Uma palavra de ânimo para gente frustrada com igreja

Olá caro irmão(ã), por muitas razões senti vontade de escrever pra você. Tenho lhe observado e devo reconhecer, talvez seja engano meu, mas tenho sentido você um tanto quanto frio, desanimado e desmotivado com a comunidade de fé. Você não participa e não se interessa mais como antigamente pela igreja do Senhor. Por isso fiquei preocupado.

Eu reconheço plenamente que compromisso, engajamento e motivação para o serviço no Reino de Deus são coisas que brotam e nascem de dentro pra fora e não de fora para dentro. Por isso lhe pergunto: Que coisas estão no seu coração? Será que você se desiludiu com a igreja? Você achou que ela era composta de pessoas perfeitas? No patamar mais alto da espiritualidade? Com a imagem plena de Cristo? Se pensou isso, devo admitir que agiu com certa inocência. Neste mundo decadente, isso é uma impossibilidade. Todos nós estamos num processo contínuo de construção e o pecado ainda habita em nós. Somos, portanto, peregrinos, caminheiros, e como diz Romanos 8.29, nosso alvo é ser como a imagem do Filho de Deus, Jesus Cristo. Enquanto não chegamos lá, continuamos caminhando. E a Palavra de Deus ensina que precisamos fazer isso juntos. Veja que diz Hebreus 10.24 e 25: “pensemos em como nos estimular uns aos outros ao amor e às boas obras, não abandonemos a prática de nos reunir, como é costume de alguns, mas pelo contrário, animemo-nos uns aos outros, quanto mais vedes que o Dia se aproxima”.

Pergunto: como você vai vivenciar isso sem estar comprometido com a comunidade de fé? Será que é correto essa sua indiferença? Por que essa passividade? Você acredita que leva Deus a sério sem se importar verdadeiramente com as pessoas que o próprio Deus colocou perto de você pra lhe ensinar sobre o amor, a paciência, o respeito, o cuidado e a misericórdia? Admita, você precisa mudar seus valores.

Sabe irmão(ã), quero sinceramente lhe ajudar. Por isso o aconselho: Seja obediente a Palavra de Deus. Não tome atitudes baseadas em sentimentos e emoções, ou mesmo em falsas expectativas sobre outrem; haja, sim, baseado e impulsionado pela fé. Já disse e repito: seja obediente a Palavra de Deus, e entenda que o caminho da obediência é um longo caminho sempre na mesma direção, na direção do centro da vontade de Deus. Não importa o que aconteça, não importa as circunstâncias, não importa se o mundo é cheio de maldade. O importante é você se manter focado no alvo – ser como Cristo. Se Cristo se importa com pessoas, o melhor que temos a fazer é nos importar também. E mais ainda: cuidar, solidarizarmo-nos, socorrer quando preciso, orar sempre, enfim, amar as pessoas. Você não concorda que a igreja é uma comunidade excelente para praticar essas coisas?!

Caro irmão(ã): ame sua igreja, comprometa-se, envolva-se, importe-se, participe com alegria daquilo que Deus está fazendo nela, por ela e através dela. Abandone esse espírito de julgamento e orgulho. Abra mão de qualquer postura individualista, pois é no mínimo anticristã. Caminhe mais de perto com seus irmãos, conheça-os pelo nome, conheça suas histórias de vida, seus sonhos, suas tristezas. A igreja, meu caro, é criação de Deus, foi comprada com preço de sangue. Na vida em igreja, apesar dos sofrimentos, há muita alegria, alegria de fazer parte de uma comunidade formada pelo poder do evangelho. Pense nisso com carinho!

O ÁPICE DO AMOR

O que você considera ser a maior prova de amor de alguém? Talvez esta resposta esteja cativa em gostos bem pessoais. Alguns gostam de ser tocados e acham que a maior prova de amor é ser tocado. Outros gostam de ter a companhia da pessoa amada e entendem que a maior prova de amor seja compartilhar de momentos juntos. E ainda tem pessoas que se sentem amada com palavras de afirmação, elogios e etc.

