se as orações,
Mas ainda assim seus ouvidos se encontram tampados para nossas petições.
Não sacrificamos já bastante por amor a ti e as suas falas mansas?
Até ao pedestal dos deuses tens sido colocado;
Diariamente batemo-nos em defesa de quem afronta seu santíssimo nome.
Com intensidade e encanto asseguramos anos de melhoria que jamais chegaria Com serenidade e tranquilidade maquiamos as hecatombes da vida.
Tudo em prol do meu malvado favorito.

Todos já se deram conta de suas atrocidades.
Concederam-te inúmeras oportunidades
Porém tu continuas com tua sagacidade
Todavia o que isso importa? se ano apôs ano consegues angariar o voto dos apaixonados e entusiastas devotos.
Que com uma fé cega continuam apostando todas as cartas em seu malvado favorito.

Uma coisa tenho por certo,
até o mais tolo dos animais sabe quando é a altura de sua perspicácia
e quando maior altura maior o tombo.
Algum dia os devaneios darão lugar a sanidade e a eficácia.
As máscaras ao rosto nu
E aí hummmm…
As vendas serão desvendadas

E apenas vergonha haverá,
pois até ao mais pobre devoto palavra alguma o conquistará
Ainda que sua arrogância atinja os céus, e a sua cabeça toque as nuvens,
ele desaparecerá tão completamente como o seu próprio excremento; e quem o
tenha visto questionará: ‘Onde ele foi parar?’

Emiliano J.A. João on sabfacebookEmiliano J.A. João on sabemail
Emiliano J.A. João
Emiliano Jamba António João, Filho de António João e de Maria de Lourdes António, nascido na cidade do Huambo, província do Huambo em Angola. Do grupo étnico dos Ovimbundos que pertencem ao povo Bantu. Atualmente reside no Brasil desde 2014, na cidade de Campinas no Estado de São Paulo.
Graduando em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil (FNB), e em Direito pela Universidade Paulista,(UNIP). Membro do grupo de iniciação cientifica sobre a Ética das Virtudes, coordenado pelo Dr. Sidney de Moraes Sanches.
Membro do grupo de Teologia Negra - FTL, campinas,
Áreas de pesquisa: Religião e política, com ênfase no missionaríssimo cristão na África subsaariana Lusófona, e sua implicação na politica, Ética e filosofia Africana.

VIVER EM CRISTO: ENTRE O PESO E A SUAVIDADE

Alegrei-me quando me disseram vamos a casa do Senhor! Assim começava a jornada de mais um Cristão recém convertido. Contudo, pela caminhada, fortes chuvas sobrevieram inundando sua vida de preocupações, trabalhos, e outras coisas mais que aos poucos foram tirando-lhe todo tempo, seja para si mesmo, quanto para os demais, melhor nem falar para Deus. Resultado: Toda sua alegria e ânimo acabaram por desmoronar. Afinal, esqueceu de firmar-se em rocha
solidificada, preferindo continuar em areias aparentemente confortáveis, acalentosas e tranquilas.
Certo dia, se, por tédio, por melancolia, ou pelo mero hábito (prefiro acreditar que seja pelo direcionamento do Espirito Santo), observou um raiar de uma bela luz pelo caminho, caminho este imerso de escuridão. Como uma lamparina iluminando seu pé, um passo de cada vez ele dava, sem, contudo, poder observar o trajeto todo. Mas a alegria de dar um passo sem se preocupar com o passo seguinte e a crença de que aquela iluminação do tempo presente o levaria a porto seguro reavivava seu seu interior de maneira que foi
renovando suas forças, se reerguendo, jorrando de alegria, seu semblante foi se modificando, pois, diante de si havia um espelho. Espelho esse que exigia que fosse olhado com bastante atenção e cuidado. E quanto mais fixamente olhava mais claramente via os entraves pelo caminho, e solução de poder desviar-se de tais
entraves. Já que o espelho lhe dizia taxativamente como ele era, sem barganhas nem trapaças. Era como um raio x da alma assim pode-se dizer.

Com essa história pode-se pensar que o caminhar com Cristo exige esforço, tempo, dedicação, talvez pareça paradoxo já que se por um lado o jugo de Jesus é suave e leve por outro é duro e pesado, Mas jamais água com açúcar; como adverte o teólogo Dietrich Bonheffer; o mandamento de Jesus é duro, implacavelmente duro para quem se opõe a ele. Porém, o mandamento de Jesus é suave e leve para quem
se lhe submete de bom grado” (BONHOEFFER, 2016, p.14). Assim, o dito por João em sua 1ª carta cp. 5.3, começa a fazer sentido uma vez que se torna um estilo de vida e não um martírio ou cumprimento de pena. Quando seguimos integralmente e sem relutância ao que Jesus ordena, o seu jugo faz com que o fardo a carregar pela caminhada se torne leve e suave e o carregamos com certa tranquilidade e naturalidade.  Ainda Bonhoeffer diz:o mandamento de Jesus não consiste em um tipo de tratamento de choque emocional. Jesus nada nos exige sem nos dar a força para faze-lo. Seu mandamento não visa jamais destruir a vida, mas conserva-la,
fortalece-la e cura-la. (BONHOEFFER, 2016, p.14). Nos dias atuais parece ser tão difícil trilhar os caminhos da decisão eclesiástica
com segurança e ainda assim permanecer com toda a amplitude do amor de cristo para com todos os seres humanos, na paciência, misericórdia e; de Deus (Tt3.4) (BONHOEFFER, 2016, p.14) e com isso pensa-se se deixar ficar pelo caminho. Contudo, precisa-se entender que “Só Jesus Cristo, que nos ordena que o sigamos, sabe para onde leva o caminho. Nós, porém, sabemos que esse será, com
certeza, um caminho de misericórdia sem limites. (BONHOEFFER, 2016, p.14). E neste caminho teremos um iluminar (Bíblia) que nos acompanhará pelo resto da missão e não só servirá de iluminação como também espelho para termos noção do tempo que nos encontramos, a missão no qual estamos envolvidos e o alvo que
se pretende alcançar.

