Soli Deo Gloria

O lema Somente a Deus dai glória consegue unir de maneira consistente todos os outros quatro: Sola Gratia, Sola Fide, Sola Scriptura e Solus Christus, visto que a salvação do ser humano pecador se dá exclusivamente pela graça de Deus, recebida através da fé, garantida, proclamada e sustentada pelas Escrituras por intermédio exclusivo da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo e tudo isso para a glória de Deus.

Esses 5 Solas surgiram dos reformadores e dos que os sucederam no sentido de preservar e resguardar as conquistas da Reforma depois que esta foi questionada e atacada pela Contra-Reforma da então Igreja Católica Apostólica Romana após o Concílio de Trento. Para isso, os reformadores e sucessores criaram as confissões de fé, as declarações doutrinárias e etc para preservar o que entendiam ser a sã doutrina.

Hoje, é certo que existe uma necessidade urgente de se resgatar o Soli Deo Gloria, especialmente entre nós cristãos, até mesmo para  que todas as doutrinas da fé cristã estejam em nossa mente de forma coesa, conexa, consistente e com o supremo propósito de glorificar a Deus . É preciso compreender que a vida, toda ela, integralmente, em cada dimensão, deve existir para a glória de Deus, ou seja, a vida do cristão em cada segmento, em cada instância deve se dar como uma forma de adoração ao Eterno Deus, é sobre isso que o apóstolo Paulo estava falando quando escreveu: “Portanto, irmãos, exorto-vos pelas compaixões de Deus que apresenteis o vosso corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos amoldeis ao esquema deste mundo, mas sede transformados pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12. 1 e 2) e também I Co 10.31: “Portanto, seja comendo, seja bebendo, seja fazendo qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus”.

Mas será que o Soli Deo Gloria se encarna em nossa vida em sua completude? Será que ao tomarmos uma decisão consideramos se aquilo irá glorificar a Deus? Quando vamos abrir nossa boca para falar algo será que pensamos que aquelas palavras deveriam ser ditas para que Deus seja honrado? Quando nos recusamos a servir a Deus e ao seu povo para darmos lugar a nossa acomodação e bem estar será que estamos refletindo se essa atitude adora a Deus ou ao nosso ego?

Como cristãos evangélicos, gostamos de dizer que só Deus deve ser glorificado, mas em muitas de nossas atitudes negamos isso, pois a realidade mostra que temos facilidade de trocar a glória de Deus pela nossa própria e o nome bíblico para isso é idolatria.

Hoje, nestes tempos pós-modernos cheios de confusão, somos regidos pelas nossas emoções e sentimentos. São essas forças que governam nossa vida, pois praticamente todas as nossas decisões são tomadas assim: “o que estou sentindo é isso que vou fazer”.

A Bíblia que é a Palavra de Deus e que glorifica a Deus nos incentiva a orar, mas nós preferíamos confiar em nosso coração. A Bíblia nos ensina a termos mentores espirituais, mas achamos que nós nos bastamos. A Bíblia nos exorta a não deixar de congregar com os irmãos, mas julgamos demais os outros e somos extramente rígidos com suas falhas, mas nunca com as nossas próprias e daí não conseguimos conviver com quase ninguém. A Bíblia nos exorta para amar o próximo, mas escolhemos a dedo a quem queremos amar, assim amamos nossas famílias em detrimento de outras famílias. A Bíblia nos incentiva a meditarmos nas Palavras Divinas, meditarmos nela com alegria a fim de vivermos uma vida de adoração e obediência ao Senhor, mas preferimos a TV e outras formas de lazer e nos entupimos dessas coisas.

A verdade é que faz tempo que muitos de nós não levam mais em consideração o “Somente a Deus daí glória”. É por isso que muitas igrejas estão doentes e fracas, é por isso que muitos cristãos estão vivendo uma vida de mediocridade espiritual, pois o humano foi colocado no centro de tudo e não Deus. Eu oro para que o zelo e a paixão pela glória de Deus possa arder em nossos corações de novo. Que da nossa vida possa emanar verdadeiramente o Soli Deo Gloria. Amém.

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

A Bíblia: nosso livro de fé e prática! Será mesmo?

