Ano novo, vida velha? De novo não…

Todos sabem que um ano é equivalente a trezentos e sessenta cinco dias mais seis horinhas, isto é, um ano marca o tempo que a Terra demora para dar a volta em torno do sol, o chamado movimento de translação. Mas não é nosso propósito falar de ciência aqui. E sim, dizer que o tempo, contado em anos, na verdade, acaba por dividir a nossa vida em ciclos. É um tipo de renovação da vida. Pelos menos aparentemente. Por isso que milhões de pessoas fazem seus rituais de passagem de ano, esperando que algo mude para melhor em sua existência, mas isso nem sempre acontece, ou melhor, quase nunca.

A cada ano vejo inúmeras pessoas fazendo votos a Deus com o propósito de tornar a vida melhor, mais bela, mais alegre. Alguns querem engordar, outros emagrecer, alguns anseiam ganhar um salário maior, outros trabalhar menos, alguns e algumas estão ansiosos por um casamento, outros e outras querem sair do casamento. Alguns prometem que vão passar mais tempo com a família, outros que não cometerão mais os erros do passado, que serão mais calmos, que gastarão menos, vão ser mais educados, mais pacientes e por aí vai…

Fato é que muitos desses que fazem seus votos no dia 31 de dezembro, voltam para a mesma rotina de vida no dia primeiro de janeiro. O interessante é pensar que tais pessoas se iludem ao ponto de pensar que uma vida vivida do mesmo jeitinho de sempre vai levar a resultados diferentes. Muitos nem se dão ao trabalho de lutar e labutar um pouquinho que seja para cumprir seus votos ou atingir seus objetivos. E daí ficam aguardando uma intervenção divina sobrenatural a qual transformará tudo num maravilhoso mar de rosas. É como diz um pastor amigo meu: “isso é uma grande bobagem”.

Nessa pastoral, não quero convidá-lo a fazer um voto a Deus em relação a 2017, mesmo porque a bíblia ensina – quem faz votos e não os cumpre é tolo. Quero, apenas, que faça uma análise sobre si mesmo: será que existe alguma área de sua vida que possa ser melhorada? Será que existem paradigmas que necessitam ser quebrados pra você reconstruir a sua história? Será que há comportamentos na sua jornada que possam ser alterados para tornar melhor a caminhada da vida, em relação a si mesmo e aos outros? Será que existe um perdão que precisa doado? Uma fala que precise ser reeditada?

Essas questões são bem pessoais e particulares, e elas nos levam a mergulhar em nós mesmos, e a pedir que Deus sonde e averígue se há em nós caminhos maus, caminhos que no fundo, bem no fundo, são descaminhos. Francisco de Assis faz uma oração muito rica e bela sobre isso: “Deus, dai-me a serenidade para aceitar as coisas que eu não posso mudar, coragem para mudar as coisas que eu possa, e sabedoria para que eu saiba a diferença”. É preciso reconhecer sim que há certas áreas de nossas vidas que vão de vento em polpa e não necessitam de mudanças, contudo há outras que precisam ser fechadas pra balanço, para revisão, reestruturação, remodelagem, reconstrução, renovação. E ainda, há certas coisas que não estão ao nosso alcance por sermos pequenos demais, frágeis demais, humanos, demasiadamente humanos, mas mesmo assim, tem de ser aceitas.

Minha palavra hoje é: seja honesto com Deus e consigo mesmo, peça coragem pra mudar o que precisa ser mudado, e faça isso em nome e para a glória de Jesus. Não faça votos que serão esquecidos dois minutos depois de serem pronunciados ou que serão só mais um peso para se carregar  no ano de 2017. Liberte-se disso. Trilhe por novos caminhos.

Em 2017 se inicia um novo ciclo que pode ser um novo tempo também, ou pode ser a mesmice de sempre. Tem gente que gosta de mesmice, e, particularmente, não tenho nada contra eles. Mas é fato que se nos colocarmos em sinceridade diante de Deus, com certeza absoluta, haverá áreas de nossas vidas que deverão passar por transformações. Portanto, seja forte e corajoso. E não tenha medo da novidade, mude o que precisa e pode ser mudado, e creia que Deus tem o poder de fazer novas todas as coisas (Apocalipse 21:5).

Um novo tempo pede um engajamento novo, um compromisso novo, uma celebração nova, uma esperança nova. Isso é muito bem expressado pelo salmista quando diz que cantará ao Senhor um novo cântico (Salmo 96:1).  Quero convidá-lo a cantar essa nova canção tão falada pelo salmista comigo. Venha, ajoelhemo-nos diante de Deus com o coração puro, sincero e honesto, sem barganhas e exigências a fazer, com alma cheia de gratidão, confiança, aberta e corajosa para as transformações que o Pai, o Abba Pai desejar fazer.

Lembre-se: nada muda se nada muda. Se quiser uma vida nova em 2017, busque em Deus. Mas busque com toda a sua força e dedicação confiando na graça que vem do alto. Vida nova, segundo a minha perspectiva, pode ser traduzida assim: uma vida alegre, confiante, satisfeita, com conteúdo, com simplicidade, mas com significado, com paz e coragem para ousar trilhar por caminhos da fé, fé em Jesus Cristo. Eu quero essa qualidade de vida, e você?

