JESUS, A MAIOR REVELAÇÃO DO AMOR

O que é o amor? Talvez muitos de nós não conseguimos responder esta pergunta porque entendo que estamos fazendo-a de forma errada. Creio que o correto é perguntar: QUEM é o amor?

Quando falamos em amor e buscamos em o QUE é o amor, iremos procurar em coisas e coisas (até aonde eu sei) não tem vida. Se quisermos que o amor se revele a nós temos que procurar o amor aonde tem vida. Vida e amor são quase que inseparáveis, pois um não vive sem o outro.

E como tem gente procurando amor nas coisas. Falo nisto não para que possamos olhar para as pessoas tentando julgá-las e tentar lembrar de pessoas que a gente conhece que fazem isto. Podemos olhar para as outras pessoas e creio que de certa forma pode nos ajudar. Os maus exemplos também ensinam (os sábios). Mas falo sobre pessoas que procuram amor nas coisas, tentando fazer com que olhemos para dentro de nós mesmos e tentarmos identificar em nós aspectos desta procura pelo amor aonde não há vida.

Penso que o amor é o nosso combustível para viver. Como viver sem amor? Já imaginou? Se sofremos com as guerras, com a fome, a miséria e tantas outros fatores que são difíceis de conviver em um mundo em que ainda existe o amor, imagina tudo isto sem amor. Seria insuportável a tal ponto da vida ser uma impossibilidade. Por isso também entendo que o amor e a vida são indissociáveis.

Muitos livros sobre o amor já foram escritos, estão sendo e com certeza ainda serão escritos sobre este tema que sempre permeou a vida humana. Mas na grande maioria deles apresenta o amor como algo quase impalpável e raso. Alguns livros mostram o amor às vezes como coisas simples como um abraço, beijo e etc. Outros tratam como uma ideia sem muita possibilidade e quase remota de se entender e de ser vivido em plenitude. E a grande maioria trata o amor como apenas um sentimento restrito ao coração humano cativo às intenções e definições de quem “sente”.

Mas existe um livro, que na história é o livro mais importante que já se foi concebido, é o livro mais vendido no mundo e provavelmente o livro mais antigo de que se tem conhecimento. Um livro que para os historiadores é um marco e para os que têm fé o livro mais importante de todos, a Bíblia.

Sem dúvida a Bíblia é um dos livros mais questionados, mas ao mesmo tempo o livro que mais se tem seguidores em toda a história. Interessante perceber que a maioria dos que duvidam da bíblia são os que não têm fé em algum Deus (ou ser superior) e as pessoas que mais são influenciadas por este livro, são as que têm uma fé profunda no que crêem. E neste livro existe uma revelação profunda sobre o amor. Este livro vai dizer que Deus é amor e que Jesus é Deus. Por isso tantos acreditam que a Bíblia é a palavra de Deus, pois o amor revelado neste livro é uma pessoa. Deus que se revela como amor e ser humano é este Cristo que por amor deixou a sua Palavra para direcionar as pessoas a caminharem em amor, pois Jesus é a maior revelação do amor.

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

O Jesus pós-moderno

“Sabe, porém, que nos últimos dias […] os homens amarão a si mesmos, serão gananciosos e arrogantes…” (II Timóteo 3.1 e 2)

“O mundo está ao contrário e ninguém reparou.” (Nando Reis)

A pós-modernidade tem exercido um força tremenda na forma das pessoas viverem e compreenderem a realidade. Neste tempo tudo é interpretado a partir do ego que busca se satisfazer o máximo possível e o mais rápido possível, chamamos isso de hedonismo e imediatismo.  O poder influenciador da pós-modernidade é tão grande que invadiu com fúria as igrejas desconstruindo o Evangelho do Reino de Deus e tranformando-o num ‘evangelho’ água com açúcar de auto-ajuda que existe tão somente para agradar os corações de homens e mulheres tomados pelo egocentrismo.

Para que este ‘evangelho’ desencaminhado pudesse existir e prosperar foi necessário criar um Jesus pós-moderno, e o melhor adjetivo para este Jesus pós-moderno é paparicador. Este Jesus existe só para bajular as pessoas, ele trabalha 24h por dia para que os cristãos pós-modernos possam se sentir felizes consigo mesmos, este Jesus quer o tempo todo realizar os sonhos de tais pessoas, sonhos estes pré-moldados pela sociedade consumista do século XXI.

