A IGREJA DO ABRAÇO

Nossa igreja precisa de abraço – não é algo que se diga, porque é humano demais, mas foi o que ouvi. Cheira à gente, tem cara de desejo e se confunde com a frivolidade, passagem rápida, como se não ficasse qualquer resultado. Será que alguma igreja precisa de abraço?

Foi uma frase dita por alguém que procurava analisar uma situação. Escutei, com a perna cruzada, calcanhar por sobre o joelho e mãos que se esfregavam uma à outra. Se os meus braços também estivessem cruzados, algum especialista de comportamento humano poderia afirmar que se tratava de uma posição defensiva. Não poderia ter sido assim, porque não foi uma observação grosseira, veio como um dito lento, medido, escorregado pelo pensamento, quase um pedido. Um abraço é tão pouca coisa, que não dá para acreditar que um dia tenha virado sonho.

Tive que escutar isso, e pensar que na igreja, o lugar onde reside o amor, há falta dele. Não deveria ser assim, mas acabou sendo, e não é exclusividade daquela comunidade. A religião instituída, de qualquer natureza, é estabelecida pela definição de suas doutrinas e credos, e não tem como ser diferente. Tais doutrinas e credos acabam por tomar o lugar do ser humano por meio da estrutura e dos programas. Estabelecem-se as funções, a eficácia no desempenho, as regras de execução, os objetivos definidos, a maneira pela qual as pessoas serão alcançadas, o porquê de não terem sido, ou se o foram com muita facilidade, houve erro de planejamento? Foi pouco otimista? Erros de cálculo sobre as projeções? Vamos colocar num quadro estatístico, rol de membros, atividades desenvolvidas, receitas e despesas, treinamento aqui, desse lado o que foi alcançado próximo ao que foi projetado para que seja possível visualizar a diferença, número de pessoas no ponto de partida, aqui, número de pessoas no final do projeto, ali, as variáveis, a probabilidade de erro, dois por cento para mais, ou dois por cento para menos, está assim: deveríamos estar ali, mas estamos aqui, deve ter acontecido alguma coisa errada em algum lugar. Faltou a coluna do abraço, onde deveria estar mesmo?

Não está. Não há uma coluna do abraço porque o planejamento não comporta isso. Daí você lê os propósitos de algumas comunidades e nunca vê nada além do comum. Ninguém menciona o abraço, porque é simples demais. De tão inútil, não entra nas estatísticas, não faz parte de qualquer plano e certamente nenhuma comunidade que se preze tem a coragem de colocá-lo como um dos elementos centrais de seu discurso. Uma igreja que tem por alvo se abraçar, é humana demais, quase uma heresia.

Eu gostaria de fundar “a igreja do abraço”, e acho que estaria mais próxima à comunidade sonhada por Jesus. Uma comunidade de amor e afeto na qual as pessoas seriam mais importantes que o calendário, viveriam a paixão sincera de um evangelho que não precisaria ser monitorado. Cada qual daria conta de sua própria fé, teria consciência de que necessitaria conversar consigo mesmo sobre a sua própria vida, reavaliar conceitos, motivação, desempenho e o desejo de se dedicar um pouco mais. Nessa igreja não haveria cargos ou funções, só dons e amor, cada pessoa ocuparia o seu espaço com uma alegria tal que encheria os olhos de qualquer um, diferente da institucionalização forçada, que tem poucos cargos definidos, com não sei quantas pessoas querendo ocupar o mesmo lugar ao mesmo tempo, decidido por meio de eleições quem vai ficar com o quê, que não decide coisa nenhuma, lugar onde o abraço cedeu a vez para o chega pra lá.

