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FICHA LIMPA

Se a humildade foge para longe de nós no momento que afirmamos tê-la, com a corrupção não é diferente, mas no sentido oposto. Ela vêm até nós no momento que a todo instante queremos afirmar a Deus e ao mundo que não a temos. É com esse pensamento que pretendo analisar o conceito da FICHA LIMPA.

FICHA LIMPA é uma expressão que se encontra em alta no contexto atual brasileiro. A princípio significaria apenas (tradução informal) como sendo folha/papel, sem mancha, rasura, etc. Porém, conforme já mencionado, ela não se encontra em alta por essa explicação que talvez para alguns possa soar simplista e descabida, mas pelo sinônimo simbólico político que ela carrega no Brasil. Já que no Brasil tal expressão é usado para candidato político sem pendências legais, sem condenações na justiça, qualquer candidato a um emprego, posição, cargo ou até namoro, fica sem nenhum impeditivo para ser escolhido. Em outras palavras e voltando a definição, uma pessoa com boa índole, caráter e  temperamento.

Assim, o ordenamento jurídico brasileiro adotou-a para criar a lei da FICHA LIMPA, onde definiu quais situações um candidato é inelegível, ou seja, quando ele não pode ser candidato nas eleições.

O objetivo primordial é o de impedir que candidatos de cargos políticos condenados por órgão colegiados participassem na disputa eleitoral. Deste modo, a Lei Complementar nº. 135 de 2010, mais conhecida como Lei da FICHA LIMPA, é uma legislação brasileira que foi emendada à Lei das Condições de Inelegibilidade ou Lei
Complementar nº. 64 de 1990 originada de um projeto de lei de iniciativa popular idealizado pelo juiz Márlon Reis entre outros juristas que reuniu cerca de 1,6 milhão de assinaturas com o objetivo de aumentar a idoneidade dos candidatos e sancionado pelo ex-Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva atualmente
preso e impedido de concorrer às eleições devido a mesma lei sancionada por ele.

Dito isto, quem não cumpre os requisitos ou tem a candidatura não aprovada pela Justiça Eleitoral é chamado de “FICHA-SUJA”. Isto em virtude de não cumprir com os requisitos morais para um mandato político. Precisamente aí persiste a grande confusão: na moralização ou desmoralização de um candidato.

Muito facilmente um candidato pode ser endeusado ou demonizado dependendo da moralidade passada aos seus eleitorados e eles (candidatos) sacaram isto muito bem. Estão usando as qualidades morais com uma perspicácia fascinante, capaz de iludir o melhor dos intencionados.

Eles não são culpados e estão fazendo apenas seus jogos. Resta saber se a gente entra no jogo e se entrarmos que jogo fazer? O jogo deles (da aparência) ou jogamos o nosso (a realidade do Brasil) ?

Vivemos em uma sociedade chamada por alguns estudiosos como sendo a sociedade “pós-moralista”, onde a aparência vêm antes do ser. Porém é dentro desta mesma sociedade que não cessam os clamores de âmbito moral, ético, religioso ou mesmo da índole. Tais expressões se tornaram fortes ferramentas daqueles que sabem
manejá-las inclusive para manipular.

Porém como usá-las sem ser descobertos? Como parecer ser aquilo que se não é? É possível haver pessoas assim?

A Bíblia nos dá uma resposta de que é possível. Alguns lobos inclusive estarão em peles de cordeiros e enganarão a muitos. Mas ela também diz que é possível conhecê-los pois se perderão quando colocados a luz da Palavra de Deus e da vida de Cristo.

Quanto à Palavra, em relação a ser ficha limpa disse: “Sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito” – Mateus 5.48.

E se te perguntares como ser perfeito? Sendo imitador Dele.
Como? Observando a vida dele.
Como observar a vida dele em relação a ficha limpa?

“E os que prenderam Jesus o conduziram à casa do sumo sacerdote Caifás, onde os escribas e os anciãos estavam reunidos. E Pedro o seguiu de longe até ao pátio do sumo sacerdote e, entrando, assentou-se entre os criados, para ver o fim. Ora, os príncipes dos sacerdotes, e os anciãos, e todo o conselho buscavam falso testemunho contra Jesus, para poderem dar-lhe a morte, e não o achavam, apesar de se apresentarem muitas testemunhas falsas, mas, por fim, chegaram duas e disseram: Este disse: Eu posso derribar o templo de Deus e reedificá-lo em três dias. E, levantando-se o sumo sacerdote, disse-lhe: Não respondes coisa alguma ao que estes depõem contra ti? E Jesus, porém, guardava silêncio. E, insistindo o sumo sacerdote, disse-lhe: Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus. Disse-lhes Jesus: Tu o disseste; digo-vos, porém, que vereis em breve o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo sobre as nuvens do céu. Então, o sumo sacerdote rasgou as suas vestes, dizendo: Blasfemou; para que precisamos ainda de testemunhas? Eis que bem ouvistes, agora, a sua blasfêmia. Que vos parece? E eles, respondendo, disseram: É réu de morte. Então, cuspiram-lhe no rosto e lhe davam murros, e outros o esbofeteavam, dizendo: Profetiza-nos, Cristo, quem é o que te bateu? ” – Mateus 26. 57-68.

Suas testemunhas, que olharam mais para o ser/caráter de Jesus do que para a sua aparência, disseram:
“Este homem nenhum mal fez (LC 23:42); Não vejo neste homem motivo algum para acusação” – Lucas 23.4;
“Ele não cometeu pecado algum, nem qualquer engano foi encontrado em sua boca.” – 1 Pedro 2.22;
“E em sua defesa nada respondia, apenas dizia: você o diz. Paulo irá evidenciar toda essa humildade de Jesus em seu hino cristológico” – Efésios 1;
“E irá recomendar a ser imitadores de Deus e andar constantemente em amor tal conforme cristo o é” – Efésios 5:1-13.