Este Jesus paparicador não questiona nada, aceita tudo como está como se assim devesse ser, além disso, no vocabulário dele as expressões pecado, dureza de coração, frieza espiritual, indiferença em relação ao próximo não existem, este Jesus paparicador faz vistas grossas pra isso, o importante pra ele é fazer as pessoas serem felizes.

Este Jesus pós-moderno é muito diferente do Jesus que está registrado nos Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João. Nunca que o Jesus pós-moderno iria chamar Pedro de Satanás quando este o tentou desviar do caminho de cruz (Mt 16.23),  porque o Jesus pós-moderno não quer saber de sofrimento não, cruz nem pensar, ele quer ser feliz porque é isso que importa. Ademais o Jesus pós-moderno nunca iria mandar os vacilantes discípulos embora como está registrado em João 6.67, porque o Jesus pós-moderno existe para agradar as pessoas e elas podem segui-lo do jeito que bem entendem, até mesmo desprezando os sábios caminhos registrados nas Escrituras visto que na pós-modernidade tudo é relativo e cada um tem a sua própria verdade.

Outra coisa que o Jesus pós-moderno faz é incentivar as pessoas a serem convenientes em seu amor, ou seja, elas podem escolher a quem amar. Olha que beleza! De preferência é bom escolher amar alguém que possa retribuir o amor, e se for em dinheiro, melhor ainda. Este Jesus pós-moderno além de paparicador é também narcisista, como este cara gosta de si mesmo. Impressionante! Para o Jesus pós-moderno a parábola do bom Samaritano nem existe, Mateus 25.31 a 46 é coisa de gente da esquerda e Isaías 58 e todos os textos proféticos são coisa tão antiga que não cabem mais neste nosso mundo lindo cheio de felicidade fast-food e riquezas industrializadas.

Para o Jesus pós-moderno a igreja é só um clube social, um lugar de eventos divertidos, um lugar de participar de uma panelinha pra falar mal da vida dos outros ou criticar a imoralidade do mundo, aquele negócio que o Jesus da Bíblia ensinou sobre tirar a trave do próprio olho para ajudar o próximo a tirar o cisco do seu olho é bobagem (Mateus 7.4), é coisa de bitolado. Nesta igreja pós-moderna seguidora do Jesus pós-moderno serviço é coisa para fracos, humildade é para tolos, pedir perdão nem pensar porque o egocêntrico sempre tem razão. Nesta igreja cada um é uma ilha: é cada um por si, Deus é por todos e o diabo que carregue o último.

A grande verdade, é que este Jesus pós-moderno não existe na realidade, só existe na mente de pessoas que foram envenenadas pelo seu próprio egocentrismo. Não existem registros bíblicos sobre este Jesus pós-moderno, ele foi inventado por gente que só pensa em si mesma, que vive para si e morre para si. Este Jesus inventado não pode salvar, não transforma ninguém, não tem nenhuma boa notícia pra trazer, e só produz gente egoisticamente ensimesmada que gosta de criar igrejas que sejam a sua imagem e semelhança.

Está mais do que na hora de levar Jesus, o verdadeiro Jesus a sério, de atentarmos com temor e tremor para o Evangelho do Reino de Deus que sempre é um desafio para nós, chama-nos constantemente ao arrependimento e nos impulsiona para uma vida de serviço abnegado ao próximo. Não dá pra seguir a Jesus Cristo de Nazaré e ao mesmo querer passar a vida inteira na zona de conforto amando com paixão cega o status quo.  Kyrie Eleison! Venha o teu Reino, Senhor Jesus!

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

O AMOR QUE VAI ATÉ AS ÚLTIMAS CONSEQUÊNCIAS

Havia uma época, não muito remota em que a palavra era a coisa mais valiosa de um homem/Mulher. E se um homem ou mulher te desse sua palavra, com certeza descansarias nela. Pois tal pessoa cumpriria exatamente o que pronunciou. Todavia os tempos mudaram. Vivemos em um tempo que palavras são coisas banais, já se foi a época em que a palavra de alguém era tudo. Desta feita, nossas palavras devem estar acompanhadas de ações, do contrário serão meras falácias, não devem ser apenas tentativas de generosidade mas preocupação sincera daquele(a) que se preocupa com o indivíduo como um todo e como membro integrante do reino, sob pena de ser ignorada e ser esquecida no tempo.