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

ANO NOVO, VIDA NOVA? – Mais pra Belchior, que pra Cazuza

Tenho aprendido que a vida nova não vem com o tempo, não tem data marcada e não pode ser prevista em calendário, apesar do nosso desejo. O tempo são os trilhos, não os vagões. Desliza-se por eles, mas estes não têm a capacidade de mudar qualquer coisa. É a gente que se muda com o tempo, e não o tempo que muda a gente, ou como diria Einstein, não é o tempo que passa pela gente, mas nós é que passamos pelo tempo. Pode parecer meio confuso, mas a força da vida não está no tempo, mas nas pessoas. O movimento está nas pessoas e não no tempo. Quando então se diz que o tempo dará jeito nisso ou naquilo, é apenas uma metáfora. O tempo não resolve nada, mas é como se a gente quisesse dizer: hoje a minha imaturidade, frente a isso, me impede de tentar resolver tal problema, preciso aprender outras coisas, ter uma consciência mais adequada do significado da vida, para que a minha visão sobre tal coisa seja diferente, e possa vislumbrar novas possibilidades. O ano novo não traz vida nova. Seria mais fácil se fosse assim.

Creio que isso também faz parte da nossa condição passiva em querer entender que as coisas sempre serão mudadas por um artifício. Quero explicar melhor isso. Condição passiva é a nossa espera para que alguém faça alguma coisa que mude toda e qualquer situação desfavorável. Trata-se da loteria, do emprego que “cai do céu”, ou qualquer coisa que possa mudar o rumo de tudo sem qualquer esforço. Já soube de alguém que desejou a morte da esposa (o contrário, também é verdadeiro), pela conveniência e facilidade diante de um processo de separação, sem esforço, mudança ou qualquer aborrecimento. Sem divisão de bens, e o que é melhor, com toda a liberdade e ausência de culpa que se poderia imaginar.

A ausência de esforço passa também pelo discurso neopentecostal, quando se diz que o mal que uma pessoa tem pode imediatamente, mas imediatamente mesmo, ser resolvido e exorcizado de uma pessoa. Nesse discurso, todos são irremediavelmente bons e que qualquer maldade que alguém faça se refere sempre a uma força exterior incontrolável, e que está presente nele, contra a vontade e recebe o nome genérico de demônio. É o poder irresistível, princípio básico do Direito, como algo que alguém faz, mas que era inevitável, demonstrando que o réu não deve ser punido, porque evitar estaria completamente fora das suas possibilidades. É uma forma de fuga, uma maneira de se esperar e aguardar que alguma coisa mude, sem que se faça qualquer esforço para a mudança.

Cazuza estava certo disso quando disse que o tempo não pára. Fez uma música com muita raiva da vida, ameaçando você, e eu, com o mesmo destino e torcendo para que isso acontecesse. Torcia pelo mal inevitável, pois se o tempo não pára, e você não tem como parar o tempo, então é só aguardar que vai chegar a sua vez de sofrer, e sofrer muito! Cazuza sofria do cúmulo da passividade, da impotência e do medo de provocar a mudança necessária. Sentia pena de si mesmo, como uma vítima da vida, mas não desejava mudar nada. Mudar dói, mas aguardar o tempo é pior, porque há a possibilidade de se morrer à espera de um trem, numa estação onde não existem trilhos. Só que esse tipo de morte não dá pra perceber, pois a esperança faz o foco se dispersar, e a pessoa fica esperando enquanto morre, e morre enquanto espera. Está na estação errada, mas a esperança não o permite ver isso. O tempo anestesiou, apenas isso, e não mais que isso. Na frase, John, o tempo andou mexendo com a gente, num comentário a respeito da morte de John Lennon, numa das músicas de Belchior, há uma metáfora de retorno ao velho oeste. Lennon, para Belchior, é o símbolo de tudo o que poderia ser de mais positivo na luta pela vida, em favor da paz em tempo de guerra e acabou, ironicamente, vitimado por uma morte como no tempo das diligências. Depois de tudo o que se pregou e se buscou na temática da paz, voltamos ao tempo das mortes primitivas nos duelos em Laredo ou Kansas City. Belchior diz que a felicidade é uma arma quente, diz e canta em ritmo lembrando o velho oeste, como se estivesse num saloon. É como se, para ele, o tempo tivesse parado: ainda somos tão primitivos quanto os colonizadores da América do Norte e fazemos as mesmas barbáries como no tempo das tribos. O tempo parou, porque o ser humano é o mesmo, e com todo o nosso esforço ainda somos primitivamente iguais: resolvemos as coisas com a lei do menor esforço, à bala.

