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O teste da segunda-feira

No mundo pós-moderno do qual fazemos parte, é fácil perceber que a religiosidade está em alta. Isso contraria as profecias feitas por filósofos e estudiosos no final do século XIX e início do século XX de que a religião com o desenvolvimento científico e tecnológico haveria de minguar até se reduzir a nada. Hoje a religiosidade está mais forte do que nunca, basta ligar a TV, ou ir a uma livraria, bancas de jornal ou mesmo navegar na internet. Só para exemplificar: há cerca de dois anos atrás uma revista de grande circulação em nosso país publicou como reportagem de capa a seguinte temática: “Deus é pop”.  Realmente, Deus é popular em nosso tempo.

Todavia esse tipo de fenômeno não traz nenhum motivo de comemoração, pois como o próprio Senhor Jesus ensinou – uma coisa é Deus estar nos lábios, outra coisa bem diferente é Deus estar no coração.

Nesta era de pós-modernidade, acontece entre os religiosos – me atento especificamente aos cristãos – um fenômeno que podemos chamar de privatização da vida, ou privatização da espiritualidade.  Isso significa que é muito comum, em nossos dias, alguém ser profundamente religioso na esfera particular da sua vida, mas não na esfera da vida pública. Dentro dessa lógica uma pessoa pode ser extremamente ortodoxa na fé e mesmo assim ser um chefe injusto, ganancioso e tratar seus funcionários como capacho. Pode ser uma pessoa que conhece a Bíblia de capa a capa e mesmo assim ser uma pessoa que passa os outros para trás e é corrupta nos negócios etc. É isso que acontece na privatização: Deus é empurrado exclusivamente para um dia da semana, geralmente o domingo e é encaixotado num prédio – feito por mãos humanas – o tão famoso templo que de casa de Deus não tem nada.

A privatização da espiritualidade cria a falsa sensação de agradar a Deus simplesmente por conhecer um corpo de doutrinas, frequentar assiduamente um espaço considerado sagrado e participar de alguns ritos, tais como cultos, ceias e outras celebrações.

Biblicamente falando o culto verdadeiro não é o que acontece simplesmente no domingo no espaço do templo. Não. Nada disso! O culto verdadeiro é o que acontece na vida, no cotidiano, na rotina, na labuta, nas salas de reuniões, no trânsito, na sala de aula etc. É o culto que se manifesta no caráter, nas ações, nas palavras, nos pensamentos, nas prioridades. Veja o que diz Romanos 12.1 e 2 na Bíblia Viva: “E ASSIM, queridos irmãos, eu apelo que vocês dêem seus corpos a Deus. Que eles sejam um sacrifício vivo, santo – o tipo de sacrifício que Ele pode aceitar. Quando vocês pensam naquilo que Ele fez por vocês, isto será pedir muita coisa? Não imitem a conduta e os costumes deste mundo, mas seja, cada um, uma pessoa nova e diferente, mostrando uma sadia renovação em tudo quanto faz e pensa. E assim vocês aprenderão de experiência própria, como os caminhos de Deus realmente satisfazem a vocês”.

Algo que deve ficar claro para todos nós é que não pode haver disjunção entre o secular e o espiritual. Pois nossa vida na sua totalidade pertence a Deus. E como já disse um teólogo reformado: “Não há um centímetro quadrado se quer de nossa existência que Cristo não queira dizer: é meu!”.

Frequentar cultos que são realizados por uma comunidade de fé e se envolver em momentos inspiradores são coisas importantes a se fazer, mas não é tudo. Mesmo porque não importa quão bom foi o domingo, a manhã de segunda-feira vai testar sua devoção. Por isso lhe faço uma pergunta: será que a sua espiritualidade passa no teste da segunda-feira? Ou será que você empurrou Deus para o domingo? Para o templo?!

Oro para que você compreenda em profundidade que Jesus Cristo é o Senhor da vida. Portanto, que a vida, na sua integralidade, possa ser consagrada a Ele. Que o nome dEle seja exaltado no seu e no meu caminhar. Amém!

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.