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Feminicídio : o que o cristianismo tem a dizer sobre este terrível e triste mal social

Tenham em vocês os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus” (Filipenses 2.5)

 Embora muita violência tenha sido feita na história em nome do cristianismo, em sua essência, numa leitura profunda das Escrituras Sagradas, à luz de Jesus de Nazaré, não há nenhum fundamento que justifique a violência. Portanto, qualquer ato violento é uma aberração pecaminosa que obviamente desagrada a Deus e desumaniza o ser humano. Ressaltamos que estamos falando aqui no nível pessoa-pessoa e não pessoa-Estado, esta é outra discussão.

Algo que nos preocupa bastante em relação ao nosso país é o crescimento da violência contra a mulher, mesmo com a lei Maria da Penha. Segundo reportagem da revista Exame de 08 de Março de 2017, 22% das mulheres (12 milhões) sofreram agressão verbal, 10% (5 milhões) sofreram ameaça de violência física, 8% (3,9 milhões) sofreram ofensa sexual, 4% (1,9 milhões) sofreram ameaça com faca ou arma de fogo, 3% (1,4 milhões) sofreram espancamento ou tentativa de estrangulamento e 1% (257 mil) levaram um tiro. Em 61% dos casos o agressor era um conhecido. Na região de Campinas, segundo reportagem do portal G1 de 09 de outubro de 2017, a maioria das vítimas do feminicídio foi morta dentro de casa.

Por que esse mal social é tão insistente? Certamente há várias variáveis a se considerar, uma delas é a mentalidade de muitos homens. Em vários casos de violência contra a mulher, inclusive chegando ao assassinato, a violência se deu porque o homem envolvido não sabe receber um não, não sabe ser contrariado, é um tipo de egolatria (fala de Ana Lara Camargo de Castro que é promotora de Justiça do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul – Fonte: (Jornal El país)). A mentalidade machista propagada e legitimada por filmes, em geral de cunho pornográfico, músicas, e pelas próprias conversas entre os homens e etc acaba impulsionando muitos a agirem com violência contra suas companheiras e inclusive considerando, imbecilmente, estarem agindo de forma correta. Ainda há que se considerar o problema do alcoolismo: esta é mais uma praga social: desestrutura as famílias, rouba a consciência das pessoas e também leva, em muitíssimos casos, a violência. Triste a contradição de que a mesma mídia que tenta, a seu modo, combater a violência contra a mulher, incentiva o consumo de álcool. Existe também o problema das drogas ilícitas que também é geradora de violência, especialmente contra as mulheres, filhos contra suas mães, maridos contra suas esposas e outros casos. Fora tudo isso existe ainda a impunidade em nosso país, a lentidão da justiça em julgar os crimes e inclusive a incapacidade da justiça de dar proteção mesmo àquelas mulheres que buscam ajuda, como muitos exemplos demonstram. Poderíamos falar da própria história do Brasil, marcada pela escravidão dos negros até o século XIX (lembrando que maioria das mulheres a sofrer violência são negras) e patriarcalismo, das injustiças sociais, dos trabalhos degradantes, das humilhações sociais impostas a tantos. Citamos isso, obviamente, não como justificativa, mas como elementos que minam o sentido de viver, criam obstáculos nas relações humanas e constroem formas de pensar que acabam desembocando em agressividade. Todavia, é importante ressaltar que a violência contra mulher, inclusive o feminicídio, não acontece só nos bairros pobres, mas é fruto de uma ideologia machista espalhada por todos os cantos.

Em minha opinião particular o maior problema da violência contra a mulher reside na mentalidade dos homens, sua forma equivocada de verem a si mesmos, o mundo, os outros e suas relações. Neste ponto o cristianismo autêntico pode contribuir bastante visto que a primeira obra de Jesus Cristo na vida de uma pessoa se dá justamente na mente, pois em Cristo a forma de pensar certamente há de mudar. Estou falando de cristianismo e não de mera religião. A partir do poder do Evangelho, o ser humano é levado a se arrepender de um estilo de vida que exclui Deus e abraçar, em fé, uma nova forma de ser, que se traduz numa nova forma de pensar, uma nova forma de entender a si mesmo e os outros e uma nova forma de agir, que é marcada pela consciência real do que é valioso nesta vida, e em atitudes de amor, graça, generosidade, perdão, misericórdia, compaixão, tolerância, amizade, companheirismo, respeito, paciência que pode ser sintetizado na expressão fruto do Espírito segundo Galátas 5.22 que expressa o próprio caráter do Senhor Jesus Cristo.

As cartas do apóstolo Paulo ensinam os maridos a amarem suas esposas como Cristo amou a igreja, em plena doação, cuidado e entrega. Jesus Cristo foi revolucionário no seu tempo em relação ao tratamento em relação a mulher, sempre gracioso, generoso, paciente, tolerante. O autor de Gênesis afirma que a mulher é criada do homem como uma igual, igual no seu valor, na sua importância e ambos carregam em si a Imago-Dei, a imagem de Deus.

O feminicídio acontece exacerbadamente hoje em dia em uma sociedade que jogou Deus para o escanteio da vida, de uma sociedade que valoriza mais as coisas e os animais do que as pessoas, de uma sociedade que dá preferência aos “relacionamentos” virtuais do que aos reais, de uma sociedade que valoriza mais o ter do que o ser, de uma sociedade que vomita via redes sociais o ódio e despreza a tolerância, de uma sociedade em que os relacionamentos familiares são tratados como um nada, em uma sociedade em que o discurso religioso é regido pelos interesses do mercado e do poder e não da ética e da bondade.

Os cristão devem orar com disciplina por esta situação tão triste em nosso país, em que diversas mulheres vivem amedrontadas e humilhadas. Devem orar para que as autoridades do país encontrem formas sábias de enfrentar esse triste e gravíssimo problema, naquilo que lhes cabe. Devem orar para que os pais sejam mais sábios, atentos e mais participativos na vida de seus filhos, ensinando bons valores e princípios. Devem levantar a sua voz contra essa e tantas outras injustiças, devem ensinar em suas comunidades e famílias que abraçar o amor de Deus implica numa vida de bondade, graça e ética, e devem ensinar o respeito profundo ao ser humano, que é criação do Deus de amor, devem denunciar a violência quando a encontrarem, devem escrever livros, artigos, devem pregar contra esse mal, devem oferecer ajuda às vítimas da violência, inclusive às famílias que sofreram o feminicídio. Devem também oferecer ajuda aos homens agressores, pois carecem da misericórdia divina e da transformação do Cristo, embora devam assumir as consequências de seu ato. Os cristãos devem sobretudo lutar, dentro de seu contexto, com toda sua força, para que os pensamentos possam ser levados cativos a Cristo. O mal é insistente, mas Deus é bom e Todo poderoso. Deus tenha piedade!