Desculpe, Cazuza, mas o tempo pára. As decisões são fotografias da vida. Congelam o momento, quando nunca mais poderá ser mudado. Torna-se monolítico, enrijecido e inalterável. A existência não é a condução automática para o futuro, como se pudesse embarcar no rabo de um cometa e ficar sonhando com a vida nas estrelas, ou tentando encontrar o planeta onde, por acaso, se possa viver a vida perfeita, como se tudo fosse um movimento do tempo. Não somos pequenos príncipes viajando pelo rumo que o destino nos leva. Ao contrário disso, também não quer dizer que haja um fatalismo tipo programado da vida como se fosse possível calcular exatamente como isso se dará. Na vida a gente programa uma coisa, e muitas vezes, ou quase sempre, chega-se num ponto bem abaixo da margem, por conta da correnteza. Eu sei que você precisa crer no ano novo, porque é uma oportunidade de se voltar à estaca zero. É uma espécie de ciclo do sagrado, você retorna para o lugar onde tudo começou e tem a oportunidade de escrever tudo de forma bastante diferente. Você e eu precisamos disso. Uma nova oportunidade, sempre é bem vinda. Todavia, há uma necessidade de participação mínima, em que você de forma consciente de deliberada, provoca aquelas mudanças que são essenciais para que a história seja outra. Caso contrário, viveremos um eterno velho oeste, ou numa tribo para ser mais brasileiro: mudam-se as roupas, a fala e o conforto, mas no demais tudo continua como dantes, na terra de Abrantes. Não adianta ficar torcendo para que o tempo também atropele o outro, para que ele seja tão infeliz quanto você. Não se trata de uma condição egoísta, mas apenas movimento. Interfira positivamente na sua vida, e tome as decisões que você já sabe que devem ser tomadas. Como não poderia ser diferente, feliz ano novo!

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Natanael Gabriel da Silva
Doutor em Ciências da Religião e atualmente Diretor Adjunto para a Pós graduação e Investigação do Instituto Metropolitano de Angola, Luanda.

Natal – pé no chão

[…] e ela teve seu filho primogênito; envolveu-o em panos e o colocou em uma manjedoura, pois não havia lugar para eles na hospedaria”. (Lc 2.7)

Quem não fica encantado com a cidade na época do Natal?! Luzes, pinheiros, mais luzes, mesas fartas, troca de presentes etc… A priori não há nenhum problema nisso. Mas será que diante da onda de consumismo que se apresenta em geral nessa época não corremos o risco de perder o foco Naquele que é a razão e o sentido do Natal? O que a Bíblia nos ensina sobre isso?

Atentando para a Palavra Divina compreendemos que o Natal – o nascimento de Jesus – trata sobre o grande Mistério da encarnação. Assim sendo, no Natal podemos lembrar ao nosso coração que Deus bondosa e graciosamente se fez homem. Nas palavras do apóstolo do amor: “O Verbo se fez carne”. Todavia, mais misteriosa ainda é a situação como Deus decidiu enviar seu Filho, o Verbo: Jesus nasceu milagrosamente de uma jovem virgem, a saber, Maria que era noiva de um tal José da tribo de Judá, ambos, por sinal, paupérrimos. Foi assim que se deu o nascimento de nosso Senhor – em absoluta simplicidade e pobreza numa cidade sem muita importância, num lugar reservado para os animais. O que isso tem a nos dizer?

É evidente que o Natal não tem nada a ver com o consumismo, não tem a ver com o poder de compra que uma família tem, não tem a ver com os shoppings lotados, não tem a ver com o bom velhinho, nem com seus duendes, não, nada disso. Natal não está relacionado ao “ter” ou “possuir”, está sim, ligado ao “ser”. Especialmente, ser para Deus. Sendo e existindo para Deus compreendemos que no verdadeiro Natal, Ele, o Magnífico, na pessoa de seu Filho, doa-se, humilha-se, esvazia-se, empobrece-se, coloca-se deliberada e superlativamente em estado de sofrimento.

O modo como Deus vem e age em Jesus cria para nós um paradigma, um modelo de ser e existir – Cristo, o Filho do Deus Altíssimo, veio em pobreza para que nós fossemos ricos em alegria, compaixão e generosidade. No Natal devemos compreender que Deus nos amou de tal maneira que nos deu o seu Filho. Perceba que o Natal marca um ato supremo de doação de Deus.

Isso posto, esclarecemos: Natal – pé no chão é acolher o grande amor de Deus manifestado em seu Filho Jesus Cristo e se colocar a Sua disposição para demonstrar em atos e palavras tão grande e genuíno amor. É não desprezar ou fazer ouvido moco aos que sofrem e são oprimidos todos os dias pela dura realidade. É viver e celebrar a simplicidade e a humildade. É doar-se ao Deus de graça e investir existencialmente na Sua causa de restaurar e trazer esperança aos homens e mulheres.

Por isso, desafio-o, neste ano de 2016, a celebrar um Natal – pé no chão. Comemore seu Natal assim: agradeça a Deus por Jesus e demonstre sua gratidão através de atos de bondade que expressem alegria, compaixão e generosidade. Quem celebra o Natal – pé no chão é porque está verdadeiramente com a cabeça e o coração em Cristo. Pense nisso!

