ESPÍRITO CAPACITADOR

O Espírito de amor que revela a Jesus Cristo
Que dá este fruto de caráter para a pessoa
Santifica o crente como nunca antes visto
Também capacita com dons como a coroa

Os dons são uma benção dada por Deus
Para todo aquele que crê no seu filho
Capacita esta bela comunidade dos seus
Para que todos possam ver este brilho

O Deus-Espírito capacita bem o Cristão
Não para servir a si, mas servir ao outro
Um dos poderes dEle é o da atração
De Deus para o homem e seu tesouro

Mas os dons dado para esta sua Igreja
São para serem por ela desenvolvida
Para que o mundo ouça, sinta e veja
O amor do Santo Deus através da vida

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

ESPÍRITO SANTIFICADOR

Muitos conceitos se têm sobre o Espírito Santo de Deus. Conceitos que tem fundamentos bíblicos e outros nem tanto. Além da base bíblica que é importante para se compreender as questões espirituais da espiritualidade Cristã, também precisamos considerar que o espírito santo tem várias características e formas diferentes de agir na vida do ser humano.

O Espírito Santo revela Jesus Cristo convence o ser humano que existe um juízo final aonde Deus julga todo ser humano, mas que Jesus Cristo é a justiça de Deus dada ao ser humano para se livrar da condenação deste julgamento no final dos tempos e que o nosso pecado nos condena.

Das várias e importantes ações que o Santo Espírito faz na vida do filho de Deus, uma delas é a santificação. A santificação não é tornar o ser humano uma pessoa que não erra e/ou peca mais. A santificação é o processo que se inicia na conversão (salvação) para que o Cristão possa a cada dia se tornar mais parecido com o seu mestre, Jesus Cristo, apesar do pecado que todo ser humano têm.

A santificação apesar de ter a consequência para a vida que teremos depois que morrermos ou que Jesus vier nos buscar, ela basicamente é para a vida que se vive aqui na terra, no hoje e agora. É uma das características mais importante do Espírito para o Cristão.

A santificação também não deve ser entendida como uma unilateralidade entre Deus e a pessoa, mas também entre os seres humanos nas suas relações. Muitos entendem que santidade é somente a relação do crente com Deus e que as pessoas ao redor nada têm com isso. Este equívoco faz com que muitas pessoas “arrotem” santidade uma nas outras como uma forma de superioridade espiritual.

Este tipo de atitude faz inclusive que algumas pessoas que não têm este compromisso com Deus não queiram viver uma vida com Deus por acharem que a vida com Deus vai torná-las arrogantes e desconectadas da realidade da vida. No final das contas todos os Cristãos são testemunhas de Cristo onde estiverem, falando, agindo. Então a questão é: Que tipo de Cristo estamos pregando com as nossas vidas?

A santificação que só pode ser dada pelo espírito santo vai nos ajudar a sermos mais parecidos com o Filho de Deus e assim seremos testemunhas mais fiéis deste Deus.

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

ESPÍRITO FRUTIFICADOR

O Santo Espírito que habita quem é do Deus Pai
Faz frutificar o caráter que molda o Filho Jesus
No servo que se entrega para quem se amai
Dá o fruto que salga a terra e leva a ela luz

Este fruto é revelado pelo amor que Deus tem
Pela sua criação que se torna apta a amar
Com o Espírito de amor que do Pai vem
Frutificar na vida dos filhos a aumentar

A alegria e a paz também fazem parte do fruto
Que emana do Divino e preenche o ser humano
A paciência que vem a nós de Deus é atributo
E a delicadeza de que se enche como o oceano

Este fruto tem partes e uma delas é a bondade
Que testifica Deus assim como a sua fidelidade
Serve-nos o Espírito que nos dá sua humildade
O domínio próprio nos ajuda na fraternidade

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Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

ESPÍRITO REVELADOR

A espiritualidade vive grande parte dela pela revelação. Esta é uma das características mais comuns das religiões. A revelação de quem é o ser divino. Este ser se revela diretamente, através de um profeta, de um livro ou o quê?

Independente de como seja feita, o divino precisa se revelar de alguma forma para aquele ou aquela que crer.

Se o ser humano depende de uma revelação do divino para poder crer, como confiar nesta revelação? Esta revelação pode ser manipulada, confundida por outra pessoa e até por nós mesmos. Seja sem intenção ou motivados por alguma manipulação. Podemos nos confundir na revelação e não conseguimos identificar este Deus.

