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Ressurreição: Vitória de Cristo, Vitória da Vida

Falar sobre Páscoa é falar sobre a morte e ressurreição de Cristo. Contudo, o significado da Páscoa está atrelado ao que aconteceu com o povo de Israel no dia da sua libertação do cativeiro do Egito. Isto pode ser lido em Êxodo 12. Quando fazemos esta ponte com o A.T. o sentido da Páscoa, nossa Páscoa cristã, fica enriquecido.

Na refeição da Páscoa um animal do rebanho, macho de um ano (carneiro ou cabrito) foi sacrificado e assado. Os israelitas comeram com “lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão” (Êxodo 12.11), ou seja, prontos para uma viagem imediata. Além disso, um pouco de sangue do sacrifício foi colocado nos umbrais das portas das casas dos israelitas para que seus primogênitos fossem
poupados.

O decreto de Deus para seu povo foi: “Este dia será um memorial
que vocês e todos os seus descendentes celebrarão como festa ao Senhor.
Celebrem-no como decreto perpétuo”
(Êxodo 12.14). Assim sendo, falar de Páscoa significa falar de libertação, e dizer que Deus atuou poderosamente e salvou seu povo da escravidão.

Jesus viveu e morreu para servir e honrar a Deus. Sua morte na cruz é a grande demonstração de obediência ao Pai, serviço abnegado aos homens e amor ao Reino. Ele assumiu na cruz o lugar que era de
cada ser humano, ele na cruz se tornou o próprio e definitivo Cordeiro Pascal.  Portanto, falar sobre Páscoa é falar do
Cordeiro de Deus que foi morto pelos pecados da humanidade (João 1.29), mas que ressuscitou em poder, e glória demonstrando vitória sobre a morte (I Coríntios 15.54-57), reivindicando-o como justo (João 16.10), identificando e ratificando sua identidade divina (Romanos 1.4). Louvado seja Deus! A Páscoa é sim uma
festa cristã, e nela celebramos a vida que emana de Cristo Jesus.

Que maravilhoso poder dizer em alto e bom som: Jesus venceu a morte, portanto, é o Senhor da vida. Como Senhor da vida, tem autoridade plena para afirmar: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá, e quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente” (João 11.25 e 26). O apóstolo Paulo tinha
plena convicção que Cristo era o Senhor da vida, por isso ficava desesperado por saber que muitos não estavam dando crédito a ressurreição de Jesus, e seguindo essa linha de pensamento só poderia haver uma conclusão: “Se mortos não ressuscitam (inclusive Cristo), comamos e bebamos que amanhã morreremos” (I Coríntios 15.32). Ou seja, sem a ressurreição de Cristo, a vida perde todo o seu sentido, toda a sua beleza, toda a sua esperança, todo o seu brilho. Não se deixe enganar, meu caro irmão e irmã: Cristo está vivo!
Plenamente vivo! Está à direita de Deus e intercede por nós. Note e anote: falar de Cristo como Senhor e dono da vida está intrinsecamente ligado a falar de Cristo como ressurreto.

Que alegria! Cristo ressuscitou! Sua ressurreição enche meu coração de esperança: posso pensar na morte e compreender que ela não é o fim, visto que Cristo é a ressurreição e a vida. Por isso a cada dia tomo a decisão de seguir a Jesus: porque Ele despeja
vida na minha vida, dele sobeja graça, salvação, libertação e esperança, Ele é o príncipe da paz, em seus braços há consolo e refrigério. Nele, somente nele há vida abundante, isto é, vida divina, na minha e na sua vida. Nas palavras do pastor Ed René Kivitz: “Seguir a Jesus Cristo é colocar os pés na rota da vida eterna. Vida com
qualidade divina, que não se esgota nos limites do corpo mortal, mas se
plenifica no corpo da ressurreição, quando o mortal se reveste de imortalidade e o corruptí­vel de incorruptibilidade
”.

