Vasos de Barro

Como falar da beleza do ministério pastoral – o qual se pauta por claves de bondade, amor, paz, justiça, fraternidade, fidelidade, cuidado humano – em tempos de plena desorientação em relação a vida, desconsideração pelo outro e mudanças sócio-culturais que ocorrem na velocidade da luz? Como ser pastor num tempo em que a sociedade, em grande parte, molda seu pensar e seu agir por instrumentos massivos de comunicação social? Como exercer um ministério relevante num mundo onde as concepções e formas da expressão religiosa tiveram suas funções alteradas? Ou será que não tiveram?! Você, por acaso, já ouviu falar de crise de vocacionados, crise doutrinária, crise denominacional, crise de autoridade? Tudo isso é de dar medo e serve para nós pensarmos.

Todas essas perguntas são difíceis de responder, são profundas demais, abrangentes demais, e até escandalosas demais. O compositor português Pedro Ayres Magalhães fala nos seus versos da complexidade da atualidade, mas que apesar de tudo, é tocada pela realidade da ação pastoral: “Ai que ninguém volta ao que deixou; ninguém larga a grande roda; ninguém sabe onde é que andou; ai que ninguém lembra nem o que sonhou; e aquele menino canta a cantiga do pastor”. Tenho aprendido, nos convívios, no ouvir e ver que há muitas pessoas – como na metáfora sobre o menino da canção acima – que ainda cantam a ‘cantiga do pastor’: cantam, de fato, porque contam com a presença solidária e o apoio incondicional de pastores em suas esperanças e lutas. Isso é motivador e inspirador.

Apesar da lutas, dos problemas, das dificuldades, das crises, das mudanças, há muita beleza em ser pastor, e essa beleza flui, obviamente, da Palavra de Deus, afinal é ela que legitima o ministério pastoral, é ela que guia a ação pastoral e ela que é a fonte de todo sentido, de toda razão e de toda esperança para alguém se lançar por esse caminho.

Para mim, um dos textos que melhor expressa essa tarefa – chamada pastoral – é o texto paulino de II Coríntios 4:7 a 18 que assim diz: Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus, e não de nós. De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos. Trazemos sempre em nosso corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus também seja revelada em nosso corpo. Pois nós, que estamos vivos, somos sempre entregues à morte por amor a Jesus, para que a sua vida também se manifeste em nosso corpo mortal. De modo que em nós atua a morte; mas em vocês, a vida. Está escrito: “Cri, por isso falei”. Com esse mesmo espírito de fé nós também cremos e, por isso, falamos, porque sabemos que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus dentre os mortos, também nos ressuscitará com Jesus e nos apresentará com vocês. Tudo isso é para o bem de vocês, para que a graça, que está alcançando um número cada vez maior de pessoas, faça que transbordem as ações de graças para a glória de Deus. Por isso não desanimamos. Embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia, pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles. Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno. É claro que Paulo está falando do seu próprio ministério, está citando situações reais de sua jornada. Mas suas palavras nos ensinam e nos mostram os caminhos do ministério pastoral e suas reais motivações. No seu texto o apóstolo fala de sofrimentos, lutas, e até de morte; e ainda de fé e esperança. Mas sublinho com toda força o verso 7, e com mais força ainda a expressão: “vasos de barro”. Sublinho porque este versículo que dá significado ao texto todo.

Tudo o que Paulo passou só tem razão de ser por causa daquilo que foi dito no verso 7: “temos esse tesouro em vaso de barro”, isso sugere muitas coisas para nós. Sugere a beleza, a riqueza e o poder da mensagem do Evangelho do Reino de Deus, e sugere a pequenez, a fragilidade e, porque não dizer, a vulnerabilidade daquele que carrega e conduz a mensagem. E por último, sugere, que Deus, o Senhor do céu e da terra, o Deus Todo Poderoso, está absolutamente envolvido em tudo isso. O grande apóstolo Paulo se compreende como vaso de barro e isso me ensina que preciso aprender a me compreender assim também: como um mero e simples instrumento nas mãos de Deus. A fim de que a glória seja toda dEle.

