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Normalmente diferentes e diferentemente normais

Quem é diferente e quem é normal? Esta pergunta deve passar pela cabeça de muita gente. Muitos se perguntam: – Eu sou normal ou sou
diferente?

Normalmente quando se encontra com alguém que (aparentemente) é diferente de nós, chega-se a conclusão que somos normais e o outro é diferente. Muitas vezes consideramos o outro diferente sem compara-lo às outras pessoas, mas simplesmente por comparar esta pessoa com a gente mesmo.

É muito comum esta análise ser feita com superficialidade, pois geralmente não se conhece a pessoa a fundo e tira-se conclusões precipitadas baseadas na aparência ou no “jeito” da pessoa.

Mas afinal, quem define o que é normal e o que é diferente? Normal em relação a quê? E diferente em relação a quem?

Todo ser humano é diferente um do outro. Cada ser humano é único. Uma pessoa tem sua impressão digital e mais ninguém durante toda a história da humanidade terá igual.

No final das contas somos todos diferentes um dos outros. Podemos nos vestir parecidos, termos ideias e filosofias de vidas semelhantes, termos temperamentos equivalentes e etc, mas nunca seremos exatamente iguais uns aos outros. Nem irmãos e irmãs gêmeos os são.

Quando analisamos pessoas que são diferentes de nós por causa de um piercing, tatuagem, cabelo, terno e gravata, maquiagem e etc é preciso tomar cuidado para não julgarmos o caráter e quem de fato a pessoa é. A aparência de alguém pode dizer muito sobre a pessoa, mas não a define como um ser. Ser alguém é muito mais que seu visual, pois existe uma mentalidade, sentimentos e características
que muitas vezes nem nós mesmos nos conhecemos rofundamente.

As vezes o comportamento “esquisito” de alguém, o jeito de falar e outras coisas deste tipo faz com que nos afastemos das pessoas por considerar a pessoa “diferente” e concluir que a pessoa não é “normal” como você. Perdemos oportunidades incríveis de conhecer pessoas que poderiam muito bem fazer parte do nosso ciclo de amizade por fazer julgamentos precipitados e preconceituosos em relação ao outro.

Claro que devemos nos preocupar com nossa segurança, com más influências, com pessoas vazias que não acrescentam muito, mas nunca descarta-las. Gente não é descartável. Gente é o bem mais precioso neste mundo físico. Não deixemos nos levar por definições rasas para concluir quem é diferente e quem é normal para
conviver comigo, pois no final todos somos NORMALMENTE DIFERENTES E DIFERENTEMENTE NORMAIS.

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

A esperança é a última que morre

A raça humana tem evoluído e crescido muito no conhecimento físico sobre os seres humanos, sobre a criação em geral e sobre o universo e planeta Terra. Tem procurado se desenvolver em todas as áreas que julgam ser importante para a sobrevivência e bem estar dos humanos.

Grandes cientistas e médicos desenvolvem novas fórmulas para as curas das doenças que ameaçam a vida e de desvendar os mistérios do funcionamento dos homens e animais. Biólogos e ambientalistas estudam e proporcionam conhecimento e formas para a preservação do planeta e do universo.

Enfim, toda a raça tem dado muita importância ao presente físico de tudo o que conhecem como realidade. O ser humano tem confiado muito em sua capacidade e dado cada dia mais valor em si mesmo. Atualmente o ser humano é o centro do universo.

Deus ficou de lado. Não tem mais o valor que já teve no passado. Por imposição ou não da igreja, o mundo falava em Deus e respeitava Deus e/ou as pessoas que diziam falar em nome dEle. Mas Deus foi substituído pela confiança no ser humano.

A “morte de Deus”, tratada por Friedrich Nietzsche, não fez com que o ser humano durante sua jornada ignorasse a realidade espiritual. Vivemos em uma época onde a espiritualidade está em “alta” sim e que há uma convivência relativamente harmoniosa entre as diferentes crenças que tratam da vida espiritual.

