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Banalização da vida na cidade

Qual o valor de uma vida?! Um carro?! Um celular?! Uma bicicleta?! Um tênis?! Uma boa quantia de dinheiro?! Infelizmente em nosso país muitas pessoas foram assassinadas por conta dessas coisas e isso demonstra o quanto a vida se tornado banal nestas terras brasileiras.

A banalização de vida é resultado de vários fatores e tudo começa obviamente pela maldade que está instalada no coração humano, o próprio Jesus disse: “pois é de dentro do coração humano que procedem maus pensamentos, imoralidade sexual, furtos, homicídios, …” (Mc 7.21). Paulo reforça dizendo: “não há um justo sequer. […] Os seus pés se apressam para derramar sangue. Nos seus caminhos há destruição e miséria” (Rm 3.10, 15 e 16).

Apesar, do pecado estar incrustado no coração de todas pessoas, não são todos que saem por aí tirando a vida dos outros. Por que o nosso país e tantos outros da América Latina são campeões nos índices de violência no mundo? Os fatores são muitos: um Estado fraco, a força do tráfico de drogas, a facilidade em adquirir armas, a impunidade, cadeias que não corrigem, mas que punem desumanamente, educação de má qualidade e também a desigualdade social. É claro que existem outros fatores como, por exemplo, a mera ganância e a facilidade que a vida no crime pode levar ao poder e ao sucesso financeiro. Isso não são justificativas para os crimes que acontecem, mas demonstram a complexidade da violência por aqui.

E olha que nem falamos da mentalidade que a sociedade de consumo implanta nas pessoas afirmando o tempo todo que o valor de uma pessoa está naquilo que ela tem e não naquilo que ela é, tudo isso somado ao pecado, a atuação do diabo, a fraqueza de nossas instituições e a desigualdade social e muitos outros fatores geram o caos social que nós vemos todos os dias nos noticiários e também no entorno de onde vivemos.

Diante deste cenário tão triste o que a igreja de Jesus pode fazer?! Ela deve orar com mais intensidade para que o Reino venha, como está demonstrado na oração modelo que Jesus deixou (Mt 6). A igreja deve orar pisando no chão da realidade, ou seja, orar por problemas da sua cidade, do estado, do país, do mundo; deve orar pelos governantes, pela polícia, pela segurança em nossas fronteiras e que os funcionários do governo, independente da instância que trabalhem, sejam menos corruptíveis. A igreja pode ainda assumir seu papel profético, demonstrando junto aos governantes e a mídia sua indignação diante do mal social instalado que já pode ser chamado de barbárie. Contudo, as igrejas locais devem se unir para isso, devem enfrentar barreiras denominacionais pelo bem da cidade e do país. A igreja ainda deve encarnar o Evangelho, vivendo-o na prática, com gestos carregados de compaixão e propagando-o nas escolas, universidades, hospitais, cadeias, indústrias, fábricas, batalhões de polícia, nas ruas, nas favelas, enfim, em todos os lugares.

Não podemos ficar indiferentes à banalização da vida, não podemos ficar insensíveis diante de pais que são tirados de seus filhos e filhos que são arrancados de seus pais. Não podemos aceitar que as coisas são assim mesmo e que não há nada que podemos fazer. Não podemos permitir que domine e reine nas nossas mentes uma teologia fundamentalista que pensa e propaga aos quatro ventos que até a barbárie faz parte da vontade de Deus. Não mesmo, a barbárie faz parte do anti-Reino e a igreja precisa se posicionar de forma não alienada.

Nós, como cristãos seguimos ao Crucificado e Ressurreto, o Senhor Jesus, devemos, portanto, num ato de coerência, colocar-nos ao lado de tantos crucificados e injustiçados na história. Juntemo-nos a salmista quando diz: “Creio que verei a bondade do Senhor na terra dos viventes” (Sl 27.13). Associemo-nos ao profeta quando afirma: “assim como as águas cobrem o mar, a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor” (Hc 2.14). Levemos suficientemente a sério Aquele que diz: Bem-aventurados os pacificadores porque eles serão chamados filhos de Deus (Mt 5.9). Kyrie Eleison!

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

SE SER EVANGÉLICO É ISTO, ENTÃO NÃO QUERO SER

Se ser evangélico é ter que escolher entre calvinismo e arminianismo, então não quero ser evangélico.

Quero ser evangélico se a base da minha teologia for Cristo como chave hermenêutica para interpretação da bíblia, nada e ninguém mais.

Se ser evangélico é crer que o espaço de encontro dos Cristãos é a casa de Deus, então não quero ser evangélico.

Quero ser evangélico se o entendimento for que a casa de Deus é todo Cristão.

Se ser evangélico é ter que ir à igreja no domingo duas vezes por semana no mesmo lugar sempre sem nunca poder mudar, então não quero ser evangélico.

Quero ser evangélico se a prática for que todo Cristão é a Igreja de Deus e que deve ser Igreja todo dia em todo tempo.

Se ser evangélico é dizer amém para tudo que os pastores pregam e para pessoas que supostamente “falam em nome de Deus”, então não quero ser evangélico.

Quero ser evangélico se o entendimento for que todo Cristão é sacerdote de si mesmo, que o Espírito de Deus é o principal intérprete da Palavra de Deus e que as pessoas podem ser usadas ou não por Deus, mas que o critério seja a Bíblia.

Se ser evangélico é ter que conhecer, cantar, comprar CD, bater palmas, correr, pular, pegar autógrafo, comprar camisetas de artistas da música Gospel que escrevem mentiras da Bíblia em forma de músicas pobres de melodia, sem poesia nem profundidade bíblica, sem coerência teológica e sem leveza de vida, então não quero ser evangélico.

Quero ser evangélico se o entendimento for que Deus dá talento musical para muitas pessoas no mundo, durante toda a história humana que escreveram e compuseram músicas com leveza de vida, com poesia, falando de Deus ou não, mas que podemos perceber verdades sobre Deus e sobre a vida mesmo que não tenha um entendimento bíblico profundo, mas tenha sensibilidade humana. Que àqueles que se dizem Cristãos e que querem compôr músicas que falem das verdades da bíblia de maneira séria e coerente, focando mais na graça do que em falsa justiça de Deus para condenar, manipular, extorquir, dominar e escravizar pessoas em nome de Deus, então eu quero ser evangélico.

Se ser evangélico é ter que aceitar tudo que uma denominação específica disser sobre a Bíblia, Deus, a vida humana, a criação e teologias, então não quero ser evangélico.

Quero ser evangélico se puder viver em comunhão com o máximo de pessoas possíveis da Igreja de Cristo espalhada pela terra, aprendendo com a Bíblia, com o Espírito Santo, com todas as tradições Cristãs, com minhas experiências, com pessoas não Cristãs, com a Igreja de Cristo, com a natureza e com qualquer forma que Deus julgar necessário para que eu aprenda e viva as verdades sobre tudo que existe e tudo que ainda não conheço, então eu quero ser evangélico.

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.