Na fé Cristã a revelação tem algumas faces. Temos a história e tradição oral que sempre foi uma marca muito forte do povo judeu e que fez com que os valores deste ser Divino pudessem ser transmitidos para as próximas gerações. Milhares de anos de Judaísmo e Cristianismo e estas revelações orais tem sido comprovadas durante toda a história com os fatos e documentos que comprovam.

Outra característica da revelação na fé Cristã é a Bíblia. Na fé Cristã, a Bíblia, além de ser um documento histórico é principalmente considerada a Palavra de Deus. Isto quer dizer que Bíblia é considerada dentro desta fé como sendo Deus (Divino) falando com os seus seguidores (seres humanos). A Bíblia foi comprovada através da tradição oral que confirmou os princípios e valores transmitidos pelo Divino. Os princípios são os mesmos, apesar de algumas interpretações.

E o Espírito Santo de Deus é outra característica importante na revelação deste Deus para o seu povo. O Espírito Santo é algo transcendental que é difícil inclusive de explicar como é a sua ação, pois ela é de foro íntimo e praticamente só quem passa pela experiência é que pode entender quem é o Espírito Santo. Mas o Espírito Santo também é confirmado pela tradição oral tanto judaica quanto a Cristã. A experiência tal como ela é dada é conciliada com a tradição e também pela Bíblia. Esta Palavra de Deus também confirma a experiência dada pelo o Espírito Santo na revelação da divindade para a humanidade.

Estes são algumas das formas de revelação dentro da fé Cristã. E, portanto, ela nos ajuda na segurança que podemos saber sobre Deus e sobre o que Ele quer de nós. Com a tradição oral, Bíblia e o Espírito Santo revelador têm menos riscos de sermos enganados por outros e por nós mesmos.

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

UM AMIGO, NUM MOMENTO DE ORAÇÃO

Estamos falando de Jesus no Getsêmani. Um Jesus só. Não precisava ter ficado só. Levara três amigos. Talvez os julgasse mais próximos. Quem sabe aqueles amigos aguardavam um milagre, semelhante ao da transfiguração. Jesus levara amigos porque desejava não estar só na sua noite mais difícil. Noite de angústia. Noite de um estar a sós com Deus, muito diferente. Diferente sim, porque os momentos com Deus faziam parte da vida de Jesus, e aquele não seria novidade. Seria diferente porque se tratava da última estada com os discípulos. Não queria todos, mas alguns. Não queria movimento, mas também não queria solidão. Também não precisava de encorajamento. Aquelas palavras que alguém diz, do tipo: ‘vamos em frente’, ‘você vai vencer’, mas que são apenas retóricas. Quem diz não acredita muito. Diz só para mostrar para o outro que está sentindo alguma empatia. Jesus não queria hipocrisia. Se gostasse de hipócritas estaria acompanhando os fariseus. O que Jesus queria, afinal? Queria amigos. Amigos que ficassem mais ou menos próximos. Daria uma sensação de não estar só. Só que Jesus queria mais. Queria amigos que orassem com e por ele. Ele não estava com medo. Estava apenas triste e muito só.

O trabalho deles seria orar. Jesus não queria ninguém cortando orelha de quem quer que fosse. Não precisava de defensores. Não queria ser defendido. Queria apenas ser acompanhado em oração. Queria que os amigos dessem muita importância à razão da vida dele, que havia sido dedicada totalmente à sua missão em graça. A oração deles mostraria respeito por tudo o que Jesus fizera. Mostraria ainda que eles confiavam na direção espiritual de Jesus – uma espécie de cumplicidade. A oração seria um apoio, um assumir juntos a cruz, mesmo que não fosse tudo isso. Jesus não queria que outro sofresse a sua dor, nem que tomasse o seu lugar. Queria apenas que os seus melhores amigos estivessem com ele em oração.

Só que não deu. Talvez eles achassem que a oração não fosse tão importante assim. Talvez não imaginassem que Jesus estava mesmo falando sério sobre corpo, morte, sangue, etc. Talvez achassem que Jesus era forte demais, afinal alguém que fez tanta coisa saberia se cuidar. Talvez achassem mesmo que poderia ficar para amanhã. Sabe como é, vamos dormir um pouco, descansar, temos tempo, amanhã tudo começa outra vez, blá, blá, blá… Bem, sei lá o que eles achavam. Só sei que dormiram. Não viram o perigo. Não viram a dor. Não atenderam ao pedido. Achavam que estavam passeando numa linda noite iluminada com as estrelas do céu. Lugar lindo, um jardim na madrugada debaixo do som do nada, sem pessoas que os incomodassem pedindo pão,cura, ou cegos que se achavam no direito de pedir alguma coisa, ou ainda sem mulher doente que ficava querendo tocar no mestre, onde já se viu um negócio desses!

