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O QUÊ AMO QUANDO AMO A DEUS ?

Mais um ano terminado, as coisas que para frente olhavam-se, hoje olhamos-nas de frente para trás. Se assim sucede, será por causa da graça do bom e maravilhoso Deus, pela Sua proteção misericordiosa, e pelo dom da vida, que permitiu que se possa a esta altura dizer: “Ebenézer – até aqui nos ajudou o Senhor”.

No Início do ano de 2016, nossa comunidade da IBBG, propôs-se e desafiou-se a refletir sobre: “amar o que Jesus ama”. Porém, uma outra pergunta poderia ser feita: o que amo quando eu amo a Jesus? Foi então que ao ler um pequeno trecho das confissões de Agostinho citado por Moltmann (p.93, 2002), me fez indagar a mesma pergunta:

o que, afinal, amo eu quando eu te amo? Não é a beleza de um corpo nem o ritmo do tempo acelerado; não é o brilho da luz, tão agradável aos olhos; não são as doces melodias no mundo dos sons de toda espécie; não é o perfume das flores, dos ungüentos e especiarias; não é o maná nem o mel; não são os membros do corpo, deliciosos para o abraço carnal: Nada disso eu amo quando amo a meu Deus. E apesar disso amo uma luz e um som e um perfume e uma comida e um abraço, quando amo ao meu Deus: luz e som e perfume e comida e abraço para o meu ser interior. Ali brilha para a minha alma o que espaço algum capta; ali ressoa o que tempo algum leva  cativo; ali surge o perfume que vento algum dissipa; ali apetece o que saciedade alguma azeda; ali se achega o que desgosto algum separa. É isso que eu amo quando eu amo a meu Deus.  

Ao que respondi:

Quando eu amo a meu Deus, não amo a justiça por mais atrativa que pareça, nem a santidade nem a fraternidade, por mais belo que seja. Não amo o ser humano, nem a criação ecoados nos discursos mais belos dos humanistas, nem a unidade da diversidade, nem a vida e etc, apenas por amar. E contudo, amo a justiça, porque Deus é Justo (salmos 7:11),  a Santidade pois ele é santo, a fraternidade pois o Deus que é amor gera a fraternidade (2 ped 1:7); O ser humano pois é a imagem e semelhança divina (Gn 1:26); a unidade na diversidade uma vez que Deus em si mesmo vive em uma “Pericorese” (unidade ou Inter-habitação perfeita) entre o pai, o filho e o Espirito e do mesmo Jeito fez a sua criação (seres diversos) com a finalidade de viverem em comum-Unidade (Gn 1:26; Jo 1:1-4); a vida pois Ele é a fonte da vida (Jo 1:4). Assim sendo onde estiver comprometida a vida será o campo de atuação daquele que é feito a Imagem e semelhança de Deus.

Quando eu amo a meu Deus meu ser se encontra em um dilema entre o bem e o mal. Pois na maioria das vezes o bem que quero fazer não o faço e o mal que não quero este o faço. Por um lado, transborda de alegria, acha calmaria, paz sossego, por outro, tristeza, inquietude, incomodo perante as atrocidades dos sistemas corruptos que diariamente assolam nosso habitat. Quando amamos o que Deus ama, nos colocamos no lugar do outro, reconhecemos que somos indivíduos dentro de uma coletividade . “A experiência de Deus não reduz as experiências da vida, mas as aprofunda pois desperta o sim incondicional à vida. Quanto mas amo a Deus quanto mais gosto de existir . Quanto mais direita e integralmente existo, tanto mais sinto o Deus vivo , a fonte inesgotável da vida e a vitalidade eterna” p.93,2002.

Pode-se concluir desta forma que quando amamos o que Deus ama nos tornamos aquilo que Paulo diz em Gálatas 2:20 “Assim já não sou eu quem vive, mas Cristo é quem vive em mim. E esta vida que vivo agora, eu a vivo pela fé no filho de Deus que me amou e se deu a si mesmo por mim” Fazendo com que o nosso compromisso não mais seja apenas tendo em visto o Eu mais sim o Tu, em prol de Deus e do seu Reino.

