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ESPÍRITO SANTIFICADOR QUE VIVIFICA

Esta breve reflexão surge da preocupação interpretativa feita a respeito da pessoa do Espírito Santo uma vez que muitas comunidades eclesiásticas apresentam sérios problemas ao lidar com tal doutrina. Para algumas, Ele se constitui no centro de todo culto cristão, “encontrando-se acima das demais pessoas da trindade”. Enquanto que para outras, de tanto cristocentrismo exacerbado, relegam o Espírito Santo a inexistência. Todavia, precisamos entender que ambas percepções são erradas criando sérios transtornos à comunidade.

A melhor maneira de identificar uma pessoa é por meio de sua atuação. Deste modo, é preciso entender que Ele é aquele existente antes mesmo que o mundo viesse à existência. Isto é, uma força cósmica, pairando sobre as águas (Gn 1.2; Jo 26.13) dando equilíbrio ao mundo, criando, provendo e gerando vida (Jo 33.4; Sl 104.30); Ele é o mesmo que se manifestou aos profetas, de forma redentora, concedendo renovo, justiça paz e alegria (Rm14.17). Ele é o rûachpneuma, cujo sentido literal é vento ou sopro, ar em movimento respirado pela nepheshpsychē (alma) vivente( Jó 17.1, Is 2.22) ou o fôlego de vida (Gn6.17;7.15;Sl 104.29;Ez 37.8). Ele é ainda o garantidor de vitalidade aos seres viventes. Ele é a sede dos sentimentos e das emoções. Pelo pneuma encontramos comunhão com Deus (1co2.10-16).  No Novo Testamento João nos ensina que Deus é Espírito e portanto, a não ser que o homem nasça da água e do Espírito, poderá ele entrar no reino de Deus? (3.5). Ainda apresenta o Espírito na sua atuação como o Consolador, o paráclito, advogado (14.16,26; 15.26; 16.7; Jo 2.1). Sendo Ele a verdade nos revela o Filho e o Pai, e consequentemente o discernimento do bem e do mal.

Falar do Espírito Santo é também falar do Espírito da vida, pois o mesmo Espírito que santifica é o mesmo que vivifica. Quanto a isso diz Moltmann: “Desde os tempos remotos o Espírito de Deus  não apenas é chamado de ‘Espírito Santo’ mas também de ‘Espírito da vida’, pois não somente santifica mas também vivifica por meio dos poderes divinos.”(MOLTMANN, 2002, p. 60). Assim, à medida que nos aproximamos de Deus por meio do dEle tornamo-nos completamente vivos e comprometidos com a vida. Despertamos de nossa sonolência mortal, e abre-se o interesse por tudo que diz respeito à vida. Uma real transformação, a nossa metanóia (Rm.12.2).

Como diz Hildegard no seu poema: “O Espírito santo é vida que proporciona Vida, motor do Universo e raiz de todo ser Criado, limpa o Universo da Impureza, extingui a culpa e pensa as feridas. Por isso é vida radiante digna de louvor, que acorda e ressuscita o Universo” (apud MOLTMANN, 2002, p. 61).

Tendo em vista esta premissa, “O Espirito Santo não é qualquer um entre muitos bons e maus espíritos, mas o próprio Deus santo. Também não é uma caraterística de Deus, como sua razão, sua vontade ou sua eternidade, mas é Deus em pessoa, em nada inferior a Deus, o pai, e a Deus o filho” (Moltmann, 2002.p.53). Ao que podemos acrescentar as palavras de Lutero: “a razão do Espírito de Deus ser chamado de “santo” é que ele “nos santificou e ainda santifica […] Assim como o Pai é designado criador, e o Filho Redentor, assim o Espírito Santo deve ser chamado, a partir de sua obra, de Santo e Santificador”(apud Moltmann, 2002, p.53).

Desta forma  o Espírito Santo santifica a Igreja de Cristo tornando-a, na unidade social constituída pelo povo de Deus, e instituída pelo Senhor Jesus Cristo para anunciar as boas novas. A Igreja, dotada de dons, surge como conjunto de cristãos que se reúnem para prestar culto a Deus, e é também a entidade terapêutica educadora, acolhedora, libertadora, transformadora, o canal responsável pela manifestação da ação de Deus Espírito no mundo, abrangendo vários setores da esfera humana (Rm12.5).

Portanto, é extremamente importante um estudo aprofundado sobre a Doutrina do Espírito Santo, não só para entendermos a economia trinitária, mas também para compreendermos os relacionamentos humanos ao longo da história. Uma vez entendida e vivenciada, poderá haver vida, e vida em abundância em uma harmonia perfeita: o ser humano em si mesmo, o ser humano face ao outro ser humano, o ser humano em relação a Deus e o ser humano em relação ao Oikos. Desta forma subentende-se que, tornar-se santo (Levítico 19:2) significa tornar-se vivo, porque nosso Deus é vivo e o santificar significa vivificar, pois  por meio do folego da vida (rûah) o ser humano passa a ser alma vivente (nephesh) (Gn2.7).