O lugar era para eles, não para Jesus, e perderam a oportunidade da vivência num momento único e entraram para a história como os amigos que se esqueceram da oração. Seria o último momento, mas eles não sabiam disso. Acho que depois até sofreram. Eu sei que sofrimentos não se comparam, mas uma seria a culpa pela falta de sensibilidade e companheirismo, outro seria o sofrimento da solidão e da cruz. Estar só, não ter amigos, nem mesmo em oração. Não sei se Jesus compreendeu a limitação deles, não sei se não foi interesse dos narradores dos Evangelhos, ou se simplesmente já não haveria o que fazer, ou ainda se a dor fora tanta que não valeria a pena recordar, mas quando Jesus se encontrou outra vez com os seus discípulos, sequer fez referência, muito menos cobranças. Parece que a amizade e oração não se exigem, apenas se espera, nada mais que isso.

Às vezes eu fico pensando que amigo mesmo é aquele que ora pela gente. Que acompanha quieto, não dizendo hipocritamente estar sofrendo como se estivesse no nosso lugar, só por retórica. Amigo mesmo não prefere dormir. Não prefere resolver a culpa com espadas, cortando orelhas e se fazendo de valente. Amigo mesmo apenas ora. Está sempre por perto e acena para gente ‘olha, estou aqui’. A gente vê o amigo e não se sente só, mesmo sabendo dos resultados de como será escrita a nossa história. Só que às vezes, não dá.

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Natanael Gabriel da Silva
Doutor em Ciências da Religião e atualmente Diretor Adjunto para a Pós graduação e Investigação do Instituto Metropolitano de Angola, Luanda.

SE O PÉ DISSER: PORQUE NÃO SOU MÃO, NÃO SOU DO CORPO; NÃO SERÁ POR ISSO DO CORPO?

A crônica que segue foi publicada pela primeira vez no boletim dominical da Igreja Batista no Jardim Maria do Carmo, em Sorocaba, em 23 de abril de 1995 e novamente no semanário da Igreja Batista em Barão Geraldo em 30 de maio de 2004. Embora os meus leitores sejam poucos, tenho recebido pedidos para publicá-la novamente, e assim dar-lhe uma nova vida, senão no texto, pelo menos na persistência.

O fato é que ninguém imaginava que pé poderia pensar. Afinal, nada mais ridículo que um pé tendo opiniões próprias, visão sobre o mundo, envolvido em rodinhas discutindo política, religião e futebol. Foi então que aconteceu o inesperado. Até para ele foi uma surpresa. Não queria “caminhar” tão longe. Começou com uma fantasia, evoluiu para um sonho, transformou-se numa luta, compôs-se em objetivo de vida, para enfim instaurar-se numa frustração, caminho aberto à neurose, que o desequilibrou a tal ponto de não conhecer-se mais. “Sou necessário, logo o corpo não pode viver sem mim” (silogismo aristotélico). Cansara de ser pé. Queria ser outra coisa qualquer. Quem sabe mão, ou cérebro. Sonhava em comandar o corpo. Sempre reclamava quando aquele o fazia lamear-se, chutar pedra por não estar atento por onde o jogavam. Até parecia ser de propósito, coisa que o pé jamais conseguiu provar, mas não deixou de fazer fofoca sobre isto aos outros membros. Pé também faz fofoca. Foi outra coisa que aprenderam dele, sem dúvida uma surpresa que deu início a um processo sobre o qual o corpo jamais poderia compreender os resultados.