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Emiliano J.A. João
Emiliano Jamba António João, Filho de António João e de Maria de Lourdes António, nascido na cidade do Huambo, província do Huambo em Angola. Do grupo étnico dos Ovimbundos que pertencem ao povo Bantu. Atualmente reside no Brasil desde 2014, na cidade de Campinas no Estado de São Paulo.
Graduando em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil (FNB), e em Direito pela Universidade Paulista,(UNIP). Membro do grupo de iniciação cientifica sobre a Ética das Virtudes, coordenado pelo Dr. Sidney de Moraes Sanches.
Membro do grupo de Teologia Negra - FTL, campinas,
Áreas de pesquisa: Religião e política, com ênfase no missionaríssimo cristão na África subsaariana Lusófona, e sua implicação na politica, Ética e filosofia Africana.

E DEUS CRIOU A VIDA

A ação criadora de Deus não foi em nada estática, podemos mesmo falar de um movimento para a criação, onde a vontade divina resultou em vida por meio de sua palavra e da força que nela estava. De alguma forma, a palavra que o Deus trinitário falou em si mesmo, conforme mencionou Lutero, transbordou e transborda em vida para fora dele e é sempre vivificadora. Essa vida é de tal modo verdadeira e intensa que se recria, se refaz a todo instante, pela força contínua e operante da palavra criadora de Deus, mediante ação constante do Espírito Santo.

Deus criou a vida com capacidade de se reproduzir, multiplicar (Gn. 1:28) e expandir. Isso não aconteceu sem movimento, afinal, criar sempre envolve transformar coisas, ambientes e pensamentos. É como a ideia de caos que assumiu formas pela palavra divina e formas que se movimentam no mundo, conforme os relatos do Gênesis (1.1-3). São as águas que fogem diante da palavra divina e não se se acomodam no côncavo dos rios e mares, dos montes as águas jorram saciando a sede dos animais, o pasto cresce e alimenta o gado, o ser humano cultiva a terra e tem com o que se alimentar (Sl. 104: 7-8) e continuar gerando vida. A vida emerge da terra, corre entre as montanhas, cresce nos vales e agita-se no mundo. Essas são as imagens utilizadas para descrever a origem de todas as coisas na poesia bíblica. Na dança da criação a vida acontece com vigor e explode no mundo a cada momento.

Em função disso, lutamos contra a fome, contra a violência, contra a corrupção política, contra o tratamento vil e indigno de humanos e animais, contra a exploração desordenada da terra, enfim, contra tudo o que compromete a vida. Toda busca humana tem como finalidade última a manutenção e a valorização da vida no mundo em que Deus a colocou, e, tudo o mais é transformado em meios para isso. Mesmo os milagres de Jesus e seus ensinos podem ser lidos desse ponto de vista, pois foram geradores de saúde e de ânimo. A obra salvadora de Jesus Cristo envolve a morte daquele que estava vivo e a ressurreição daquele que estava morto. Nela, novamente a vida explode no mundo e na história por obra de Deus em Cristo e prevalece ante a morte, que não é a palavra derradeira ao mundo. A vontade divina se realiza outra vez em sua palavra encarnada, Jesus Cristo, e pela força do Espírito Santo. Mais um evento que se compreende no movimento da economia trinitária, com finalidade redentora.

A Igreja é uma comunidade viva e se constitui como uma entidade que reproduz em si as características dos humanos que a formam, ou seja, reproduzir, interagir com ambiente, metabolizar (tem a ver com suas transformações internas), organizar-se de modo complexo, etc. Falar de Igreja viva é, portanto, falar de sua complexidade, crescimento, interatividade com o contexto mais amplo do qual faz parte e de suas transformações orgânicas para fins do próprio crescimento. Todavia, ela não é somente comunidade biológica, mas também teológica, constituída em torno do nome de Jesus Cristo e por causa dele. É o povo de Deus que caminha na história e testemunha a obra salvadora de Jesus Cristo em sua própria vida. Por causa dele, ela apresenta também a natureza humana e natureza divina, que não dualizam em sua existência mundana, mas, tais como Jesus Cristo e as Escrituras, interagem e se revelam na missão. Isso significa que ao ser comunidade teológica ela não perde sua condição de comunidade biológica e vice e versa. Uma confere sentido à outra na ordem do mundo e da fé. Como comunidade biológica ela faz uma chamada à vida que parte da fé, e como comunidade teológica ela faz uma chamada à fé, que parte da vida.