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

JESUS NASCEU EM DEZEMBRO? – O SAGRADO E O TEMPO

Qualquer pergunta que se faça sobre Jesus ter ou não nascido em dezembro, não tem sentido. A questão não é o dia certo, mas o tempo tido como sagrado. É preciso ter uma data, pois sem data é como se na história não tivesse acontecido nada. Só com uma data é possível viver outra vez o passado, e voltar no tempo e estar lá quando tudo aconteceu, quando as coisas saíram quentinhas do forno aceso pela primeira chama, ainda esfumaçando com cheiro de massa e manteiga derretida. É tão forte que a gente chega a sentir saudade do primeiro século, como se tivesse vivido naquela época. Achamos que se tivéssemos estado lá, quando Jesus exerceu o ministério, iríamos entender tudo o que ele ensinou, e nos colocaríamos contra aqueles fariseus prepotentes que não sabiam de nada. Iríamos viver o início puro, ver Jesus andando pela Galiléia, por sobre o mar, e não somente iríamos nos certificar de que tudo foi de fato verdade, como observaríamos os detalhes de forma direta, sem as interpretações intermediárias que só parecem querer confundir.

Estamos no centro do debate sobre tempo e a religião, porque o Natal é símbolo da pureza do nascimento da fé cristã, vindo de uma maternidade pura, virgem – o que parece óbvio, uma pureza antes do nascimento. Isso não é ruim, claro que não! Passa a ser uma espécie de sonho, porque você pensa e volta ao passado, pensa na estrela e fica se perguntando que tamanho teria tido tal estrela para que todo o mundo pudesse ver, como é que uma estrela fica parada em cima de um lugar, iluminando o centro do mundo e do tempo? – e a única imagem que sobra pra você é como se fosse uma imensa lanterna, na melhor das hipóteses um refletor enorme, aquele facho restrito que se encontra em qualquer pintura, desenho ou coisa parecida, que se refira ao Natal e sua enigmática estrela, solitariamente iluminando um barraco. Tem gente que diz ter sido um planeta. Tem gente que vai dizer que foi um cometa! Tem gente que vai dizer até que foram os extraterrestres – é mole? Você fica e prefere a lanterna, mas isso não importa muito, porque a estrela pra você lembra sempre a promessa feita a Abraão, de uma grande e imensa nação, com tanta gente que nem a matemática daria conta, gente pra mais de metro espalhada por esse mundão. Lembra ainda o disse Deus e haja luz. E houve luz. Onde havia trevas, agora haveria luz; e os antigos ficavam olhando e contemplando pensando como seria possível ter tanta coisa grudada lá em cima – um dia tudo vai cair, só pode ser isso! Medo do imenso!

A estrela não é estrela, a estrebaria não é estrebaria. É apenas o lugar e o tempo onde nasce o sagrado. Deus entra na história da humanidade, sem pedir licença – a natureza tem que reverenciar (apontar o lugar, ou apenas se curvar?). Pastores, que a gente não sabe de onde, teriam sido os primeiros a tomar conhecimento. Conhecimento direto – o que havia de mais sagrado conversando com gente que era o símbolo da simplicidade. Lucas é cuidadoso em mostrar que o anúncio não fora dado no templo, aos profissionais da religião, aos que chamavam para si a responsabilidade de interpretar corretamente o que de fato deveria ou não ser aceito como válido. Tais profissionais da letra tentavam vasculhar a história e os detalhes da Lei de Moisés, explicando os pontinhos e os cantinhos dos desenhos quadrados do alfabeto sagrado. Lucas esquece isso e diz que as novas eram para todo o povo, coisa popular, de gente simples, gente que estava no campo e não no templo, que cuidava de ovelhas e não de letra, gente que viu uma manifestação de Deus fora de Jerusalém, o que era uma heresia completa – coisa de quem não sabe direito nem o que é certo, pobres analfabetos – gente bruta que vivia em barracos contemplando um Deus que entrava para a história numa estrebaria. Ora bolas, que coisa mais sem sentido! É aí que está o segredo: quando o sagrado e o tempo se encontram, não é para ter sentido, é apenas para ser pleno, centro, totalidade, só isso.

O lugar e o tempo não poderiam ter sido apontados por uma pessoa, somente e tão somente por uma estrela, inacessível estrela, uma testemunha que não deixou nada escrito porque estrela não escreve, não pode ser interrogada, nem aprisionada, porque fica lá em cima, lá longe, lá onde não se alcança, onde está a promessa feita a Abraão e onde reside o ato sublime do haja luz. Rastro de luz, não é rastro. Daí quem não sabe o que significa o Natal fica procurando cometas. São os mesmos que acham que o Natal se resume a uma mensagem de paz. Só isso? E os anjos? Quem vai perguntar para um anjo se isso foi assim mesmo? Anjo também não escreve. Só que fala. Lança a palavra que não pôde ser gravada, não tem timbre ou musicalidade. Tudo se perde, só para você ficar com aquela sensação de que deve ter sido muito bom, superlativamente maravilhoso.