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

Soli Deo Gloria

O lema Somente a Deus dai glória consegue unir de maneira consistente todos os outros quatro: Sola Gratia, Sola Fide, Sola Scriptura e Solus Christus, visto que a salvação do ser humano pecador se dá exclusivamente pela graça de Deus, recebida através da fé, garantida, proclamada e sustentada pelas Escrituras por intermédio exclusivo da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo e tudo isso para a glória de Deus.

Esses 5 Solas surgiram dos reformadores e dos que os sucederam no sentido de preservar e resguardar as conquistas da Reforma depois que esta foi questionada e atacada pela Contra-Reforma da então Igreja Católica Apostólica Romana após o Concílio de Trento. Para isso, os reformadores e sucessores criaram as confissões de fé, as declarações doutrinárias e etc para preservar o que entendiam ser a sã doutrina.

Hoje, é certo que existe uma necessidade urgente de se resgatar o Soli Deo Gloria, especialmente entre nós cristãos, até mesmo para  que todas as doutrinas da fé cristã estejam em nossa mente de forma coesa, conexa, consistente e com o supremo propósito de glorificar a Deus . É preciso compreender que a vida, toda ela, integralmente, em cada dimensão, deve existir para a glória de Deus, ou seja, a vida do cristão em cada segmento, em cada instância deve se dar como uma forma de adoração ao Eterno Deus, é sobre isso que o apóstolo Paulo estava falando quando escreveu: “Portanto, irmãos, exorto-vos pelas compaixões de Deus que apresenteis o vosso corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos amoldeis ao esquema deste mundo, mas sede transformados pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12. 1 e 2) e também I Co 10.31: “Portanto, seja comendo, seja bebendo, seja fazendo qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus”.

Mas será que o Soli Deo Gloria se encarna em nossa vida em sua completude? Será que ao tomarmos uma decisão consideramos se aquilo irá glorificar a Deus? Quando vamos abrir nossa boca para falar algo será que pensamos que aquelas palavras deveriam ser ditas para que Deus seja honrado? Quando nos recusamos a servir a Deus e ao seu povo para darmos lugar a nossa acomodação e bem estar será que estamos refletindo se essa atitude adora a Deus ou ao nosso ego?

Como cristãos evangélicos, gostamos de dizer que só Deus deve ser glorificado, mas em muitas de nossas atitudes negamos isso, pois a realidade mostra que temos facilidade de trocar a glória de Deus pela nossa própria e o nome bíblico para isso é idolatria.

Hoje, nestes tempos pós-modernos cheios de confusão, somos regidos pelas nossas emoções e sentimentos. São essas forças que governam nossa vida, pois praticamente todas as nossas decisões são tomadas assim: “o que estou sentindo é isso que vou fazer”.

A Bíblia que é a Palavra de Deus e que glorifica a Deus nos incentiva a orar, mas nós preferíamos confiar em nosso coração. A Bíblia nos ensina a termos mentores espirituais, mas achamos que nós nos bastamos. A Bíblia nos exorta a não deixar de congregar com os irmãos, mas julgamos demais os outros e somos extramente rígidos com suas falhas, mas nunca com as nossas próprias e daí não conseguimos conviver com quase ninguém. A Bíblia nos exorta para amar o próximo, mas escolhemos a dedo a quem queremos amar, assim amamos nossas famílias em detrimento de outras famílias. A Bíblia nos incentiva a meditarmos nas Palavras Divinas, meditarmos nela com alegria a fim de vivermos uma vida de adoração e obediência ao Senhor, mas preferimos a TV e outras formas de lazer e nos entupimos dessas coisas.

A verdade é que faz tempo que muitos de nós não levam mais em consideração o “Somente a Deus daí glória”. É por isso que muitas igrejas estão doentes e fracas, é por isso que muitos cristãos estão vivendo uma vida de mediocridade espiritual, pois o humano foi colocado no centro de tudo e não Deus. Eu oro para que o zelo e a paixão pela glória de Deus possa arder em nossos corações de novo. Que da nossa vida possa emanar verdadeiramente o Soli Deo Gloria. Amém.

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

A Bíblia: nosso livro de fé e prática! Será mesmo?

Dia 31 de outubro se celebra 500 anos de Reforma Protestante e um dos lemas desta Reforma é Sola Scriptura (Somente as Escrituras). Este é um lema que expressa a compreensão protestante que a autoridade máxima em termos de vida e fé está nas Escrituras e não na tradição da igreja e nem em outra fonte. Os cristãos evangélicos pertencentes as igrejas históricas têm como doutrina que a Bíblia é o livro genuíno e legítimo que fundamenta a fé e a prática. Mas será que isso procede mesmo? Será que essa doutrina supera o mero discurso da boca dos cristãos e desemboca numa prática bíblica? Vamos pensar sobre isso?

Será que a autoridade máxima em nossa vida é a Palavra de Deus ou nosso coração enganoso? Quando nos sentimos magoados e feridos, nós interpretamos a vida pelas lentes da mágoa ou abrimos nossas Bíblias e procuramos saber o que ela fala sobre isso? Quando alguém pisa em nosso calo e faz algo que nos entristece, nós carregamos este ferimento ou praticamos o ato bíblico do perdão? Será que vivemos a vida e participamos das coisas esperando ser servidos e sempre beneficiados e agradados ou preferimos seguir o princípio bíblico que é “melhor dar do que receber” e é mais cristão servir do que ser servido?

Quando se trata de nossa relação com o dinheiro nós gastamos este suado dim-dim só a com a gente mesmo e nossa família ou obedecemos o mandamento bíblico da generosidade e da fidelidade na contribuição financeira com o Reino? Quando o sofrimento nos atinge nós ficamos maldizendo a Deus e a vida ou praticamos o princípio bíblico da resistência e da perseverança do “em tudo dai graças”?

Em relação as palavras que saem da nossa boca, nós gostamos de usar as palavras para falar, criticar e ridicularizar as pessoas ou trilhamos o caminho bíblico de restringir nossas palavras àquelas que são abençoadoras. Quando se trata do amor, nós amamos só aqueles que são amáveis como nossos filhos e amigos e parentes ou praticamos o mandamento bíblico de amar o nosso próximo mesmo que este próximo não faça parte de nosso clubinho?

Quando se trata da nossa rotina, nós vivemos a vida e gastamos o dia correndo de um lado pra outro, assoberbados com o trabalho e depois nos despejamos em momentos de lazer para nosso relaxamento como ficar se alimentando da TV todo santo dia ou compreendemos e vivemos a verdade bíblica de remir o tempo porque os dias são maus? Quando olhamos para a realidade complexa e triste de nosso país, nós permitimos que ideologias que propagam ódio e mentira e atos de desumanidade dominem nossa mente ou seguimos a cosmovisão cristã-bíblica que Deus deve ser glorificado em todas as coisas e que o humano tem dignidade intrínseca por ser criado segundo a imagem de Deus mesmo que este humano esteja vivendo uma vida errônea?