Esta “morte de Deus” fez com que Deus saísse do centro da espiritualidade e fosse substituído pelo próprio ser humano. Na cultura atual da maior parte da sociedade mundial, o ser humano é o centro do mundo e consequentemente o centro da espiritualidade. Não importa mais o que Deus e seus “profetas” dizem ser e como queiram que o ser humano guie sua vida, mas sim o que o próprio homem “acha” que deve ser feito quanto a sua espiritualidade.

Com o homem no centro da espiritualidade e com o afastamento de Deus, a esperança de uma vida após a morte ficou quase esquecida e muito deturpada. O ser humano não tem mais esperança nesta vida terrena e muito menos na vida “no além”. Tudo gira em torno do “aqui e agora”.

Talvez por isso vemos tantas mortes, violência, falta de amor uns pelos outros e um egocentrismo doentio que tem feito com que o ser humano vivesse como animais em luta de suas próprias necessidades de sobrevivência.

A fonte da verdadeira esperança para esta vida terrena e eterna foi posta de lado e com isso o ser humano está perdido em seus falsos conceitos sobre vida espiritual, mas achando que está com a solução em mãos.

Mas quando as dificuldades que chegam para todos, “bate a porta”, o ser humano reconhece sua impotência e percebe que não tem o controle das coisas. Deus se revela como Senhor através da várias situações para que o ser humano reconheça-o como Deus.

Se o ser humano se entregar a ação do Espírito Santo, então Deus começa uma transformação como faz com todo Cristão. Mas se o ser humano optar por recusá-lo, ele continuará vivendo perdido e cego em seus próprios caminhos que não o levarão para a vida eterna com Deus.

Precisamos o quanto antes obedecer e estarmos em comunhão com Deus para que tenhamos uma vida com esperança plena e segura
aqui na terra e com uma esperança futura garantida com Deus, e que não terá nenhum outro lugar melhor para se estar do que no céu com Jesus.

Se formos pelo o amor e obediência à Deus, iremos ser usados na obra redentora de Deus para o ser humano. Mas que se recusarmos a Deus, a vida será mais difícil sem uma esperança plena em Deus e o futuro incerto e obscuro. Mas que mesmo através da dor, Deus nos dá outra chance de termos comunhão com Ele e desfrutarmos da esperança que só Ele pode nos dar.

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

Igreja: Uma responsabilidade social

“Todos
os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas
propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém
tinha necessidade.” – Atos 2.44-45

 A responsabilidade social da Igreja está no “DNA” desde sua formação. Neste trecho em Atos, está-se iniciando a Igreja de Cristo após a morte, ressurreição e a vinda do Espírito Santo sobre os que creêm. Neste início de encontro e ajustes iniciais desta comunidade primitiva Cristã, tem um ponto muito forte que nasce juntamente com a Igreja, a responsabilidade social. A preocupação por uma
igualdade social, pela vida digna do cidadão e da comunidade, fez com que a igreja começasse a sua caminhada trabalhando para o bem comum.

Uma comunidade que tinha como prioridade o anúncio da salvação e da vinda de Jesus como o Messias a todo o povo e que após o cumprimento desta primeira etapa, já partia para o próximo
passo que era o suprimento das necessidades básicas do povo.

“A vocação original da Igreja ou Eclésia, que se constitui na ‘Assembléia de
pessoas chamadas para fora’, é o chamado de servir ao mundo em nome de Deus.”
¹

Com o passar dos anos e com o crescimento do evangelho e consequentemente da Igreja, algumas necessidades foram surgindo e tomando o lugar muitas vezes das necessidades básicas como Jesus cita em Mt 6.31,33: “Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? buscai,
pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos
serão acrescentadas.”

Com isso a Igreja foi perdendo seu referencia inicial (Atos 2) e percebendo que deixou para trás muitas ideologias Cristãs ensinadas por Jesus e princípios bíblicos. Talvez no afã de querer
corrigir este esquecimento pelo bem da vida social, as igrejas começaram a dar tanta ênfase na prática social, que dividiu-a da prática espiritual.