Sem cargos e funções, está decretado: na igreja do abraço, só tem abraço! Ninguém sabe fazer nada e se fizer um pouco é porque Deus não enviou outro mais capacitado, que um dia virá e tomará o lugar, fará melhor e será abraçado por isso. Não é concorrente, é irmão no abraço, companheiro que veio fazer o que o outro não consegue, e vai ficar ali até que chegue outro melhor do que ele e que um dia também será abraçado. Haveria um culto solene, chamado culto do abraço, sem mensagem formal, cântico formal ou oração formal. Grupinhos constituídos aleatoriamente, sem sorteio ou rito, gente virada para trás nos bancos, estes seriam substituídos por cadeiras, que seriam deslocadas formando círculos de debates sobre a vida cristã, texto bíblico, troca de experiências e orações, muitas orações, gente abraçada orando junto. Um grupo cantando, outro rindo, outro chorando, ninguém distraído ou analisando as batidas do relógio, estudando o longo discurso programado, diretivo, exortativo, em algumas ocasiões até mecânico, lido, voz cadenciada, ritmada, mesma entonação e postura. Nada de fila indiana de bancos, colados um atrás do outro, e ficar olhando a nuca de ninguém. Nada disso. A igreja do abraço é a igreja do sorriso, tem que se ver a face, olhar o que dizem os olhos, ver as sobrancelhas erguidas e os braços longos que se abrem como gesto de aceitação.

Na igreja do abraço será proibido o tapinha nas costas. Coisa indecente é o tal do tapinha! Coisa de político! Na igreja do abraço, só há abraços, calor humano, gente se encontrando, se enroscando e conversando. Sem barreiras ou preconceitos, gente pobre com gente rica, raças misturadas, doutores e analfabetos, todos conversando sobre coisas comuns, seus medos, crises, dependência de Deus, conhecimento das Escrituras, sem receio de mencionar os seus dramas mais pessoais, e mais orações, outras orações, sem vozes empostadas ou vocabulário arcaico, orações na primeira pessoa do singular – “eu”, não na segunda do singular – “tu”, por ser irritantemente solene, e nem na primeira do plural – “nós”, por ser melancolicamente indefinida.

Parece muito, mas um abraço é apenas um abraço, não dá conta nem de ser heresia; coisa pequena demais para fazer tanta falta, se transformar em sonho e despertar tanta saudade.

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Natanael Gabriel da Silva
Doutor em Ciências da Religião e atualmente Diretor Adjunto para a Pós graduação e Investigação do Instituto Metropolitano de Angola, Luanda.

O QUE FAZER DIANTE DO CLIMA DE TERROR?

Dia após dia o mundo acordava com a triste realidade da crueldade e
monstruosidade humana!
A carta dos direitos humanos já a muito fora escrita, porém a barbárie humana continua mostrando sua pior face. A cobiça pelo poder ainda continua valendo mais do que a dignidade do ser humano. Caso para dizer que Aristóteles tinha razão quando, no seu livro a política, afirma que se queremos conhecer
verdadeiramente um homem devemos dar-lhe o poder.
Como africano e angolano, solidarizo-me com aqueles vitimados pelas monstruosidades humana que tem nos levado a um estado generalizado de terror.
Não posso dizer que sei o que padecem, nem que entendo vosso sofrimento e temor, mas apenas me desculpar por tais crueldades já que faço parte da espécie humana. Desta forma, apenas posso dizer que: sinto muito, sinto muito por vossa dor, pois me revejo nas lagrimas e gritos daqueles que perguntam por justiça, por
dignidade, por liberdade, sinto muito pois me reconheço na dor dos sírios, nigeaianos, belgas, franceses, americanos, espanhóis, angolanos etc. Que perderam pais, dos pais que perderam filhos e dos filhos que perderam irmãos, em suma me reconheço na dor das vitimas destas cruéis guerras que se fundamentam em coisas
mesquinhas como orgulho ferido, ideologias vazias e sede de poder no qual tendem a desvalorizar cada vez mais a vida.
Como estudante de direito, precisamos entender que o direito surge para garantia de uma convivência harmoniosa humana dentro de uma sociedade. Logo, os tratados pactuados precisam ser respeitados por todos independentemente de quem seja, sobe risco de transformarmos o nosso habitat em caos.
Como estudante de teologia, tenho a firme convicção que nossa luta neste mundo é para e pela vida. Pois nosso Deus é o doador de toda vida, logo a vida precisa ser respeitada, valorizada e amada. Deus é aquele que saindo do seu kairós entrou no CHronos humano para eleva-lo. Ele é aquele que têm um lado e com certeza não é ao
lado dos poderosos que se encontram por de trás destas barbáries.