Foi falado acima das dificuldades do nosso tempo, tempo de insegurança, em todos os sentidos. Mas qual tempo que não traz as suas inquietações e seus perigos?  Paulo afirmou no primeiro século da era cristã: “De todos os lados somos pressionados, ficamos perplexos, somos perseguidos e abatidos”. E isso se repete ao longo da história do cristianismo. A palavra de Deus, ministrada pelo apóstolo, mostra-nos que ministério tem a ver com sofrimento, pois é fundamentado num sistema contra mundun, tem a ver com a renuncia de si mesmo, para poder se entregar por completo nas mãos do Altíssimo e Sublime, tem a ver com estar motivado por aquilo que é eterno e não transitório, para não ser engolido pelas grandes e inúmeras dificuldades da realidade contemporânea, tem a ver com estar absolutamente envolvido pela graça e com o coração cheio de gratidão pois “os sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles”.

 Devido a boa mão de Deus ao longo de toda a jornada, o desespero e o medo, cedem lugar para a esperança da glória e o engajamento do Reino. Daí a ação pastoral ganha sentido, e sua beleza é trazida à tona. Que Deus nos ajude a ser gente segundo a Sua vontade, e, como Paulo, possamos nos compreender como vasos de barro. Vasos simples, mas que carregam em si o tesouro chamado Boas Novas de Jesus Cristo. Meu anseio hoje é ver e vivenciar uma pastoral coerente e fundamentada na graça. Assim, todos nós  teremos razões de sobra para cantar cantigas de pastor. E que assim seja!

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

A NOITE ESCURA DA ALMA

No silêncio do Convento, no bairro de Santa Teresa, enquanto o Brasil entrava nos turbulentos anos que precederam o ano de 1964 as freiras carmelitas descalças traduziam um livro “banido” das comunidades religiosas.
O título original, La Noche Oscura del Alma, foi escrito por San Juan de la Cruz.
O teólogo marginal, periférico aos olhos do Vaticano, Leonardo Boff fala da Noite Escura da Alma quando olha para a santificação da Madre Teresa de Calcutá.
As irmãs carmelitas descalças, tanto quanto a Madre Teresa de Calcutá passaram por desertos terríveis existenciais.
Madre Teresa dizia, em off, longe das câmeras de rádio e TV  “Em minha própria alma sinto uma dor terrível. Sinto que Deus não me quer, que Deus não é Deus e que ele verdadeiramente não existe”. Não obstante, ela continuava recolhendo moribundos das ruas de Calcutá para que morressem humanamente dentro de uma casa e cercado de pessoas.
Muitos místicos, monges enclausurados da idade média, passaram por esta experiência de profunda depressão espiritual.
Passaram pela Noite Escura da Alma. Diziam que era um passo no abismo que levava à aceitar sem explicações ou entendimentos a existência de Deus.
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Deodato
Nasceu em uma colônia de pescadores nas margens do Rio São Francisco, no interior de Minas. Casado com a Célia, pai do Bira. Torcedor ensandecido da Ponte Preta.

ÍDOLOS DA NAÇÃO

Os ídolos são uma realidade para todos
Alguns com menos e outros com mais
E os que se apegam a isto são tolos
Não reconheceram os deuses atuais

Ídolo pode ser uma coisa ou pessoa
Pode ser também uma ideia ou filosofia
Mas eles escravizam até gente boa
Que pelo seu deus perde a calmaria

Lutar contra nossos ídolos é penoso
Pois precisamos abrir mão de nós
Reconhecer o mal na gente é custoso
E este falso deus deixa-nos a sós

Em nosso país estes ídolos são reais
Poucos percebem e muitos não sabem
Roubam o lugar de coisas essenciais
Não identificamos antes que se acabem

Ideologias políticas acabando com relações
Entre desconhecidos, amigos e familiares
Os poderosos continuam com seus milhões
E o povo todo se debatendo aos milhares

Ídolos que pregam só conceitos da religião
Que manipulam fiéis para seu objetivo
E assim a boa espiritualidade abandonarão
Não buscam verdade, mas só o atrativo

Um dos Ídolos desta nação é o dinheiro
Que compram coisas e vendem gente
Valor fracionado e tão falso por inteiro
É um deus que se acha pré-potente

Nosso Brasil sobrevive a um ídolo a anos
É o poder que deixa um bom alguém, cego
Todo deus torna homens menos humanos
Pois a origem de todo ídolo-deus é o ego

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

AMOR, A CURA DO PECADO (parte 2)