Jesus Cristo é o Senhor da nossa vida ou temos nos prostrado diante de ídolos? Valorizamos de forma superlativa a tão grande salvação manifestada em Jesus e consideramos suas implicações ? Permitimos que o Evangelho nos impulsione a vivermos o Soli Deo Gloria? A graça de Deus é amada e valorizada por nós no cotidiano em atos de amor, generosidade, misericórdia e santidade ou temos pisado nesta graça com uma vida distante dos padrões de Deus? Compreendemos a igreja como povo de Deus, amado, comprado  e redimido pelo sangue de Jesus o qual existe para vivermos o cristianismo na prática sendo treinados para uma vida de excelência ou tratamos a igreja como mero apêndice da nossa existência, sem muito valor e importância? Agimos com bondade diante do que nos machucam? Não cobramos juros exacerbados e desumanos quando emprestamos dinheiro? Lembramos misericordiosamente dos doentes, dos presos? Sabemos perdoar?  Fugimos das confusões? Somos exemplos? Somos gentis? Somos honestos em tudo? Lutamos pelo que é bom, justo, belo e digno? Investimos nossa vida no Reino de forma engajada? Somos pessoas de oração?

Veja: existe uma grande diferença entre dizer que a Bíblia é o livro que representa a regra de nossa fé e prática e viver isso na real de maneira genuína. Falar é sempre mais fácil do que fazer. Deus nos ajude a oferecermos nossos corpos como um sacrifício vivo a Ele e que nossa vida seja um culto verdadeiro ao Senhor Jesus Cristo. Que através de nossas atitudes as pessoas possam ver que cremos de verdade no Deus revelado nas Escrituras. Amém!

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

O pecado do taedium spirituale

Monges cristãos do passado em suas análises e estudos profundos da vida de fé perceberam e identificaram uma postura extremamente perniciosa, prejudicial e, portanto, pecaminosa em alguns cristãos que foi denotado na expressão latina taedium spirituale, isto é, o tédio espiritual. Será que corremos o risco de enfrentar isso?! Vamos refletir?!

C. S. Lewis, considerado o maior escritor cristão do século XX disse: “O cristianismo, se for falso, não tem valor nenhum; se for verdadeiro, tem valor infinito. A única coisa que lhe é impossível é ser mais ou menos importante”. O que Lewis está dizendo é que não tem sentido nenhum que o cristianismo seja considerado como algo medíocre, mediano, morno, tedioso. Sendo o cristianismo verdade verdadeiríssima, e cremos nisso com toda a nossa vida, fundamentados nas Escrituras Sagradas, então não tem lógica e é um absurdo escandaloso que em nossa rotina cotidiana vivamos a espiritualidade de forma preguiçosa, cansativa, não criativa e tomados por desânimo uma vez que o cristianismo tem valor infinito.

É óbvio que não estou me referindo ao cristianismo institucional-religioso, com seus paradigmas moralistas e legalistas, estou me referindo a revelação cristã que afirma que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo e nos confia, como igreja, a mensagem graciosa da reconciliação. Esta é a mensagem central do cristianismo e por ser o guardião desta mensagem de salvação, o cristianismo tem valor infinito. A pergunta que não quer calar é: Por que com a boca afirmarmos seu valor e importância, mas muitas vezes negamos isso em nossa prática?

Provavelmente a resposta para esta pergunta esteja na expressão taedium spirituale. Este pecado é tão perigoso que Karl Barth, grande teólogo protestante do século XX, em sua preciosa obra: Introdução à Teologia Evangélica, afirma que esta postura está só a um passo de distância do ceticismo. Ou seja, a pessoa começa se desencantado com a vida cristã e com seus ensinamentos, depois permite que o desânimo encontre espaço e guarida em seu coração, abandona os ensinamentos do Senhor Jesus, abandona a igreja-comunidade de fé, e depois acaba por perder a fé e se torna cética, praticamente uma incrédula, vivendo um ateísmo prático: acredita em Deus, mas vive como se Ele não existisse.

O taedium spirituale acaba acontecendo porque não damos a devida atenção aos sinais, por exemplo: uma pessoa que vive murmurando de tudo. Esta atitude diante da vida demonstra claramente um tédio espiritual, porque tal dito cristão não consegue mais ver a bondade presente de Deus em sua vida, por isso prefere reclamar e reclamar, é um estado de lamentar crônico. Outro exemplo está naquela pessoa que está sempre, por qualquer motivo se desanimando, e a cada 10 minutos precisa que alguém lhe encoraje para daqui a pouco desanimar de novo. Outro exemplo é encontrado naquele que não presta mais culto junto com os irmãos e irmãs, despreza, assim, o ajuntamento comunitário, e deixa de usufruir daquela ação do Deus Triúno, Deus-Comunidade, Deus-família, Deus relacional que só acontece no encontro Pessoa-pessoa e pessoa-pessoa; outro exemplo ainda é encontrado naquela pessoa que abandona as bênçãos da generosidade de contribuir financeiramente  com sua comunidade de fé ou com projetos missionários e/ou sociais por não concordar com algo, e prefere, infelizmente, a solidão da reclusão e do isolamento, do egocentrismo e ignora o ditado que já dizia: “brasa fora do braseiro acaba se apagando”, ou a própria Palavra de Deus: “E consideremo-nos uns aos outros para incentivar-nos ao amor e às boas obras. Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês veem que se aproxima o Dia” (Hebreus 10:24,25).

Outros sinais deste tédio espiritual podem ser identificados, como a facilidade de se sentir magoado, a falta de desejo de cooperar, a recusa de utilizar seus dons em benefício dos outros, a recusa constante de aceitar uma compreensão diferente e mais ampla, mais profunda do Reino, da igreja, da missão, do serviço, o abandono da leitura assídua da Bíblia e da prática da oração, a culpabilização dos outros pelos seus problemas e tristezas e a recusa de se abrir para o aprendizado e a facilidade de espalhar desânimo e decepção por onde passa, a incapacidade de se sensibilizar com a dor alheia, a recusa de estender a mão e praticar a caridade, a decepção crônica, a insatisfação crônica, as palavras não edificantes, o ouvido moco para conselhos de amigos-irmãos, a falta de desejo de progredir etc etc etc. Os sinais são muitos.