Seja qual for a sua resposta, uma coisa é certa para todas as pessoas, a maior prova de amor que alguém pode dar é quando entrega sua vida para a outra pessoa. Você já experimentou isto? Alguém que te ama tanto dar a sua vida completamente para você? Deu a vida se oferecendo para estar com você aonde você fosse, de lhe dizer sinceramente o que acha das suas atitudes, que te ajuda nos problemas, te ouve quando você quer desabafar…

Muito provavelmente tivemos algumas pessoas que fizeram algumas destas coisas em alguns momentos da nossa vida com alguns de nós. Mas jamais tivemos alguém apenas 100% ser humano que tenha feito isso com nós durante toda uma vida, o tempo todo com todos nós. Como seria se tivéssemos alguém assim? Como nos sentiríamos diante dos problemas que certamente virão? Como agiríamos com as pessoas que não gostam de nós? Com certeza esta seria a maior prova de amor que alguém nos daria.

Mas como saber se alguém realmente nos ama? Como seria possível termos esta certeza? Pois para uma prova de amor é necessário que pelo menos acredite neste amor que será por nós provado. Esta é outra pergunta que talvez possa ser respondida da mesma forma como a primeira pergunta que foi feita neste texto. Se alguém der a sua vida por nós isto seria uma prova que a pessoa realmente nos ama.

E quando esta entrega de vida é literal, ou seja, quando esta pessoa realmente morre para que tenhamos vida? Já ficamos sabendo de casos de pessoas que doaram um dos rins para outra que precisa daquele rim, pois poderia morrer se não o tivesse. Mas quem doou sabia que não iria morrer apesar do risco e de ter uma vida diferente sem um dos rins. Existem casos também de pessoas que se cadastram como doadores de todo os órgãos, mas somente quando esta pessoa morrer. Mas dificilmente ouvimos sobre algum caso que alguém se entregou para a morte para que a outra pessoa vivesse.

E quando falamos de Deus, creio que muitos de nós também gostaríamos de crer em um Deus que temos a certeza absoluta que nos ama. Mais do que um deus que nos dá coisas quando precisamos, mas de um Deus que está junto de nós quando estamos com dificuldade em algum relacionamento e quando estamos tristes.

Desconfie de um deus que não te ama. Mas busque um Deus em quem você possa ter certeza que Ele existe e que te ama ao ponto de dar a vida dele por você. Um Deus que se entrega para morrer por você sem deixar de ser Deus e vivo, é um Deus que vale a pena se entregar, pois este é um Deus que atingiu o ápice do amor.

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

Igreja: uma comunidade para amar e servir

Desde que me tornei pastor, a temática igreja nunca mais saiu da minha cabeça, durmo e acordo pensando nisso. E realmente tenho que admitir, esse tema é paradoxal. É paradoxal porque é um projeto de DEUS, nascido no coração de DEUS, motivado e impulsionado por sua graça, mas é realizado por pessoas, e onde há pessoas, como dizia o garoto Lucas da família Silva e Silva – um seriado que passava na cultura – “tudo pode acontecer”.

Desde que me conheço por gente, estou no ambiente da igreja. E confesso que já vi de tudo, ou melhor, quase tudo. Já vi pastor evitar briga numa assembleia, lembro-me como se fosse hoje, se o pastor não tivesse agido rápido, “a coisa iria ficar feia”; já vi irmão querer se auto-excluir da igreja porque era necessário fazer uma reforma no batistério. Já vi pessoas serem massacradas, pisadas e ridicularizadas dentro da igreja, tudo isso em nome de DEUS e da moral. Já vi pessoas que foram embora da igreja e nunca mais voltaram; já vi gente que foi embora, falou mal, criticou, indignou-se injustamente e depois voltou quietinho, arrependido. Já vi pessoas saírem da igreja porque se consideravam mais santas ou mais espirituais ou mais sábias do que as outras, sua santidade era tamanha que não podiam ficar com “pobres pecadores”. Vi, também, líderes virarem ateus. Convivi com jovens que cresceram na igreja, aprenderam do CAMINHO, mas o “mundão velho sem porteira” falou mais alto, foi para eles mais atrativo. Vi pessoas orgulhosas, presunçosas e arrogantes beijarem a lona. Enfim, vi muitas coisas tristes e lamentáveis na igreja.