A bíblia ensina que o ser humano é inteiro e que a sua vida, em qualquer segmento, deve ser coerente com a teoria e prática. Em Tg 2.17 diz: “… a fé, se não tiver obras, está completamente morta”.

“A práxis Cristã no cotidiano é potencializada por meio das práticas sociais da igreja, focando problemas sociais reais e buscando promover o enfrentamento dos mesmos, com vistas à transformação de uma determinada realidade social.” ²

Entendo que a motivação que Jesus espera que a Igreja, que Ele mesmo constituiu, se interesse pelas necessidades do próximo e aja conforme Deus (e nem sempre como o outro quer) espera que façamos quando percebemos uma real necessidade na vida de alguém ou de um certo grupo. Motivações como: ganhar
mais “almas” para Cristo e “corpos” para a igreja é como se déssemos menos valor às almas e deixássemos com Deus, já que não sabemos como cuidar da alma.

E ficamos com o que realmente nos importa, que são números (corpos) em nossas igrejas ou ainda uma imagem que se passa para outras igrejas e comunidades que a Igreja está fazendo alguma coisa. Às vezes nem importa o quê se está fazendo, mas sim se está fazendo simplesmente.

Percebo que Jesus enxerga o ser humano como um todo e quer salvar e resgatar todo o ser humano com tudo o que ele possui: corpo, alma ou espírito, emoções, pensamentos, vontades,
sonhos, limitações, desejos, necessidades e etc e não somente a sua alma, pois não é somente a alma que sofreu uma condenação e um castigo no Éden, mas o corpo também que agora tem uma “validade” determinada, em consequência do pecado.

A igreja tem responsabilidades muito mais que no acompanhamento e crescimento de seus membros, mas da comunidade ou local aonde ela está inserida. Se entendemos que Deus é quem constitui a Igreja, então temos que perceber que aonde a Igreja está não é fruto do acaso, mas sim de propósitos divinos ali revelados.

A Igreja deve amar as pessoas, sejam elas quem for, mas principalmente quem Deus tem colocado dentro da realidade dela. E este amor deveria ser como o amor que o próprio Deus tem por nós. Deus nos ama muito ao ponto de nos aceitar como somos, mas nos ama ainda mais para não nos deixar do jeito que estamos. A Igreja deve ter este amor. Amar as pessoas de sua comunidade, mas amá-las ainda mais para não deixar as pessoas do jeito que estão. A Igreja deve se interessar e se importar com a realidade do mundo que está ao seu redor, e buscar a sensibilidade do Espírito Santo para saber quando, como e aonde agir para trazer dignidade integral na vida das pessoas.

São Francisco de Assis criticava dois tipos de grupos que ele identifica como pessoas que não estavam cumprindo com a missão de ser Igreja. Os teólogos e os monges. Os teólogos por ficarem isolados das pessoas nos seus estudos e os monges por também ficarem isolados das pessoas nos seus atos de piedade pessoal. Ambos acreditavam que este tipo de vida era ser a Igreja de Deus. Ficavam isolados por anos, distante de todos, sem se interessar pela realidade que está latente no mundo, apenas buscando Deus em si mesmos. Os Cristãos devem ser sal neste mundo. E em uma comida, para o sal fazer efeito ele precisa estar junto, misturado à comida.

Assim também é o Cristão, tem que estar junto e misturado ao mundo. Não nos aspectos dos valores plenos da sociedade, mas agindo à criação de Deus que é por quem Cristo deu sua vida.

Se o Cristão se propõe a amar as pessoas cuidando da suas necessidades, evangelizar e etc, ele cria responsabilidade nisto. Não apenas pelos seus atos e formas de como fazer todas estas coisas, mas principalmente com as pessoas que se tornam participantes de nossa vida.