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Emiliano J.A. João
Emiliano Jamba António João, Filho de António João e de Maria de Lourdes António, nascido na cidade do Huambo, província do Huambo em Angola. Do grupo étnico dos Ovimbundos que pertencem ao povo Bantu. Atualmente reside no Brasil desde 2014, na cidade de Campinas no Estado de São Paulo.
Graduando em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil (FNB), e em Direito pela Universidade Paulista,(UNIP). Membro do grupo de iniciação cientifica sobre a Ética das Virtudes, coordenado pelo Dr. Sidney de Moraes Sanches.
Membro do grupo de Teologia Negra - FTL, campinas,
Áreas de pesquisa: Religião e política, com ênfase no missionaríssimo cristão na África subsaariana Lusófona, e sua implicação na politica, Ética e filosofia Africana.

ESPÍRITO CAPACITADOR

O Espírito de amor que revela a Jesus Cristo
Que dá este fruto de caráter para a pessoa
Santifica o crente como nunca antes visto
Também capacita com dons como a coroa

Os dons são uma benção dada por Deus
Para todo aquele que crê no seu filho
Capacita esta bela comunidade dos seus
Para que todos possam ver este brilho

O Deus-Espírito capacita bem o Cristão
Não para servir a si, mas servir ao outro
Um dos poderes dEle é o da atração
De Deus para o homem e seu tesouro

Mas os dons dado para esta sua Igreja
São para serem por ela desenvolvida
Para que o mundo ouça, sinta e veja
O amor do Santo Deus através da vida

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

ESPÍRITO SANTIFICADOR

Muitos conceitos se têm sobre o Espírito Santo de Deus. Conceitos que tem fundamentos bíblicos e outros nem tanto. Além da base bíblica que é importante para se compreender as questões espirituais da espiritualidade Cristã, também precisamos considerar que o espírito santo tem várias características e formas diferentes de agir na vida do ser humano.

O Espírito Santo revela Jesus Cristo convence o ser humano que existe um juízo final aonde Deus julga todo ser humano, mas que Jesus Cristo é a justiça de Deus dada ao ser humano para se livrar da condenação deste julgamento no final dos tempos e que o nosso pecado nos condena.

Das várias e importantes ações que o Santo Espírito faz na vida do filho de Deus, uma delas é a santificação. A santificação não é tornar o ser humano uma pessoa que não erra e/ou peca mais. A santificação é o processo que se inicia na conversão (salvação) para que o Cristão possa a cada dia se tornar mais parecido com o seu mestre, Jesus Cristo, apesar do pecado que todo ser humano têm.

A santificação apesar de ter a consequência para a vida que teremos depois que morrermos ou que Jesus vier nos buscar, ela basicamente é para a vida que se vive aqui na terra, no hoje e agora. É uma das características mais importante do Espírito para o Cristão.

A santificação também não deve ser entendida como uma unilateralidade entre Deus e a pessoa, mas também entre os seres humanos nas suas relações. Muitos entendem que santidade é somente a relação do crente com Deus e que as pessoas ao redor nada têm com isso. Este equívoco faz com que muitas pessoas “arrotem” santidade uma nas outras como uma forma de superioridade espiritual.

Este tipo de atitude faz inclusive que algumas pessoas que não têm este compromisso com Deus não queiram viver uma vida com Deus por acharem que a vida com Deus vai torná-las arrogantes e desconectadas da realidade da vida. No final das contas todos os Cristãos são testemunhas de Cristo onde estiverem, falando, agindo. Então a questão é: Que tipo de Cristo estamos pregando com as nossas vidas?

A santificação que só pode ser dada pelo espírito santo vai nos ajudar a sermos mais parecidos com o Filho de Deus e assim seremos testemunhas mais fiéis deste Deus.

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Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

ESPÍRITO FRUTIFICADOR

O Santo Espírito que habita quem é do Deus Pai
Faz frutificar o caráter que molda o Filho Jesus
No servo que se entrega para quem se amai
Dá o fruto que salga a terra e leva a ela luz

Este fruto é revelado pelo amor que Deus tem
Pela sua criação que se torna apta a amar
Com o Espírito de amor que do Pai vem
Frutificar na vida dos filhos a aumentar

A alegria e a paz também fazem parte do fruto
Que emana do Divino e preenche o ser humano
A paciência que vem a nós de Deus é atributo
E a delicadeza de que se enche como o oceano

Este fruto tem partes e uma delas é a bondade
Que testifica Deus assim como a sua fidelidade
Serve-nos o Espírito que nos dá sua humildade
O domínio próprio nos ajuda na fraternidade

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Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

ESPÍRITO REVELADOR

A espiritualidade vive grande parte dela pela revelação. Esta é uma das características mais comuns das religiões. A revelação de quem é o ser divino. Este ser se revela diretamente, através de um profeta, de um livro ou o quê?