O pecado do taedium spirituale só pode ser superado, quando a partir das Escrituras, compreendermos o valor e eterno e supremo que tem a pessoa do Senhor Jesus Cristo. Se não nos encantarmos com Sua pessoa e com Sua obra, se nosso coração não vibra de alegria ao nos depararmos com os valores preciosos do Reino, se nós não somos capazes de vender tudo que temos para adquirir aquela pedra preciosa no campo; se não nos entusiasmarmos com seu povo, comprado com preço de sangue, então somos sérios candidatos a sermos engolidos pelo taedium spirituale que desonra ao Senhor e presta um desserviço para o cristianismo por criar nele o estereótipo da feiura, da não perseverança, da incoerência, da contradição, da falta de sentido e da tristeza crônica.

Para não permitir que esse pecado tome conta de nossa vida, é necessário que como cristãos meditemos disciplinadamente nas Escrituras e sigamos pelo caminho da obediência: ouvir, meditar e praticar. Aprendamos também com os cristãos do passado, olhemos para sua dedicação, o seu zelo, suas trilhas, o seu amor, seu êxito a fim de não manifestarmos uma vida cristã mediana e tediosa. Deus tem valor eterno e glorioso, e, portanto, merece mais, muito mais, sempre mais. Lembremo-nos constantemente, com temor e tremor, das palavras do Senhor Jesus: “Contra você, porém, tenho isto: você abandonou o seu primeiro amor. Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se e pratique as obras que praticava no princípio” (Apocalipse 2:4, 5), ou ainda: “Assim, porque você é morno, nem frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca” (Apocalipse 3:16). Pelo amor, graça e consolo misericordioso do Deus que é Pai, Filho e Espírito, não entreguemos o coração a tristeza, desânimo, desencanto e tédio. Como disse o poeta: “Sigamos em frente e saibamos que a cruz mais pesada o Filho de Deus suportou”. Kyrie Eleison. Soli Deo Gloria.

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

A igreja que você deseja X A igreja que você é

É natural que desejemos nos sentir bem nos lugares aos quais pertencemos e participamos: na família, no trabalho, na escola, na universidade e na igreja não é diferente. Mas será que estamos mesmo, em todas as circunstâncias, dispostos a contribuir com muito ânimo e dedicação para que esses lugares sejam de fato lugares bons para se estar?! Eu, sinceramente, acredito que não! Vamos pensar nisso!

A verdade é que nem sempre estamos dispostos a cooperar, porque, em geral, achamos que isso é uma responsabilidade para os outros, compreendemos que nossa postura é sempre supimpa, ótima, maravilhosamente excelente e, assim, gostamos de delegar a culpa dos problemas e das dificuldades para outrem, como disse Leon Tostoy, escritor cristão russo: “Todo mundo pensa em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo”. Nós fomos engolidos pela síndrome do expectador, pensamos que a missão de resolver as questões é algo exclusivo para os outros.  Os problemas estão nos outros, as dificuldades são os outros que criam, aqueles que atrapalham são os outros, os que criam empecilhos são as outras pessoas, nunca eu. Essa lógica reflete o pensamento existencialista do filósofo francês Paul Sartre: “o inferno são os outros”. É óbvio ululante: este pensamento não é cristão, mas muitos cristãos adoram flertar com ele.

Com todo meu coração acredito que quando o Deus Triuno pensou em criar a igreja Ele estava inspirado. Porque a igreja foi pensada e feita e comprada com preço de sangue (Atos 20.28) para reproduzir no seu seio os valores belos, altos e transformadores do Evangelho: amor, graça, misericórdia, perdão, compaixão e justiça. Mas algo aconteceu, algo se perdeu no caminho, e a impressão que dá é que Jesus foi esquecido, não na teoria, não no pensamento, não nos cânticos, não nos sermões, não nos discursos, não na doutrina, mas na prática. Como alguém já disse: “na prática a teoria é outra”. E assim vivemos à luz daquele poema irônico:

“Viver com os irmãos no céu,

oh, que glória!

Viver com os irmãos na terra,

bem, isso é outra história”.

É claro que isso não é uma verdade absoluta, pois existem casos admiráveis e bonitos de comunidades cristãs e de irmãos e irmãs que vivem a vida de fé em profundidade, considerando todas as implicações do Evangelho que salva, cura a alma, rompe as barreiras, desafia ao amor e liberta de qualquer opressão, mas não podemos fechar os olhos para os contra-exemplos.

O que Jesus nos ensina sobre isso?! Vamos ver na Bíblia; em Mateus 7.5 está escrito: “Tira primeiro a trave do olho; e então enxergarás bem para tirar o cisco do olho de teu irmão”. O que Jesus está ensinando de forma até rígida é que os problemas, dificuldades e até pecados existem tanto nos outros quanto em nós mesmos. E a forma sábia, correta e transformadora de lidar com isso é atentando primariamente para os problemas, dificuldades e pecados que estão em nós, para depois atuar em relação ao outro. Agir de forma diferente, é chamado por Ele de hipocrisia. Palavra dura, não?!  Jesus não brinca em serviço e nunca diz meias palavras.

Assim sendo, se percebemos que os espaços que pertencemos têm problemas, seja a família, o trabalho, a igreja etc, então a mudança, segundo o Mestre e Salvador Jesus Cristo, deve começar em nós. Em cada um de nós. Falando especificamente de igreja, não adianta reclamar que a igreja não é acolhedora se nós não somos acolhedores quando temos oportunidade de o ser. Não adianta dizer que a igreja não ama, se nós ficamos fechados e restritos dentro de nosso grupinho e deixamos um tantão de gente de fora, não adianta dizer que a igreja não se importa com as pessoas, se nós não nos importamos e agimos com arrogância com quem pensa diferente de nós, não adianta dizer que a igreja não é generosa, se nós nunca colocamos a mão no bolso pra ajudar ninguém, não adianta dizer que a igreja  é hipócrita se nós não estamos dispostos a perdoar quem nos magoa, porque, na real, cristianismo sem perdão, é pura hipocrisia.

Tudo isso acontece por conta de uma confusão em nossa mente entre o ideal e o real. E como inocentemente queremos viver o ideal, achamos que a culpa de estarmos vivendo o real, com sua dureza e contradições, é algo provocado pelo outros e assim terceirizamos a culpa e tudo fica na mesmice de sempre, pois esta postura não ajuda em nada. Aliás, não só não ajuda, como atrapalha também. Cada vez que culpamos os outros pelos nossos problemas, ficamos piores e a situação problemática fica intocável.