Com base nesta premissa pode-se pensar que quando alguém enfatiza muito uma determinada coisa e se esforça para colocar “goela abaixo”, pode ser tudo menos aquilo que faz questão em ressaltar. Tem-se confundido direito, deveres e obrigações com meritocracia como nos dias atuais, e o pior de tudo é ver
tais palavras que a princípio nada teriam a haver com meritocracia, hoje serem assinadas e aliadas a meritocracia.

“Porventura começamos outra vez a louvar-nos a nós mesmos? vós sois a carta de Cristo” – 2 Coríntios 3.1,3.

Queres realmente saber um verdadeiro FICHA LIMPA? Bem,  conheci um, que jamais encheu o peito pra dizer: eu sou FICHA LIMPA! Nem diante da morte abriu a boca para defender-se de seus depreciadores que o acusavam de todos nomes depreciativos possíveis. Antes, pelo contrário, como uma ovelha muda foi levado ao matadouro sabendo quem ele era. Sem a necessidade de colocar isso “goela abaixo” de ninguém. Diante da cruz outros deram testemunho de que realmente este homem agora na cruz dado como um FICHA SUJA era na verdade um verdadeiro FICHA LIMPA. O mais limpo dos homens que essa terra já testemunhou. Veio para
os seus, mas os seus o rejeitaram antes o imputaram como um FICHA SUJA. Este homem se chama JESUS!

Graciosamente ele permite que seus imitadores também sejam fichas limpas, uma vez que adquiram o fruto do Espírito: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança (Gálatas 5.22-23). Irradiando como um livro aberto, limpo para serem lidos sem a necessidade de se auto-promoverem ou auto intitular-se FICHA LIMPA, já que suas ações falarão mais que suas palavras e da corrupção se apartarão (aquilo contrário à perfeição de Cristo).

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Emiliano J.A. João
Emiliano Jamba António João, Filho de António João e de Maria de Lourdes António, nascido na cidade do Huambo, província do Huambo em Angola. Do grupo étnico dos Ovimbundos que pertencem ao povo Bantu. Atualmente reside no Brasil desde 2014, na cidade de Campinas no Estado de São Paulo.
Graduando em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil (FNB), e em Direito pela Universidade Paulista,(UNIP). Membro do grupo de iniciação cientifica sobre a Ética das Virtudes, coordenado pelo Dr. Sidney de Moraes Sanches.
Membro do grupo de Teologia Negra - FTL, campinas,
Áreas de pesquisa: Religião e política, com ênfase no missionaríssimo cristão na África subsaariana Lusófona, e sua implicação na politica, Ética e filosofia Africana.

O QUE FAZER DIANTE DO CLIMA DE TERROR?

Dia após dia o mundo acordava com a triste realidade da crueldade e
monstruosidade humana!
A carta dos direitos humanos já a muito fora escrita, porém a barbárie humana continua mostrando sua pior face. A cobiça pelo poder ainda continua valendo mais do que a dignidade do ser humano. Caso para dizer que Aristóteles tinha razão quando, no seu livro a política, afirma que se queremos conhecer
verdadeiramente um homem devemos dar-lhe o poder.
Como africano e angolano, solidarizo-me com aqueles vitimados pelas monstruosidades humana que tem nos levado a um estado generalizado de terror.
Não posso dizer que sei o que padecem, nem que entendo vosso sofrimento e temor, mas apenas me desculpar por tais crueldades já que faço parte da espécie humana. Desta forma, apenas posso dizer que: sinto muito, sinto muito por vossa dor, pois me revejo nas lagrimas e gritos daqueles que perguntam por justiça, por
dignidade, por liberdade, sinto muito pois me reconheço na dor dos sírios, nigeaianos, belgas, franceses, americanos, espanhóis, angolanos etc. Que perderam pais, dos pais que perderam filhos e dos filhos que perderam irmãos, em suma me reconheço na dor das vitimas destas cruéis guerras que se fundamentam em coisas
mesquinhas como orgulho ferido, ideologias vazias e sede de poder no qual tendem a desvalorizar cada vez mais a vida.
Como estudante de direito, precisamos entender que o direito surge para garantia de uma convivência harmoniosa humana dentro de uma sociedade. Logo, os tratados pactuados precisam ser respeitados por todos independentemente de quem seja, sobe risco de transformarmos o nosso habitat em caos.
Como estudante de teologia, tenho a firme convicção que nossa luta neste mundo é para e pela vida. Pois nosso Deus é o doador de toda vida, logo a vida precisa ser respeitada, valorizada e amada. Deus é aquele que saindo do seu kairós entrou no CHronos humano para eleva-lo. Ele é aquele que têm um lado e com certeza não é ao
lado dos poderosos que se encontram por de trás destas barbáries.

Mas sim aquele que se encontra junto daqueles que procuram por uma esperança, um amparo, das crianças que inalavam verdadeiros venenos nucleares, e das viúvas e órfãos que perderam seus entes.
Devemos sempre lembrar que a guerra acima de todas as coisas é a mais abominável aos olhos de Deus, a mais odiosa, pois destrói aquilo que com tanto amor fora criado por Deus e degrada o ser humano ao nível de uma formiga sem pensamento, que obedece sem saber porque obedece e combate sem saber porque combate. Pois, na verdade, na guerra o homem se bate por coisa nenhuma. (Taylor
caldwell, 1972. p.61). Não podemos fazer vistas grossas as atrocidades desumanas que temos observado um pouco por todo mundo, muito menos nos inibir face a tal problemática. O medo espalhou-se de forma generalizado. Chegamos hoje ao ponto
tal de ter medo de ter medo assim qualquer coisa que comprometa a vida estará aí nosso campo de atuação. De que maneira? Deve estar se perguntando: Sendo atalaias, denunciando o mal, lutando pela vida por meio de pequenos gestos de amor, solidariedade e
compaixão (colocar-se no lugar do outro). Sendo acolhedores para com os emigrantes por exemplo: Não fechando nossas portas para os desabrigados, nem nossas fronteiras, conforme tem acontecido.

