A MISSÃO DE SER MÃE

Mãe, motivo de inspiração de vários poetas, não por acaso de ser comparada a Deus. Já que, assim como Deus está para a humanidade, assim a mãe está para os seus.

Mãe é vida, pois por meio delas todas as coisas vieram a existência. Existência essa, que dá ao ser humano um norte, uma essência.

Mãe é sacrifício. Uma vez que dá tudo de si para a continuidade da humanidade, contudo seu reconhecimento pela sociedade na maioria das vezes se materializa em forma de desprezo e suplício.

Mãe é o paradoxo da graça, já que de forma graciosa nos concedem a vida, contudo devemos a elas obediência para que nos corra bem nossa jornada pela terra. Elas são heroínas face a um mundo cheio de vilões, princesas cheias de virtudes que não caberiam em poemas.

Elas abrilhantam um mundo que ganha graça com suas graças, são fortes ao mesmo tempo que frágeis, são lindas, simples, simpáticas, divertidas, parecendo achar em tudo motivo para não levar tão a sério a vida, mesma sendo elas ao mesmo tempo sérias quando precisam ser.

Elas vão até as últimas consequências na sua busca por justiça e amor ao próximo. Não poupam esforços quando o assunto se trata de proteção ao indefeso talvez porque compreendem o valor a vida.

Algumas são cheias de personalidade forte, destemidas, sem perder a ternura da inocência de uma criança.

São seres revolucionários enchendo-nos de sonhos que jamais poderão alcançar por amor aos seus. São grandiosas, aventureiras no bom sentido da palavra. Daquelas que desconfiam que sempre tem algo mais, e que o mundo não é simplesmente aquilo que nos é apresentado.

Por isso sorriem diante do futuro. Falam com sabedoria e ensina, com amor. Cuidam dos negócios de sua casa e não dá lugar à preguiça. Seus filhos se levantam e a elogiam; seu marido também a elogia, dizendo: “Muitas mulheres são exemplares, mas você a todas supera” – Provérbios 31.28-29

Talvez o melhor termo para poder defini-las se configura em uma única palavra: “missionárias”. Sim, ser mãe é uma verdadeira missão. Missão esta, exercida com bastante amor. Amor este, que é paciente, bondoso, não invejoso, não vanglorioso, não orgulhoso.

Por isso procuram não maltratar a ninguém, colocam os interesses dos demais acima do seu. Não se iram facilmente, não guardam rancor. Jamais se alegram com a injustiça, mas se alegram com a verdade. Talvez por isso se tornam uma fera quando seus filhos usam da mentira para escapar-se das consequências causadas. Desta feita, Elas Tudo sofrem, tudo crêm, tudo esperam, tudo suportam. Pois acreditam na gente e de que o amor jamais perece (1 Coríntios 13.4-8).

Agradeço ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vocês mães. Meu orgulho em vida, beleza sem igual, formosura incomparável, coragem transcendental, amor imensurável, bondade incontável.

Seus ensinos levarei para sempre enquanto viver cá na terra. Serão como enfeites em minha cabeça um adorno para meu pescoço.

Que “O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e te conceda graça; o Senhor volte para ti o seu rosto e te dê paz. (Números 6.24-26)

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Emiliano J.A. João
Emiliano Jamba António João, Filho de António João e de Maria de Lourdes António, nascido na cidade do Huambo, província do Huambo em Angola. Do grupo étnico dos Ovimbundos que pertencem ao povo Bantu. Atualmente reside no Brasil desde 2014, na cidade de Campinas no Estado de São Paulo.
Graduando em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil (FNB), e em Direito pela Universidade Paulista,(UNIP). Membro do grupo de iniciação cientifica sobre a Ética das Virtudes, coordenado pelo Dr. Sidney de Moraes Sanches.
Membro do grupo de Teologia Negra - FTL, campinas,
Áreas de pesquisa: Religião e política, com ênfase no missionaríssimo cristão na África subsaariana Lusófona, e sua implicação na politica, Ética e filosofia Africana.
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O serviço nosso de cada dia