A moral da história dessa nossa conversa é: se deseja uma igreja melhor, então seja melhor; se quer uma família mais amável, então seja mais amável; se quer um local de trabalho mais amigável e tolerante, então seja mais amigável e tolerante. Simples assim! O resto é conversa fiada! Guarde isso no coração: a mudança começa em você! Ou melhor, em cada um de nós. Que Jesus, Aquele que é o destruidor de muros e barreiras nos ajude! Seja a mudança que você quer no mundo. A começar em mim, quebra corações…

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Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

 

Pais espirituais

“Pois pelo Evangelho eu mesmo vos gerei em Cristo Jesus”. (I Coríntios 4.15b)

Hoje é um dia especial porque é um dia que o Senhor fez e nos deu gentilmente, mas além disso é um dia especial porque nos dá a oportunidade de pensarmos em nossos pais e agradecer a Deus por eles. No geral, os sentimentos que brotam neste dia são bonitos, saudosos, cheios de alegria e vivacidade.  Infelizmente há exceções, alguns não tiveram boas experiências com seus pais, não foram bem cuidados, foram até maltratados e inclusive abandonados. O Deus Triúno, tendo conhecimento de todo potencial dos pais e também de todas suas debilidades, propicia, através da sua igreja que é o seu povo, a oportunidade de todas as pessoas  serem cuidadas em amor e assim possam pela graça divina serem aperfeiçoadas e curadas, em caso de traumas familiares, pelo poder e vivência no Evangelho.

Sendo Deus o Deus que é uma Trindade de Pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo a via de realização que ele apresenta para nós é a do caminho comunitário, é a da vida de comunhão e altruísmo que reflete uma demasiada preocupação, atenção, serviço e cuidado com o outro. Uma forma de viver isso de fato é pensar no ministério dos pais espirituais, ou seja, homens que adotam pessoas espiritualmente e as trazem para uma convivência próxima e decidem caminhar com elas, através de discipulado e mentoreamento, e dessa forma, comer com elas, orar por elas, aconselhar, ajudar, apoiar, exortar, encorajar etc. Hoje, sendo dias dos pais, falo especialmente aos pais, mas tanto homens quanto mulheres podem abraçar esse tipo de ministério de adoção espiritual.

Hoje que vivemos tempos pós-modernos que são recheados de individualismo e narcisismo é difícil pensar que um ministério assim possa florescer. Estamos tão afogados com nossas próprias preocupações e tomados de tanto egocentrismo que é difícil abrir nossa vida para outrem. Com base na filosofia do consumismo, queremos apenas sossego e bem estar porque julgamos merecer. E queremos inclusive que Deus nos apoie em tal projeto. Mas é óbvio ululante que o Deus Triúno não apoia esse tipo de postura e atitude: a tudo que produz uma elevação do ego em detrimento do outro, Ele diz um bem grandão NÃO. Pois Ele é o Deus-comunidade e sabe que a realização plena do humano se dá pela via estreita dos relacionamentos.

Temos que ampliar nosso olhar sobre o que significa de fato ser igreja do Senhor Jesus. Temos que ampliar nossos horizontes hermenêuticos sobre o que significa ter comunhão com os irmãos e o que significa verdadeiramente servir uns aos outros. Porque muitos pensam que isso se dá ao frequentar os cultos dominicalmente e estudar a Bíblia numa escola que funciona cerca de uma hora semanal. Isso não significa ter comunhão e nem serviço, pelo menos não no seu sentido pleno e profundo. É preciso que aprendamos a nos aproximar uns dos outros e a nos interessar pelos outros de maneira cristã. É um tipo de encarnação: quando movidos pelo Evangelho tomamos a firme decisão de nascer no mundo do outro para ajudá-lo a crescer em Cristo, como disse Paulo: “Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós”. (Gálatas 4:19).

Ser um pai espiritual é atuar com responsabilidade cristã não só na esfera familiar que também é necessária e louvável, mas é convidar pessoas, que podem ser já do nosso oikós ou não, pra fazer parte da nossa vida de forma mais intensa e expressiva, ser incluída em nossa rotina de alguma forma, e colocar seus nomes e histórias em nossa agenda para que possamos desenvolver um relacionamento saudável de acompanhamento e prestação de contas, sem opressão e invasão de privacidade, para que neste relacionamento, regado de graça pela Trindade, possamos amadurecer em nosso cristianismo de forma conjunta, mesmo porque não há outro caminho de crescimento.

Deus criou a igreja para que ela pudesse expressar de maneira antecipada os valores e as belezas do Reino que serão vividos plenamente no céu, mas nós transformamos a igreja num culto que acontece aos domingos, nós transformamos a igreja num auditório, nós transformamos a igreja em eventos e programações que propiciem entretenimento e participamos de tudo isso e ao mesmo tempo trancamos com chave tetra a porta de nossa vida para os outros.

Se homens genuinamente espirituais se levantarem para serem pais espirituais esse tipo de quadro triste apresentado sobre a igreja começará a mudar, pois estaremos mais alinhados com o coração de Deus, o Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo. Permita que Deus use sua vida para edificar a vida de outros. Ah! É bom lembrar que o dia dos pais espirituais não é hoje, ou não é só hoje, é na verdade todos os dias, pois como disse Jesus: “Até agora meu Pai trabalha e eu trabalho também” (João 5.17). Cuidar de gente é coisa pra vida inteira. Que o Pai, o Filho e o Espírito Santo nos ajude! Que o Deus Triúno nos impulsione para uma vivência cristã verdadeiramente comunitária. Amém.

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

Consciência x Carência

“Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente […] Pois pela graça que me foi dada digo a todos vocês: ninguém tenha de si mesmo um conceito mais elevado do que deve ter; mas, pelo contrário, tenha um conceito equilibrado, de acordo com a medida da fé que Deus lhe concedeu”. (Romanos 12:2a – 3)

Não precisamos ser estudiosos de Sigmund Freud e nem aceitarmos todos seus ensinamentos para perceber que os seres humanos são cheios de carências, cheios de necessidades afetivas. A carência se dá devido a história e  construção de vida de cada um. Uns são carentes porque não receberam na sua infância o carinho devido, foram de certa forma cuidados e protegidos mas não de forma adequada a propiciar um crescimento sadio, com maturidade e inteligência emocional; outros são carentes porque receberam carinho em demasia, exageradamente, nunca ouviram um ‘não’ na vida, nunca foram confrontados em seus erros, daí criaram uma depência emocional, sempre na expectativa que as pessoas façam algo para lhe agradar e lhe suprir os desejos. Existem certamente outros fatores também mas que não serão analisados aqui.

Quando uma pessoa cheia de carência entrega sua vida ao Senhor Jesus e se junta a uma igreja para caminhar com o povo de Deus pela vida é natural que ela traga consigo seu universo de carências e dependências emocionais. Se essas necessidades emocionais não são devidamente tratadas, tal pessoa projeta sua dependência emocional no próprio Deus e também nas pessoas da comunidade e de sua família. Assim sendo, essa pessoinha vai vivendo a sua vida, sempre na expectativa de que Deus exista para lhe suprir suas necessidades e as pessoas idem. Ela sempre faz as coisas, “serve”, desde que seja do seu jeito, e desde que seja feito de forma a lhe trazer algum proveito ou mesmo para que ela  se sinta importante e valorizada.