Visitarmos e ajudarmos o estrangeiro, o órfão, a viúva ou aquele que estiver precisando. São pequenos gestos que podem ser feitos em qualquer lugar ou a qualquer momento para qualquer um neste
mundo globalizado que farão muita diferença. Se topar já seremos dois e quando menos perceber seremos bilhões. A batalha é árdua com certeza mas a vitória é certa pois aquele que é por nós é maior do que aquele que está contra nos! E agindo Deus quem impedirá! (Isaias 43:13)

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Emiliano Jamba António João, Filho de António João e de Maria de Lourdes António, nascido na cidade do Huambo, província do Huambo em Angola. Do grupo étnico dos Ovimbundos que pertencem ao povo Bantu. Atualmente reside no Brasil desde 2014, na cidade de Campinas no Estado de São Paulo.
Graduando em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil (FNB), e em Direito pela Universidade Paulista,(UNIP). Membro do grupo de iniciação cientifica sobre a Ética das Virtudes, coordenado pelo Dr. Sidney de Moraes Sanches.
Membro do grupo de Teologia Negra - FTL, campinas,
Áreas de pesquisa: Religião e política, com ênfase no missionaríssimo cristão na África subsaariana Lusófona, e sua implicação na politica, Ética e filosofia Africana.

MEU MALVADO FAVORITO

Bate-me!
Cuspa-me!

Desnuda-me!
Humilhe-me!
Estupra-me!
Penetra-me!
Saqueia-me!
Delícia-te da burrice da minha ignorância!
Abusa de mim se isto te faz feliz
Pois tenho vivido como um masoquista infeliz!
Que acha prazer apenas em seu malvado favorito!
Sim, faça tudo isso.
separadamente ou simultaneamente,
coletivamente ou individualmente,
que ainda assim terei a mais bela das desculpas,
pois tu és meu malvado favorito.

Teus créditos talvez cubram todo mal
Tua fama talvez se tornou maior que a realidade abismal
Um fantasma, uma fixação,
Um ideal, utopia, ou uma obsessão.
Mas antes viver com isso do que sem isso.
Contanto que sejas o meu malvado favorito.

Entre em minha casa;
Ofereço o resto das migalhas da minha comida;
Entrego meu afeto,
e meus aposentos,
enferrujado pelo tempo que a espera não levou,
Meu mais belo terno que do camundongo escapou,
Minhas belas donzelas que da prostituição não escaparam,
Ou se preferires meus mancebos que na roubalheira se entregaram.
Tudo porque não conseguiste transformar suas belas palavras de cinema para a realidade concreta!
E a concretude da esperança não conseguiu dar vida as promessas devassas.
Mas ainda assim seja meu malvado favorito!

Oh tu que que um dia cintilaste como as estrelas nos céus acaso não enxergas a extensa escuridão que te encontras levando consigo ao
precipício os seus?
Cade as doces palavras que acalentavam nossos corações?
Cade as mais belas promessas diluídas pelo esquecimento? Porque gotejam agora ações,
E enchem-se as orações,
Mas ainda assim seus ouvidos se encontram tampados para nossas petições.
Não sacrificamos já bastante por amor a ti e as suas falas mansas?
Até ao pedestal dos deuses tens sido colocado;
Diariamente batemo-nos em defesa de quem afronta seu santíssimo nome.
Com intensidade e encanto asseguramos anos de melhoria que jamais chegaria Com serenidade e tranquilidade maquiamos as hecatombes da vida.
Tudo em prol do meu malvado favorito.

Todos já se deram conta de suas atrocidades.
Concederam-te inúmeras oportunidades
Porém tu continuas com tua sagacidade
Todavia o que isso importa? se ano apôs ano consegues angariar o voto dos apaixonados e entusiastas devotos.
Que com uma fé cega continuam apostando todas as cartas em seu malvado favorito.

Uma coisa tenho por certo,
até o mais tolo dos animais sabe quando é a altura de sua perspicácia
e quando maior altura maior o tombo.
Algum dia os devaneios darão lugar a sanidade e a eficácia.
As máscaras ao rosto nu
E aí hummmm…
As vendas serão desvendadas

E apenas vergonha haverá,
pois até ao mais pobre devoto palavra alguma o conquistará
Ainda que sua arrogância atinja os céus, e a sua cabeça toque as nuvens,
ele desaparecerá tão completamente como o seu próprio excremento; e quem o
tenha visto questionará: ‘Onde ele foi parar?’

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Emiliano J.A. João
Emiliano Jamba António João, Filho de António João e de Maria de Lourdes António, nascido na cidade do Huambo, província do Huambo em Angola. Do grupo étnico dos Ovimbundos que pertencem ao povo Bantu. Atualmente reside no Brasil desde 2014, na cidade de Campinas no Estado de São Paulo.
Graduando em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil (FNB), e em Direito pela Universidade Paulista,(UNIP). Membro do grupo de iniciação cientifica sobre a Ética das Virtudes, coordenado pelo Dr. Sidney de Moraes Sanches.
Membro do grupo de Teologia Negra - FTL, campinas,
Áreas de pesquisa: Religião e política, com ênfase no missionaríssimo cristão na África subsaariana Lusófona, e sua implicação na politica, Ética e filosofia Africana.