Houve alguém que afirmou ter sido o pé um “bode expiatório”. Todos os membros estavam insatisfeitos fazendo sempre a mesma coisa, na mesma função, com as mesmas características. No levantar da lebre pelo pé, a mão mostrou as suas “asinhas”. Reclamou: “Trabalho tanto !”. De fato: lavava o corpo; consertava o que estava quebrado; coçava a cabeça, o nariz, e ainda “metia a mão” (força de expressão), em “bicho de pé” de um pé pintado pidonho perdido em pó (mão também faz poesia!). Foi na mesma época,que ela lamentou não ser olho. Tentou, mas não conseguiu. Foi por pouco. Faltou o apoio político do braço. Sabe como são as mãos, depois delas, sempre querem o braço! Mas ele não se deixou dobrar. Estava contente com o que fazia. A mão tentava convencê-lo que cansara de trabalhar. Até quando o corpo dormia, a mão não parava. Fosse segurando o cobertor, batendo em pernilongo, ou cobrindo a cabeça, etc., etc., etc.. Não tinha descanso. O que faria ele, o braço, com uma mão em “stress”? Foi em vão! O braço não desejava dar uma mãozinha. Não era sua função. Talvez se lhe oferecessem algo como ser perna. Não que desejasse, mas só para variar um pouquinho. Queria saber por experiência o que significava “bater perna”. Nada de especial, só curiosidade. Experimentar a vida, eis o sentido! O braço também tinha suas fraquezas.

Coitado era mesmo do nariz. Ninguém queria trocar de lugar com ele. O corpo, por azar do destino, era alérgico. Alergia emocional. Deixava o pescoço meio duro, que reclamava de tensão muscular. Com isto quem se dava mal era o nariz. Uma coriza que não parava. Era lenço de um lado, lenço do outro, remédios que se pingava, e nada. Chegara um tempo que estivera assado de tanto espirrar. Ficava vermelho, ninguém soube direito se de doente ou de raiva. “Que coisa mais anti-higiênica” dizia sem ser ouvido. Foi quando a mão reclamou de ajudá-lo e o nariz resolveu entrar em estado de greve: “não respiro,não respiro e não respiro !”. Colocou até uma placa: “Chega de Injustiça”. As letras eram azuis.

No geral, podia-se dizer que era uma luta de classes. Os inferiores, inconformados, queriam ocupar o lugar dos superiores, prepotentes. Diziam sempre que a tragédia dos membros do corpo começara como uma “luta de classes”. Alguém ouviu dizer que começara por um deles que teria aprendido isto em algum lugar. Parece que o olho, sem saber, espiou uma revista no cabeleireiro. Depois de lido, jamais esquecido. Pode-se dizer que não se tratava de consciência política de oprimido. Era quase uma revolta acéfala, tipo terceiro mundo, corpo-a-corpo, ou melhor, membro-a-membro, no princípio com as armas mais primitivas possíveis, e depois, inspirados em Gandhi, a resistência pacífica. Não foi possível saber, no final de tudo, onde e quando tudo começara, ou quem estava com a razão. Razão é um estado relativo, muitas vezes. Está com a razão, quem está com razão, e ponto final. Uma espécie de autoritarismo individualista, como se razão fosse unilateral. Nada mais insuportável que uma orelha autoritária!

A história terminou com um nariz que não respirava. Pernas que não andavam. Mãos que não seguravam. “Cérebro que só queria mandar”, criticava a oposição. Braços que tanto faz,como tanto fizesse, era a mesma coisa. Um pescoço desatento a tudo, envolto com as suas dores.E os olhos? Eram verdes! E foi assim que o corpo, primeiro ficou doente, depois morreu. Nunca mais os membros brigaram.

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Natanael Gabriel da Silva
Doutor em Ciências da Religião e atualmente Diretor Adjunto para a Pós graduação e Investigação do Instituto Metropolitano de Angola, Luanda.

O FRACASSO DAS NAÇÕES

Muitos autores ao analisarem o cenário caótico Mundial, como a fome, pobreza, e corrupção iram trazer fatores como: político, econômico, social, cultural, histórico, geográfico e etc,  como sendo a base do fracasso das nações. Não deixam de ter razão. Todavia é muito mais do que isso. Tais problemáticas apenas são a exteriorização de um mal maior, um mal que inicia primeiro no coração humano e posteriormente se transforma em um organismo sistêmico, implacável, exterminável, deteriorável,  e muitas vezes, participamos dele sem nos dar conta. Contudo sua atuação é visível em nossa esfera humana, provocando a existência de um mundo bi polarizado.