É baseado nisto que escrevo sobre o amor que perpassa as meras falácias (do apenas dizer eu “te amo”), as meras tentativas de generosidade, e cumprimentos de formalidades, para dar lugar a um amor eficaz, eficiente, sincero, prático, na qual coloca o outro em detrimento do Eu. Como o apóstolo Paulo, dando um recital sobre o amor, bem afirma em sua carta aos Coríntios: “Eu poderia falar todas as línguas que são faladas na terra e até no céu, mas, se não tivesse amor, as minhas palavras seriam como o som de um gongo ou como o barulho de um sino…Quem ama é paciente e bondoso. Quem ama não é ciumento, nem orgulhoso, nem vaidoso…Quem ama não é grosseiro nem egoísta; não fica irritado, nem guarda mágoas… Quem ama não fica alegre quando alguém faz uma coisa errada, mas se alegra quando alguém faz o que é certo…. Quem ama nunca desiste, porém suporta tudo com fé, esperança e paciência.” (1 Coríntios 13.1,4-7).
Cristo em sua morte e morte de cruz suportou tudo com fé, esperança e paciência. Aquele que nunca cometeu pecado se fez pecado por nós e de tanto nos amar, não mediu esforços, doando-se a si mesmo no madeiro por nós, para que, crendo nele, não pereçamos, mas sim, tenhamos a vida eterna. Quanto a isso João irá afirmar em sua carta: “Sabemos o que é o amor por causa disto: Cristo deu a sua vida por nós. Por isso nós também devemos dar a nossa vida pelos nossos irmãos”. Desta forma o amar a Deus sobre todas as coisas, implicará no amar ao próximo (qualquer que seja este próximo mesmo que seja um inimigo ) como a ti mesmo. A esta disposição de fazer bem a todos, Confúcio diz fazer parte da “Sabedoria Suprema”, ou seja, uma dádiva Divina. Para tal ele traz o seguinte exemplo:
Zigong: – Mestre aquele que prodigalizar boas ações em favor do povo e atender as suas necessidades não mereceria o nome de sábio(ren)?
Mestre: – já não se trataria de um sábio mas da sabedoria suprema! (Comparato, apud Confucius p.531-532).

Diante de tudo abordado acima, apenas nos resta frisar que uma igreja de Cristo é aquela se propõe a comunicar o evangelho mediante tudo o que é, faz e diz, ela entende que seu propósito não é chegar a ser grande numericamente, ou rica materialmente, ou poderosa politicamente. Seu propósito é encarnar os valores do reino de Deus e testificar do amor e da justiça revelados em Jesus Cristo, no poder do Espírito, em função da transformação da vida humana em todas as suas dimensões, tanto em âmbito pessoal como em âmbito comunitário, ou seja, sua ortodoxia andando em conformidade com sua Horto práxis. Ela então entenderá o mundo todo como um “campo missionário” e cada necessidade humana será uma oportunidade de ação missional. A missão então englobará a evangelização, o ensino, a compaixão, a justiça (pois o mesmo Deus que é amor é também justiça), inclusive o cuidado com a criação, todas elas submetidas ao senhorio de Cristo.

A igreja local é chamada a manifestar o reino de Deus em meio aos reinos do mundo não só pelo que diz, mas também pelo que é e por tudo o que faz em resposta às necessidades humanas que a rodeia. Não nos esquecendo jamais que o amor provém de Deus e o modelo é Cristo. Tal amor é pratico (Levou Jesus a assumir um corpo físico) e é autêntico. Não se deve amar de palavras nem de línguas, mas de fato e verdade. “Meus filhinhos, o nosso amor não deve ser somente de palavras e de conversa. Deve ser um amor verdadeiro, que se mostra por meio de ações.” – 1 João 3.18

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Emiliano J.A. João
Emiliano Jamba António João, Filho de António João e de Maria de Lourdes António, nascido na cidade do Huambo, província do Huambo em Angola. Do grupo étnico dos Ovimbundos que pertencem ao povo Bantu. Atualmente reside no Brasil desde 2014, na cidade de Campinas no Estado de São Paulo.
Graduando em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil (FNB), e em Direito pela Universidade Paulista,(UNIP). Membro do grupo de iniciação cientifica sobre a Ética das Virtudes, coordenado pelo Dr. Sidney de Moraes Sanches.
Membro do grupo de Teologia Negra - FTL, campinas,
Áreas de pesquisa: Religião e política, com ênfase no missionaríssimo cristão na África subsaariana Lusófona, e sua implicação na politica, Ética e filosofia Africana.