VIVER EM CRISTO: ENTRE O PESO E A SUAVIDADE

Alegrei-me quando me disseram vamos a casa do Senhor! Assim começava a jornada de mais um Cristão recém convertido. Contudo, pela caminhada, fortes chuvas sobrevieram inundando sua vida de preocupações, trabalhos, e outras coisas mais que aos poucos foram tirando-lhe todo tempo, seja para si mesmo, quanto para os demais, melhor nem falar para Deus. Resultado: Toda sua alegria e ânimo acabaram por desmoronar. Afinal, esqueceu de firmar-se em rocha
solidificada, preferindo continuar em areias aparentemente confortáveis, acalentosas e tranquilas.
Certo dia, se, por tédio, por melancolia, ou pelo mero hábito (prefiro acreditar que seja pelo direcionamento do Espirito Santo), observou um raiar de uma bela luz pelo caminho, caminho este imerso de escuridão. Como uma lamparina iluminando seu pé, um passo de cada vez ele dava, sem, contudo, poder observar o trajeto todo. Mas a alegria de dar um passo sem se preocupar com o passo seguinte e a crença de que aquela iluminação do tempo presente o levaria a porto seguro reavivava seu seu interior de maneira que foi
renovando suas forças, se reerguendo, jorrando de alegria, seu semblante foi se modificando, pois, diante de si havia um espelho. Espelho esse que exigia que fosse olhado com bastante atenção e cuidado. E quanto mais fixamente olhava mais claramente via os entraves pelo caminho, e solução de poder desviar-se de tais
entraves. Já que o espelho lhe dizia taxativamente como ele era, sem barganhas nem trapaças. Era como um raio x da alma assim pode-se dizer.

Com essa história pode-se pensar que o caminhar com Cristo exige esforço, tempo, dedicação, talvez pareça paradoxo já que se por um lado o jugo de Jesus é suave e leve por outro é duro e pesado, Mas jamais água com açúcar; como adverte o teólogo Dietrich Bonheffer; o mandamento de Jesus é duro, implacavelmente duro para quem se opõe a ele. Porém, o mandamento de Jesus é suave e leve para quem
se lhe submete de bom grado” (BONHOEFFER, 2016, p.14). Assim, o dito por João em sua 1ª carta cp. 5.3, começa a fazer sentido uma vez que se torna um estilo de vida e não um martírio ou cumprimento de pena. Quando seguimos integralmente e sem relutância ao que Jesus ordena, o seu jugo faz com que o fardo a carregar pela caminhada se torne leve e suave e o carregamos com certa tranquilidade e naturalidade.  Ainda Bonhoeffer diz:o mandamento de Jesus não consiste em um tipo de tratamento de choque emocional. Jesus nada nos exige sem nos dar a força para faze-lo. Seu mandamento não visa jamais destruir a vida, mas conserva-la,
fortalece-la e cura-la. (BONHOEFFER, 2016, p.14). Nos dias atuais parece ser tão difícil trilhar os caminhos da decisão eclesiástica
com segurança e ainda assim permanecer com toda a amplitude do amor de cristo para com todos os seres humanos, na paciência, misericórdia e; de Deus (Tt3.4) (BONHOEFFER, 2016, p.14) e com isso pensa-se se deixar ficar pelo caminho. Contudo, precisa-se entender que “Só Jesus Cristo, que nos ordena que o sigamos, sabe para onde leva o caminho. Nós, porém, sabemos que esse será, com
certeza, um caminho de misericórdia sem limites. (BONHOEFFER, 2016, p.14). E neste caminho teremos um iluminar (Bíblia) que nos acompanhará pelo resto da missão e não só servirá de iluminação como também espelho para termos noção do tempo que nos encontramos, a missão no qual estamos envolvidos e o alvo que
se pretende alcançar.

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Emiliano Jamba António João, Filho de António João e de Maria de Lourdes António, nascido na cidade do Huambo, província do Huambo em Angola. Do grupo étnico dos Ovimbundos que pertencem ao povo Bantu. Atualmente reside no Brasil desde 2014, na cidade de Campinas no Estado de São Paulo.
Graduando em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil (FNB), e em Direito pela Universidade Paulista,(UNIP). Membro do grupo de iniciação cientifica sobre a Ética das Virtudes, coordenado pelo Dr. Sidney de Moraes Sanches.
Membro do grupo de Teologia Negra - FTL, campinas,
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ANO NOVO, VIDA NOVA? SÓ QUE NÃO !

O velho ano esboça os últimos suspiros, exala a última respiração de um ano
sofrido, cansado, envelhecido.
Sofrido dos inúmeros egoísmos na corrida dos sonhos por conquistar.
Cansado de ser amaldiçoado por aqueles que nada realizaram ou não enxergaram,

envelhecido pelos decorrentes trezentos sessenta e seis dias: mesmas promessas e
poucas mudanças.
Para alguns foi um ano alegre,
para outros triste,
para outros ainda celebre.
Ao passo que para muitos, catastrófico.
Ele se vai, certo de que a nenhum agradou ou desagradou por completo. Mas o que
importa? "Nem Cristo a todos agradou".
Verdade mesmo é que foi um ano repleto de tantas surpresas seja para mal ou para
o bem!
Particularmente foi um ano agridoce.
A nível individual metas foram alçadas,
a nível económico poucas mudanças,
a nível político, Ufas! tantos debates levaram-nos as discussões do século XV –XX:
poucas surpresas.
Meus olhos contemplaram
e meus ouvidos ouviram um ano das extremidades:
a antiga disputa entre extremistas da esquerdas e extremistas da direita afloraram
novamente.
Os velhos e típicos debates sobre a melhor forma de governo, a eficácia da
democracia, a questão dos direitos humanos, as noções de liberdades, a função
social do Estado e sobretudo as disputas de autoridade por parte dos órgãos de
poder seguiram a pauta.
Vi reformas trabalhistas serem feitas,
ao invés de reformas políticas
eles lá têm suas motivações que pouco ou nada servem de respostas.
Vi que os emigrantes só são bem quistos nos países destinatários quando
possuírem capital, e que o capital é o maior fator na aceitação do outro.
Vi que a via da ditadura não se configura na melhor gerência política pois tarde ou
cedo a bajulação termina, e o navio afunda: Mugabe e Santos que sejam de
exemplo.
Vi que quando deseja-se por mudanças efetivas elas ocorrem. A depender da força
de vontade do povo como um todo.