Quem pode contar o tempo de Jesus? Ao ser introduzido no mundo, o início do início não poderia se perder. Tem que ser de uma virgem, tem que haver uma estrela que atravessou o céu, ninguém sabendo donde veio e ninguém diz para onde foi, e tem que haver pastores e anjos cantando por tudo quanto é canto. Terá que ser numa estrebaria, num lugar longe, fora do discurso religioso formal, lá no meio do campo, numa terra de ninguém, que não havia quem desse crédito, um lugar miserável e de gente desprezível. Longe do centro religioso. Jerusalém de gente polida que se sentia o centro do mundo. Seria o centro de morte, nada mais que isso, e entraria para a história como a cidade onde Deus desfilou a sua morte, caminhou pelas ruas derramando sangue e carregando uma cruz. Jerusalém era tão indigna que nem dentro dela pôde a morte acontecer. A cidade da habitação de Deus, desfilando a morte do próprio Deus, num dia de páscoa e libertação! Quase um sábado! Jerusalém, sem nascimento e sem morte. Apenas uma estrela, que passou pelo alto de suas casas e foi brilhar num outro canto, lá longe onde tem gente que não se sabe quem é, sem nome e sem passado, apenas pastores.

O Natal pode ter uma mensagem de paz, mas não é só isso. É o tempo que não pode ser contado do mistério de Deus que se fez homem; de um Deus que já era antes e continuou sendo, nascido em meio a milagres que ninguém entende ou explica. Um tempo que ninguém pode contar, porque já era antes de ser e continuou sendo depois que não era mais. Traduzindo: quando Jesus nasceu, já existia, e quando morreu continuou existindo. Se você acha que isso é absurdo, é porque não conseguiu ainda entender que o tempo do sagrado é eterno, não tem um antes, nem um depois, apenas um sempre, um eterno presente que se repete como se fosse novo. Depois disso você pode dizer que o Natal representa paz, mas primeiro precisa compreender que se trata de Deus Conosco – o impossível eterno que coube dentro do nosso pequeno e limitado tempo. Não importa que não tenha sido no dia 25 de dezembro.

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Natanael Gabriel da Silva
Doutor em Ciências da Religião e atualmente Diretor Adjunto para a Pós graduação e Investigação do Instituto Metropolitano de Angola, Luanda.

GRAÇA – UMA QUESTÃO DE INCOMPREENSÃO

O sr. Aldo é um daqueles nativos que trabalha durante o verão, cuidando do lixo deixado pelos turistas. A gente o chama de “sr.”, mas não é pela idade. Tem lá os seus trinta e tantos anos, varrendo, tirando folhas e fazendo pequenos serviços na limpeza de um camping no município de Bombinhas, SC. Durante o dia faz isso, mas à noite faz uma certa vigilância na entrada, chega gente, sai gente, gente pedindo informação, montando barracas e por aí se vai. Não é preciso dizer que quase não tem escolaridade, se é que tenha alguma. Sua esposa, que não conheço, está com os dois rins condenados. Faz hemodiálise. Seu filho, que tem apenas 14 anos, deixou os estudos e agora praticamente vive em alto-mar em longas temporadas de pesca. Disse ao pai: vou trabalhar para ajudar o senhor a cuidar da minha mãe. E foi, liberando-se de qualquer sonho de criança, sem rede social, messenger, pipa, bicicleta ou bola. No final do ano disse ao pai: juntei dinheiro para dar uma máquina de lavar pra mãe trabalhar menos. E deu mesmo. Depois voltou para o mar a trabalhar mais. Estou preocupado com o meu filho hoje – disse o sr. Aldo – está ventando muito!

Conversávamos sobre a graça de Deus. Não entendo nada da graça de Deus, não tenho um filho em alto-mar, nem problemas de saúde na família, e já estou completando os meus dias. O meu esforço para crer é apenas um sentimento, que não sei se é metafísico, se é alienação, ou poesia, e fico relendo a Fenomenologia do Espírito de Hegel, tentando compreender o que é e como se dá o conhecimento, enquanto o sr. Aldo pensa no vento. A palavra é a mesma, Espírito, pneuma, vento, ou se preferir, ruah, vento também, que a gente sistematizou e transformou num emaranhado de enunciados e ficou discutindo se Ele pode se manifestar desse ou daquele modo, se tal comunidade religiosa está correta em pensar assim ou não. Só que o vento para Sr. Aldo é outro, é aquele que ameaça o filho com o abraço das ondas, e traz do filho o abraço à mãe.

O sr. Aldo acredita na graça de Deus. Falou-me dela. Disse que Deus é bom, tem cuidado de sua família e dado um filho que enfrenta o mar aos quatorze anos. Ao invés de sonhar com uma lost ou quiksilver, sonha em diminuir o sofrimento da mãe. Fiquei ouvindo o sr. Aldo e aprendendo sobre a graça de Deus. Ele falava de pessoas que, por conta de pequenas coisas, se afastam da igreja. O problema mencionado fora o do costume das mulheres cortarem ou não as pontas dos cabelos, que pr’aqueles lados ainda é tabu. Pra quem lê a Fenomenologia do Espírito, tentei me sair bem, dizendo que as pessoas passam a vida toda crendo em alguma coisa e mudar num certo momento seria como se confessassem ter sofrido à toa. Ele me olhou como se admirasse não ter pensando nisso anteriormente, e deve ter ficado impressionado, pois afinal, quem lê Hegel deve ser sabido, fala de coisas que estão além do que a gente vive, coisa que nunca se pensou antes, abstrações, o que não se pode pegar, ou sentir, como o vento e o cheiro do mar. É preciso ter olhos para se ver o que não pode ser visto, sentir o que não pode ser sentido, e pensar no que não pode ser pensado. Ou seja, nada.