Muito se diz a respeito destas duas palavras: “pecado e amor”. Ambas são antigas e de certo, não existe algum “terráqueo” que ainda não tenha ouvido ou praticado-as. Para alguns a palavra pecado se encontra em desuso e é apenas para fanáticos religiosos que quando a pronunciam usam no sentido pejorativo. Todavia, o fato de não considerá-la não significa que ela não exista. Pois é visível sua presença e seus efeitos nas estruturas humanas, no âmbito familiar (laços familiares desfeitos), político (povos oprimidos, vigorando a lei do mas forte e da sobrevivência), cultural (era do Vazio – falta de identidade) e social (extremo individualismo e o consequente isolamento).

Pecado do hebraico (hatah ou chêt), do grego (harmatia ou harmatêma) ou ainda do latim (peccatum) é definido classicamente como: errar o alvo, falta ou omissão, tropeçar, transgressão da lei. “Quem peca é culpado de quebrar a lei de Deus, porque o pecado é a quebra da lei.” – 1 João 3.4

Que lei? Jesus vai dizer em Mateus: “Ame o Senhor, seu Deus, com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente… ame os outros como você ama a você mesmo.” Ao que Paulo posteriormente irá reforçar aos Gálatas: “Pois a lei inteira se resume em um mandamento só: ‘Ame os outros como você ama a você mesmo’.”Gálatas 5.14.

Deste modo, pecado será então: Não amar ou ainda a falta do amor. Nos resta então fazer a seguinte pergunta: O que é o amor? A respeito disto João irá afirmar que Deus é amor. E sendo ele amor, qualquer manifestação de amor provém dele (João 4.8).

Desta forma o Amor é então um imperativo de Deus para as relações humanas, pois faz parte da essência de Deus. O amor criará então relacionamentos saudáveis e agradáveis e gerará vida, ao contrário do pecado que gera morte. O amor é cura para o pecado, porque apenas por meio dele construímos sociedade harmoniosas, baseados em uma comum-unidade (desenvolvendo dia após dia o laço de solidariedade, reciprocidade,  amparo, dedicação, generosidade)  e pelos princípios de alteridade e sensibilidade, na qual muito mais do que simplesmente olhar o outro, ele se aproxima, cuida, e se coloca no lugar do outro (Lucas 10.34-35).

Como Diz um ditado africano “Ubuntu”: eu sou porque você é, você é porque eu sou. Só assim veremos as mudanças que queremos ter no mundo “Que o amor faça com que vocês sirvam uns aos outros.”Gálatas 4.14.

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Emiliano J.A. João
Emiliano Jamba António João, Filho de António João e de Maria de Lourdes António, nascido na cidade do Huambo, província do Huambo em Angola. Do grupo étnico dos Ovimbundos que pertencem ao povo Bantu. Atualmente reside no Brasil desde 2014, na cidade de Campinas no Estado de São Paulo.
Graduando em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil (FNB), e em Direito pela Universidade Paulista,(UNIP). Membro do grupo de iniciação cientifica sobre a Ética das Virtudes, coordenado pelo Dr. Sidney de Moraes Sanches.
Membro do grupo de Teologia Negra - FTL, campinas,
Áreas de pesquisa: Religião e política, com ênfase no missionaríssimo cristão na África subsaariana Lusófona, e sua implicação na politica, Ética e filosofia Africana.

A CONSUMAÇÃO DO AMOR

Entendo que o amor é eterno. Não este amor romântico entre casais apaixonados, mas falo do amor como essência da vida. O amor não tem fim apesar da vida humana (terrena) ter um fim. Assim como creio também que a vida, em sua essência, é eterna. Não falo da vida humana apenas, mas da vida que existe mesmo sem sabermos de onde surgiu e para onde vai. A vida é viva assim como o amor é.

Como esta vida humana terrena tem fim, creio na consumação final que todas as coisas terão. É o que a internet, TV, jornais e o senso comum da sociedade chamam a muitos séculos de Apocalipse. Muitos creem que tudo vai ter um fim e muitas vezes não sabem explicar o porquê acreditam nisto. Vemos livros, filmes, séries mostrando sobre como seria um mundo pós-apocalíptico com zumbis, doenças, escassez de tudo o que é essencial para a vida humana e etc.