Sua fé, portanto, é utilizada no intuito egocêntrico de lhe proporcionar felicidade o tempo todo. Deus, o Senhor Deus, Criador dos céus e da terra, deve se curvar a fim de atender suas exigências  e encher de mimos aquele “servo” e aquela “serva” que são movidos pelo crônica expectativa de serem agradados. Sua vivência de fé se traduz sempre num sentimento de ‘Deus para mim’ e nunca um ‘Deus através de mim’. De um ‘Deus que me abençoa’, e não um ‘Deus que me torna abençoador’, de um ‘Deus que me dá e me atende’, mas não de um ‘Deus que me exige dar e atender solidária e fraternalmente aos outros’. É um Deus que não reina soberano em mim, pois no caos do meus sentimentos e emoções e expectativas, Ele foi engolido por um ego, um ego que como um buraco negro, suga tudo para si. É óbvio ululante que isso só de dá na mente carente da pessoa e não na realidade da existência.

Esse tipo de atitude e postura é absolutamente degradante para a vida da igreja, visto que as pessoas fazem parte de uma comunidade pelos motivos errados e geralmente geram muitos problemas. Certamente a Bíblia não nos dá autoridade para olhar para tal comportamento e concluir que tal pessoa de fato não é salva e não pertence ao Senhor Jesus, definitivamente não podemos fazer isso, seria um ato arrogante, uma vez que é Deus, através de seus anjos, que separa o joio do trigo e só Ele. Além disso, seria um ato de juízo olhar para outro e suas atitudes e concluir que tal pessoa busca e serve a Deus com consciência ou por carência emocional. Tal análise deve ser feita por cada um no seu contato com a Palavra de Deus mediada pelo Espírito de Deus. Agora, o que podemos concluir é que uma pessoa tão cheia de carências, que é constantemente motivada por suas dependências emocionais não cresceu, não amadureceu, não se tornou adulta, pelo menos não na fé e no lidar com suas emoções.

O que a Bíblia nos ensina é que Deus quer que o sirvamos conscientes do que estamos fazendo e não porquê fomos engolidos pelas nossas carências afetivas. Ele quer que saibamos exatamente o porquê estamos fazendo o que estamos fazendo e porquê fazemos parte de uma comunidade, que é simplesmente, à luz de Jesus, na força do Evangelho, para servir de coração e não sermos servidos. Por isso que o Evangelho opera sua transformação na mente das pessoas para que elas possam ver a vida, ver Deus, ver a si mesmas e os outros, aqui e alhures, com outro olhar, com expectativas transformadas e tomadas pelo Espírito Santo de Deus.

Por isso que Paulo ensina a igreja de Roma que pela fé, por uma fé genuína e madura, os cristãos podem se compreender de maneira equilibrada, sem se superestimar ou subestimar. Eles podem ver a si mesmos exatamente como são e inclusive ver suas próprias feiuras e esqueletos escondidos no profundo do coração que vão desde mágoas, rancores, ódios, decepções, a expectativas frustradas e carências profundas.

Olhar para si mesmo com sinceridade, sendo auxiliado por todo potencial que vem da fé em Cristo, é passo fundamental para o desenvolvimento de uma inteligência emocional para que superemos, no âmbito das emoções e expectativas, tudo aquilo que possa nos impedir de “adultecer”.  É bonito demais ver pessoas firmemente servindo ao Reino de Deus com consciência e com convicção e não por carência sempre balançando e desanimando cada vez que se depara com um problema ou quando suas expectativas não são atentidas. Fazer parte de uma igreja não é em primeiro lugar para nos tornar felizes, mas para nos tornar maduros, firmes e fortes. Crescer dói, mas é o Caminho do discipulado, o Caminho de ser como o Mestre Jesus. Confiemos  que Deus vai graciosamente nos dar tudo o que precisarmos para servi-LO, adorá-LO e honrá-LO, mas que jamais Ele nos dará tudo o que desejarmos.

Que os corações carentes aprendam a confiar na suficiência da graça e que se tornem convictos e conscientes de todo amor que vem de Deus sobre nós e que nos chama para participarmos da sua obra no mundo com alegria superlativa e desinteressada. Amém.

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

Um povo para o bem de Campinas e do mundo

“Esses homens que têm agitado o mundo chegaram também aqui”. (Atos 17.6a)

“[…] e sentia grande indignação ao ver a cidade cheia de ídolos” (Atos 17.16)

Hoje, dia 14 de Julho,  a cidade Campinas completou 243 anos de fundação. Com sua população de 1,1 milhão de habitantes Campinas é uma cidade bela, cheia de riquezas, um centro de tecnologia, educação, cultura etc. Nosso desafio hoje é teologar sobre esta gigantesca cidade e os desafios que ela traz para os servos e servas de Jesus de Nazaré que almejam viver de acordo com os paradigmas do Reino de Deus.

As estatísticas trazem números tristes sobre Campinas: a violência aqui é grande: o número de homicídios é altíssimo, os índices de violência contra a mulher são alarmantes, os furtos e roubos de carros, casas, cargas são elevadíssimos também e a maioria dos crimes está relacionado ao tráfico de entorpecentes. Podemos lembrar também que Campinas tem o maior bairro dedicado a prostituição da América Latina; a desigualdade por aqui também é escandolosa, dados de 2013 revelam que há 165,8 mil (15,4% da população) em áreas de baixíssima vulnerabilidade enquanto 141 mil (13,2%) vivem excluídos, com condições de moradia e saneamento precárias, não possuem emprego e têm baixa escolaridade.

Estas informações demonstram que os problemas sociais da cidade são gigantescos, e que precisam ser enfrentados com muita força de vontade política, porém, não é só isso, demonstram também que espiritualmente a cidade é dominada por ídolos, principados e potestades, que trazem, atuando em diversas esferas, inclusive políticas: miséria, violência, exploração, ganância, desprezo pela vida humana, e sofrimentos diversos. Essas informações trazem a tona o fato de que há muito trabalho para se fazer por aqui, há muitas sementes de paz, justiça e alegria que precisam ser semeadas.