Mas sim aquele que se encontra junto daqueles que procuram por uma esperança, um amparo, das crianças que inalavam verdadeiros venenos nucleares, e das viúvas e órfãos que perderam seus entes.
Devemos sempre lembrar que a guerra acima de todas as coisas é a mais abominável aos olhos de Deus, a mais odiosa, pois destrói aquilo que com tanto amor fora criado por Deus e degrada o ser humano ao nível de uma formiga sem pensamento, que obedece sem saber porque obedece e combate sem saber porque combate. Pois, na verdade, na guerra o homem se bate por coisa nenhuma. (Taylor
caldwell, 1972. p.61). Não podemos fazer vistas grossas as atrocidades desumanas que temos observado um pouco por todo mundo, muito menos nos inibir face a tal problemática. O medo espalhou-se de forma generalizado. Chegamos hoje ao ponto
tal de ter medo de ter medo assim qualquer coisa que comprometa a vida estará aí nosso campo de atuação. De que maneira? Deve estar se perguntando: Sendo atalaias, denunciando o mal, lutando pela vida por meio de pequenos gestos de amor, solidariedade e
compaixão (colocar-se no lugar do outro). Sendo acolhedores para com os emigrantes por exemplo: Não fechando nossas portas para os desabrigados, nem nossas fronteiras, conforme tem acontecido.

Visitarmos e ajudarmos o estrangeiro, o órfão, a viúva ou aquele que estiver precisando. São pequenos gestos que podem ser feitos em qualquer lugar ou a qualquer momento para qualquer um neste
mundo globalizado que farão muita diferença. Se topar já seremos dois e quando menos perceber seremos bilhões. A batalha é árdua com certeza mas a vitória é certa pois aquele que é por nós é maior do que aquele que está contra nos! E agindo Deus quem impedirá! (Isaias 43:13)

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Emiliano J.A. João
Emiliano Jamba António João, Filho de António João e de Maria de Lourdes António, nascido na cidade do Huambo, província do Huambo em Angola. Do grupo étnico dos Ovimbundos que pertencem ao povo Bantu. Atualmente reside no Brasil desde 2014, na cidade de Campinas no Estado de São Paulo.
Graduando em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil (FNB), e em Direito pela Universidade Paulista,(UNIP). Membro do grupo de iniciação cientifica sobre a Ética das Virtudes, coordenado pelo Dr. Sidney de Moraes Sanches.
Membro do grupo de Teologia Negra - FTL, campinas,
Áreas de pesquisa: Religião e política, com ênfase no missionaríssimo cristão na África subsaariana Lusófona, e sua implicação na politica, Ética e filosofia Africana.

ALEGRIA NA VIDA CRISTÃ

Muitas gerações de discípulos e discípulas de Cristo já se passaram e muitas outras ainda virão de vir. Alguns Cristãos do passado tinham uma visão sobre a vida Cristã a qual muitos aderiram enquanto outros não concordavam. Muitos achavam que “crente” que fica rindo muito e falando muitas coisas engraçadas não são pessoas sérias com Deus. Alguns inclusive entendem que Cristão não deveria rir para não perder a reverência. E ainda hoje (século XXI) é possível encontrar algumas pessoas com este pensamento.