Independente de como seja feita, o divino precisa se revelar de alguma forma para aquele ou aquela que crer.

Se o ser humano depende de uma revelação do divino para poder crer, como confiar nesta revelação? Esta revelação pode ser manipulada, confundida por outra pessoa e até por nós mesmos. Seja sem intenção ou motivados por alguma manipulação. Podemos nos confundir na revelação e não conseguimos identificar este Deus.

Na fé Cristã a revelação tem algumas faces. Temos a história e tradição oral que sempre foi uma marca muito forte do povo judeu e que fez com que os valores deste ser Divino pudessem ser transmitidos para as próximas gerações. Milhares de anos de Judaísmo e Cristianismo e estas revelações orais tem sido comprovadas durante toda a história com os fatos e documentos que comprovam.

Outra característica da revelação na fé Cristã é a Bíblia. Na fé Cristã, a Bíblia, além de ser um documento histórico é principalmente considerada a Palavra de Deus. Isto quer dizer que Bíblia é considerada dentro desta fé como sendo Deus (Divino) falando com os seus seguidores (seres humanos). A Bíblia foi comprovada através da tradição oral que confirmou os princípios e valores transmitidos pelo Divino. Os princípios são os mesmos, apesar de algumas interpretações.

E o Espírito Santo de Deus é outra característica importante na revelação deste Deus para o seu povo. O Espírito Santo é algo transcendental que é difícil inclusive de explicar como é a sua ação, pois ela é de foro íntimo e praticamente só quem passa pela experiência é que pode entender quem é o Espírito Santo. Mas o Espírito Santo também é confirmado pela tradição oral tanto judaica quanto a Cristã. A experiência tal como ela é dada é conciliada com a tradição e também pela Bíblia. Esta Palavra de Deus também confirma a experiência dada pelo o Espírito Santo na revelação da divindade para a humanidade.

Estes são algumas das formas de revelação dentro da fé Cristã. E, portanto, ela nos ajuda na segurança que podemos saber sobre Deus e sobre o que Ele quer de nós. Com a tradição oral, Bíblia e o Espírito Santo revelador têm menos riscos de sermos enganados por outros e por nós mesmos.

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

ESPÍRITO DE AMOR

Existem muitos tipos de espiritualidade neste nosso mundo da modernidade líquida, tanto de tradições ocidentais quanto orientais. E muitas delas têm alguma alusão ou um conceito sobre seres espirituais. Alguns falam em anjos, almas de mortos, demônios e etc.

Este conceito de seres espirituais é tão forte que tem alguns que acreditam que no natal as pessoas ficam mais sensíveis devido ao fato de existir um espírito de Natal. A maioria fala como um simbolismo de uma catarse coletiva, mas alguns creem realmente que existe um espírito do bem que toca as pessoas nesta data festiva.

Na espiritualidade Cristã, por exemplo, fala-se do Espírito Santo. É o Espírito que faz parte de uma trindade divina (Pai, Filho e Espírito) de mesma essência divina, mas ao mesmo tempo sendo pessoas distintas umas das outras.

Quando falamos sobre Espírito de amor, não queremos falar que o amor existe um espírito próprio que ronda por aí tocando os corações como se fosse um cupido. Mas queremos falar deste Espírito Santo que é Deus e este Deus que É amor.

Em algumas tradições religiosas quando um espírito possui uma pessoa, esta pessoa perde sua consciência, seu controle e fica a mercê do espírito que a tomou. Se for um espírito mal vai usá-la para maldades e se for bom vai usá-la para bondades.

Mas na tradição bíblica Judaico-Cristã, o Espírito Santo de Deus não age desta forma. Uma das questões é porque o este Espírito é o próprio Deus e, portanto apesar de ter todo o poder é bondoso, gracioso, misericordioso e amoroso. Deus não invade a vida de ninguém a contra gosto apesar de Ele ser o autor e criador da vida. Mas Ele convence com o seu amor a pessoa se entregar para que este Espírito possa ajudá-la. Esta ajuda não é para transformar esta pessoa em outro ser ou para ela perder o controle de si mesma, mas para poder achar vida em Deus que agora habita o ser deste alguém.

Nós precisamos do Espírito Santo de amor, pois a nossa natureza é pecaminosa e se lutarmos sozinhos contra nossa natureza, frequentemente iremos perder esta batalha. Precisamos lutar contra nossa própria carne, pois todos já passamos pela situação em que São Paulo vai afirmar: “Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo. Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer esse eu continuo fazendo. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim.” (Romanos 7.18-20). 

Portanto, precisamos de ajuda para que possamos amar a Deus e às pessoas com o amor que Deus estabelece como padrão. Precisamos do Espírito Santo de Deus que a partir da fé que temos em seu filho Jesus que morreu pela nossa natureza pecaminosa, possamos ser habitados por este Espírito de amor que nos convence do pecado, da justiça e do juízo. Este é o processo de conversão transcendental do amor do Espírito Santo de Deus.

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