Dia 31 de outubro se celebra 500 anos de Reforma Protestante e um dos lemas desta Reforma é Sola Scriptura (Somente as Escrituras). Este é um lema que expressa a compreensão protestante que a autoridade máxima em termos de vida e fé está nas Escrituras e não na tradição da igreja e nem em outra fonte. Os cristãos evangélicos pertencentes as igrejas históricas têm como doutrina que a Bíblia é o livro genuíno e legítimo que fundamenta a fé e a prática. Mas será que isso procede mesmo? Será que essa doutrina supera o mero discurso da boca dos cristãos e desemboca numa prática bíblica? Vamos pensar sobre isso?

Será que a autoridade máxima em nossa vida é a Palavra de Deus ou nosso coração enganoso? Quando nos sentimos magoados e feridos, nós interpretamos a vida pelas lentes da mágoa ou abrimos nossas Bíblias e procuramos saber o que ela fala sobre isso? Quando alguém pisa em nosso calo e faz algo que nos entristece, nós carregamos este ferimento ou praticamos o ato bíblico do perdão? Será que vivemos a vida e participamos das coisas esperando ser servidos e sempre beneficiados e agradados ou preferimos seguir o princípio bíblico que é “melhor dar do que receber” e é mais cristão servir do que ser servido?

Quando se trata de nossa relação com o dinheiro nós gastamos este suado dim-dim só a com a gente mesmo e nossa família ou obedecemos o mandamento bíblico da generosidade e da fidelidade na contribuição financeira com o Reino? Quando o sofrimento nos atinge nós ficamos maldizendo a Deus e a vida ou praticamos o princípio bíblico da resistência e da perseverança do “em tudo dai graças”?

Em relação as palavras que saem da nossa boca, nós gostamos de usar as palavras para falar, criticar e ridicularizar as pessoas ou trilhamos o caminho bíblico de restringir nossas palavras àquelas que são abençoadoras. Quando se trata do amor, nós amamos só aqueles que são amáveis como nossos filhos e amigos e parentes ou praticamos o mandamento bíblico de amar o nosso próximo mesmo que este próximo não faça parte de nosso clubinho?

Quando se trata da nossa rotina, nós vivemos a vida e gastamos o dia correndo de um lado pra outro, assoberbados com o trabalho e depois nos despejamos em momentos de lazer para nosso relaxamento como ficar se alimentando da TV todo santo dia ou compreendemos e vivemos a verdade bíblica de remir o tempo porque os dias são maus? Quando olhamos para a realidade complexa e triste de nosso país, nós permitimos que ideologias que propagam ódio e mentira e atos de desumanidade dominem nossa mente ou seguimos a cosmovisão cristã-bíblica que Deus deve ser glorificado em todas as coisas e que o humano tem dignidade intrínseca por ser criado segundo a imagem de Deus mesmo que este humano esteja vivendo uma vida errônea?

Jesus Cristo é o Senhor da nossa vida ou temos nos prostrado diante de ídolos? Valorizamos de forma superlativa a tão grande salvação manifestada em Jesus e consideramos suas implicações ? Permitimos que o Evangelho nos impulsione a vivermos o Soli Deo Gloria? A graça de Deus é amada e valorizada por nós no cotidiano em atos de amor, generosidade, misericórdia e santidade ou temos pisado nesta graça com uma vida distante dos padrões de Deus? Compreendemos a igreja como povo de Deus, amado, comprado  e redimido pelo sangue de Jesus o qual existe para vivermos o cristianismo na prática sendo treinados para uma vida de excelência ou tratamos a igreja como mero apêndice da nossa existência, sem muito valor e importância? Agimos com bondade diante do que nos machucam? Não cobramos juros exacerbados e desumanos quando emprestamos dinheiro? Lembramos misericordiosamente dos doentes, dos presos? Sabemos perdoar?  Fugimos das confusões? Somos exemplos? Somos gentis? Somos honestos em tudo? Lutamos pelo que é bom, justo, belo e digno? Investimos nossa vida no Reino de forma engajada? Somos pessoas de oração?

Veja: existe uma grande diferença entre dizer que a Bíblia é o livro que representa a regra de nossa fé e prática e viver isso na real de maneira genuína. Falar é sempre mais fácil do que fazer. Deus nos ajude a oferecermos nossos corpos como um sacrifício vivo a Ele e que nossa vida seja um culto verdadeiro ao Senhor Jesus Cristo. Que através de nossas atitudes as pessoas possam ver que cremos de verdade no Deus revelado nas Escrituras. Amém!

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.