Eu sei que você deve estar pensando na confusão que estou fazendo entre graça e sofrimento, isto é, como se fosse necessário o sofrimento para que houvesse graça. Nada disso. Quando afirmo que o sr. Aldo acredita na graça de Deus não é apenas força de expressão. Ele faz parte de uma comunidade religiosa protestante, que confessa com todo ardor que a salvação é única e exclusivamente por meio de Jesus Cristo. No decorrer da conversa disse: o importante é ter Jesus! – enquanto apanhava e fechava o saco de lixo – mas a gente tem que fazer alguma coisa também – continuou. Algo talvez como continuar crendo na presença de Deus apesar dos rins e do filho abraçado pelo vento. Algo como olhar o mar e esperar.

Se a graça não vem pelo sofrimento – e não vem mesmo! – continuar afirmando que ela nos acompanha quando o tal sofrimento acontece, isso é muito mais difícil. Às vezes é fácil crer, especialmente quando se está observando o mar como obra da criação e o vento, na pior das hipóteses, apenas incomoda. Não saberia dizer o que significa o mar quando leva um filho, nem o que seria um vento com cheiro de abraço da morte. Não sei qual a distância entre o poético e o trágico. O sr. Aldo sabe o que significa continuar crendo, apesar de tudo. Graça é graça, não importam as circunstâncias. O sofrimento, no caso, não é punição, não é ausência ou descaso de Deus. É coisa da vida.

Deixamos o camping numa manhã de terça. O tempo estava fechado e ventava muito. Fazia um friozinho, meio de inverno. Deixamos para o sr. Aldo algumas coisas para uma cesta básica e uma pequena oferta. Olhou para nós e sorriu como se tivesse recebido muito: boa viagem – disse ele – que Deus os acompanhe!

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Natanael Gabriel da Silva
Doutor em Ciências da Religião e atualmente Diretor Adjunto para a Pós graduação e Investigação do Instituto Metropolitano de Angola, Luanda.

LUZ NOS DESAFIOS DA FAMÍLIA

Ser família é aceitar um desafio. Ter uma família nem sempre é uma escolha. Já nascemos aonde nascemos e temos que conviver com quem crescemos. Mas viver em família é sempre uma escolha que pode ser aceita ou não.

Podemos viver anos sem aceitar o fato que estamos em uma família e que precisamos – para nós e para os outros – viver juntos. Isto é viver sem ser família. Mesmo que do ponto de visto genético e social você vive em família, do ponto de vista intencional e existencial podemos viver fora deste conceito.

Portanto, ser família é aceitar o desafio de viver como tal. Precisa ser algo intencional, consciente e pragmático. Talvez alguém pense que pode viver sem esta consciência. Até pode, mas as consequências serão desastrosas. Muitas vezes temos máscaras que usamos no trabalho, com os amigos, e na sociedade em geral. Mas na família estas mascaras são possíveis, mas pouco eficientes. Pois eles sabem quem nos somos e nos conhecem melhor que outros.

Os desafios na família são muitos. Temos sempre que estar dispostos a abrir mão de algumas (ou muitas) coisas pelo bem da família. Seja uma simples atividade e/ou prática que temos e que incomodam ou prejudicam aos familiares, até questões mais profundas como nosso caráter e temperamento que precisam ser moldados para que possam viver melhor com os nossos queridos.

Mas o maior desafio é mudar quem somos, pois na família é mais difícil esconder quem somos. E para mudar esta essência que nos faz ser quem somos, precisa ser algo transcendental e de dentro para fora.

Precisamos de luz para nos guiar neste caminho longo e árduo. Luz para que possamos enxergar por onde estamos indo e ande iremos chegar, como também luz interior para que ilumine a nossa vida de tal forma que possamos enxergar quem somos para só assim podermos ter a chance de mudanças internas.

Esta luz é uma força que não encontramos em nós mesmos, pois não temos esta condição de forma plena, mas de forma rasa e inconstante. Precisamos de deus em nossas vidas que nos lança luz para nossa caminhada e para nossa vida. Assim podemos ter coragem de encarar os desafios da vida e amar os nossos familiares de uma forma mais próxima de como Deus nos ama.

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

ESPÍRITO SANTIFICADOR QUE VIVIFICA

Esta breve reflexão surge da preocupação interpretativa feita a respeito da pessoa do Espírito Santo uma vez que muitas comunidades eclesiásticas apresentam sérios problemas ao lidar com tal doutrina. Para algumas, Ele se constitui no centro de todo culto cristão, “encontrando-se acima das demais pessoas da trindade”. Enquanto que para outras, de tanto cristocentrismo exacerbado, relegam o Espírito Santo a inexistência. Todavia, precisamos entender que ambas percepções são erradas criando sérios transtornos à comunidade.