Para ser uma Igreja viva requer que reúna características, que além de fazer parte de sua própria natureza como comunidade humana e teológica, exigem ser desenvolvidas por ela em sua capacidade criativa. Como comunidade viva, portanto, dinâmica a Igreja é também criativa e isso deve se revelar em todas as suas ações e realização da missão no mundo. Como comunidade missionária então ela está chamada a corresponder com a obra de Deus de criação e manutenção da vida.

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Regina Fernandes Sanches
Mestre em Teologia e Práxis, Mestre em Missiologia, Especialista em História e Cultura Afro-brasileira e Indígena, graduada em Teologia, Professora de Teologia Sistemática e Teologia Latino-americana da FNB – Faculdade Nazarena do Brasil, Secretária Executiva da FTL-B Fraternidade Teológica Latino-americana -Setor Brasil. Autora dos livros Êxodo, Série Leitura Bíblica, Teologia da Missão Integral, Teologia Viva e Como Fazer Teologia da Missão Integral.

DESU PODE LIDAR COM O NOSSO PROBLEMA

É impressionante como temos  dificuldades em lidar com os nossos problemas. Às vezes até conseguimos lidar com algumas dificuldades que pra nós não são tão preocupantes assim, mas
aquelas situações em que temos limitações, que são os nossos “calcanhares de Aquiles”, estes nós passamos por grandes aflições enquanto aquilo não se resolve.

Como cada pessoa é diferente, um problema que pra mim é muito complicado de lidar, para outra pessoa pode ser mais fácil e vice-versa. Aí vai depender das nossas experiências anteriores, pois elas nos fazem “calejar” e vai criando em nós uma “casca” de proteção e
assim podemos passar mais facilmente por esta situação difícil. Mas também pode acontecer de não nos acostumarmos com algumas coisas e ser um interminável tormento em nossa vida.

Isto também é realidade quando lidamos com os problemas de outras pessoas. Quando elas nos confiam suas vidas (ou parte delas) para que possamos ajudar de alguma forma. Por vezes conseguimos
ajudar e a pessoa fica reconfortada e agradecida (às vezes não). Mas outras vezes, nós choramos juntos, nos silenciamos juntos e não há conforto e solução para a pessoa que atendemos e confiou em nós. Pode acontecer também de não aguentarmos a pressão em nossos ombros por causa dos problemas das pessoas. Assim como pesa
para o outro, também pesam muito para nós e não sabemos como agir e pensar.

Temos dificuldades em confiar 100% em Deus, em lhe entregar tudo que temos, o que somos, o que sentimos e pensamos. Será que achamos que Ele já tem muita coisa pra resolver e não teria tempo e/ou disposição para cuidar do nosso “minúsculo” problema? Será que achamos que o nosso problema tem que piorar um pouco mais para que possa valer a pena Deus entrar em ação? Será que achamos que já o perturbamos muitas vezes com o mesmo problema?

Deus não é como nós. Até podemos nos parecer com Ele em
alguns sentidos (Imago Dei). Mas Ele não tem essa nossa humanidade caída e corrompida e jamais tem dificuldades com os nossos problemas.

Acho que nós às vezes humanizamos Deus e O colocamos no
mesmo (baixo) patamar de seres humanos. Menosprezamos o poder que Ele tem e esquecemo-nos de tantas evidências disto em nossas vidas, na natureza e na história.

Deus pode lidar muito bem com o nosso problema. Não há
problema dificultoso demais para Ele e nem pequeno demais para que Ele não queira agir em favor daqueles que O buscam. Deus não tem uma agenda pra que você tenha que marcar com Ele um horário pra se tratar. Deus não tem um grupo de conselheiros para que Ele possa pedir opinião destes sobre a nossa situação antes de agir. Deus não está correndo pra lá e pra cá no céu, apressado,
resolvendo os problemas do mundo e quando chegamos com mais um, Ele olha pra nós e dá aquela “bufada”, com uma cara de impaciente. Não, não é assim que Ele é.