E nesta geração niilista, que crê que tudo está indo de mal a pior, este tema tem sido cada vez mais recorrente. Muitas vezes isto pode trazer uma desesperança de viver, pois se tudo vai acabar e não há nada que possamos fazer, porque viver?

Entendo que este sentimento coletivo do fim está embutido quase inconscientemente em cada ser humano. Como a vida é difícil – apesar de bela – talvez seja um sentimento que o sofrimento precisa ter um fim, pois se não acreditarmos nisto a vida seria (e para alguns é) insuportável.

Mas se tudo irá acabar em uma grande e terrível destruição completa de tudo sem aviso prévio, com muito sofrimento para todos, como isto pode trazer algum alento para corações ansiosos e desacreditados?

Falando sobre Apocalipse, existe um livro que fala neste assunto do fim, a Bíblia. Muitos livros da Bíblia falam do final das coisas. Desde o antigo testamento que os profetas (principalmente) falam que realmente tudo vai ter um fim. Nestes escritos de milhares de anos deixa claro que este mundo é provisório e que ele vai passar mesmo.

E quando vamos para o novo testamento uma das pessoas que mais falam sobre o fim é o próprio Jesus Cristo. Nos evangelhos registram muitos dos seus discursos e ensinamentos acerca deste assunto. Chegando ao ponto do último livro da Bíblia, Apocalipse (revelação), ser o próprio Cristo aparecendo para João e pedindo para ele registrar tudo que o Ele iria falar sobre os últimos dias. João registra e temos o principal e mais detalhado registro sobre o fim das coisas que faz uma completa conciliação com os outros relatos bíblicos sobre o apocalipse.

Jesus vem novamente para a consumação do amor. Vem porque é amor e porque prometeu. Vem porque é preciso vir, pois o ser humano precisa saber o final de tudo o que existe. A nossa vida não faz sentido se não soubermos o que vai acontecer no final. Não faz sentido se não sabemos o porquê ela faz sentido. Acreditamos não porque temos que acreditar em algo. Acreditamos porque Deus falou e porque faz sentido. Quem crê somente na matéria e que nada há além deste mundo e desta dimensão, é infeliz.

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

Oração para tempos de crise

Lançando sobre ele toda vossa ansiedade, pois ele tem cuidado de vós. 

(I Pedro 5.7)

Desde que o mundo é mundo as crises fazem parte da história. Em maior ou menor proporção, estão sempre presente na vida, aparecem nas mais diversas formas e estão intrinsecamente vinculadas a construção de nossa humanidade.

É importante que se diga que as crises não precisam ser necessariamente interpretadas somente pelo viés pejorativo, pois mesmo gerando em nossas vidas situações complexas que podem provocar sofrimentos, elas podem suscitar mudanças significativas para o nosso próprio bem. Por exemplo, um pai de família que é mandando embora do serviço e fica desolado e depois acaba achando um emprego melhor, uma pessoa que após um acidente consegue ver a vida com um olhar mais profundo e começa se dedicar mais as coisas essenciais; os exemplos são muitos.

A questão, portanto, não é se passaremos ou não por crises mas, sim, quando passaremos e como passaremos. É aí que entra a oração, graça divina, para nos relacionarmos de forma íntima com Deus, nosso Pai, e a partir deste relacionamento encontrar forças para enfrentar os dilemas da vida.

Não se trata de se ter um olhar triunfalista e alienado da existência onde se pensa que Deus nos mima a ponto de nos enrolar num saco bolha para que nos poupe de toda frustração, decepção ou desilusão. Certamente, Deus não é um Pai irresponsável, o autor da carta aos Hebreus afirma: “Porque o Senhor educa quem ele ama e corrige quem ele acolhe como filho” (Hebreus 12.5). É sempre possível compreender as crises como pedagogia de Deus. Não punição, nem castigo segundo pensa o senso comum. Mas oportunidade de aprender e crescer. Esse é um processo doloroso.

Sendo assim, tendo consciência de que as crises são realidades que fazem parte da vida, e que Deus não vai nos livrar necessariamente delas, temos que aprender a enfrentá-las. Por favor, não fiquemos zangados com Deus, ou com nossa família, ou com o cachorro, ou com o clima, ou com quem quer que seja porque estamos enfrentando crise, pois isso não vai nos ajudar em nada e não mudam as coisas em nenhum centímetro. Que possamos compreender que as crises vêm e vão, e sempre será assim, mas, como uma tempestade, elas passam e outras certamente virão. A pergunta que não quer calar é se nós sairemos da crise pior do que entramos?

