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VIVER EM CRISTO: ENTRE O PESO E A SUAVIDADE

Alegrei-me quando me disseram vamos a casa do Senhor! Assim começava a jornada de mais um Cristão recém convertido. Contudo, pela caminhada, fortes chuvas sobrevieram inundando sua vida de preocupações, trabalhos, e outras coisas mais que aos poucos foram tirando-lhe todo tempo, seja para si mesmo, quanto para os demais, melhor nem falar para Deus. Resultado: Toda sua alegria e ânimo acabaram por desmoronar. Afinal, esqueceu de firmar-se em rocha
solidificada, preferindo continuar em areias aparentemente confortáveis, acalentosas e tranquilas.
Certo dia, se, por tédio, por melancolia, ou pelo mero hábito (prefiro acreditar que seja pelo direcionamento do Espirito Santo), observou um raiar de uma bela luz pelo caminho, caminho este imerso de escuridão. Como uma lamparina iluminando seu pé, um passo de cada vez ele dava, sem, contudo, poder observar o trajeto todo. Mas a alegria de dar um passo sem se preocupar com o passo seguinte e a crença de que aquela iluminação do tempo presente o levaria a porto seguro reavivava seu seu interior de maneira que foi
renovando suas forças, se reerguendo, jorrando de alegria, seu semblante foi se modificando, pois, diante de si havia um espelho. Espelho esse que exigia que fosse olhado com bastante atenção e cuidado. E quanto mais fixamente olhava mais claramente via os entraves pelo caminho, e solução de poder desviar-se de tais
entraves. Já que o espelho lhe dizia taxativamente como ele era, sem barganhas nem trapaças. Era como um raio x da alma assim pode-se dizer.

Com essa história pode-se pensar que o caminhar com Cristo exige esforço, tempo, dedicação, talvez pareça paradoxo já que se por um lado o jugo de Jesus é suave e leve por outro é duro e pesado, Mas jamais água com açúcar; como adverte o teólogo Dietrich Bonheffer; o mandamento de Jesus é duro, implacavelmente duro para quem se opõe a ele. Porém, o mandamento de Jesus é suave e leve para quem
se lhe submete de bom grado” (BONHOEFFER, 2016, p.14). Assim, o dito por João em sua 1ª carta cp. 5.3, começa a fazer sentido uma vez que se torna um estilo de vida e não um martírio ou cumprimento de pena. Quando seguimos integralmente e sem relutância ao que Jesus ordena, o seu jugo faz com que o fardo a carregar pela caminhada se torne leve e suave e o carregamos com certa tranquilidade e naturalidade.  Ainda Bonhoeffer diz:o mandamento de Jesus não consiste em um tipo de tratamento de choque emocional. Jesus nada nos exige sem nos dar a força para faze-lo. Seu mandamento não visa jamais destruir a vida, mas conserva-la,
fortalece-la e cura-la. (BONHOEFFER, 2016, p.14). Nos dias atuais parece ser tão difícil trilhar os caminhos da decisão eclesiástica
com segurança e ainda assim permanecer com toda a amplitude do amor de cristo para com todos os seres humanos, na paciência, misericórdia e; de Deus (Tt3.4) (BONHOEFFER, 2016, p.14) e com isso pensa-se se deixar ficar pelo caminho. Contudo, precisa-se entender que “Só Jesus Cristo, que nos ordena que o sigamos, sabe para onde leva o caminho. Nós, porém, sabemos que esse será, com
certeza, um caminho de misericórdia sem limites. (BONHOEFFER, 2016, p.14). E neste caminho teremos um iluminar (Bíblia) que nos acompanhará pelo resto da missão e não só servirá de iluminação como também espelho para termos noção do tempo que nos encontramos, a missão no qual estamos envolvidos e o alvo que
se pretende alcançar.

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Emiliano J.A. João
Emiliano Jamba António João, Filho de António João e de Maria de Lourdes António, nascido na cidade do Huambo, província do Huambo em Angola. Do grupo étnico dos Ovimbundos que pertencem ao povo Bantu. Atualmente reside no Brasil desde 2014, na cidade de Campinas no Estado de São Paulo.
Graduando em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil (FNB), e em Direito pela Universidade Paulista,(UNIP). Membro do grupo de iniciação cientifica sobre a Ética das Virtudes, coordenado pelo Dr. Sidney de Moraes Sanches.
Membro do grupo de Teologia Negra - FTL, campinas,
Áreas de pesquisa: Religião e política, com ênfase no missionaríssimo cristão na África subsaariana Lusófona, e sua implicação na politica, Ética e filosofia Africana.

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