A melhor maneira de identificar uma pessoa é por meio de sua atuação. Deste modo, é preciso entender que Ele é aquele existente antes mesmo que o mundo viesse à existência. Isto é, uma força cósmica, pairando sobre as águas (Gn 1.2; Jo 26.13) dando equilíbrio ao mundo, criando, provendo e gerando vida (Jo 33.4; Sl 104.30); Ele é o mesmo que se manifestou aos profetas, de forma redentora, concedendo renovo, justiça paz e alegria (Rm14.17). Ele é o rûachpneuma, cujo sentido literal é vento ou sopro, ar em movimento respirado pela nepheshpsychē (alma) vivente( Jó 17.1, Is 2.22) ou o fôlego de vida (Gn6.17;7.15;Sl 104.29;Ez 37.8). Ele é ainda o garantidor de vitalidade aos seres viventes. Ele é a sede dos sentimentos e das emoções. Pelo pneuma encontramos comunhão com Deus (1co2.10-16).  No Novo Testamento João nos ensina que Deus é Espírito e portanto, a não ser que o homem nasça da água e do Espírito, poderá ele entrar no reino de Deus? (3.5). Ainda apresenta o Espírito na sua atuação como o Consolador, o paráclito, advogado (14.16,26; 15.26; 16.7; Jo 2.1). Sendo Ele a verdade nos revela o Filho e o Pai, e consequentemente o discernimento do bem e do mal.

Falar do Espírito Santo é também falar do Espírito da vida, pois o mesmo Espírito que santifica é o mesmo que vivifica. Quanto a isso diz Moltmann: “Desde os tempos remotos o Espírito de Deus  não apenas é chamado de ‘Espírito Santo’ mas também de ‘Espírito da vida’, pois não somente santifica mas também vivifica por meio dos poderes divinos.”(MOLTMANN, 2002, p. 60). Assim, à medida que nos aproximamos de Deus por meio do dEle tornamo-nos completamente vivos e comprometidos com a vida. Despertamos de nossa sonolência mortal, e abre-se o interesse por tudo que diz respeito à vida. Uma real transformação, a nossa metanóia (Rm.12.2).

Como diz Hildegard no seu poema: “O Espírito santo é vida que proporciona Vida, motor do Universo e raiz de todo ser Criado, limpa o Universo da Impureza, extingui a culpa e pensa as feridas. Por isso é vida radiante digna de louvor, que acorda e ressuscita o Universo” (apud MOLTMANN, 2002, p. 61).

Tendo em vista esta premissa, “O Espirito Santo não é qualquer um entre muitos bons e maus espíritos, mas o próprio Deus santo. Também não é uma caraterística de Deus, como sua razão, sua vontade ou sua eternidade, mas é Deus em pessoa, em nada inferior a Deus, o pai, e a Deus o filho” (Moltmann, 2002.p.53). Ao que podemos acrescentar as palavras de Lutero: “a razão do Espírito de Deus ser chamado de “santo” é que ele “nos santificou e ainda santifica […] Assim como o Pai é designado criador, e o Filho Redentor, assim o Espírito Santo deve ser chamado, a partir de sua obra, de Santo e Santificador”(apud Moltmann, 2002, p.53).

Desta forma  o Espírito Santo santifica a Igreja de Cristo tornando-a, na unidade social constituída pelo povo de Deus, e instituída pelo Senhor Jesus Cristo para anunciar as boas novas. A Igreja, dotada de dons, surge como conjunto de cristãos que se reúnem para prestar culto a Deus, e é também a entidade terapêutica educadora, acolhedora, libertadora, transformadora, o canal responsável pela manifestação da ação de Deus Espírito no mundo, abrangendo vários setores da esfera humana (Rm12.5).

Portanto, é extremamente importante um estudo aprofundado sobre a Doutrina do Espírito Santo, não só para entendermos a economia trinitária, mas também para compreendermos os relacionamentos humanos ao longo da história. Uma vez entendida e vivenciada, poderá haver vida, e vida em abundância em uma harmonia perfeita: o ser humano em si mesmo, o ser humano face ao outro ser humano, o ser humano em relação a Deus e o ser humano em relação ao Oikos. Desta forma subentende-se que, tornar-se santo (Levítico 19:2) significa tornar-se vivo, porque nosso Deus é vivo e o santificar significa vivificar, pois  por meio do folego da vida (rûah) o ser humano passa a ser alma vivente (nephesh) (Gn2.7).

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Emiliano J.A. João
Emiliano Jamba António João, Filho de António João e de Maria de Lourdes António, nascido na cidade do Huambo, província do Huambo em Angola. Do grupo étnico dos Ovimbundos que pertencem ao povo Bantu. Atualmente reside no Brasil desde 2014, na cidade de Campinas no Estado de São Paulo.
Graduando em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil (FNB), e em Direito pela Universidade Paulista,(UNIP). Membro do grupo de iniciação cientifica sobre a Ética das Virtudes, coordenado pelo Dr. Sidney de Moraes Sanches.
Membro do grupo de Teologia Negra - FTL, campinas,
Áreas de pesquisa: Religião e política, com ênfase no missionaríssimo cristão na África subsaariana Lusófona, e sua implicação na politica, Ética e filosofia Africana.