Vi que em pleno século XXI ainda não se ultrapassaram as velhas questões
segregacionistas e separatistas.
Pânico e medo surgiram por conta do terror mais que horror.
O novo ano começa, muito encanto, pouco conforto,
pisa-se as trilhas de um caminho incerto,
todavia otimistas das coisas por se fazer nos restantes trezentos e sessenta e seis
dias!
Sinais de esperanças têm sido levados a cabo.
A "banalização do mal" têm sido substituída pela "banalização do bem" a fim de
que haja um real "amor mundi". E neles nos apegamos para que o mal não triunfe
sobre o bem.
Assim, que dois mil e dezoito se configure em uma vida nova e próspera para toda
a humanidade!

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Emiliano J.A. João
Emiliano Jamba António João, Filho de António João e de Maria de Lourdes António, nascido na cidade do Huambo, província do Huambo em Angola. Do grupo étnico dos Ovimbundos que pertencem ao povo Bantu. Atualmente reside no Brasil desde 2014, na cidade de Campinas no Estado de São Paulo.
Graduando em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil (FNB), e em Direito pela Universidade Paulista,(UNIP). Membro do grupo de iniciação cientifica sobre a Ética das Virtudes, coordenado pelo Dr. Sidney de Moraes Sanches.
Membro do grupo de Teologia Negra - FTL, campinas,
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NATAL DAS CONTRADIÇÕES

Natal das contradições,
entre trancos e barrancos,
lutas e desavenças,
desesperanças e esperanças,
dificuldades e oportunidades,
esquecidos e lembrados,
ainda assim é Natal.
Alguns como Maria se alegram,
outros como Raquel choram,
mas ainda assim é o Natal.
Sim o menino é motivo de contradição já dizia o sacerdote Simeão.
Alguns o celebram com tristeza talvez movidos pela ausência de seus entes,
outros com alegria talvez motivados pelo verdadeiro sentido do Natal.
Alguns o celebram com a mesa farta,
outros com a barriga fraca
e outros ainda com a mesa em falta,
mas ainda assim é Natal.

Não se sabe quando,
não se sabe como,
nem porquê devemos celebrá-lo,
mas ainda assim o fazemos pois é Natal.

Devo festejar?
Devo me alegrar?
Demostrar minha indiferença?
Ou sua devida reverência?
E se o faço,
Por qual motivo o faço?
E a qual Natal?
Ao Natal do capitalismo?

Ao Natal da burguesia,
ou da hipocrisia?
Do escravocrata
ou do magnata?
Ao Natal dos idólatras
ou dos alienados?
Enfim, fazendo-o ou não, ainda assim é Natal.

Porque, aceitando ou não, um menino nos nasceu,
um filho se nos deu,
e o principado, reinos, nações e tribos
estão sobre os seus ombros,
e o seu nome é:
Maravilhoso,
Conselheiro,
Deus Forte,
Pai da Eternidade,
Príncipe da Paz.
Trazendo consigo ao mundo a sua luz!

Desta forma o que darei eu ao Senhor nascido?
Devo celebrar olhando para a vida tal como ela é: Vida.
Devo procurar em meio às suas dificuldades, motivos para vivê-la.
Devo buscar razão para alegrar-me em meio a tais catástrofes.
Devo me alegrar não pela condição na qual me encontro,
não pela ausência da qual padeço,
mas porque me nasceu hoje o Salvador, o Libertador.

Nesta senda a alegria se mistura com a dor,
a perda com a saudade
e o Cristo se torna o sentido em meio a falta de sentidos,
o Norte em meio às tempestades do percurso,
o provedor da preservação da fé,

o Emanuel em meio ao mundo cheio de contradições.

Ao festejar-se o Natal há de se ter sempre em mente:
É Natal do Papai Noel,
é Natal das famílias unidas,
é Natal das distribuições de presentes,
ou ainda das viagens adiadas,
das fugidas do emprego e pé na estrada,
galopando até o lugar desejado,
é Natal dos aglomerados,
de multidões em shoppings.
Também é Natal do capitalismo e de sua incansável e letal absolvição dos reais
significados das coisas.
É Natal do incansável empregador,
assim como do determinante trabalhador.
Do controverso ateu ou ainda do solvente gnóstico.
É até o Natal do recuperado de doença.

Mas, acima de tudo,
é Natal de Jesus Cristo.
De seu nascimento,
de seu imperativo categórico do amor.
Assim, o Natal tem um autor: Cristo.
Aquele que é o nascido, o crucificado e o Salvador.
O Natal é moldado e estruturado em Cristo.
Com uma base solidificada no princípio do reino de Deus.

Emiliano J.A. João on sabfacebookEmiliano J.A. João on sabemail
Emiliano J.A. João
Emiliano Jamba António João, Filho de António João e de Maria de Lourdes António, nascido na cidade do Huambo, província do Huambo em Angola. Do grupo étnico dos Ovimbundos que pertencem ao povo Bantu. Atualmente reside no Brasil desde 2014, na cidade de Campinas no Estado de São Paulo.
Graduando em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil (FNB), e em Direito pela Universidade Paulista,(UNIP). Membro do grupo de iniciação cientifica sobre a Ética das Virtudes, coordenado pelo Dr. Sidney de Moraes Sanches.
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A MISSÃO DE SER MÃE

Mãe, motivo de inspiração de vários poetas, não por acaso de ser comparada a Deus. Já que, assim como Deus está para a humanidade, assim a mãe está para os seus.