Não creio que todas as igrejas Cristãs locais tenham que ter trabalhos específicos para todo tipo de pessoas em suas mais diferentes e difíceis realidades. Mas a direção de Deus deve ser buscada por cada um, individualmente e consequentemente por toda a Igreja, como uma família, para entender e praticar as “boas obras” que Deus nos confia para realizar. Esta direção de Deus vai manter o foco da Igreja aonde ela deve agir nos aspectos mais necessários das pessoas com as intenções mais puras e despretensiosamente egoístas.

Não acredito também que a Igreja irá conseguir por ela mesma ou somente ela mesma, resolver todos os problemas e suprir todas as necessidades. Uma, porque as necessidades são quase infinitas quando se trata do ser humano e em reconstituir todo o arraso que o pecado fez nos seres humanos e no mundo. E outra porque a Igreja, ainda que seja uma instituição Divina, tem a parte humana (confiada por Deus) que é falha e limitada. Mas a igreja deve sim apontar a direção para a solução e fazer o máximo para levar as pessoas até está direção, que é o caminho estreito até a cruz de Cristo, que vai sarar e restaurar todos os aspectos humanos que afastam as pessoas de Deus.

A responsabilidade da igreja é social, espiritual e completando, Integral.

Bibliografia

 ¹        CUNHA, Maurício. O Reino Entre Nós. Viçosa; Ultimato, 2003.

²        KAPPAUN, Marciano. A Práxis Social da Igreja. Campinas, 2008.

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

Geração Ema Ema

 

Sempre ouvimos nossos pais, avós e pessoas mais velhas nos contarem sobre suas saudosas épocas de jovens e como antigamente a geração era diferente. Ouvimos que a violência era menor, os crimes menos bárbaros e ficamos com a impressão que os tempos já foram melhores.

Creio que em certos aspectos realmente outras gerações tiveram pessoas com outros tipos de atitude e até mesmo de pensamentos que foram mais solidárias umas com as outras. Mas também concordo que na época que vivemos temos muitos traços de melhoria em algumas coisas produzidas pelos seres humanos como por exemplo, a tecnologia.

Mas nesta geração pós moderna tenho percebido algo que tem me incomodado muito e feito refletir sobre a minha vida: o individualismo, que é marca tão presente da nossa geração.

Assistindo a um reality show na TV, vi um programa onde dois
participantes, um homem e uma mulher, cumpriam tarefas designadas por mediador que juntos deviam se ajudar para alcançar os objetivos traçados. Durante todo o jogo os dois se ajudavam e dependiam um do outro para realizar as tarefas propostas. Mas na última prova eles teriam que realizá-la sozinhos, ou seja, separadamente, no melhor estilo “cada um por si”. Quem realizasse a prova primeiro teria direito de ficar com todo o prêmio e se quisesse poderia dar metade para o parceiro. O rapaz realizou a prova primeiro que a menina e teve a oportunidade de decidir se ficaria com todo o dinheiro ou dividiria com sua parceira. Depois de pensar e conversar com a moça, ele decidiu ficar com todo o dinheiro sem dividir com a parceira que o ajudou durante a maior parte da prova.

Este fato real nos mostra um pouco que esta geração é individualista. Vivemos uma época em que cada um deve cuidar da sua vida e não se meter na vida dos outros. Isto trouxe consigo um egoísmo desenfreado, onde apenas importa o que você pensa e quer, sem levar em consideração o outro.

Isto influência em todo nosso cotidiano e nas nossas relações, pois
iremos conviver com as pessoas com este sentimento egoísta e não conseguimos amar, respeitar e cuidar uns dos outros.

Concordo que “se meter” na vida alheia com a intenção errada é
prejudicial tanto quanto, mas não se envolver com as pessoas por preferir atender somente as necessidades próprias fez que tivéssemos uma geração que se isola e não tem verdadeiros casamentos, amizades e família.

Mas o que mais me preocupa é que muitos não percebem isto e quando se fala no assunto a resposta geralmente é: “Ema,
ema, ema, cada um com o seu problema”.

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