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Emiliano J.A. João
Emiliano Jamba António João, Filho de António João e de Maria de Lourdes António, nascido na cidade do Huambo, província do Huambo em Angola. Do grupo étnico dos Ovimbundos que pertencem ao povo Bantu. Atualmente reside no Brasil desde 2014, na cidade de Campinas no Estado de São Paulo.
Graduando em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil (FNB), e em Direito pela Universidade Paulista,(UNIP). Membro do grupo de iniciação cientifica sobre a Ética das Virtudes, coordenado pelo Dr. Sidney de Moraes Sanches.
Membro do grupo de Teologia Negra - FTL, campinas,
Áreas de pesquisa: Religião e política, com ênfase no missionaríssimo cristão na África subsaariana Lusófona, e sua implicação na politica, Ética e filosofia Africana.

ANO NOVO, VIDA NOVA? SÓ QUE NÃO !

O velho ano esboça os últimos suspiros, exala a última respiração de um ano
sofrido, cansado, envelhecido.
Sofrido dos inúmeros egoísmos na corrida dos sonhos por conquistar.
Cansado de ser amaldiçoado por aqueles que nada realizaram ou não enxergaram,

envelhecido pelos decorrentes trezentos sessenta e seis dias: mesmas promessas e
poucas mudanças.
Para alguns foi um ano alegre,
para outros triste,
para outros ainda celebre.
Ao passo que para muitos, catastrófico.
Ele se vai, certo de que a nenhum agradou ou desagradou por completo. Mas o que
importa? "Nem Cristo a todos agradou".
Verdade mesmo é que foi um ano repleto de tantas surpresas seja para mal ou para
o bem!
Particularmente foi um ano agridoce.
A nível individual metas foram alçadas,
a nível económico poucas mudanças,
a nível político, Ufas! tantos debates levaram-nos as discussões do século XV –XX:
poucas surpresas.
Meus olhos contemplaram
e meus ouvidos ouviram um ano das extremidades:
a antiga disputa entre extremistas da esquerdas e extremistas da direita afloraram
novamente.
Os velhos e típicos debates sobre a melhor forma de governo, a eficácia da
democracia, a questão dos direitos humanos, as noções de liberdades, a função
social do Estado e sobretudo as disputas de autoridade por parte dos órgãos de
poder seguiram a pauta.
Vi reformas trabalhistas serem feitas,
ao invés de reformas políticas
eles lá têm suas motivações que pouco ou nada servem de respostas.
Vi que os emigrantes só são bem quistos nos países destinatários quando
possuírem capital, e que o capital é o maior fator na aceitação do outro.
Vi que a via da ditadura não se configura na melhor gerência política pois tarde ou
cedo a bajulação termina, e o navio afunda: Mugabe e Santos que sejam de
exemplo.
Vi que quando deseja-se por mudanças efetivas elas ocorrem. A depender da força
de vontade do povo como um todo.

Vi que em pleno século XXI ainda não se ultrapassaram as velhas questões
segregacionistas e separatistas.
Pânico e medo surgiram por conta do terror mais que horror.
O novo ano começa, muito encanto, pouco conforto,
pisa-se as trilhas de um caminho incerto,
todavia otimistas das coisas por se fazer nos restantes trezentos e sessenta e seis
dias!
Sinais de esperanças têm sido levados a cabo.
A "banalização do mal" têm sido substituída pela "banalização do bem" a fim de
que haja um real "amor mundi". E neles nos apegamos para que o mal não triunfe
sobre o bem.
Assim, que dois mil e dezoito se configure em uma vida nova e próspera para toda
a humanidade!

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Emiliano J.A. João
Emiliano Jamba António João, Filho de António João e de Maria de Lourdes António, nascido na cidade do Huambo, província do Huambo em Angola. Do grupo étnico dos Ovimbundos que pertencem ao povo Bantu. Atualmente reside no Brasil desde 2014, na cidade de Campinas no Estado de São Paulo.
Graduando em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil (FNB), e em Direito pela Universidade Paulista,(UNIP). Membro do grupo de iniciação cientifica sobre a Ética das Virtudes, coordenado pelo Dr. Sidney de Moraes Sanches.
Membro do grupo de Teologia Negra - FTL, campinas,
Áreas de pesquisa: Religião e política, com ênfase no missionaríssimo cristão na África subsaariana Lusófona, e sua implicação na politica, Ética e filosofia Africana.