De certa forma, aprendi que ser crente, em muitos casos, não é sinônimo de ser maduro ou bondoso, infelizmente.

Apesar dessas tristezas, aprendi a amar a igreja e vou dizer o por quê: foi por causa da ação de DEUS através da igreja que minha família há três gerações aprendeu e decidiu acolher o evangelho, foi por meio do trabalho da igreja que eu conheci a salvação que há em Cristo Jesus, foi por causa da igreja que decidi estudar música, foi na igreja que aprendi a gostar da área de educação, e isso influenciou minha decisão em ser professor; foi na igreja que recebi o chamado para ser pastor e essa ‘chama’ arde até hoje; foi na igreja que conheci minha esposa e isso foi benção pura de DEUS em minha vida, e foi na companhia da igreja que vi meus filhos chegarem ao mundo e caminhando junto dela que tenho aprendido a ser pai; foi no ambiente da igreja que minhas maiores amizades brotaram; foi na igreja que venci minha timidez exacerbada; foi através dos ensinamentos recebidos na igreja que minha família aprendeu a amar a Bíblia e eu fui junto nessa onda; foi na igreja que peguei gosto profundo pela teologia; foi na igreja que vi jovens saírem do mundo das drogas e por meio da fé em Cristo se tornarem grandes homens de DEUS; foi na igreja que vi famílias se reerguerem das cinzas por causa da graça divina e do apoio dos irmãos, vi casamentos serem reconstruídos,  relacionamentos refeitos e vidas reinventadas. Foi na igreja que aprendi que só se serve a DEUS servindo as pessoas. Assim tomei a decisão de gastar a minha vida servindo a esse povo de DEUS, para isso estudo e me preparo e me entrego ao SENHOR a cada dia.

Realmente a igreja é algo paradoxal e complexo. Mas a PALAVRA me ensina que ela é coisa de DEUS, foi comprada por alto preço (Atos 20.28), e é de fato, uma comunidade para amar e servir. Há problemas nela? Sim, sem dúvida. Há caminhos que precisam ser mudados? Sim, com certeza. Todavia, faço sempre questão de lembrar ao meu coração que DEUS escolheu as pessoas para fazer a sua obra e propagarem o seu Reino, a fim de que a glória seja toda dEle. Soli Deo Gloria.

Assim, afirmo: Eu acredito na igreja, amo-a e luto por ela. É assim que vou viver a minha vida, e por esta estrada que eu vou trilhar hoje e sempre. Convido você a fazer o mesmo. Amém.

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

AMOR INACABADO

A tarefa de amar não tem fim. É uma tarefa inacabada. Por isso não podemos tirar férias do amor, pois ele não tem fim. O amor não tira férias e, portanto, nós também não podemos descansar na missão que o amor nos dá durante toda a nossa vida.

Por muitas vezes nos acomodamos em nossos relacionamentos por achar que não tem mais nenhum compromisso com o amor. Tem pais que deixam de investir amor nos filhos por acharem que tudo que tinham dar a eles já foi dado ou está tudo encaminhado. Acham que só dar um bom estudo em uma escola aonde terceirizam a educação dos filhos é suficiente. Não percebem que os bons exemplos, palavras de afeto, carinho em um abraço e beijo, falar das experiências que já passou é uma ótima educação para os filhos também.

Existem irmãos e irmãs que acham que só de não brigarem já estão amando e não tem mais nada a fazerem sobre o amor de um pelo o outro. Quando crescem acham que só de se verem em aniversários, casamentos e datas festivas já estão cumprindo com o dever do amor. Mas quantos deles são amigos e amigas de verdade? Que podem ser confidentes um do outro para que mutuamente possam se ajudar? O amor é algo que se constroem durante toda uma vida.