Ele promove para alguns felicidade e para outros desgraça. Para outros ainda sem ele não há vida, porém há aqueles, que acreditam que a vida seria bem melhor sem ele. Não me refiro quanto a sua natureza em si.  Pois, se bem usado, pode ser uma benção,  mas me refiro quanto ao seu uso. Falo concretamente do Dinheiro. Do amor ao dinheiro, da Ganância, que muito sutilmente ou de forma escancarada anda por aí ditando a regra de como viver. Da injusta distribuição, que faz com que uns tenham de sobra e outros de menos, passando necessidades. Enquanto uns morrem de comer, outros morrem de fome. O que sobeja na mesa de uns, e é jogado fora, falta na mesa de outros. Quanto a isso  Jesus irá dizer:  “Vocês não podem servir a Deus e também servir ao dinheiro” (Mt 6.24). Paulo acrescenta “porquanto o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”(1 Tm 6.10). Realmente o dinheiro (Mamom), se constitui um deus na medida que se tornou o fundamento último de dignidade, respeito,  felicidade e status, no qual o ter se torna mais importante que o ser. Ao ponto do ser humano não conseguir enxergar o outro ser humano na busca insaciada pelo dinheiro. Todo mundo tem observado a extrema pobreza em países do 3º mundo,  o tormento dos seres humanos abaixo da linha da miséria, a luta das ONGs e etc. Mas ainda assim investe – se mais na corrida bélica do que em seres humanos.

Não se trata de falta de alimentos, não se trata de uma melhor/pior política, melhor/pior ideologia ou melhor/pior estratégia.
O cerne da questão consiste na falta de amor e solidariedade. Em suma as nações fracassam não devido  a escassez da econômica (dinheiro), mas devido a  escassez de amor no coração.

Emiliano J.A. João on sabfacebookEmiliano J.A. João on sabemail
Emiliano J.A. João
Emiliano Jamba António João, Filho de António João e de Maria de Lourdes António, nascido na cidade do Huambo, província do Huambo em Angola. Do grupo étnico dos Ovimbundos que pertencem ao povo Bantu. Atualmente reside no Brasil desde 2014, na cidade de Campinas no Estado de São Paulo.
Graduando em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil (FNB), e em Direito pela Universidade Paulista,(UNIP). Membro do grupo de iniciação cientifica sobre a Ética das Virtudes, coordenado pelo Dr. Sidney de Moraes Sanches.
Membro do grupo de Teologia Negra - FTL, campinas,
Áreas de pesquisa: Religião e política, com ênfase no missionaríssimo cristão na África subsaariana Lusófona, e sua implicação na politica, Ética e filosofia Africana.

A dignidade intrínseca de um ser humano

“Que é o homem, para que te lembres dele? E o filho do homem, para que o visites? Tu, ó Deus, o fizeste um pouco menor que os anjos e o coroaste de glória e honra”. (Salmo 8.4 e 5)

Em dezembro de 2014 saiu a notícia de que vários patrocinadores do maior campeão da Fórmula 1, Michael Schumacher, estavam deixando de patrociná-lo. No mundo capitalista que nós vivemos, onde Mamon reina e o lucro é a única coisa que importa, esse tipo de situação é normal, infelizmente. Porém, a questão não é só financeira, pois tem algo mais profundo nisso. A verdade é que as grandes empresas certamente não gostam de associar seu nome e sua marca a alguém que está preso a uma cadeira de rodas. Ou seja, sua visão da vida é extremamente utilitarista, o valor de uma pessoa está atrelada a sua “utilidade”, perdendo a suposta utilidade, perde-se também o valor.

Segundo a OAB da Paraíba, há mais de 15 tribos indígenas que praticam o infanticídio. Isso acontece por conta de sua prática religiosa milenar entorpecida e também pela compreensão de que essas crianças serão um peso e, portanto, devem ser eliminadas. Mais uma visão utilitarista das pessoas.

Nesta hora, enquanto esta pastoral está sendo escrita em vários escritórios e salas de nosso país e mesmo do mundo, muitos empresários e políticos e seus camaradas tramam e combinam o quanto lucrarão em certos tipos de negócio e sempre em detrimento das pessoas. E também combinam como encobrirão os fatos e como vão esconder o dinheiro, mandando-o, certamente, para algum paraíso fiscal. Eles vivem nas nuvens, e boa parte da população, na lama.

Nesta hora em vários templos evangélicos de nosso país pessoas são enganadas, um mundo de irrealidade e um “deus” inventado é vendido a elas, por um preço caro. E pessoas alienadas seguem seus líderes alienantes que não se importam nenhum um pouco com elas, só com suas gordas ofertas. Utilitarismo, mercantilismo e alienação dentro de templos. Bem que o cantor João Alexandre cantou: “a morte se esconde atrás dos templos”, pelos menos, de alguns.

Nesta hora bandidos se reúnem em vários lugares e pensam em como será o próximo roubo, o próximo assalto, o próximo golpe, a próxima vítima, a próxima invasão de uma casa ou de um banco ou loja ou empresa. As pessoas que serão roubadas não importam, os traumas gerados nelas, caso elas sobrevivam não importam, o que importa somente é o quanto será arrecadado, mesmo que seja as custas do sofrimento alheio. Utilitarismo para justificar o crime!