“[…] todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal.” (Mateus 20:26b)

 Uma das palavras mais belas do NT é “serviço” a qual vem da palavra grega diakonia. Essa palavra expressa a atitude de Jesus Cristo em todo o tempo de seu ministério até o seu último suspiro, e mais ainda, o próprio Cristo ressurreto atuou em diaconia, servindo em amor e graça seus discípulos e discípulas; nas palavras dEle: “Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos”. (Mateus 10.45)

Geralmente, quando alguém usa a palavra “serviço”, usa-a de modo pejorativo: “Ah, estou cansado e tenho muito serviço pra fazer!”, contudo, nas Escrituras Sagradas, serviço não é um peso é, sim, um privilégio, uma honra, embora seja desafiador e complexo.

Hoje que se celebra o dia das mães, é uma boa oportunidade para se falar sobre serviço, uma vez que a maternidade expressa bem a diaconia cristã, uma atitude positiva e pró-ativa em favor do outro (no caso os filhos) sem interesses, sem barganhas, tão somente movido por amor, no intuito de fornecer ao outro aquilo que ele precisa. O fato de ser por amor não elimina as pedras do caminho. Afinal, como bem disse o poeta: “tem uma pedra no meio do caminho”.

É fato que a melhor maneira de um cristão demonstrar a profundidade do seu cristianismo e a radicalidade do seu compromisso com o Cristo é servindo. O Senhor Jesus disse que se o discípulos vivessem em unidade, ou melhor dizendo, em plena unidade, o mundo reconheceria que o Pai é um Pai de amor e que enviou Jesus para trazer a salvação (João 17.23). E como se vive a unidade? Atuando em amor e graça e misericórdia em favor do outro e não só isso, mas também buscando uma comunhão profunda com este outro que deve ser, biblicamente falando, amado e servido.

Muitos cristãos agem com superficialidade em relação ao seu suposto cristianismo. Eles querem atuar no mundo através do discurso, tão somente pelo discurso. Querem gritar aos quatro cantos do mundo, movido pelas redes sociais, sobre suas verdades, sobre sua moral e sobre o candidato político que acha que vai salvar a nossa falida Pátria. Querem convencer, inocentemente, pelo discurso, geralmente abrasivo e agressivo, os outros a aderirem à fé cristã. Quem vai dar crédito a tal postura arrogante?

Acredito piamente que não é este o caminho apontado pela Palavra de Deus. Os discípulos devem atuar no mundo à luz de nosso Senhor Jesus Cristo: em serviço amoroso e benevolente. Mas o que significa servir? Significa ajudar, encorajar, apoiar, visitar, doar aos pobres, conversar gentilmente, dar uma força, estender a mão, ensinar, fazer um café,visitar idosos para conversar, trabalhar voluntariamente numa ONG que atende crianças em situação de risco, convidar um irmão para comer na sua casa para estreitar os laços, interceder com coração, dar uma carona, abrir a sua casa com hospitalidade, evangelizar com graça e misericórdia, visitar presos, fazer uma compra pondo a mão no bolso por alguém necessitado, estar disposto a ouvir a quem precisa falar o que está engasgado, ajudar na limpeza da casa de quem está doente etc etc etc. As formas de servir são múltiplas. Só não podemos nos iludir achando que é possível ser um cristão genuíno sem ter a disposição e a humildade para servir.

Se todo cristão fosse motivado e agisse como as mães que servem a seus filhos incansavelmente, a tempo e fora de tempo, de dia, de tarde, de noite, de madrugada, no calor, no frio, com saúde, sem saúde, com ânimo, sem ânimo, com vontade, sem vontade, com dinheiro ou sem dinheiro, feliz ou triste, o cristianismo seria bem mais bonito de se ver, seria mais eficaz e engajado na sua atuação no mundo, aliás, seria mais parecido com Cristo. Afinal, ser mãe é servir, ser cristão também.

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.