A GRANDE MARATONA

A vida é como uma grande maratona
São muitas pessoas juntas correndo
A vida que nos guia e que é a dona
Do caminho que estamos entendendo

Tentando entender como juntos correr
Caminhado em frente olhando o alvo
Esperando no final alguém nos receber
Com braços abertos e do mal salvo

Nesta jornada da vida não corra sozinho
Pois todos estão neste mesmo jogo
Ajudar e ser ajudado é bom no caminho
Lance a mão ao outro e não fogo

Prepare-se para esta caminhada longa
Pois a vida não é uma corrida breve
Empenhe-se em iniciar sem delonga
Pois só entra neste jogo quem serve

Nas olimpíadas da vida todos participam
Aqueles que sabem por quem correm
Mesmo aqueles que no final não acreditam
Prestarão contas ainda que chorem

Creia no criador deste esporte lindo
O jogo de viver em favor do outro
O juiz deste conosco está indo
Junto daqueles que tem certo o ouro

Não olhe só para a sua raia que segue
Pois ela pode lhe distrair e você cai
Olhe para todas as raias e não negue
Que se alguém cair ajudar você vai

O prêmio ainda não conhecemos agora
Por isso queira chegar junto do povo
Nesta maratona o final é o que importa
A morte fica e vamos viver de novo

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

RASCUNHOS EM ROMANOS 8

Talvez apenas o tempo nos mostre a razão ou o vazio de cada uma das coisas que acontecem na vida de todos nós. Será apenas e um sempre depois. Ao momento, aquele que chamamos de presente, o hoje, talvez sobre apenas a necessidade de fazer as perguntas que buscam respostas que apenas querem produzir um certo sentido que justifique o que se está vivendo. E também, e em grande parte, algo que nos empurre para continuar. Mesmo e apesar de não ser este, às vezes, o desejo.

Se a vida está “de boa”, como diríamos, poucas são as perguntas. Do contrário, elas, somadas aos medos e às dúvidas, se multiplicam. Perguntas que são da própria vida, do futuro, do como as coisas vão se dar, como elas vão se resolver – se é que vão -, do como tudo será. Perguntas também de existência, de coisas que dizem respeito àquilo que se agita por dentro: dores, tristezas, arrependimentos, remorsos, culpas etc. Coisas que nada tem haver com o que acontece por fora, que são quase que independentes, aparecem, ficam por tempo indeterminado, incomodam e pronto. E o estranho é que às vezes tudo isso se dá apenas porque caminhos se tornam descaminhos por conta de simples descuidos – com culpa ou não -, ou, de forma mais simples ainda, porque eram assim que terminariam, não por destino, mas por simples contingência. A vida é assim mesmo, é estranha em si só, perigosa. E é só o tempo que dirá as razões, ou não.

Dito isso, e dito antes para entender o que se dirá depois, fico pensando que em quase nada somos diferentes dos primeiros leitores de Paulo, em Romanos 8. Talvez em nada também diferentes dele, o próprio escritor. Gente humana – pessoas humanas – desprotegida, assustada, confusa, caminhando pela vida – às vezes sozinhos – passando por todos os seus dilemas e vicissitudes. Daqui para lá e de lá para cá, só seguindo. Diferença ou a ausência dela que faz a gente entender melhor a frase que quer ter sentido, mas que às vezes nos escapa: “tudo coopera para o bem” (verso 28). Pois em tempos de uma teologia confusa, se é que em algum tempo ela não foi, se não cooperar e não houver um bem, é porque não amamos o suficiente. E se amamos e sabemos disso, e nada possui propósito – e parece sempre que tudo precisa ter, surge logo a desconfiança, a descrença. Primeiro em nós mesmo, depois na vida, por fim em Deus. E aí a coisa volta ao início, o futuro responderá a pergunta que agora é feita, no hoje. Mas talvez não. Talvez tomara que não. Talvez não seja a razão o que crie sentido para a vida. Talvez seja a vida que crie sentido para toda e qualquer razão. O que acontece ou vai acontecer ou o que aconteceu não importa. Pois, para quem sabe amar e sabe ser amado, tudo coopera. Daí “[…] o que nos resta dizer? [verso 31] Se Deus está conosco, quem estará contra nós?” […] “A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, os perigos, a espada?” (verso 35). E talvez seja isso que signifique, na vida, ser mais que vencedor.

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Clademilson Paulino
casado, apaixonado por fotografia, literatura e cinema, é Bacharel em Teologia pela Faculdade Teológica Batista de Campinas (FTBC), curso convalidado pela Faculdade de Teologia da Igreja Metodista (FATEO). É também Mestre e Doutor em Ciências da Religião pelo curso de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Faculdade de Humanidades e Direito da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).