Mãe é vida, pois por meio delas todas as coisas vieram a existência. Existência essa, que dá ao ser humano um norte, uma essência.

Mãe é sacrifício. Uma vez que dá tudo de si para a continuidade da humanidade, contudo seu reconhecimento pela sociedade na maioria das vezes se materializa em forma de desprezo e suplício.

Mãe é o paradoxo da graça, já que de forma graciosa nos concedem a vida, contudo devemos a elas obediência para que nos corra bem nossa jornada pela terra. Elas são heroínas face a um mundo cheio de vilões, princesas cheias de virtudes que não caberiam em poemas.

Elas abrilhantam um mundo que ganha graça com suas graças, são fortes ao mesmo tempo que frágeis, são lindas, simples, simpáticas, divertidas, parecendo achar em tudo motivo para não levar tão a sério a vida, mesma sendo elas ao mesmo tempo sérias quando precisam ser.

Elas vão até as últimas consequências na sua busca por justiça e amor ao próximo. Não poupam esforços quando o assunto se trata de proteção ao indefeso talvez porque compreendem o valor a vida.

Algumas são cheias de personalidade forte, destemidas, sem perder a ternura da inocência de uma criança.

São seres revolucionários enchendo-nos de sonhos que jamais poderão alcançar por amor aos seus. São grandiosas, aventureiras no bom sentido da palavra. Daquelas que desconfiam que sempre tem algo mais, e que o mundo não é simplesmente aquilo que nos é apresentado.

Por isso sorriem diante do futuro. Falam com sabedoria e ensina, com amor. Cuidam dos negócios de sua casa e não dá lugar à preguiça. Seus filhos se levantam e a elogiam; seu marido também a elogia, dizendo: “Muitas mulheres são exemplares, mas você a todas supera” – Provérbios 31.28-29

Talvez o melhor termo para poder defini-las se configura em uma única palavra: “missionárias”. Sim, ser mãe é uma verdadeira missão. Missão esta, exercida com bastante amor. Amor este, que é paciente, bondoso, não invejoso, não vanglorioso, não orgulhoso.

Por isso procuram não maltratar a ninguém, colocam os interesses dos demais acima do seu. Não se iram facilmente, não guardam rancor. Jamais se alegram com a injustiça, mas se alegram com a verdade. Talvez por isso se tornam uma fera quando seus filhos usam da mentira para escapar-se das consequências causadas. Desta feita, Elas Tudo sofrem, tudo crêm, tudo esperam, tudo suportam. Pois acreditam na gente e de que o amor jamais perece (1 Coríntios 13.4-8).

Agradeço ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vocês mães. Meu orgulho em vida, beleza sem igual, formosura incomparável, coragem transcendental, amor imensurável, bondade incontável.

Seus ensinos levarei para sempre enquanto viver cá na terra. Serão como enfeites em minha cabeça um adorno para meu pescoço.

Que “O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e te conceda graça; o Senhor volte para ti o seu rosto e te dê paz. (Números 6.24-26)

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Emiliano J.A. João
Emiliano Jamba António João, Filho de António João e de Maria de Lourdes António, nascido na cidade do Huambo, província do Huambo em Angola. Do grupo étnico dos Ovimbundos que pertencem ao povo Bantu. Atualmente reside no Brasil desde 2014, na cidade de Campinas no Estado de São Paulo.
Graduando em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil (FNB), e em Direito pela Universidade Paulista,(UNIP). Membro do grupo de iniciação cientifica sobre a Ética das Virtudes, coordenado pelo Dr. Sidney de Moraes Sanches.
Membro do grupo de Teologia Negra - FTL, campinas,
Áreas de pesquisa: Religião e política, com ênfase no missionaríssimo cristão na África subsaariana Lusófona, e sua implicação na politica, Ética e filosofia Africana.
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O CAMINHO DE CRISTO É O CAMINHO DO AMOR

O dia vai, a noite cai, e com ela o seu mal. Mais um plano é traçado; Mais uma vítima é objetivada; Mais uma atrocidade é cumprida.

As noticias circulam e os males circundam, atônitos nos perguntamos: De onde procede o mal? Até onde vai a maldade do coração humano? Como sanar o coração insano? Abalados nos questionamos e indagamos a Deus e ao mundo sem querermos no entanto acreditar no que observamos.

Jesus afirma: “… é do coração que vem os maus pensamentos, os crimes de morte, os adultérios as imoralidades sexuais, os roubos, as mentiras e as calunias…” (Mateus 15:19), a isto Santo agostinho irá dizer: O mal consiste na “ausência do bem”, ainda Luther king júnior disse: “ Quem aceita o mal sem protestar coopera com ele”.

Torna-se claro que é pelo fato dos seres humanos preferirem o mal ao bem, que o mal se prolifera e se dissipa no mundo. A solução então, está em fazer o sentido oposto em praticar o bem. Simples assim, todavia como é difícil, Porém não é impossível pois temos; um modelo de vivência, um exemplo dado, uma direção a seguir, um caminho a percorrer. A bíblia é esta direção, os profetas são os pergaminhos pelo caminho e Cristo é este caminho e modelo de vivência ou seja a revelação ultima de Deus, a visibilidade do Deus invisível. Assim sendo, a igreja tem uma mensagem face aos problemas observados um pouco por todo mundo: Os maus não prosperarão para sempre, “Deus recompensará a cada um de acordo com o que fez Ele dará a vida eterna as pessoas que perseverarem em fazer o bem e buscam a gloria, a honra e a vida imortal. Mas fará cair a sua ira e o seu castigo sobre os egoístas e sobre os que rejeitam o que é justo a fim de seguir o que é mau” (Romanos 2:6-8). Tal mensagem se requer nos dias de hoje em que a mídia dita a pauta do sucesso, e as múltiplas formas de maquinar o mal.

