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Famílias alicerçadas em Cristo num mundo líquido

Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha. (Mateus 7:24)

 Existe um sociólogo europeu chamado Zygmunt Bauman que pode nos ajudar a entender algumas características de nosso mundo. Ele usa a expressão mundo líquido. Que significa: Tudo está agora sempre a ser permanentemente desmontado, mas sem perspectiva de
nenhuma permanência. Tudo é temporário. É por isso que sugeri a metáfora da “liquidez” para caracterizar o estado da sociedade moderna, que, como os líquidos, se caracteriza por uma incapacidade de manter a forma. Nossas instituições, quadros de referência, estilos de vida, crenças e convicções mudam antes que tenham tempo de se solidificar em costumes, hábitos e verdades “auto-evidentes
”. Ou seja, ele está dizendo que as coisas em nosso mundo não têm consistência, nem durabilidade. São liquidas. Isso é claramente visto por exemplo nos relacionamentos que são, em muitos exemplos,
superficiais e até descartáveis.

Por exemplo: uma pessoa que tem no Facebook 500 amigos. Com todo respeito, mas por mais legal que tal pessoa possa ser, é impossível ter tantos amigos assim. Amigo é coisa rara. Bauman no seu artigo Sexo Virtual afirma: Não há mais necessidade de flertar ou fazer a corte, não é preciso empenhar todas as energias para obter a aprovação do parceiro(a), nem mover mundos e fundos para merecer e conquistar o consentimento do outro; é dispensável insinuar-se aos olhos dela ou dele e esperar um longo tempo, quiçá uma eternidade, para que todos esses esforços deem resultados. Ele continua: A publicidade de um website que vende sexo rápido e seguro (“sexo sem compromisso”), e se vangloria de ter 2,5 milhões de assinantes, diz o seguinte: “Encontre parceiros sexuais de verdade esta noite mesmo. Diz mais: “os produtos ambicionados estão prontos para o consumo instantâneo, imediato; o desejo e sua satisfação fazem parte do mesmo
pacote”.

Essa liquidez das relações, nas diversas instâncias, criam nas pessoas falsas necessidades, e as legítimas necessidades são atendidas superficialmente ou não são atendidas. Por exemplo, suponha que um jovem tenha um relacionamento superficial com Deus, com seus pais, com seus amigos, e com os companheiros de fé; isso há de gerar certos vazios dentro desta pessoa que vai querer preenchê-los de alguma forma, por isso que tantos meninos e meninas se expõe na internet de forma extremamente exagerada, porque no fundo, seu coração está gritando por relacionamentos que o preencham de verdade.

O cristão não pode ser inocente quando analisa o mundo em que vive. Ele precisa, à luz das Escrituras, reconhecer os ídolos que existem na sociedade e deve interpretar criticamente a
cultura em que está inserido. Num tempo tão cheio de complexidades, os pais devem ser dedicados ao extremo para ajudar seus filhos a se livrarem de tantas ciladas. Não podem ser permissivos, mas devem acompanhar os passos dos filhos,
inclusive o que andam fazendo na internet.

Quando um desejo pecaminoso se instala num coração se for tratado a tempo, é semelhante a um tumor que é descoberto no início, ou seja, as chances de cura são enormes, mas se não
houver tratamento no inicio a coisa vai complicando. Outra metáfora para entender isso é comparar uma muda de árvore com uma árvore já crescida e pensar: qual é mais difícil arrancar?! Depois que a raiz cresceu e se instalou no solo em profundidade, é extramente complexo arrancar esta árvore, o mesmo se dá com hábitos pecaminosos.

O desafio é sermos famílias cristoformes, ou seja, que tenham a forma de Cristo, que sejam impulsionadas pelos
sentimentos e atitudes que estão em Cristo, sendo assim, o que marcará nossos relacionamentos familiares será o cuidado e o amor benevolente que espera sempre o melhor para o outro e trabalha incansavelmente para isso.

Se agirmos assim, estaremos, como disse o próprio Jesus, construindo nossa casa sobre a Rocha. E na Rocha está nossa estabilidade, firmeza, segurança, consistência e solidez para
enfrentar e lidar com sabedoria com a liquidez deste mundo mal.

Segundo Jesus, só tem duas possibilidades: ou você está firmado na Rocha, ou está afundando na areia, pois estar na areia significa que aquilo que você fizer, vai acabar, mais cedo ou mais tarde, ruindo, desmoronando, desabando, ou seja, é um tipo de solo que não
lhe dará condições de resistir às duras provas, os problemas, as lutas que terá que enfrentar.

Vamos lutar para sermos famílias relacionais que lutam com afinco para que Jesus seja glorificado em nossos lares em tudo que fizermos?! Que Deus nos ajude a responder sim para esta questão e que assim seja.

Laurencie Salles on sabtwitterLaurencie Salles on sabfacebook
Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.