A SANTIDADE E O CULTO

O tema da santidade e do culto em Israel estão relacionados à presença divina. No deserto, o tabernáculo e a arca se tornaram lugares simbólicos da presença de Yahweh e lugares móveis do culto. Deus se fazia presente no meio do povo, que respondia à essa presença em celebração e testemunho. A certeza da presença divina por meio da arca da aliança e lugares de culto era fator de ativação da memória de um Deus constante em Israel desde os pais. Mesmo a atuação profética era sinal da preocupação de Deus para com o povo, portanto, de sua presença, seja para o anúncio do juízo ou da esperança. Essa presença divina constante, real e santa requeria adoração: “Exaltai ao Senhor nosso Deus e adorai-o no seu monte santo, pois o Senhor nosso Deus é santo” (Salmos 99.9).

Embora o livro do Levítico é o que mais trata da matéria da santidade, relacionando-a ao culto e à pureza legal e moral do povo e da liderança cultual, há uma preocupação com a correspondência à santidade de Deus em todo o Antigo Testamento. As exigências da aliança são exigências de santidade: “vocês serão para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa…” (Êxodo 19.6). A condição de sacerdócio, conforme o Levítico (21.1-24) requeria uma vida santa, tanto no sentido legal, como no sentido moral conforme prescrição das leis de Israel que remontam aos dez mandamentos. Todos os aspectos da vida do povo deveriam expressar a santidade requerida por Deus, a fim de que se caracterizassem como povo de Iahweh, o Deus santo.

Isto posto, fica claro que a santidade de Deus, embora perfeita, não o tornava uma divindade separada e inacessível. Diferente dos deuses de outras nações, Iahweh, cada vez mais passou a ser compreendido como o Senhor da história, não somente de Israel, mas de todo o mundo. O Senhor presente que interferia nas situações mínimas da vida do povo, bem como em sua organização nacional e relação com as demais nações. Por outro lado, os humanos podem ser santos naquilo que possuem de Deus em si e na medida que correspondem à Ele.

Na modernidade, o teólogo suíço Barth entendeu Deus como “o totalmente outro”, o infinito que difere radicalmente do humano finito, o Santo que difere do humano pecador. Ele também é o incriado e o que não cabe na existência como explica Paul Tillich. Todavia, é também aquele que por intermédido de Jesus Cristo chegou à nós e nós chegamos a ele, com o qual os humanos se identificavam, cognoscível naquilo que ele próprio revelou e comunicou de Si nas linguagens humanas. É ele quem se identifica conosco, e, em sua graça e misericórdia se humanizou em Jesus Cristo. Estamos nele como seus dependentes e na medida que o somos, nisso, experimentamos sua presença e conhecemos sua santidade. Ela se põe diante de nós como algo que nos constrange, apontando nossa fraqueza e distanciamento de quem ele é, mas também nos eleva à condição de alvos da sua graça, do seu amor infinito e daqueles que nele, se tornam santos. O culto, neste caso, não é um mero ritual figurativo, mas a celebração viva a um Deus Vivo e radicalmente Santo.

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Regina Fernandes Sanches
Mestre em Teologia e Práxis, Mestre em Missiologia, Especialista em História e Cultura Afro-brasileira e Indígena, graduada em Teologia, Professora de Teologia Sistemática e Teologia Latino-americana da FNB – Faculdade Nazarena do Brasil, Secretária Executiva da FTL-B Fraternidade Teológica Latino-americana -Setor Brasil. Autora dos livros Êxodo, Série Leitura Bíblica, Teologia da Missão Integral, Teologia Viva e Como Fazer Teologia da Missão Integral.

NÃO CORRA SOZINHO

Pensando na vida como uma grande olimpíada com muitos jogos a serem jogados (vividos) e pensando nela como uma longa maratona (jornada), torna-se importante não estarmos sozinho nesta corrida (processo).

Neste século XXI estamos tendo que correr contra o fluxo da cultura corrente que nos incentiva conquistarmos as coisas sozinhos a partir dos nossos talentos e esforços. Existem questões positivas neste traço da sociedade pós moderna, mas neste sentido da coletividade é algo negativo.

É bom podermos acreditar em nós mesmos para estarmos seguros dos obstáculos (desafios) que a vida traz para toda pessoa. Te situações que temos que tomar decisões sozinhos, que precisamos ficar sozinhos e etc. Precisamos ter esta percepção também, pois tem pessoas que se tornam tão amargas e insuportáveis que nem ela mesma consegue conviver sozinha consigo mesma. Pessoas que sempre ter que estar com outras, pois não se aguentam com seus pensamentos, atitudes e fala. Precisam aprender a conviver consigo mesmas.