Jesus falando aos seus discípulos disse: Vós sois o sal da terra; mas se o sal perder suas qualidades, como restaurá-lo? Para nada mais presta, senão para ser jogado fora e pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte (Mateus 5.13 e 14). Jesus está ensinando aos seus servos e servas que é preciso atuar e agir em nome de Deus, no impulso do poder e ousadia de Deus, com o coração cheio do amor de Deus para proclamar a libertação através do Evangelho de Jesus Cristo, num mundo tão cheio de injustiças, violências e maldades, pra usar o termo bíblico: pecado, e isso significa ser sal e trazer sabor e ser luz e iluminar e que tal sabor e luminosidade não podem ser escondidos. Paulo escrevendo a igreja que estava na cidade idólatra de Éfeso disse: pois não é contra pessoas de carne e sangue que temos de lutar, mas sim contra principados e poderios, contra os príncipes deste mundo de trevas, contra os exércitos espirituais da maldade nas regiões celestiais (Efésios 6.12). Precisamos nos conscientizar dessas verdades!

Infelizmente, devemos reconhecer que muitas pessoas cristãs que estão em nossa cidade, agem como se não estivessem aqui e não se esforçam para abrir os olhos para a realidade que está em sua volta, e tem uma agenda que pouco se importa com os problemas contextuais campineiros, postura esta anti-cristã que nega a esfera encarnacional do Evangelho de Jesus. Agindo com esta postura, nega-se o próprio Cristo, logo Ele que se encarnou no chão da existência humana, com todas as contradições e opressões do espaço geográfico que decidiu se revelar. Com pesar reconhecemos que muitos foram engolidos por uma “espiritualidade” do consumo, onde se quer usar Deus para satisfazer os desejos mais comerciais do coração, é sempre um ‘Deus para mim’ e nunca um ‘Deus através de mim’, não é mais ‘nosso pão’, mas o ‘meu pão’ e outros que comam das migalhas que caem da mesa, não é mais ‘venha a nós o Teu Reino’, mas ‘venha a mim o Teu Reino’ e me encha de mimos para que eu me sinta feliz e com a consciência tranquila. Este tipo de compreensão certamente não está fundamentada no Evangelho de Jesus que é sempre vivenciado por aqueles que são misericordiosos, têm fome e sede de justiça, são pacificadores, humildes e reconhecem que a vida acontece no fluir da graça divina.  Esta compreensão consumista da fé é só o lado religioso do status quo da contemporaneidade.

Como cristãos, faz-se urgentemente necessário que olhemos para nossa cidade de Campinas assim com o Cristo olhou para Jerusalém e lamentou por ela:  Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que a ti são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta a sua ninhada debaixo das asas, e não quiseste!   (Lucas 13.34). Podemos nos lembrar ainda da carta do profeta Jeremias aos exilados na Babilônia e abraçarmos sua mensagem: Empenhai-vos pela prosperidade da cidade, para onde vos exilei, e orai ao SENHOR em favor dela; porque a prosperidade dela será a vossa prosperidade. (Jeremias 29.7), afinal, o que somos aqui, senão exilados a espera e a caminho de nosso verdadeiro lar?

Irmãos, uni-vos! Unamo-nos  para que o Reino de Deus seja sinalizado nesta cidade tão bela, mas tão distante dos propósitos divinos. Oremos! Jejuemos! Clamemos em lágrimas pela misericórdia do céu! Lutemos pela justiça! Façamos o bem! Atuemos em amor e compaixão! Proclamemos em palavras e em ações o Evangelho de Jesus que continua sendo o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Romanos 1.16). O saudoso Robinson Cavalcanti escreveu: “A missão da Igreja é manifestar aqui e agora a maior densidade possível do Reino de Deus que será consumado ali e além”. Enquanto o Reino de Deus não se consuma espalhemos com ousadia sementes evangelicais de paz, justiça e alegria.

Irmãos e irmãs: que sejamos uma verdadeira dádiva divina para nossa querida cidade de Campinas, para nosso Brasil que tanto sofre, enfim, para o mundo que padece longe do amor salvífico de Deus. Maranata, ora vem Senhor Jesus!

Algumas páginas consultadas. Acesso em 14 de Julho de 2017

http://www.portaldepaulinia.com.br/noticias-da-regiao/noticias/19862-desigualdade-ainda-assombra-regiao-metropolitana-de-campinas.html

http://campinaspress.com.br/index.php/campinas-lidera-ranking-de-mulheres-assassinadas-na-rmc/

http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2015/09/itatinga-e-unico-bairro-planejado-para-prostituicao-no-pais-diz-pesquisadora.html

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

A começar em mim! Hipóteses sobre a ‘não-vinda’ do avivamento em nossas vidas

Ouvi, Senhor, a tua palavra, e temi; aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos, no meio dos anos faze-a conhecida! (Habacuque 3:2)

[…] e por onde quer que este rio passe, tudo viverá. […] Junto do rio, em ambas as margens, nascerá todo tipo de árvore que dá fruto comestível. A sua folha não murchará, nem o seu fruto faltará. Dará novos frutos nos seus meses, porque as suas águas saem do santuário. O seu fruto servirá de alimento, e a sua folha, de remédio. (Ezequiel 47.9b e 12)

Falar de avivamento é falar de um tempo em que o poder e a glória de Deus se manifestam tão fortemente na vida do Seu povo que ele é tomado por um desejo irresistível de buscar e conhecer ao Senhor com mais profundidade: servindo-O com toda intensidade, orando com paixão, pregando com ousadia, ajudando aos sofredores e esquecidos com amor generoso, vivendo uma vida de santidade!

O avivamento não é só a manifestação de um desejo de buscar a Deus com mais empenho, mas é a realização desse desejo, ele verdadeiramente se concretiza pela atuação de Deus no meio de seu povo. Na história cristã, tanto como na história de Israel os grandes avivamentos são marcantes, trazem transformações profundas, não só na vida do povo que busca a Deus, mas na vida de gente que rodeia este povo, é, enfim, um experiência espiritual indescritível.

Por que hoje, nós e muitas outras igrejas locais, não estão vivendo um tempo de avivamento? Diante de tantas demandas na sociedade, muitas delas espirituais, por que o avivamento não vem? Por que não se realiza? Minha primeira hipótese para responder isso é que nós não queremos. O avivamento quando vem provoca profundas mudanças no coração daqueles que dizem servir a Deus, ou seja, o avivamento nos impulsionaria para uma busca de santidade profunda em todas as dimensões de nossa vida e isso é extremamente desafiador e provocativo para nós. Nós temos preferido ficar num estado de conformismo e conforto.

Outra hipótese é que aquilo que está no coração de Deus não nos toca tão fortemente mais. Jesus em seus ensinamento deixou evidente que aquilo que alegra o coração de Deus é ver pessoas se achegando e se voltando para Ele com o coração quebrantado e contrito, como bem exemplificado nas parábolas do filho pródigo, da ovelha perdida e da dracma perdida. Além disso, segundo os profetas, Deus quer que a justiça corra como um rio e que sua glória alcance toda a Terra. Por conta de perdemos muito tempo conosco mesmos, buscando somente nos entreter e fazermos coisas, em todo tempo, que nos fazem sentir bem, nós nos esquecemos daquilo que está no coração de Deus. Até buscamos a Deus de vez em quando, mas a sua vontade não tem o poder de nos mover mais. Não choramos por aqueles que estão se perdendo, não nos importamos com intensidade nem com nossos filhos e parentes que não andam com Jesus, criamos até justificativas para que eles vivam assim; o sofrimento e as injustiças do mundo não nos incomodam, estamos passivamente indiferentes.