Nossa missão é: Estar a serviço do Rei, em ser promotores e anunciadores dos valores do Reino, e do bem maior, que é o amor, rejeitando o mal, qualquer que seja a sua aparência e denuncia-lo sobe qualquer preço, afim de que o bem prevaleça.

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Emiliano Jamba António João, Filho de António João e de Maria de Lourdes António, nascido na cidade do Huambo, província do Huambo em Angola. Do grupo étnico dos Ovimbundos que pertencem ao povo Bantu. Atualmente reside no Brasil desde 2014, na cidade de Campinas no Estado de São Paulo.
Graduando em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil (FNB), e em Direito pela Universidade Paulista,(UNIP). Membro do grupo de iniciação cientifica sobre a Ética das Virtudes, coordenado pelo Dr. Sidney de Moraes Sanches.
Membro do grupo de Teologia Negra - FTL, campinas,
Áreas de pesquisa: Religião e política, com ênfase no missionaríssimo cristão na África subsaariana Lusófona, e sua implicação na politica, Ética e filosofia Africana.

O QUÊ AMO QUANDO AMO A DEUS ?

Mais um ano terminado, as coisas que para frente olhavam-se, hoje olhamos-nas de frente para trás. Se assim sucede, será por causa da graça do bom e maravilhoso Deus, pela Sua proteção misericordiosa, e pelo dom da vida, que permitiu que se possa a esta altura dizer: “Ebenézer – até aqui nos ajudou o Senhor”.

No Início do ano de 2016, nossa comunidade da IBBG, propôs-se e desafiou-se a refletir sobre: “amar o que Jesus ama”. Porém, uma outra pergunta poderia ser feita: o que amo quando eu amo a Jesus? Foi então que ao ler um pequeno trecho das confissões de Agostinho citado por Moltmann (p.93, 2002), me fez indagar a mesma pergunta:

o que, afinal, amo eu quando eu te amo? Não é a beleza de um corpo nem o ritmo do tempo acelerado; não é o brilho da luz, tão agradável aos olhos; não são as doces melodias no mundo dos sons de toda espécie; não é o perfume das flores, dos ungüentos e especiarias; não é o maná nem o mel; não são os membros do corpo, deliciosos para o abraço carnal: Nada disso eu amo quando amo a meu Deus. E apesar disso amo uma luz e um som e um perfume e uma comida e um abraço, quando amo ao meu Deus: luz e som e perfume e comida e abraço para o meu ser interior. Ali brilha para a minha alma o que espaço algum capta; ali ressoa o que tempo algum leva  cativo; ali surge o perfume que vento algum dissipa; ali apetece o que saciedade alguma azeda; ali se achega o que desgosto algum separa. É isso que eu amo quando eu amo a meu Deus.  

Ao que respondi:

Quando eu amo a meu Deus, não amo a justiça por mais atrativa que pareça, nem a santidade nem a fraternidade, por mais belo que seja. Não amo o ser humano, nem a criação ecoados nos discursos mais belos dos humanistas, nem a unidade da diversidade, nem a vida e etc, apenas por amar. E contudo, amo a justiça, porque Deus é Justo (salmos 7:11),  a Santidade pois ele é santo, a fraternidade pois o Deus que é amor gera a fraternidade (2 ped 1:7); O ser humano pois é a imagem e semelhança divina (Gn 1:26); a unidade na diversidade uma vez que Deus em si mesmo vive em uma “Pericorese” (unidade ou Inter-habitação perfeita) entre o pai, o filho e o Espirito e do mesmo Jeito fez a sua criação (seres diversos) com a finalidade de viverem em comum-Unidade (Gn 1:26; Jo 1:1-4); a vida pois Ele é a fonte da vida (Jo 1:4). Assim sendo onde estiver comprometida a vida será o campo de atuação daquele que é feito a Imagem e semelhança de Deus.

Quando eu amo a meu Deus meu ser se encontra em um dilema entre o bem e o mal. Pois na maioria das vezes o bem que quero fazer não o faço e o mal que não quero este o faço. Por um lado, transborda de alegria, acha calmaria, paz sossego, por outro, tristeza, inquietude, incomodo perante as atrocidades dos sistemas corruptos que diariamente assolam nosso habitat. Quando amamos o que Deus ama, nos colocamos no lugar do outro, reconhecemos que somos indivíduos dentro de uma coletividade . “A experiência de Deus não reduz as experiências da vida, mas as aprofunda pois desperta o sim incondicional à vida. Quanto mas amo a Deus quanto mais gosto de existir . Quanto mais direita e integralmente existo, tanto mais sinto o Deus vivo , a fonte inesgotável da vida e a vitalidade eterna” p.93,2002.

Pode-se concluir desta forma que quando amamos o que Deus ama nos tornamos aquilo que Paulo diz em Gálatas 2:20 “Assim já não sou eu quem vive, mas Cristo é quem vive em mim. E esta vida que vivo agora, eu a vivo pela fé no filho de Deus que me amou e se deu a si mesmo por mim” Fazendo com que o nosso compromisso não mais seja apenas tendo em visto o Eu mais sim o Tu, em prol de Deus e do seu Reino.