SINÔNIMOS MONTANHOSOS

Bem- aventurados os que desejam ver, sentir e ouvir a graça de Deus; os que reconhecem sua fragilidade e vulnerabilidade; os que buscam a companhia do mestre, pois deles é o reino dos céus.

Felizes os que choram; que sussurram; os que soluçam e emudecem; os que experimentam e buscam o ajudador e enxugador de lágrimas, a voz  calma e o abraço forte Dele, pois já são e serão consolados.

Quão alegres são os humildes; que reconhecem que são um punhado de pó moldados para glória Dele; os que aprenderam na humildade o caminho da essência de ser o que são : humanos. Felizes os cônscios de sua real natureza, pois estes herdarão a terra.

Tristes serão os “saciados”, os “satisfeitos” com pouco, que acham o pão e mel divino algo insosso e azedo!!!

Bem aventurados os sensíveis, os simpáticos com dores alheias, humanos suficientes para alegrar-se com sorrisos fraternos, de chorar diante dos descasos com o amigo: felizes os que exercitam o amor para com o próximo, ao fazerem isso percebem mais e mais a Dona graça em suas vidas.

Infelizes os maliciosos, os corruptos, os gananciosos, exploradores, pois diante da escuridão dos seus atos não vêem a Luz.

Felizes os que são Paz e transmitem a Paz: alegres são os que militam pela felicidade alheia: os que saem do seu conforto para confortar o amigo: os que com mansidão sinalizam o amor, estes serão chamados filhos de Deus.

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Rafael Campos
Rafael Campos é veterinário por formação; cientista por vocação. Atualmente é doutorando em Farmacologia (UNICAMP); discípulo de Jesus Nazaré e encantado pelo seu amor e sua Graça.

ILUMINE-SE

Olhar para dentro de si mesmo é um desafio
Que poucos se aventuram em profundidade
No escuro da alma se encontra um vazio
Preciso é uma luz para chegar a claridade

Muitos acham que a luz para se iluminar
Vem de si próprio e ficam sem perceber
Que não somos sol com luz própria solar
mas como a lua que fica a luz receber

Iluminar-se não é buscar uma luz interior
Mas é se abrir para que os raios solares
Entrem em nossa vida vinda do exterior
Da única fonte inesgotável de luminares

Esta fonte é um ser pessoal que nos ama
Que ao reencontro de Deus nos conduz
A mensagem é a sua vida que proclama
Que a luz é a própria pessoa de Jesus

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

REVISÃO DE VIDA

A nossa vida é feita de histórias, sentimentos, decisões, conceitos e etc. Ela é mais complexa do que parece ser. É uma mistura de muitas pessoas e situações e que se estivermos distraídos perdemos muito dela. Estas talvez sejam as razões para que uma revisão de vida seja feita.

Precisamos sempre revisitar nossa vida para que possamos ter uma real compreensão de como estamos vivendo. Pois somos capazes de viver 100 anos sem refletir profundamente sobre a nossa vida. Portanto a revisão de vida é uma ação intencional que foge da normalidade.

Uma das questões a ser pensada em uma revisão de vida é se vivemos uma vida que vale a pena. Se no final iremos nos arrepender das escolhas que fizemos ou não. Esta é uma questão muito importante na nossa trajetória, pois se conseguirmos antever algumas coisas que se fizermos iremos nos arrepender, podemos tomar a decisão de não fazê-las. É claro que nem tudo conseguimos prever mas em muitas situações nós sabemos o que é certo e errado a ser feito e podemos evitar as que nos farão nos arrepender mais tarde

Geralmente quando chega final de ano, muitos gostam de fazer planos para o novo ano que vai entrar, para agirem de forma diferente e coisas que se fez e que se arrependeu. Mas a questão aqui abordada não é simplesmente uma questão de projetos de vida para um ano novo. A questão principal é rever princípios e valores de vida que irão nortear toda uma vida e não somente um momento dela.

A proposta que temos com este texto é de pensarmos em como temos vivido até aqui para podermos pensar em como iremos viver daqui para frente levando em conta esta reflexão. É um olhar para o passado tendo em visto o futuro para mudar o presente. É perceber quem nós fomos, quem somos e o que queremos ser. Mais do que ações, é pensar no nosso ser.

Mas quando alguns entendem que esta reflexão deve ser feita apenas com um novo ano se aproximando, esta reflexão não ganha a profundidade devida e a frequência necessária. É claro que com o mundo agitado do terceiro milênio fica difícil fazer esta reflexão diária – apesar de ser necessária – mas devemos sempre estar prontos para revisitar este tema em nossas vidas.

 

“A vida só pode ser compreendida olhando para trás, mas só pode ser vivida olhando para frente”. – Soren Kierkegaard

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.