Outra hipótese é que a fé foi pervertida de alguma forma entre nós. Não falo de doutrinas especificamente. Mas me refiro ao fato de que nós criamos um conceito de fé que nos permite ficar, mesmo com tanto conhecimento doutrinário, estagnados num estado servil ao status quo. Nós criamos um conceito de fé cristã que nos permite participar de uma igreja ativamente, sem colocar Deus no centro da vida e sem buscar o seu Reino em primeiro lugar. Nós criamos um conceito de fé que nos permite ter a segurança da salvação, mesmo que nada que diga respeito ao Senhor nos mova pelos caminhos da existência. Qualquer leitura rápida da Bíblia revelará que esse tipo de “fé” não tem fundamento que é somente fruto de um coração egocêntrico e distante de Deus. Pois a fé verdadeira em Cristo é suficiente para salvar o pecador, mas esta fé que salva nunca vem sozinha, ela vem carregada de boas obras e frutos como aquela árvore plantada junto as fontes conforme o Salmo 1.3.

É por isso que nossas igrejas sofrem e sangram, e em muitos casos, caminham muito aquém de suas possibilidades. Isso é triste de ver. Um avivamento entre nós e outras igrejas traria cura para esses males. Mas é necessário que ele comece dentro de cada um de nós, é necessário que nós nos ajoelhemos diante de Deus, peçamos perdão pelos nossos pecados e indiferença e clamemos para que Ele derrame seu avivamento transformador em nós. Como na visão do profeta Ezequiel que viu águas que trazem cura e mudanças profundas. Essas águas são águas de avivamento. Clamemos para que o Senhor nos capacite a amar as pessoas, a perdoar os que nos magoaram, a lutar pelo Evangelho a começar pela nossa casa, para que desejemos ver mais pessoas se convertendo a Cristo Jesus e que atuemos solidariamente entre aqueles que precisam de ajuda.

Eu tenho orado por isso! Gostaria de lhe desafiar a se juntar a mim para que unidos busquemos ao Senhor dizendo: aviva, meu Deus, a tua obra entre nós, a fim de que o trabalho de nossas mãos prospere (Salmo 90.17) e que frutos que permaneçam (João 15.17) sejam produzidos e que Teu coração Senhor se alegre por ver a tua vontade se realizando entre nós. A começar em mim quebra corações…

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

A MISSÃO DE SER MÃE

Mãe, motivo de inspiração de vários poetas, não por acaso de ser comparada a Deus. Já que, assim como Deus está para a humanidade, assim a mãe está para os seus.

Mãe é vida, pois por meio delas todas as coisas vieram a existência. Existência essa, que dá ao ser humano um norte, uma essência.

Mãe é sacrifício. Uma vez que dá tudo de si para a continuidade da humanidade, contudo seu reconhecimento pela sociedade na maioria das vezes se materializa em forma de desprezo e suplício.

Mãe é o paradoxo da graça, já que de forma graciosa nos concedem a vida, contudo devemos a elas obediência para que nos corra bem nossa jornada pela terra. Elas são heroínas face a um mundo cheio de vilões, princesas cheias de virtudes que não caberiam em poemas.

Elas abrilhantam um mundo que ganha graça com suas graças, são fortes ao mesmo tempo que frágeis, são lindas, simples, simpáticas, divertidas, parecendo achar em tudo motivo para não levar tão a sério a vida, mesma sendo elas ao mesmo tempo sérias quando precisam ser.

Elas vão até as últimas consequências na sua busca por justiça e amor ao próximo. Não poupam esforços quando o assunto se trata de proteção ao indefeso talvez porque compreendem o valor a vida.

Algumas são cheias de personalidade forte, destemidas, sem perder a ternura da inocência de uma criança.

São seres revolucionários enchendo-nos de sonhos que jamais poderão alcançar por amor aos seus. São grandiosas, aventureiras no bom sentido da palavra. Daquelas que desconfiam que sempre tem algo mais, e que o mundo não é simplesmente aquilo que nos é apresentado.

Por isso sorriem diante do futuro. Falam com sabedoria e ensina, com amor. Cuidam dos negócios de sua casa e não dá lugar à preguiça. Seus filhos se levantam e a elogiam; seu marido também a elogia, dizendo: “Muitas mulheres são exemplares, mas você a todas supera” – Provérbios 31.28-29

Talvez o melhor termo para poder defini-las se configura em uma única palavra: “missionárias”. Sim, ser mãe é uma verdadeira missão. Missão esta, exercida com bastante amor. Amor este, que é paciente, bondoso, não invejoso, não vanglorioso, não orgulhoso.

Por isso procuram não maltratar a ninguém, colocam os interesses dos demais acima do seu. Não se iram facilmente, não guardam rancor. Jamais se alegram com a injustiça, mas se alegram com a verdade. Talvez por isso se tornam uma fera quando seus filhos usam da mentira para escapar-se das consequências causadas. Desta feita, Elas Tudo sofrem, tudo crêm, tudo esperam, tudo suportam. Pois acreditam na gente e de que o amor jamais perece (1 Coríntios 13.4-8).

Agradeço ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vocês mães. Meu orgulho em vida, beleza sem igual, formosura incomparável, coragem transcendental, amor imensurável, bondade incontável.

Seus ensinos levarei para sempre enquanto viver cá na terra. Serão como enfeites em minha cabeça um adorno para meu pescoço.

Que “O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e te conceda graça; o Senhor volte para ti o seu rosto e te dê paz. (Números 6.24-26)

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Emiliano J.A. João
Emiliano Jamba António João, Filho de António João e de Maria de Lourdes António, nascido na cidade do Huambo, província do Huambo em Angola. Do grupo étnico dos Ovimbundos que pertencem ao povo Bantu. Atualmente reside no Brasil desde 2014, na cidade de Campinas no Estado de São Paulo.
Graduando em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil (FNB), e em Direito pela Universidade Paulista,(UNIP). Membro do grupo de iniciação cientifica sobre a Ética das Virtudes, coordenado pelo Dr. Sidney de Moraes Sanches.
Membro do grupo de Teologia Negra - FTL, campinas,
Áreas de pesquisa: Religião e política, com ênfase no missionaríssimo cristão na África subsaariana Lusófona, e sua implicação na politica, Ética e filosofia Africana.
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