Meu conselho é que possamos aprender a orar em meio às crises. Não para Deus impedir que elas venham, mas que possamos sábia e pacientemente superá-las. A oração para tempos de crise não é uma fórmula mágica do tipo “abra-te sésamo” que resolve tudo numa fração de segundo, nem mesmo frases carregadas de fetiche do tipo de autoajuda que diz que “há poder em suas palavras”, não é nada disso.

A oração para enfrentar as crises é aquele que brota de uma pessoa que ama a Deus e sabe lá no fundo do coração que Ele vai cuidar dela em todos os momentos. Ele é Deus de todas as horas. A oração em tempos de crise vai pelo caminho apontado por um sábio irmão que disse: “Oro a Deus não pedindo cargas mais leves, e sim ombros mais fortes”. É a oração sintonizada com a oração de Jesus: “Pai, nas tuas mãos entrego meu espírito” (Lucas 23.46) que representa o lançar-se por inteiro nos braços do Pai na hora da crise mais profunda. É a oração que não nega o sofrimento, não o empurra para debaixo do tapete, não subestima as próprias dores, não promete atalhos de fuga, nem alívio rápido, todavia a partir da dor e da angústia, se aproxima do Pai em humildade legítima e em dependência absoluta do seu favor, e como resultado desse encontro existencial com o Sumo Bem, Suma Beleza e Suma Graça que é o Aba-Pai, encontra forças para continuar a trilhar pelos caminhos da vida com coragem e fé perseverante.

Meus companheiros e companheiras de jornada, se vocês não aprenderem a andar com Deus e a confiar nas suas benevolências no tempo da crise, não é o do tempo da alegria que isso vai acontecer. Talvez a sua crise seja provocada por problemas no seu relacionamento conjugal, ou com seus filhos; ou pode ser por falta de dinheiro, ou desemprego; ou pelo fato de alguém de sua família ou um amigo estarem doente. Os motivos podem ser diversos. Mas questão principal é aceitarmos e admitirmos que estamos em crise, e procurarmos com sabedoria que vem de Deus (ver Tiago 1.5) enfrentá-la, mas não só isso, a partir dela, aprofundar o relacionamento com o Senhor e crescer na fé e na maturidade cristã.

Que tal se uma vez ao dia tomássemos a decisão de seguir o conselho de Jesus sobre oração: “tu quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê o que é secreto, te recompensará” (Mateus 6.6). Nos tempos de crise é sempre bom lembrar que Deus recompensa aqueles que o buscam (Hebreus 11.6). Força meus amados irmãos e amadas irmãs! Deus é conosco! E a tempestade vai passar! Kyrie Eleisson!

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

A VIDA NA ÓTICA DO ECLESIASTES

O Nome “Eclesiastes” é utilizado por nossas bíblias e vem da Septuaginta. Em hebraico o título é Coelet e significa “pregador”, “conferencista”, referindo-se ao ensino ou ação pedagógica de alguém. O livro expressa uma teologia crítica e realista da vida. Não há na obra intensão de romancear os dias sob o sol, mas sim de questionar supostos valores da atualidade do redator e que não são tão diferentes nos dias de hoje. Sua instrução baseava-se na observação metódica das situações da vida, entre elas:

A vida é repetitiva!

Ao afirmar que “tudo é vaidade” (1.2) o pregador adverte sobre as preocupações costumeiras das pessoas, que nem sempre fazem verdadeiro sentido, alegando que tudo é efêmero: o trabalho, a vida humana, a natureza, o conhecimento. Até mesmo a sabedoria é repetitiva. De acordo com ele, as coisas nas quais gastamos tempo e energia, que causam ansiedade, angústia, enfado são todas passageiras, estão em movimento e não possuem originalidade, pois todos fazem ano após ano e geração após geração as mesmas coisas. Há uma rotina na vida humana da qual não podemos nos livrar, mas não devemos nos iludir com elas como se fossem a razão de vivermos. O trabalho é necessário, mas não pode ser o fim para a vida (1.3), pois ele não é o que de mais importante possuímos.