Um relacionamento de amor não se define ou se concluem em algumas ações, palavras, sentimentos e pensamentos. É necessária uma dedicação total e entrega de uma vida inteira ao outro. É claro que não conseguiremos fazer isto o tempo todo com todos os que nos cercam. Mas viver para alcançar este nível de amor faz com que nos empenhemos em amar com uma força e relevância maior. Nos ajuda estar atentos e menos distraídos na tarefa de amar.

Como nós amamos a nós mesmos assim devemos amar as pessoas. Alguém em sã consciência não deixa de se amar. Todo o dia se cuida na higiene pessoal, na busca pelo prazer, alegria e satisfação, em sair de situações de problemas e sofrimentos e etc. Quando percebemos como nos dedicamos a nós mesmos em amor, podemos ter uma noção de como deveríamos nos dedicar em amor ao outro. Este conselho de amar aos outros baseados no amor que temos por nós mesmos pode ser um bom caminho para o desafio inacabado do amor.

Como somos seres inacabados assim também é o amor. Estamos em processo contínuo como seres humanos em fase de acabamento. Cada situação, cada relacionamento nos molda um pouco mais para a vida. Aprendemos a viver com a vida. Ela é a nossa maior professora na arte de viver. Se aprende a viver com a vida.

Assim é o amor, um professor que nos ensina a amar. Só aprendemos a amar com o amor. Amando é que podemos crescer em amor. Dedicando-nos em amor ao outro é que criaremos uma relação profunda, honesta e relevante de amor com aqueles que amamos e que nos amam. Só conseguiremos nos entregar de corpo e alma uns aos outros se nos entregarmos ao amor, pois o amor ainda não acabou. Enquanto houver amor, existe uma chance de amar, pois é uma tarefa sempre inacabada.

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

O AMOR COMO CAMINHO

Para falar, tendo como tema o amor, o amor que não se condiciona, inesperado em si, eu me volto para a primeira carta do apóstolo Paulo aos Coríntios, no capítulo 13. Um texto que, de certa forma, dispensaria qualquer apresentação mais longa (talvez até mesmo a sua leitura), pois com toda a certeza, assim como eu (mas não mais do que eu), você já ouviu este texto, aqui ou ali, falado ou cantado, talvez alguns (ou muitas) vezes. Um texto que só de lido ou ouvido já suscita em nós algum tipo de sentimento, como algo que mexe em alguma coisa lá dentro, aqui dentro.

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine” – 1 Coríntios 13.01

Por muitos, aqui e acolá (dentro e fora da igreja), chamado de “hino ao amor”, ou poesia do amor, ou cântico ao amor, I Cor 13 se transformou, para além de um texto bíblico em si, em um clássico literário, humano e poético; que se transportou da carta do apóstolo Paulo e de Coríntios (a cidade), e de todo o contexto religioso (judeus e gentios), eclesiástico (de igreja) ou mesmo de espiritualidade, para um lugar comum, ou mais, para um desejo comum, humano, o amor. Um desejo especialmente e essencialmente humano, pois sem amor nós (você e eu, aqui dentro ou lá fora, igreja ou mundo) nada somos (verso 02). Deixamos de ser.

E é aqui, exatamente neste ponto, naquilo que deveria ser conclusão e não o início, que começo a refletir com vocês neste texto, dizendo: sem amor eu não sou (é o verso 02).