Mas creio que estas situações aonde precisamos estar sozinhos são bem menos constantes do que o contrário. Creio que na maior parte do nosso tempo e da nossa vida, é importante não estarmos sozinhos. No nosso trabalho, por exemplo, precisamos dos nossos parceiros para realizarmos e/ou concluirmos nossas tarefas. Por mais individual que pareça ser o nosso trabalho, se observarmos bem, sempre precisamos de outros para realizarmos nossa vocação profissional. Desse os materiais que usamos até aonde este nosso trabalho vai chegar. E isto se aplica na nossa família, religião, estudos, sociedade e em toda nossa vida. Achar que pode fazer tudo sozinho e que não precisa de ninguém é um complexo de Shrek, e mesmo ele entendeu que não podia viver sozinho.

Admiro muito outras culturas como a estadunidense e algumas europas, por exemplo, que tem um conceito de sociedade bem diferente de outras culturas de alguns países de terceiro mundo. Em alguns destes países de primeiro mundo, existe uma consciência coletiva muito forte que praticamente rege cada cidadão daquela cidade. São pessoas, que na maior parte delas entendem que não vivem sozinhos e que uma sociedade inteira depende delas e de suas interações. Não estou dizendo que existem culturas melhores que outras, mas existem traços na sociedade que se diferem de nação para nação e que algumas são boas para as pessoas em geral e outras nem tanto. E este pensamento no plural ajuda muito no convívio existencial e social.

Nesta corrida da vida, olhe para o lado, olhe ao seu redor, e você irá perceber pessoas. Pessoas que precisam de ajuda para viver e pessoas que podem te ajudar nisto também. Por mais que sejamos seres humanos complicados, por mais que viver em sociedade aonde se tem a violência e egoísmo, por mais que momentos a sós sejam importantes, por mais que as pessoas não queiram companhia de outras, insista em não correr sozinho. Neste mundo, esta ação vai exigir de nós intencionalidade, pois muitos não acham que precisam de outros. Você precisa de mim, eu preciso de você, nós precisamos uns dos outros, por isso, NÃO CORRA SOZINHO!

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

Mergulhando em Deus para poder mergulhar em si mesmo

“Por que vês o cisco no olho de teu irmão e não reparas na trave que está no teu próprio olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o cisco do teu olho, quando tens uma trave no seu? Hipócrita! Tira primeiro a trave do seu olho; e então enxergarás bem para tirar o cisco do olho de teu irmão”. (Mateus 7.3 a 5)

 “Levai os fardos uns dos outros e assim estareis cumprindo a lei de Cristo” (Gálatas 6.2)

 Existem duas posturas que um ser humano pode assumir na jornada existencial: o auto-engano e autoconsciência. O auto-engano é aquela atitude teimosa e insistente tomada por alguns que se recusam a olhar para si mesmos com sinceridade, enxergar as falhas, os problemas, os vícios, as maldades que estão no fundo do próprio coração, as mazelas comportamentais da própria vida. Já a autoconsciência é aquela honestidade consigo mesmo e com os outros também, inclusive com Deus, de aceitar o que se é, com toda integridade e sinceridade, seja bom ou seja mau e assumir uma luta constante para ser melhor para Deus, para si e para os outros.

Em geral, aquele que se auto-engana tende a ser muito duro e rígido com os outros. Isso é bem visível nos religiosos que foram pedra de tropeço no caminho de Jesus Cristo quando ele passou por aqui. Justamente por serem religiosos e cumprirem uma lista gigantesca de tradições, rituais e formalidades tais homens se gabavam de si mesmos e desprezavam os que não eram da sua corja. Não só desprezavam, mas também julgavam e condenavam o tempo todo, tendo um prazer estranho de punir e ver o sofrimento alheio. Aquele que se auto-engana não tem espelho em casa, ou seja, não se enxerga e justamente por não se enxergar minoriza ou desconsidera suas próprias falhas e faltas e se concentra, doentiamente, nas falhas e faltas dos outros. Insiste em tirar o cisco do olho do outro, mas não percebe que há uma trave no seu. Jesus dá um nome para isso: hipocrisia, isto é, o ato de fingir ser algo que não se é, assumir uma atitude de ator, e viver a vida como se esta fosse um palco.