Quando alguém lhe perguntar sobre o significado da Páscoa, diga assim: Páscoa é a festa que celebra a intervenção de Deus na história para trazer libertação aos seres humanos. Usando as palavras do apóstolo do amor: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito para que todo aquele que nele crer, não pereça, mas tenha vida eterna”. Páscoa é abraçar com todo o coração o
mistério da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Páscoa é se prostrar diante do Deus libertador, salvador, gracioso e benevolente. Páscoa é trazer a memória que o maior medo do ser humano, a morte, não é o fim, porque Cristo ressuscitou. Páscoa é dizer com o apóstolo Paulo: “Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte o seu aguilhão? Graças a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (I Coríntios 15.55 e 57). Páscoa é a vida de Deus fluindo do seu trono de graça e chegando até nós através da obra
remidora e redentora de Cristo na cruz. Acho que não é preciso dizer mais nada.

Soli Deo Gloria.

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

O Evangelho da crise

Certamente a igreja de Cristo precisa de um despertamento urgente. Como disse Jesus, “os campos estão brancos para acolheita”, ademais o sofrimento no mundo é gigantesco e em muito de nossos templos, supostamente cristãos, estão discutindo, há anos, sobre o sexo dos anjos. O chamado divino para ser sal e luz no mundo tem sido esquecido ou tratado levianamente. O despertamento, tão necessário, só acontecerá quando todos nós nos voltarmos para o Senhor Deus com todo nosso coração, alma, força, vontade e entendimento. Imaginemos que nós fossemos passar por uma prova surpresa exatamente agora. A prova teria 6 questões. E as perguntas seriam: Será que nós, como igreja, temos aprendido: A pensar de forma precisa?! A se comportar eticamente?! A pregar apaixonadamente?! A cantar alegremente?! A orar honestamente?! E a obedecer fielmente?!

Fica aí as perguntas para cada um fazer sua autoavaliação. Impulsionado por esses questionamentos, enfatizo que não é possível pensar num relacionamento profundo com Deus, sem passar pela compreensão e vivencia do Evangelho de Jesus de Nazaré. Infelizmente, muitos crentes pensam que Evangelho é a mensagem que tem que ser pregada somente para os não convertidos, mas isso não é verdade, isso não é verdade mesmo; o
Evangelho não é só para iniciantes na fé, como diz Tim Keller, “ele não é o ‘ABC’ da vida cristã, ele é o de ‘A à Z’ da vida cristã”. E a igreja não só precisa compreender o Evangelho com profundidade, mas precisa viver de acordo com ele. Ou seja, o Evangelho é um desafio constante para igreja do Senhor, e a Bíblia nos mostra, em muitos exemplos, que muitas igrejas se afastaram do Evangelho de Deus. Por isso precisamos vigiar e orar para não transformarmos a mensagem radical de Jesus numa água com açúcar que não faz diferença na vida de ninguém.

Por isso gostaria de pensar sobre o Evangelho da Crise. E o objetivo deste texto é que compreendamos que Evangelho de Jesus toca, questiona e transforma nossa vida em todas as dimensões, pois
não há nenhuma área da vida humana que Cristo não queira exercer seu Senhorio. 

Definindo a palavra crise

É comum ouvirmos a palavra crise, principalmente nos dias atuais em nosso país e em muitos países da América Latina. E geralmente a ideia que se tem de crise é pejorativa. Segundo Leonardo Boff no livro – Crise: oportunidade de crescimento – crise, etimologicamente, pode significar “desembaraçar” ou “purificar”. A crise age como um crisol (elemento químico) que purifica o ouro ou a prata das impurezas, acrisola (purifica, limpa) dos elementos que se incrustaram e podem comprometer a substância. Crise, neste sentido, purificar para manter o cerne, a essência. De crise vem ainda a palavra critério que é a medida pela qual se pode julgar e
distinguir o autêntico do inautêntico, o bom do mau. A crise é uma
descontinuidade e uma perturbação dentro da normalidade da vida provocada pelo esgotamento das possibilidades de crescimento de um arranjo existencial. A crise acontece quando os modelos existenciais pré- estabelecidos já não dão mais conta da realidade. Os paradigmas estão caducos. Daí vem a crise. Que gera
uma perturbação no sistema para transformá-lo.