O pregador também adverte que não somos os únicos no mundo e na história, devemos lembrar disso quando acharmos que a construção do mundo depende unicamente de nós (1.4). Ele argumenta que até mesmo a natureza é repetitiva em seus atos (1.6-7), está sempre em movimento, mas sempre em si mesma, todavia, é belamente indescritível. O conhecimento é repetitivo, o que vemos, ouvimos e conhecemos é sempre a mesma coisa (1.8-10). As lembranças são passageiras e não perpetuam ninguém de fato (1.10- 11). Ele vê essa repetição como um “fardo humano” (1.13-14, 16-18), mas, ao mesmo tempo, necessária para a vida. A saída é compreender o funcionamento da vida, para vivê-la bem. Não podemos simplesmente seguir como autômatos, acompanhar a multidão de viventes e deixar os dias e as horas passarem diante de nós sem nos perguntamos por que fazemos o que fazemos. As respostas talvez nos surpreendam com a falta de sentido de muita coisa que ocupa parte importante de nossa rotina e nos deixa exaustos. A vida não é tão reta quanto imaginamos, com nossos ideais de progresso e desenvolvimento, pois os problemas retornam e até mesmo as soluções nas novas gerações e em outros momentos da história. O que fazer então se até o conhecimento em excesso parece ter sua medida de enfado e pode gerar sofrimento? É preciso atentar para a vida e como a conduzimos, essa é a chamada que ele nos faz.

O que de fato tem valor na vida?

O pensador alega ter buscado sentido para a vida nos prazeres e na própria bebida. Depois ele adquiriu e acumulou para si bens e riquezas, o máximo que pode e mais do que a maioria das pessoas de sua época. Montou um harém, teve muitas mulheres e servos à sua volta e tudo que desejava. Teve momentos de alegria, mas quando buscou o sentido real de tudo o que possuía, era como nuvem que se dissipava no ar. Ele queria algo novo, inédito, buscou na própria sabedoria e achou-a valorosa, mas depois pensou bem e percebeu que tanto o sábio quanto o tolo possuem o mesmo destino. Em sua busca o homem sábio então se deprimiu, pois percebeu que não adiantava construir tanta coisa para deixar para outros que não saberiam utilizar (2.18, 20). Ao final, ele conclui que o único proveito do trabalho é o prazer e alegria que se tem, quando se tem, ao fazê-lo (2.24). Ele ainda esclarece que esse prazer de se alegrar com o trabalho e mesmo de alimentar-se vem de Deus, é dom dele.

Aprendemos com o sábio que o trabalho para acumular riquezas e fama, seja para nós ou para outros, é sempre escravizante e sem sentido. Ocupamos nosso tempo, pensamentos e energia tentando acumular bens, conhecimento, títulos e promoções pessoais. Muitos gastam a vida em busca de coisas que serão usufruídas por outros. Deixamos para trás filhos, pais, cônjuges e amigos em busca de tais riquezas. Passam a infância e a juventude e não os vemos por estar correndo atrás de coisas efêmeras, enfim, deixamos a verdadeira riqueza da vida passar por nós para nos dedicarmos a uma riqueza ilusória (2.24). Isso o sábio do Eclesiastes chama de Vaidade!

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Regina Fernandes Sanches
Mestre em Teologia e Práxis, Mestre em Missiologia, Especialista em História e Cultura Afro-brasileira e Indígena, graduada em Teologia, Professora de Teologia Sistemática e Teologia Latino-americana da FNB – Faculdade Nazarena do Brasil, Secretária Executiva da FTL-B Fraternidade Teológica Latino-americana -Setor Brasil. Autora dos livros Êxodo, Série Leitura Bíblica, Teologia da Missão Integral, Teologia Viva e Como Fazer Teologia da Missão Integral.

