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MEU MALVADO FAVORITO

Bate-me!
Cuspa-me!

Desnuda-me!
Humilhe-me!
Estupra-me!
Penetra-me!
Saqueia-me!
Delícia-te da burrice da minha ignorância!
Abusa de mim se isto te faz feliz
Pois tenho vivido como um masoquista infeliz!
Que acha prazer apenas em seu malvado favorito!
Sim, faça tudo isso.
separadamente ou simultaneamente,
coletivamente ou individualmente,
que ainda assim terei a mais bela das desculpas,
pois tu és meu malvado favorito.

Teus créditos talvez cubram todo mal
Tua fama talvez se tornou maior que a realidade abismal
Um fantasma, uma fixação,
Um ideal, utopia, ou uma obsessão.
Mas antes viver com isso do que sem isso.
Contanto que sejas o meu malvado favorito.

Entre em minha casa;
Ofereço o resto das migalhas da minha comida;
Entrego meu afeto,
e meus aposentos,
enferrujado pelo tempo que a espera não levou,
Meu mais belo terno que do camundongo escapou,
Minhas belas donzelas que da prostituição não escaparam,
Ou se preferires meus mancebos que na roubalheira se entregaram.
Tudo porque não conseguiste transformar suas belas palavras de cinema para a realidade concreta!
E a concretude da esperança não conseguiu dar vida as promessas devassas.
Mas ainda assim seja meu malvado favorito!

Oh tu que que um dia cintilaste como as estrelas nos céus acaso não enxergas a extensa escuridão que te encontras levando consigo ao
precipício os seus?
Cade as doces palavras que acalentavam nossos corações?
Cade as mais belas promessas diluídas pelo esquecimento? Porque gotejam agora ações,
E enchem-se as orações,
Mas ainda assim seus ouvidos se encontram tampados para nossas petições.
Não sacrificamos já bastante por amor a ti e as suas falas mansas?
Até ao pedestal dos deuses tens sido colocado;
Diariamente batemo-nos em defesa de quem afronta seu santíssimo nome.
Com intensidade e encanto asseguramos anos de melhoria que jamais chegaria Com serenidade e tranquilidade maquiamos as hecatombes da vida.
Tudo em prol do meu malvado favorito.

Todos já se deram conta de suas atrocidades.
Concederam-te inúmeras oportunidades
Porém tu continuas com tua sagacidade
Todavia o que isso importa? se ano apôs ano consegues angariar o voto dos apaixonados e entusiastas devotos.
Que com uma fé cega continuam apostando todas as cartas em seu malvado favorito.

Uma coisa tenho por certo,
até o mais tolo dos animais sabe quando é a altura de sua perspicácia
e quando maior altura maior o tombo.
Algum dia os devaneios darão lugar a sanidade e a eficácia.
As máscaras ao rosto nu
E aí hummmm…
As vendas serão desvendadas

E apenas vergonha haverá,
pois até ao mais pobre devoto palavra alguma o conquistará
Ainda que sua arrogância atinja os céus, e a sua cabeça toque as nuvens,
ele desaparecerá tão completamente como o seu próprio excremento; e quem o
tenha visto questionará: ‘Onde ele foi parar?’

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Emiliano J.A. João
Emiliano Jamba António João, Filho de António João e de Maria de Lourdes António, nascido na cidade do Huambo, província do Huambo em Angola. Do grupo étnico dos Ovimbundos que pertencem ao povo Bantu. Atualmente reside no Brasil desde 2014, na cidade de Campinas no Estado de São Paulo.
Graduando em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil (FNB), e em Direito pela Universidade Paulista,(UNIP). Membro do grupo de iniciação cientifica sobre a Ética das Virtudes, coordenado pelo Dr. Sidney de Moraes Sanches.
Membro do grupo de Teologia Negra - FTL, campinas,
Áreas de pesquisa: Religião e política, com ênfase no missionaríssimo cristão na África subsaariana Lusófona, e sua implicação na politica, Ética e filosofia Africana.

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