Já o que tem autoconsciência se vê, enxerga-se com sinceridade e por se ver, acaba olhando para os outros com mais tolerância. Creio que a autoconsciência não é fruto de um encontro consigo mesmo ou de sessões terapêuticas de psicologia profunda, mas é fruto de um encontro existencial com Deus. Só quem se encontra com Deus pode dizer: “miserável homem que sou, quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7.24). Ou dizer ainda: “ai de mim! Estou perdido; porque sou homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de impuros lábios” (Isaías 6.5). Perceba que o profeta primeiramente olha para si, só depois atenta para o povo. Só quem se encontra verdadeiramente com Jesus pode afirmar com toda a convicção do seu coração: “afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador” (Lucas 5.8). Só quem se abriu honestamente para Deus e disse: “pequei contra Ti ”, (Salmo 51.4) e “eu nasci em iniquidade” (Salmo 51.5) pode também orar na simplicidade de ser o que se é e no anelo por ser mais para Ele: “ó Deus, cria em mim um coração puro e renova em mim um espírito inabalável” (Salmo 51.10). Certamente, a autoconsciência é um dos melhores remédios contra a arrogância.

Infelizmente a religião, em geral, se tornou uma fonte de auto-engano, pois produz nas pessoas uma falsa sensação de virtude e segurança. Por isso que em muitos casos os religiosos adoram falar das suas proezas e do seu bom comportamento enquanto também falam mal do comportamento de outrem. Nada mais anticristão. A verdade é que por alguém ser religioso não significa necessariamente que tenha tido um encontro com Deus e Cristo. Pois um encontro com o divino deveria produzir humildade e não orgulho, um coração de carne e não de pedra, um olhar generoso sobre o outro e não um olhar cheio de rancor impiedoso e intolerante.

Jesus não nega que haja um cisco no olho alheio, ele só ensina que para poder ajudar em verdade os outros é preciso primeiramente olhar com sinceridade para si mesmo, reconhecer as próprias faltas e os próprios descaminhos, ou seja, “tirar a trave do próprio olho”, para assim estender a mão, ajudar e se dispor a ser útil “para tirar o cisco do olho do outro”.

Paulo escreve aos Gálatas: “se alguém for surpreendido em algum pecado, vós, que sois espirituais, deveis restaurar essa pessoa com espírito de humildade. E cuida de ti mesmo, para que não sejas tentado também” (Gálatas 6.1). O pecado é uma realidade em nossas vidas, em nossas igrejas e temos que aprender a lidar com ele. O julgamento não é o jeito bíblico de lutar contra esse problema. O jeito bíblico é: buscar ajuda em Deus que é gracioso e rico em perdão, olhar para si com integridade para não se achar bom demais, e assim, com espírito de humildade, restaurar aquele que caiu.

Concluo dizendo que creio plenamente que a igreja do Senhor é uma comunidade de restauração. Ao longo da história da igreja cristã muitas pessoas não tiveram a oportunidade de serem restauradas pois foram desprezadas e excluídas. Pelo amor de Deus, chega disso! Vamos com amor e graça levar as cargas uns dos outros, sem julgamentos, sem condenações. Vamos deixar isso para quem entende do assunto: Deus que é o justo juiz. No caminho da graça a autoconsciência é uma necessidade básica. Busque isso em Deus. Em Cristo, tenho a liberdade e a coragem para dizer: cuide genuinamente de si, para poder cuidar verdadeira e desinteressadamente dos outros também. Kyrie Eleisson.

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

PREPARE-SE

Em uma geração aonde a figura do homem tem sido tão menosprezada e desacreditada, fica difícil falar da importância do pai na sociedade. O merecido e necessário reconhecimento do valor da mulher e a impressionante luta por respeito do público LGBT infelizmente tem provocado em muitos um desafeto pelo ser humano masculino. E isto inclui a paternidade.

Por muito tempo grande parte da sociedade entendia que o homem tinha uma única tarefa no mundo: trabalhar para sustentar financeira e materialmente a família. Esta visão subestimou o potencial do pai na família tanto quanto a visão que a mulher tinha a única tarefa de cuidar das coisas do lar.

É sim tarefa e responsabilidade do pai no sustento dos seus, mas com a tarde saída da mulher ao mercado de trabalho, agora ela muitas vezes ganha igual ou mais que o homem. Esta visão equivocada que o papel do pai na família é só trabalhar, faz com que o homem fique perdido e entra em crise existencial. Se a sua única tarefa era trazer dinheiro para casa, qual o valor do pai quando a mãe também já faz isto?