É muito comum também pessoas que confundem alegria com risadas. Muitos entendem que ter alegria na vida é sempre ficar rindo de tudo e pra todos. Alguns Cristãos acham que viver com Jesus é ter uma alegria do tipo que nunca chora de tristeza, nunca reclama da vida, não tem depressão (como se fosse um sentimento e não uma doença) e que tem que estar sempre positivo, falando coisas boas e rindo o tempo todo. É claro que não é bom ficar chorando, reclamando e triste o tempo todo também. Mas não dá para ficar sorrindo, cantando e de bem com a vida continuamente (mesmo que seja bom tentar ser assim).

Alegria é muito mais que uma expressão exterior ou sentimento interior. Alegria é um estado emocional, uma forma de viver, uma decisão a ser tomada diariamente que nos fazer sermos contentes. Contentes no sentido de contentamento ou estar satisfeitos com o que temos mas insatisfeitos com quem somos. Alegria também pode ser externalizada em sorrisos, piadas, canções e abraços. Mas também pode ser externalizada num choro, em uma palavra mansa, num afago e no silêncio.

Mas a verdadeira alegria não vem de fora para dentro mas sim de dentro para fora. Quando ela é intencional e buscada como um modo de viver, ela aflora na vida de interior e externaliza em tudo o que se faz e diz. Esta alegria está muito ligada à paz que só Jesus pode dar. Uma alegria e paz que não está ligada às situações mas que emana do Deus que tem todo o poder para mudar nosso interior e nos ajudar a externalizar de uma maneira honesta e respeitável.

Ser Cristão é ser alegre.

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

MEU MALVADO FAVORITO

Bate-me!
Cuspa-me!

Desnuda-me!
Humilhe-me!
Estupra-me!
Penetra-me!
Saqueia-me!
Delícia-te da burrice da minha ignorância!
Abusa de mim se isto te faz feliz
Pois tenho vivido como um masoquista infeliz!
Que acha prazer apenas em seu malvado favorito!
Sim, faça tudo isso.
separadamente ou simultaneamente,
coletivamente ou individualmente,
que ainda assim terei a mais bela das desculpas,
pois tu és meu malvado favorito.

Teus créditos talvez cubram todo mal
Tua fama talvez se tornou maior que a realidade abismal
Um fantasma, uma fixação,
Um ideal, utopia, ou uma obsessão.
Mas antes viver com isso do que sem isso.
Contanto que sejas o meu malvado favorito.

Entre em minha casa;
Ofereço o resto das migalhas da minha comida;
Entrego meu afeto,
e meus aposentos,
enferrujado pelo tempo que a espera não levou,
Meu mais belo terno que do camundongo escapou,
Minhas belas donzelas que da prostituição não escaparam,
Ou se preferires meus mancebos que na roubalheira se entregaram.
Tudo porque não conseguiste transformar suas belas palavras de cinema para a realidade concreta!
E a concretude da esperança não conseguiu dar vida as promessas devassas.
Mas ainda assim seja meu malvado favorito!

Oh tu que que um dia cintilaste como as estrelas nos céus acaso não enxergas a extensa escuridão que te encontras levando consigo ao
precipício os seus?
Cade as doces palavras que acalentavam nossos corações?
Cade as mais belas promessas diluídas pelo esquecimento? Porque gotejam agora ações,
E enchem-se as orações,
Mas ainda assim seus ouvidos se encontram tampados para nossas petições.
Não sacrificamos já bastante por amor a ti e as suas falas mansas?
Até ao pedestal dos deuses tens sido colocado;
Diariamente batemo-nos em defesa de quem afronta seu santíssimo nome.
Com intensidade e encanto asseguramos anos de melhoria que jamais chegaria Com serenidade e tranquilidade maquiamos as hecatombes da vida.
Tudo em prol do meu malvado favorito.

Todos já se deram conta de suas atrocidades.
Concederam-te inúmeras oportunidades
Porém tu continuas com tua sagacidade
Todavia o que isso importa? se ano apôs ano consegues angariar o voto dos apaixonados e entusiastas devotos.
Que com uma fé cega continuam apostando todas as cartas em seu malvado favorito.