Às vezes, Deus faz isso conosco. O vento dele sopra, faz uma bagunça na nossa vida para colocar as coisas no devido lugar. O sofrimento é algo que Deus pode usar neste sentido.

O sistema capitalista como se apresenta hoje já mostra sinais de desgaste. É por isso que existem tantas crises. Este modelo de consumo ad infinitum não vai resistir por muito tempo. As escolas, com seu modelo de ensino tradicionalista não dão conta das demandas de hoje. Poderíamos ainda citar o modelo político de nosso país e sistema carcerário. As próprias igrejas têm passado por crises porque seus paradigmas já não dão conta da complexidade da pós-modernidade.

Mas o Evangelho de Jesus não envelhece nunca e sempre traz a Boa Notícia de Deus aos homens e mulheres de todos os tempos, de todos os lugares e de todas as culturas.

O Evangelho da Crise

Usamos a expressão o Evangelho da Crise porque o Evangelho de Jesus, sua mensagem transformadora de salvação que afirma que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, provoca crise. O Evangelho de Jesus é um incomodo para todos os sistemas inclusive para os sistemas religiosos. Exemplifiquemos rapidamente, pensando em modelos e estruturas que haviam no tempo de Jesus: Jesus gera crise no modelo fariseu da vida. Eles pregavam, como
preparação para a estourar do reino, a estrita observância da lei. Abordavam a realidade com categorias preconcebidas e moralizantes: justo e injusto, piedoso e ímpio, próximo e não próximo. Jesus, provoca este sistema ao afirmar que as
pessoas não são aceitas por Deus com base em méritos e prática da lei mosaica e da tradição da religião. Parafraseando Paulo Brabo: “Jesus Cristo era considerado pelos religiosos de sua época um judeu desaforado, por pregar que as pessoas eram aceitar por Deus com base em seu próprio cavalheirismo e graciosidade, mediante ao sacrifício de Jesus”. E não no cumprimento das regras da tradição.

Jesus gera ainda crise na modelo de vida dos essênios. Os essênios eram uma comunidade de monges de grande rigorismo, vivendo nos mosteiros de Qunran, perto do Mar Morto. Conforme os manuscritos descobertos em 1948, eles excluíam do reino todo aleijado das mãos, dos pés, cego, surdo, mudo ou portador de
qualquer mácula. Cristo, pelo contrário, convida a participar na ceia do Reino os pobres, aleijados, cegos e coxos. “O servo voltou e contou tudo a seu senhor. Então, indignado, o dono da casa disse ao servo: Sai depressa para as ruas e becos da cidade e traze aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os mancos.” (Lucas 14.21) Entre os essênios ainda reinava a mais rigorosa ordem hierárquica sob a alta direção sacerdotal. Em vez de hierarquia Cristo ensina a
hierodulia (serviço sagrado): Aquele que quiser ser maior seja o servidor, e aquele que quiser ser o primeiro seja escravo de todos (Mc 10.43 e 44). Os exemplos são muitos: herodianos, saduceus etc. Jesus gerou crise em todos estes grupos.

É tempo, portanto, de servirmos ao Senhor de verdade, com alma e integridade, sem querermos perverter sua mensagem só para ficarmos numa zona de conforto com a consciência alienadamente
tranquila. Se o Evangelho não tem gerado crises em nossos sistemas e paradigmas de vida é porque certamente o evangelho que afirmamos crer está desalinhado e desajustado com aquela mensagem que saiu da boca de Jesus. Um evangelho falsificado não
terá condições e forças para transformar o coração humano, muito menos para fazer diferença na sociedade. Deus tenha misericórdia de nós!

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.