Tanto o pai quanto a mãe tem a tarefa de cuidarem da família em todas as áreas. Ambos são responsáveis por tudo que se refere aos seus. Alguns têm mais jeito com as finanças, outros com as tarefas de casa, têm seus talentos e vocações diferentes, independente se são homens ou mulheres. Precisam se encontrar na família como são.

Nesta sociedade pós-moderna já se aceita melhor que a mulher trabalhe fora e ganhe o seu dinheiro. Mas nem sempre se aceita (principalmente Cristãos) que um homem cozinhe, limpe a casa, cuide dos filhos e etc. Pai e mãe têm papéis diferentes na família e ambos são importantes. Mas este papel não passa simplesmente pelo o que FAZ, mas principalmente por quem É.

Um pai é importante na família pelo o que ele É para os seus. O que ele FAZ importa, mas não tanto quanto por quem ele É. Um pai precisa assumir o papel de pai no sentido existencial, pois assim o que ele fizer vai estar em conexão com quem ele É. Mas a recíproca não é verdadeira. Um pai não se torna pai unicamente se ele trabalha e traz sustento, isto faz parte de sua função, mas não o pode definir como pai.

Jesus é a primeira pessoa na história que chama Deus de Pai. Na bíblia podemos aprender com Cristo que Deus é pai e tem um filho primogênito. Esta percepção foi revolucionária para a época e ainda é para aqueles que compreendem a profundidade disto. O Apóstolo João vai afirmar que Deus amou tanto o mundo que a maior ação que ele teve para provar isto foi ser pai. Muito mais do que alguma ação em específico, mas o simples fato de assumir quem ele É: um Pai que ama e que se entrega na pessoa do filho por todos os seres humanos, que são a “menina dos olhos” de Deus diante de tudo o que ele criou.

A forma como enxergamos a Deus e os nossos pais vai nos definir muito quem somos quanto filhos. E a nossa vida muitas vezes vai depender disto, então prepare-se!

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

LIBERTAÇÃO E GRAÇA

“Confiou em Deus; que ele o livre agora, se lhe quer bem; porque disse: Sou o Filho de Deus.”Mateus 27.43

Não foi uma pergunta. Foi uma afirmação irônica e cheia de riso. Poderia ter sido em forma de questionamento e não seria menos irônica e imprópria, porque o princípio estava errado e relacionava o pertencer a Deus com a necessária libertação do sofrimento. A ausência de libertação, seria ausência de Graça.

Aquele observador, que estava no centro da história, não duvidou de Deus, mas questionou a confiança que Jesus Lhe depositara. O conceito errado sobre o Senhor veio em uma possível segregação: Deus só liberta a quem quer bem. O que não é verdade. E achou um absurdo um Deus que tem um filho permitir que este estivesse naquele estado de sofrimento, de resultado esperado. Um absurdo que só pode ser explicado pela Paixão.

Só que a pergunta pela libertação do sofrimento, como se este não fizesse parte da Graça, também é uma incompreensão do que seja Graça. E na esteira do livramento e da comercialização do sagrado, vêm as promessas e a venda de um evangelho que só existe para o consumo.

Sofrer faz parte da vida, e faz parte da Graça. Na verdade esta quando é recebida como dádiva, não como troca, não comporta compromissos por Aquele que a dispensa. Tem origem no profundo amor que é capaz de superar as limitações e agressões do beneficiado e foi dispensada exatamente em função disso. O que é agraciado, por sua vez não impõe, sobre aquele que presenteou, um compromisso de uma ação contínua como necessidade confirmatória de pertencimento. Ele já se dá como pertencido. Um pertencido que entra no estado contínuo de pertencimento, de tal modo que o sofrimento, ou qualquer outra situação, não exclui o fazer parte e não há qualquer necessidade de outra demonstração para reafirmar isso. Também não há questionamentos, pois não há o que duvidar ou perguntar, apenas agradecer. Não é um agradecer o sofrimento como se esse não fizesse sofrer, mas agradecer o pertencimento porque este está acima das angústias da alma e da irremediável condição humana.

O sofrer é apenas uma condição, nem sempre causado por aquele que sofre, nem sempre passivo de compreensão. Também nem sempre tem porta de saída, e vai ser necessário ir ao seu encontro e passar por dentro dele, sem jamais perguntar pela Graça que liberta, por uma libertação que já aconteceu.

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Natanael Gabriel da Silva
Doutor em Ciências da Religião e atualmente Diretor Adjunto para a Pós graduação e Investigação do Instituto Metropolitano de Angola, Luanda.