Uma coisa tenho por certo,
até o mais tolo dos animais sabe quando é a altura de sua perspicácia
e quando maior altura maior o tombo.
Algum dia os devaneios darão lugar a sanidade e a eficácia.
As máscaras ao rosto nu
E aí hummmm…
As vendas serão desvendadas

E apenas vergonha haverá,
pois até ao mais pobre devoto palavra alguma o conquistará
Ainda que sua arrogância atinja os céus, e a sua cabeça toque as nuvens,
ele desaparecerá tão completamente como o seu próprio excremento; e quem o
tenha visto questionará: ‘Onde ele foi parar?’

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Emiliano J.A. João
Emiliano Jamba António João, Filho de António João e de Maria de Lourdes António, nascido na cidade do Huambo, província do Huambo em Angola. Do grupo étnico dos Ovimbundos que pertencem ao povo Bantu. Atualmente reside no Brasil desde 2014, na cidade de Campinas no Estado de São Paulo.
Graduando em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil (FNB), e em Direito pela Universidade Paulista,(UNIP). Membro do grupo de iniciação cientifica sobre a Ética das Virtudes, coordenado pelo Dr. Sidney de Moraes Sanches.
Membro do grupo de Teologia Negra - FTL, campinas,
Áreas de pesquisa: Religião e política, com ênfase no missionaríssimo cristão na África subsaariana Lusófona, e sua implicação na politica, Ética e filosofia Africana.

VIVER EM CRISTO: ENTRE O PESO E A SUAVIDADE

Alegrei-me quando me disseram vamos a casa do Senhor! Assim começava a jornada de mais um Cristão recém convertido. Contudo, pela caminhada, fortes chuvas sobrevieram inundando sua vida de preocupações, trabalhos, e outras coisas mais que aos poucos foram tirando-lhe todo tempo, seja para si mesmo, quanto para os demais, melhor nem falar para Deus. Resultado: Toda sua alegria e ânimo acabaram por desmoronar. Afinal, esqueceu de firmar-se em rocha
solidificada, preferindo continuar em areias aparentemente confortáveis, acalentosas e tranquilas.
Certo dia, se, por tédio, por melancolia, ou pelo mero hábito (prefiro acreditar que seja pelo direcionamento do Espirito Santo), observou um raiar de uma bela luz pelo caminho, caminho este imerso de escuridão. Como uma lamparina iluminando seu pé, um passo de cada vez ele dava, sem, contudo, poder observar o trajeto todo. Mas a alegria de dar um passo sem se preocupar com o passo seguinte e a crença de que aquela iluminação do tempo presente o levaria a porto seguro reavivava seu seu interior de maneira que foi
renovando suas forças, se reerguendo, jorrando de alegria, seu semblante foi se modificando, pois, diante de si havia um espelho. Espelho esse que exigia que fosse olhado com bastante atenção e cuidado. E quanto mais fixamente olhava mais claramente via os entraves pelo caminho, e solução de poder desviar-se de tais
entraves. Já que o espelho lhe dizia taxativamente como ele era, sem barganhas nem trapaças. Era como um raio x da alma assim pode-se dizer.