AMOR, A CURA DO PECADO

Muitas são as doenças da raça humana
Algumas matam outras só nos adoecem
Muitas delas sem cura e só engana
Algumas mais promete-se que curem

Mas existe uma doença, a originária
A raiz de todas as outras que viriam
Ela mata não só o corpo, mas a alma
Se não fosse ela felizes todos estariam

Vivemos muitos anos sem saber a cura
Desta doença que sempre esteve aqui
Por causa dela muitos chegaram à loucura
Sem poder e sem saber controlar a si

Nesta doença muitos acreditam, outros não
Pois é sútil apesar de matar o nosso estado
Estado existencial e comportamental então
Foram manchados pela doença, o pecado

O pecado afetou muito tudo o que foi criado
Mas o criador já tinha uma solução para dar
Que É desde antes de tudo aqui ser formado
É o próprio filho criador que aqui veio estar

Este Pai que ama seus filhos e sua criação
Tem a cura para erradicar esta má doença
O remédio é o próprio messias que é são
Pois nunca se contaminou desta ofensa

Veio sem pecado enviado pelo Pai redentor
Trazendo a vacina para a cura eterna
A solução para esta doença é o Salvador
Morreu para termos uma adoção paterna

Jesus é a solução desta doença tão ruim
Assumiu este mal, mesmo abandonado
Para o ser humano não mais viver assim
Pois Deus-filho é amor, a cura do pecado

Mateus Feliciano on sabyoutubeMateus Feliciano on sabtwitterMateus Feliciano on sabmyspaceMateus Feliciano on sablinkedinMateus Feliciano on sabinstagramMateus Feliciano on sabgoogleMateus Feliciano on sabfacebookMateus Feliciano on sabemail
Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

Até aqui pela graça

Alguns dias atrás estava lendo um artigo de Philip Yansey intitulado Milagre da rua LaSalle. O texto lido trata sobre uma igreja que conseguiu, num tempo muito difícil, fazer diferença num bairro decadente da cidade de Chicago. Quando digo que fez diferença estou querendo dizer que a igreja da rua LaSalle motivada, inspirada, impulsionada, tangida pela graça conseguiu tocar a vida de muitas pessoas, conseguiu produzir sentidos nos corações dos moradores daquele bairro, conseguiu pela graça, suscitar esperança num tempo e lugar que tal palavra só existia como sonho, talvez nem isso. Até aqui pela graça foi a frase comemorativa dos cinquenta anos daquela igreja.

Destaco com toda a minha força e em letras garrafais a expressão “até aqui pela graça”. Essa pequena expressão sugere muitas coisas pra nós. Por exemplo: sugere que apesar de estarmos vivendo no aqui e agora da vida, e provavelmente estejamos de olhos para o futuro, cheio de sonhos e expectativas, existe algo que nos trouxe até aqui e digo com convicção que esse algo se chama graça. A grandiosa graça de Deus nos deu condições de chegar até aqui, mas o sentido de “até aqui pela graça” não se esgota nisso.

Proponho-me a demonstrar que a graça, a maravilhosa graça de Deus, atinge-nos por completo, em tudo o que somos, o que construímos, o que pensamos e sonhamos e em como vivemos: a Bíblia diz que Deus derrama chuva sobre bons e maus, isso é graça, a Bíblia ainda diz que “Deus amou o mundo de tal maneira”, creio que nem preciso continuar pois cada cristão conhece bem esse versículo, então, o fato de Deus ter amado o mundo, apesar de saber que o mundo se tornaria isso que é, é mais um sinal da maravilhosa graça divina. Digo mais: quando um ser humano é consolado de sua dor por palavras amigas, isso também é graça, quando alguém pula de alegria porque seu filho nasceu, é a graça de novo, e quando alguém chora por alguém que partiu para sempre, ouso dizer que isso também é graça, pois a graça permite que construamos relacionamentos, mas quando a morte arranca alguém de perto de nós fica aquele vazio, aquele lugar no sofá, ou na mesa de jantar. Por causa do amor de Deus, o vazio só teve condições de existir, porque outrora estava preenchido por alguém, it´s the grace again! Como vimos, a graça nos toca em tudo o que somos, e por isso podemos dizer em alto e bom som: até aqui pela graça.