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Emiliano Jamba António João, Filho de António João e de Maria de Lourdes António, nascido na cidade do Huambo, província do Huambo em Angola. Do grupo étnico dos Ovimbundos que pertencem ao povo Bantu. Atualmente reside no Brasil desde 2014, na cidade de Campinas no Estado de São Paulo.
Graduando em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil (FNB), e em Direito pela Universidade Paulista,(UNIP). Membro do grupo de iniciação cientifica sobre a Ética das Virtudes, coordenado pelo Dr. Sidney de Moraes Sanches.
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ESPÍRITO SANTIFICADOR QUE VIVIFICA

Esta breve reflexão surge da preocupação interpretativa feita a respeito da pessoa do Espírito Santo uma vez que muitas comunidades eclesiásticas apresentam sérios problemas ao lidar com tal doutrina. Para algumas, Ele se constitui no centro de todo culto cristão, “encontrando-se acima das demais pessoas da trindade”. Enquanto que para outras, de tanto cristocentrismo exacerbado, relegam o Espírito Santo a inexistência. Todavia, precisamos entender que ambas percepções são erradas criando sérios transtornos à comunidade.

A melhor maneira de identificar uma pessoa é por meio de sua atuação. Deste modo, é preciso entender que Ele é aquele existente antes mesmo que o mundo viesse à existência. Isto é, uma força cósmica, pairando sobre as águas (Gn 1.2; Jo 26.13) dando equilíbrio ao mundo, criando, provendo e gerando vida (Jo 33.4; Sl 104.30); Ele é o mesmo que se manifestou aos profetas, de forma redentora, concedendo renovo, justiça paz e alegria (Rm14.17). Ele é o rûachpneuma, cujo sentido literal é vento ou sopro, ar em movimento respirado pela nepheshpsychē (alma) vivente( Jó 17.1, Is 2.22) ou o fôlego de vida (Gn6.17;7.15;Sl 104.29;Ez 37.8). Ele é ainda o garantidor de vitalidade aos seres viventes. Ele é a sede dos sentimentos e das emoções. Pelo pneuma encontramos comunhão com Deus (1co2.10-16).  No Novo Testamento João nos ensina que Deus é Espírito e portanto, a não ser que o homem nasça da água e do Espírito, poderá ele entrar no reino de Deus? (3.5). Ainda apresenta o Espírito na sua atuação como o Consolador, o paráclito, advogado (14.16,26; 15.26; 16.7; Jo 2.1). Sendo Ele a verdade nos revela o Filho e o Pai, e consequentemente o discernimento do bem e do mal.

Falar do Espírito Santo é também falar do Espírito da vida, pois o mesmo Espírito que santifica é o mesmo que vivifica. Quanto a isso diz Moltmann: “Desde os tempos remotos o Espírito de Deus  não apenas é chamado de ‘Espírito Santo’ mas também de ‘Espírito da vida’, pois não somente santifica mas também vivifica por meio dos poderes divinos.”(MOLTMANN, 2002, p. 60). Assim, à medida que nos aproximamos de Deus por meio do dEle tornamo-nos completamente vivos e comprometidos com a vida. Despertamos de nossa sonolência mortal, e abre-se o interesse por tudo que diz respeito à vida. Uma real transformação, a nossa metanóia (Rm.12.2).

Como diz Hildegard no seu poema: “O Espírito santo é vida que proporciona Vida, motor do Universo e raiz de todo ser Criado, limpa o Universo da Impureza, extingui a culpa e pensa as feridas. Por isso é vida radiante digna de louvor, que acorda e ressuscita o Universo” (apud MOLTMANN, 2002, p. 61).

Tendo em vista esta premissa, “O Espirito Santo não é qualquer um entre muitos bons e maus espíritos, mas o próprio Deus santo. Também não é uma caraterística de Deus, como sua razão, sua vontade ou sua eternidade, mas é Deus em pessoa, em nada inferior a Deus, o pai, e a Deus o filho” (Moltmann, 2002.p.53). Ao que podemos acrescentar as palavras de Lutero: “a razão do Espírito de Deus ser chamado de “santo” é que ele “nos santificou e ainda santifica […] Assim como o Pai é designado criador, e o Filho Redentor, assim o Espírito Santo deve ser chamado, a partir de sua obra, de Santo e Santificador”(apud Moltmann, 2002, p.53).

Desta forma  o Espírito Santo santifica a Igreja de Cristo tornando-a, na unidade social constituída pelo povo de Deus, e instituída pelo Senhor Jesus Cristo para anunciar as boas novas. A Igreja, dotada de dons, surge como conjunto de cristãos que se reúnem para prestar culto a Deus, e é também a entidade terapêutica educadora, acolhedora, libertadora, transformadora, o canal responsável pela manifestação da ação de Deus Espírito no mundo, abrangendo vários setores da esfera humana (Rm12.5).

Portanto, é extremamente importante um estudo aprofundado sobre a Doutrina do Espírito Santo, não só para entendermos a economia trinitária, mas também para compreendermos os relacionamentos humanos ao longo da história. Uma vez entendida e vivenciada, poderá haver vida, e vida em abundância em uma harmonia perfeita: o ser humano em si mesmo, o ser humano face ao outro ser humano, o ser humano em relação a Deus e o ser humano em relação ao Oikos. Desta forma subentende-se que, tornar-se santo (Levítico 19:2) significa tornar-se vivo, porque nosso Deus é vivo e o santificar significa vivificar, pois  por meio do folego da vida (rûah) o ser humano passa a ser alma vivente (nephesh) (Gn2.7).

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Emiliano Jamba António João, Filho de António João e de Maria de Lourdes António, nascido na cidade do Huambo, província do Huambo em Angola. Do grupo étnico dos Ovimbundos que pertencem ao povo Bantu. Atualmente reside no Brasil desde 2014, na cidade de Campinas no Estado de São Paulo.
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