É difícil de entender, mas Deus tem prazer em nos ajudar.
Ele fica “torcendo” pra que nós O procuremos para lhe abrir a nossa vida, falarmos honestamente sobre a nossa falta de fé e confiança nEle, de chorarmos e pedirmos um colo pra agora, pois é agora que estamos precisando dEle.

É quando Ele gosta de manifestar o seu poder, que Ele se
mostra quem Ele é, DEUS. Se não, Ele seria mais um ser humano comum e impotente, mais uma força do universo sem muito propósito e nem precisaríamos dEle.

Mas Ele é Deus conhecedor de todas as coisas, amoroso, que
anseia em nos amar inteiramente, que perdoa e “esquece” com muita facilidade das nossas faltas. Ele pode lidar muito bem com o nosso problema. E nós precisamos lidar muito bem com quem Deus é, pra que experimentemos a boa, perfeita e agradável vontade dEle.

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

CONFIAR OU PEDIR?

“Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie no seu próprio entendimento; reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e Ele endireitará as suas veredas. Não seja sábio aos seus próprios olhos; tema o Senhor e evite o mal”. – Provérbios 3.5-7

Conversei com uma amiga que está passando por um momento muito difícil. Ela está com um câncer na cabeça e está em tratamento constante para amenizar os efeitos da doença e por causa dos custos do tratamento, ela está passando também por uma crise financeira no seu lar. Está com várias contas em aberto e devendo para muitas pessoas. Inclusive o carro que está financiado por um banco também está atrasado e ela tem recebido ligações de cobrança desta parcela em aberto.

Ela me disse que não sabe mais o que fazer, pois a pessoa que é avalista (fiador) deste contrato está com o risco de ter o nome protestado pelo banco por causa desta dívida. E agora ele está ameaçando minha amiga de processá-la na justiça. Só que tem um detalhe: o avalista é o irmão dela.

Na conversa eu a perguntei:
– Você tem falado com DEUS sobre sua situação?
– Eu cansei de pedir a DEUS. Ele não me ouve mais, respondeu ela.
– Então agora você não tem que pedir, tem que confiar, respondi.

Muitas vezes oramos a DEUS para pedir a Ele muitas coisas que achamos que estamos precisando. Falamos com Ele aos prantos, falamos bravos, às vezes decepcionados, sem esperança e tantos outros sentimentos que estamos vivendo e honestamente expressamos a DEUS em oração.

Mas temos que analisar dando um passo para trás. Nós confiamos realmente em DEUS? Percebo que na maioria dos casos nós falamos com DEUS sem muita confiança nEle e muita confiança em nós. E quando falo em confiança, não falo do aspecto de confiar que Ele tem poder para realizar o que pedimos, mas falo em confiar que Ele sabe o que é melhor pra nossa vida e que nada vai nos deixar faltar (Salmo 23).

Achamos que sabemos melhor que DEUS sobre o que precisamos. Confiamos em nossos estudos, estratégias e experiências. Não nos conhecemos tão bem quanto achamos. Achamos que a tarefa dEle é de simplesmente ficar atento quando nós pedirmos alguma coisa, para que rapidamente Ele possa nos atender e fazer como nós queremos. Cremos nos milagres de DEUS, mas não no DEUS dos milagres.

O desafio é descansarmos e confiarmos na capacidade e cuidado de DEUS. Crermos que Ele nos ama e não permite que nada fora da vontade dEle nos aconteça. Que não precisamos dar uma “mãozinha” para ajudá-lo a nos ajudar. Temos que obedecê-lo e fazer a nossa parte. Não precisamos nos preocupar.

Quando pedirmos algo a DEUS, lembremo-nos de pedir que confiemos totalmente nEle e menos em nós mesmos !

“Portanto, não se preocupem, dizendo: ‘Que vamos comer?’ ou ‘Que vamos beber?’ ou ‘Que vamos vestir?’… Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de DEUS e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas.” – Mateus 6.35

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.