Traficantes também pensam em como trazer sua mercadoria e engambelar a fiscalização. Eles pensam em como levar as drogas para as universidades, para as fábricas e até mesmo para o homem do campo e o homem de negócios. As pessoas são um meio para o seu fim. A destruição das vidas e famílias não se considera. Só o lucro e o poder. Utilitarismo com gosto de sangue das vítimas.

Em contrariedade a essa visão utilitarista do ser humano, a Bíblia nos mostra o valor intrínseco de cada um e nos ensina que o ser humano nunca pode ser usado como o meio para se atingir algo, ou seja, o ser humano não pode ser coisificado, apenas pode e deve ser tratado como sujeito carregado de dignidade. Logo nas primeiras páginas do Livro Sagrado encontramos Deus criando o ser humano com todo carinho, imprimindo nele sua marca, sua preciosa imagem e semelhança (Gênesis 1.26). E é neste ato criador e amoroso de Deus que está a explicação para a dignidade de cada ser humano e tal dignidade lhe é intrínseca pois é prévia até mesmo a sua existência, pois é dádiva divina. Não é algo que se conquiste pelo esforço, ou pelo trabalho, ou pelo status, ou por empreendedorismo, ou pelo dinheiro, não mesmo. É algo dado como obra da graça.

Se avançamos na leitura do texto bíblico vemos a leis de Moisés, criadas para que o povo de Deus construísse uma sociedade diferente das outras nações, onde todos tinham voz e vez, e os mais fracos eram cuidados com toda consideração e respeito.

Na continuidade da leitura encontramos os profetas lutando com toda coragem, em nome do Senhor, contra os poderosos do governo e da religião. Defendendo a justiça, defendendo o direito, a retidão e a verdade. E orando assim em lágrimas: “Corra a justiça como as águas e a retidão, como o ribeiro perene”(Amós 5.24).  Por conta de sua compreensão de Deus e da vida foram perseguidos, lançados na cadeia e alguns até foram mortos. Lutaram, em nome de Deus, pelos mais fracos e vulneráveis de sua sociedade.

Não poderíamos deixar de citar o Senhor Jesus, que representa a personificação do amor do Pai. Jesus revela a face de Deus, face, esta, cheia de ternura e misericórdia. Para mostrar como é o coração do Pai, Jesus nasce na terra de Belém, cidade sem importância nenhuma, e a geografia de Jesus é a geografia dos esquecidos, marginalizados, impuros e incapazes, isto, segundo a religião da época. A estes, e a todos que desejarem, Jesus revela o Reino, Jesus os acolhe, abraça e demonstra a graça divina com gestos ricos de comprometimento humano e no compartilhar de sua alegria singela.

Nos servos de Deus e no Filho de Deus não se vê utilitarismo. Nunca as pessoas foram usadas por eles, nunca tratadas como um meio, mas sempre como um fim. Sempre reconheceram sua dignidade intrínseca, seu valor próprio. Sempre as respeitaram e trataram com consideração. Mesmo quando as pessoas agiram erroneamente, mesmo quando pecaram, mesmo quando crucificaram ao Salvador, o Senhor clamou graciosamente por perdão sobre elas: “Elas não sabem o que fazem” (Lucas 25.34).

A Bíblia ensina que Deus amou o mundo (João 3.16) e isso quer dizer todas as pessoas de todos os tempos e de todos os tipos. E aprouve a Cristo, por misericórdia, morrer em prol de todos os seres humanos para lhes propiciar salvação. Portanto, quando olhar para qualquer ser humano, veja ali e alhures alguém amado por Deus e que tem dignidade intrínseca pois Deus assim o quis.

Que possamos nos espaços que participamos, inclusive na igreja e especialmente na família, ter uma visão bíblica do ser humano, reconhecendo seu valor e dignidade, tratando-o com todo respeito, sempre agindo esperançosamente, esperando que as pessoas que se encontram conosco, possam se encontrar com o Cristo. A linguagem de Deus para com o ser humano é a graça, nunca o utilitarismo.

Oremos para que o Deus de toda a graça nos capacite a sermos agentes da graça neste mundo mal e sofrido. Venha o teu Reino, Senhor! Amém.

Laurencie Salles on sabtwitterLaurencie Salles on sabfacebook
Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.