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A começar em mim! Hipóteses sobre a ‘não-vinda’ do avivamento em nossas vidas

Ouvi, Senhor, a tua palavra, e temi; aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos, no meio dos anos faze-a conhecida! (Habacuque 3:2)

[…] e por onde quer que este rio passe, tudo viverá. […] Junto do rio, em ambas as margens, nascerá todo tipo de árvore que dá fruto comestível. A sua folha não murchará, nem o seu fruto faltará. Dará novos frutos nos seus meses, porque as suas águas saem do santuário. O seu fruto servirá de alimento, e a sua folha, de remédio. (Ezequiel 47.9b e 12)

Falar de avivamento é falar de um tempo em que o poder e a glória de Deus se manifestam tão fortemente na vida do Seu povo que ele é tomado por um desejo irresistível de buscar e conhecer ao Senhor com mais profundidade: servindo-O com toda intensidade, orando com paixão, pregando com ousadia, ajudando aos sofredores e esquecidos com amor generoso, vivendo uma vida de santidade!

O avivamento não é só a manifestação de um desejo de buscar a Deus com mais empenho, mas é a realização desse desejo, ele verdadeiramente se concretiza pela atuação de Deus no meio de seu povo. Na história cristã, tanto como na história de Israel os grandes avivamentos são marcantes, trazem transformações profundas, não só na vida do povo que busca a Deus, mas na vida de gente que rodeia este povo, é, enfim, um experiência espiritual indescritível.

Por que hoje, nós e muitas outras igrejas locais, não estão vivendo um tempo de avivamento? Diante de tantas demandas na sociedade, muitas delas espirituais, por que o avivamento não vem? Por que não se realiza? Minha primeira hipótese para responder isso é que nós não queremos. O avivamento quando vem provoca profundas mudanças no coração daqueles que dizem servir a Deus, ou seja, o avivamento nos impulsionaria para uma busca de santidade profunda em todas as dimensões de nossa vida e isso é extremamente desafiador e provocativo para nós. Nós temos preferido ficar num estado de conformismo e conforto.

Outra hipótese é que aquilo que está no coração de Deus não nos toca tão fortemente mais. Jesus em seus ensinamento deixou evidente que aquilo que alegra o coração de Deus é ver pessoas se achegando e se voltando para Ele com o coração quebrantado e contrito, como bem exemplificado nas parábolas do filho pródigo, da ovelha perdida e da dracma perdida. Além disso, segundo os profetas, Deus quer que a justiça corra como um rio e que sua glória alcance toda a Terra. Por conta de perdemos muito tempo conosco mesmos, buscando somente nos entreter e fazermos coisas, em todo tempo, que nos fazem sentir bem, nós nos esquecemos daquilo que está no coração de Deus. Até buscamos a Deus de vez em quando, mas a sua vontade não tem o poder de nos mover mais. Não choramos por aqueles que estão se perdendo, não nos importamos com intensidade nem com nossos filhos e parentes que não andam com Jesus, criamos até justificativas para que eles vivam assim; o sofrimento e as injustiças do mundo não nos incomodam, estamos passivamente indiferentes.

Outra hipótese é que a fé foi pervertida de alguma forma entre nós. Não falo de doutrinas especificamente. Mas me refiro ao fato de que nós criamos um conceito de fé que nos permite ficar, mesmo com tanto conhecimento doutrinário, estagnados num estado servil ao status quo. Nós criamos um conceito de fé cristã que nos permite participar de uma igreja ativamente, sem colocar Deus no centro da vida e sem buscar o seu Reino em primeiro lugar. Nós criamos um conceito de fé que nos permite ter a segurança da salvação, mesmo que nada que diga respeito ao Senhor nos mova pelos caminhos da existência. Qualquer leitura rápida da Bíblia revelará que esse tipo de “fé” não tem fundamento que é somente fruto de um coração egocêntrico e distante de Deus. Pois a fé verdadeira em Cristo é suficiente para salvar o pecador, mas esta fé que salva nunca vem sozinha, ela vem carregada de boas obras e frutos como aquela árvore plantada junto as fontes conforme o Salmo 1.3.

É por isso que nossas igrejas sofrem e sangram, e em muitos casos, caminham muito aquém de suas possibilidades. Isso é triste de ver. Um avivamento entre nós e outras igrejas traria cura para esses males. Mas é necessário que ele comece dentro de cada um de nós, é necessário que nós nos ajoelhemos diante de Deus, peçamos perdão pelos nossos pecados e indiferença e clamemos para que Ele derrame seu avivamento transformador em nós. Como na visão do profeta Ezequiel que viu águas que trazem cura e mudanças profundas. Essas águas são águas de avivamento. Clamemos para que o Senhor nos capacite a amar as pessoas, a perdoar os que nos magoaram, a lutar pelo Evangelho a começar pela nossa casa, para que desejemos ver mais pessoas se convertendo a Cristo Jesus e que atuemos solidariamente entre aqueles que precisam de ajuda.

Eu tenho orado por isso! Gostaria de lhe desafiar a se juntar a mim para que unidos busquemos ao Senhor dizendo: aviva, meu Deus, a tua obra entre nós, a fim de que o trabalho de nossas mãos prospere (Salmo 90.17) e que frutos que permaneçam (João 15.17) sejam produzidos e que Teu coração Senhor se alegre por ver a tua vontade se realizando entre nós. A começar em mim quebra corações…

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

2 opiniões sobre “A começar em mim! Hipóteses sobre a ‘não-vinda’ do avivamento em nossas vidas”

  1. Excelente texto, pastor! Hoje percebemos o avançar de uma teologia egocêntrica voltada para a prosperidade financeira, em todas as denominações. É como se os frutos de ter uma vida cristã se restringissem a bênçãos materiais. E esse pensamento acaba por nos distanciar do propósito de conhecer o Evangelho que transforma vidas e de levar a mensagem da salvação. Confesso que tenho dificuldade de desligar da rotina e dedicar um tempo precioso ao estudo da Palavra, mas me senti desafiada a buscar esse avivamento. Ainda há muitos a serem alcançados. Que outros irmãos também sintam o mesmo. Que o Senhor nos abençoe nesta lida!

    1. Olá Karla, fico feliz pelo texto ter mexido com você de alguma forma. Que a começar em nós o desejo por crescer diante de Deus e servi-lo com entusiasmo, muita disposição e alegria se espalhe. Abraços fraternos!

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