Com essa história pode-se pensar que o caminhar com Cristo exige esforço, tempo, dedicação, talvez pareça paradoxo já que se por um lado o jugo de Jesus é suave e leve por outro é duro e pesado, Mas jamais água com açúcar; como adverte o teólogo Dietrich Bonheffer; o mandamento de Jesus é duro, implacavelmente duro para quem se opõe a ele. Porém, o mandamento de Jesus é suave e leve para quem
se lhe submete de bom grado” (BONHOEFFER, 2016, p.14). Assim, o dito por João em sua 1ª carta cp. 5.3, começa a fazer sentido uma vez que se torna um estilo de vida e não um martírio ou cumprimento de pena. Quando seguimos integralmente e sem relutância ao que Jesus ordena, o seu jugo faz com que o fardo a carregar pela caminhada se torne leve e suave e o carregamos com certa tranquilidade e naturalidade.  Ainda Bonhoeffer diz:o mandamento de Jesus não consiste em um tipo de tratamento de choque emocional. Jesus nada nos exige sem nos dar a força para faze-lo. Seu mandamento não visa jamais destruir a vida, mas conserva-la,
fortalece-la e cura-la. (BONHOEFFER, 2016, p.14). Nos dias atuais parece ser tão difícil trilhar os caminhos da decisão eclesiástica
com segurança e ainda assim permanecer com toda a amplitude do amor de cristo para com todos os seres humanos, na paciência, misericórdia e; de Deus (Tt3.4) (BONHOEFFER, 2016, p.14) e com isso pensa-se se deixar ficar pelo caminho. Contudo, precisa-se entender que “Só Jesus Cristo, que nos ordena que o sigamos, sabe para onde leva o caminho. Nós, porém, sabemos que esse será, com
certeza, um caminho de misericórdia sem limites. (BONHOEFFER, 2016, p.14). E neste caminho teremos um iluminar (Bíblia) que nos acompanhará pelo resto da missão e não só servirá de iluminação como também espelho para termos noção do tempo que nos encontramos, a missão no qual estamos envolvidos e o alvo que
se pretende alcançar.

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Emiliano J.A. João
Emiliano Jamba António João, Filho de António João e de Maria de Lourdes António, nascido na cidade do Huambo, província do Huambo em Angola. Do grupo étnico dos Ovimbundos que pertencem ao povo Bantu. Atualmente reside no Brasil desde 2014, na cidade de Campinas no Estado de São Paulo.
Graduando em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil (FNB), e em Direito pela Universidade Paulista,(UNIP). Membro do grupo de iniciação cientifica sobre a Ética das Virtudes, coordenado pelo Dr. Sidney de Moraes Sanches.
Membro do grupo de Teologia Negra - FTL, campinas,
Áreas de pesquisa: Religião e política, com ênfase no missionaríssimo cristão na África subsaariana Lusófona, e sua implicação na politica, Ética e filosofia Africana.

ANO NOVO, VIDA NOVA? SÓ QUE NÃO !

O velho ano esboça os últimos suspiros, exala a última respiração de um ano
sofrido, cansado, envelhecido.
Sofrido dos inúmeros egoísmos na corrida dos sonhos por conquistar.
Cansado de ser amaldiçoado por aqueles que nada realizaram ou não enxergaram,

envelhecido pelos decorrentes trezentos sessenta e seis dias: mesmas promessas e
poucas mudanças.
Para alguns foi um ano alegre,
para outros triste,
para outros ainda celebre.
Ao passo que para muitos, catastrófico.
Ele se vai, certo de que a nenhum agradou ou desagradou por completo. Mas o que
importa? "Nem Cristo a todos agradou".
Verdade mesmo é que foi um ano repleto de tantas surpresas seja para mal ou para
o bem!
Particularmente foi um ano agridoce.
A nível individual metas foram alçadas,
a nível económico poucas mudanças,
a nível político, Ufas! tantos debates levaram-nos as discussões do século XV –XX:
poucas surpresas.
Meus olhos contemplaram
e meus ouvidos ouviram um ano das extremidades:
a antiga disputa entre extremistas da esquerdas e extremistas da direita afloraram
novamente.
Os velhos e típicos debates sobre a melhor forma de governo, a eficácia da
democracia, a questão dos direitos humanos, as noções de liberdades, a função
social do Estado e sobretudo as disputas de autoridade por parte dos órgãos de
poder seguiram a pauta.
Vi reformas trabalhistas serem feitas,
ao invés de reformas políticas
eles lá têm suas motivações que pouco ou nada servem de respostas.
Vi que os emigrantes só são bem quistos nos países destinatários quando
possuírem capital, e que o capital é o maior fator na aceitação do outro.
Vi que a via da ditadura não se configura na melhor gerência política pois tarde ou
cedo a bajulação termina, e o navio afunda: Mugabe e Santos que sejam de
exemplo.
Vi que quando deseja-se por mudanças efetivas elas ocorrem. A depender da força
de vontade do povo como um todo.