Concluo falando sobre a igreja da rua LaSalle. Aquela igreja pôde fazer diferença num bairro paupérrimo de Chicago, e quando digo paupérrimo não me refiro só à condição econômica dos moradores de lá. Refiro-me à violência, às drogas, às famílias destruídas e a falta de esperança que perturba, persegue e marca lugares assim, mas certamente não se reduz e nem se esgota neles, afinal, o mal está em toda parte. Todavia, uma igreja, uma pequena igreja, pôde tocar na vida das pessoas e mudar para sempre suas histórias. Talvez surja no nosso íntimo a pergunta: como pode ser isso? Essa pergunta, obviamente é retórica, pois todos já sabemos a resposta – é a graça. Se nós, como igreja, fundamentarmos os nossos sonhos, nossas atitudes, nossas metas e propósitos na graça, poderemos fazer maravilhas em nome e para glória de Deus. É incrível pensar que o Abba Pai, por meio de sua graça, pode nos usar como meros instrumentos de suas mãos para mudar para sempre a existência de muitas pessoas, na verdade, já tem usado, entretanto, o poder da graça divina é ilimitado. Não ouse duvidar do poder transformador da graça de Deus. Nunca diga no seu coração: “As coisas são assim mesmo”, “não há nada que possamos fazer”, “isso é impossível”. Não, não diga isso. Diga: até aqui pela graça. Mas a graça não se limita ao passado e ao presente. Olharemos, então, para o futuro com esperança por causa da graça. E um dia vamos chegar ao céu por causa da graça de Deus manifestada em todo seu esplendor na pessoa de Jesus Cristo.

Vamos, portanto, pela graça, trabalhar na causa do Cristo, vamos edificar vidas, vamos ser instrumentos de Deus de consolo, paz, alegria e esperança, vamos lutar pelo bem , pelo que é digno  e justo e nos empenhar com toda dedicação a tudo que interessa ao coração divino. E que assim seja.

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

O PECADO COMO RUPTURA

Muitas pessoas já tentaram (e ainda tentam) definir o que é pecado. Muitos até mesmo negam a existência dele. Outros ainda entendem que pecado é muito forte e é melhor falar de erro. Mas quem e aonde podemos achar esta fonte segura para falar sobre pecado?

Grande parte das pessoas entendem que na Bíblia é aonde podemos ter esta fonte segura para se entender o que é pecado. E historicamente a Bíblia (tanto antigo quanto novo testamento) é o primeiro registro escrito a tratar especificamente e de maneira ampla o que é o pecado. Só o novo testamento possui mais de 20 mil documentos que comprovam a existência dele, por exemplo.

A Bíblia,  que entendemos ser um livro confiável para se falar em pecado, faz algumas afirmações sobre o que é o pecado. E fica claro que o pecado (além do seu significa literal no grego significar “errar o alvo”) é uma ruptura. Uma ruptura com o criador e com a criatura.

Nas primeiras páginas da Bíblia vemos Deus avisando o homem e a mulher que não deveriam desobedecer à ordem que ele tinha dado de não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, pois a consequência seria a morte. Esta morte é uma ruptura com Deus, com o outro e consigo mesmo. Quando eles desobedecem logo já sofrem as consequências e caem em maldição do pecado e ainda torna a criação maldita por causa deste pecado que entra no mundo por causa do que eles fizeram.

Uma das primeiras rupturas do pecado é consigo mesmo. Nós fomos criados à imagem e semelhança do criador (Deus) sem pecado. O pecado nos torna alguém que não somos, pois Deus deseja que vivamos em harmonia conosco mesmos. O pecado mancha quem nós somos e cria uma ruptura existencial. Existimos para um propósito, mas o pecado nos desvia deste caminho.

Quando Deus pergunta para o homem sobre o pecado que ele havia cometido, ele culpa a mulher e Deus pelo pecado dele. O pecado rompe o relacionamento com o próximo. Tanto porque temos o pecado em nós como também o outro também está em pecado. E sem o outro nós também estamos incompletos, pois Deus tirou uma parte do homem para fazer a mulher. No final somos todos parte uns dos outros e precisamos viver em harmonia uns com os outros.

E o pecado abre um abismo entre o ser humano e Deus, pois Deus é santo e não pode se relacionar com o pecado. Mas Deus nos ama e quer muito se relacionar com a gente. Por isso Ele envia seu filho Jesus, pois ele nos ama e pode resolver o nosso problema com o pecado. Deus se dá para o ser humano na pessoa de Jesus Cristo, pois Ele quer que vivamos em harmonia conosco mesmos, com o próximo e com Ele.

A raiz de todo o mal que vivemos está no pecado, pois ele abre rupturas em tudo o que é mais importante para a vida. Mas isto não é uma má notícia, é uma boa nova que existe solução para esta ruptura, pois Jesus é a maior revelação do amor.

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.