Vi que em pleno século XXI ainda não se ultrapassaram as velhas questões
segregacionistas e separatistas.
Pânico e medo surgiram por conta do terror mais que horror.
O novo ano começa, muito encanto, pouco conforto,
pisa-se as trilhas de um caminho incerto,
todavia otimistas das coisas por se fazer nos restantes trezentos e sessenta e seis
dias!
Sinais de esperanças têm sido levados a cabo.
A "banalização do mal" têm sido substituída pela "banalização do bem" a fim de
que haja um real "amor mundi". E neles nos apegamos para que o mal não triunfe
sobre o bem.
Assim, que dois mil e dezoito se configure em uma vida nova e próspera para toda
a humanidade!

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Emiliano J.A. João
Emiliano Jamba António João, Filho de António João e de Maria de Lourdes António, nascido na cidade do Huambo, província do Huambo em Angola. Do grupo étnico dos Ovimbundos que pertencem ao povo Bantu. Atualmente reside no Brasil desde 2014, na cidade de Campinas no Estado de São Paulo.
Graduando em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil (FNB), e em Direito pela Universidade Paulista,(UNIP). Membro do grupo de iniciação cientifica sobre a Ética das Virtudes, coordenado pelo Dr. Sidney de Moraes Sanches.
Membro do grupo de Teologia Negra - FTL, campinas,
Áreas de pesquisa: Religião e política, com ênfase no missionaríssimo cristão na África subsaariana Lusófona, e sua implicação na politica, Ética e filosofia Africana.

NATAL DAS CONTRADIÇÕES

Natal das contradições,
entre trancos e barrancos,
lutas e desavenças,
desesperanças e esperanças,
dificuldades e oportunidades,
esquecidos e lembrados,
ainda assim é Natal.
Alguns como Maria se alegram,
outros como Raquel choram,
mas ainda assim é o Natal.
Sim o menino é motivo de contradição já dizia o sacerdote Simeão.
Alguns o celebram com tristeza talvez movidos pela ausência de seus entes,
outros com alegria talvez motivados pelo verdadeiro sentido do Natal.
Alguns o celebram com a mesa farta,
outros com a barriga fraca
e outros ainda com a mesa em falta,
mas ainda assim é Natal.

Não se sabe quando,
não se sabe como,
nem porquê devemos celebrá-lo,
mas ainda assim o fazemos pois é Natal.

Devo festejar?
Devo me alegrar?
Demostrar minha indiferença?
Ou sua devida reverência?
E se o faço,
Por qual motivo o faço?
E a qual Natal?
Ao Natal do capitalismo?

Ao Natal da burguesia,
ou da hipocrisia?
Do escravocrata
ou do magnata?
Ao Natal dos idólatras
ou dos alienados?
Enfim, fazendo-o ou não, ainda assim é Natal.

Porque, aceitando ou não, um menino nos nasceu,
um filho se nos deu,
e o principado, reinos, nações e tribos
estão sobre os seus ombros,
e o seu nome é:
Maravilhoso,
Conselheiro,
Deus Forte,
Pai da Eternidade,
Príncipe da Paz.
Trazendo consigo ao mundo a sua luz!

Desta forma o que darei eu ao Senhor nascido?
Devo celebrar olhando para a vida tal como ela é: Vida.
Devo procurar em meio às suas dificuldades, motivos para vivê-la.
Devo buscar razão para alegrar-me em meio a tais catástrofes.
Devo me alegrar não pela condição na qual me encontro,
não pela ausência da qual padeço,
mas porque me nasceu hoje o Salvador, o Libertador.

Nesta senda a alegria se mistura com a dor,
a perda com a saudade
e o Cristo se torna o sentido em meio a falta de sentidos,
o Norte em meio às tempestades do percurso,
o provedor da preservação da fé,

o Emanuel em meio ao mundo cheio de contradições.

Ao festejar-se o Natal há de se ter sempre em mente:
É Natal do Papai Noel,
é Natal das famílias unidas,
é Natal das distribuições de presentes,
ou ainda das viagens adiadas,
das fugidas do emprego e pé na estrada,
galopando até o lugar desejado,
é Natal dos aglomerados,
de multidões em shoppings.
Também é Natal do capitalismo e de sua incansável e letal absolvição dos reais
significados das coisas.
É Natal do incansável empregador,
assim como do determinante trabalhador.
Do controverso ateu ou ainda do solvente gnóstico.
É até o Natal do recuperado de doença.

Mas, acima de tudo,
é Natal de Jesus Cristo.
De seu nascimento,
de seu imperativo categórico do amor.
Assim, o Natal tem um autor: Cristo.
Aquele que é o nascido, o crucificado e o Salvador.
O Natal é moldado e estruturado em Cristo.
Com uma base solidificada no princípio do reino de Deus.

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Emiliano J.A. João
Emiliano Jamba António João, Filho de António João e de Maria de Lourdes António, nascido na cidade do Huambo, província do Huambo em Angola. Do grupo étnico dos Ovimbundos que pertencem ao povo Bantu. Atualmente reside no Brasil desde 2014, na cidade de Campinas no Estado de São Paulo.
Graduando em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil (FNB), e em Direito pela Universidade Paulista,(UNIP). Membro do grupo de iniciação cientifica sobre a Ética das Virtudes, coordenado pelo Dr. Sidney de Moraes Sanches.
Membro do grupo de Teologia Negra - FTL, campinas,
Áreas de pesquisa: Religião e política, com ênfase no missionaríssimo cristão na África subsaariana Lusófona, e sua implicação na politica, Ética e filosofia Africana.

DECIDA DECIDIR

“Somos uma consequência de nossas decisões”. Você provavelmente já ouviu esta frase ou algo parecido com isto em algum momento da sua vida. Particularmente entendo que ela tem a sua verdade.

Nós não nascemos prontos e por isso com o passar do tempo vamos aprendendo com nossos acertos e desacertos. E muito disso passa pelas decisões que tomamos diariamente. Decisões menores e mais corriqueiras como levantar da cama, ir trabalhar, comer e etc. Pode parecer óbvio (e é), mas são escolhas que nós fazemos e que por vários motivos poderíamos decidir em não fazê-las ou fazer de forma diferente.

Mas também existem decisões mais complexas que nem sempre são corriqueiras mas que são extremamente importante para a nossa vida e de outros também. Decisões do tipo: que carreira profissional vou seguir, com quem irei me casar (e se irei casar), terei filhos e etc. São decisões que na maior parte das vezes cabem somente a nós tomarmos e que irão influenciar toda a nossa vida.

E existem situações em que perdemos o poder de decisão e outros acabam decidindo por nós. Como alguém que nos rouba algo, uma demissão do emprego, um término de relacionamento e etc. Estas são decisões que muitas vezes não cabem a nós executá-las, mas que irão nos atingir da mesma forma. Mas o que podemos decidir é o que iremos fazer com o que nos aconteceu contra nossa vontade. Podemos decidir reagir de várias formas e de decidir o que fazer agora que nos encontramos em situação em que não programamos.

Portanto é sempre importante que você DECIDA DECIDIR. Conscientizarmos que as decisões são importantes de serem tomadas, que o tempo em que elas serão feitas, quem serão as pessoas que serão impactadas pelas nossas decisões e etc. Termos a consciência que as decisões precisam serem concluídas nos ajuda a vivermos uma vida mais intencional e organizada e menos despreparada e improvisada. A questão não é ter uma vida chata em que tudo é sempre preparado, mas evitar que nada seja devidamente decidido. DECIDA DECIDIR.

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.