“E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria”1 Coríntios 13.02

Assim como todo o esforço de comunicação, nesta língua humana, a nossa, comum, de gente de verdade, da escola, do trabalho, de casa, do cotidiano, ou numa língua angelical (ah se eu falasse a língua dos anjos), algo pertencente apenas aos mais espirituais e aprofundados nas coisas da religião (e este é o verso 01) – assim como tudo isso -, se for feito sem amor, é apenas barulho ressonado de metais frios e sem vida (Paulo diz o bronze e o sino); assim também a mensagem transmitida (verso 02, e é preciso lembrar que Paulo está falando aos cristãos de Corinto e não para casais apaixonados) em gnoses ou em alta sabedoria para um grupo de “eleitos” ou “escolhidos” (a igreja e os crente), se isso for feito sem amor, mesmo que exista muito de mim, eu continuo não sendo, você também não, por mais cheios de profecia, mistério, ciência e fé que tenhamos – e não empurra isso para o jeito evangélico dos outros não, dizendo isso é coisa para os pentecostais ou neopentecostais. Se não houver amor, a nossa profecia (o kerigma, a mensagem), o nosso mistério (o evangelho com suas coisas mágicas, seus milagres e muito do inefável), a nossa ciência (o conhecimento que temos de Deus e da existência), e mesmo a nossa fé, mesmo grande, a ponto de transportar montanhas (fé de mostarda, Mateus 17:20), são nada. Pois sem amor, eu nada sou.

Mesmo assim ainda há como se esforçar mais (verso 03), esforço que se mostra também na linguagem poética de Paulo, um esforço em exagero que mostra o inatingível para falar que mesmo que fosse possível, ainda será insuficiente.

“E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria”1 Coríntios 13.03

E mesmo assim, mesmo com todo o esforço, continuar-se-á encontrando o vazio daquilo que leva à inexistência. Pois sem amor, mesmo os mais belos e justos atos, mesmo os de mais profunda caridade, com as mais belas intenções, justas e nobres, não haverá nenhum valor no que é feito, nenhum proveito, como diz o texto.

Paulo, e é isso que é importante, sabe que tudo aquilo que é feito sem amor tem um fim em si mesmo, se condiciona a algo. E amor não é assim. Daí, por mais incrível que pareça, para Paulo ou para nós mesmos, para mim, para você, seus leitores, é possível ouvir uma linguagem humana ou mesmo angelical (verso 01) provida de um discurso sagrado (profético, misterioso, gnóstico, de fé – verso 02) que conduza a uma prática humanitária, social, cristã (dar os bens para sustento dos pobres) e sacrificial (o corpo para as chamas – verso 03), sem que exista um pingo de amor. E hoje, por mais incrível que ainda pareça, há uma mensagem de amor, o evangelho de Jesus, que parece – repito: parece – nos ensina a odiar, ou, tão ruim ou pior, uma mensagem de amor que leva à indiferença, o sentimento contrário ao amor.

Todavia, e aqui eu começo a terminar, e termino voltando ao começo, antes do começo até, I Co 12:31, Paulo diz: “[…] procurai com zelo os melhores dons [a melhor forma de servir a partir do sistemático e complexo mundo da religião]; e eu vos mostrarei um caminho mais excelente” (I Co 12:31), o amor. O amor não é um dom, não é dado, oferecido, presenteado. O amor é um caminho. Feito por escolha e não por imposição. Caminha por ele quem quiser. Você não é obrigado a amar. Ama se desejar. É convidado. Jesus nos chama a caminhar por ele, o amor. Ele o torna mandamento de amizade: “Este é o meu mandamento: amem-se uns aos outros” (João 15:17). João diz que “Deus é amor” (I João 4). Nele, no amor, encontramos a vida, o conhecimento de Deus, a pertença a Ele, a permanência de nós nEle e dEle em nós. João diz:

“No amor não há medo; pelo contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor. Nós amamos porque ele nos amou primeiro”1 João 4.18-19

O amor é caminho, que surge como opção de existência cristã e humana, e que se mostra para a vida comum, do cotidiano, das possibilidades e oportunidades. É o caminho no qual Deus caminhou para nos encontrar, e nos encontrando em Cristo Jesus pelo cominho do amor, nos faz o convite, caminhem por aqui também. Pois este é um caminho sempre mais excelente. Um caminho que supera qualquer dom, qualquer palavra, qualquer discurso, qualquer crença, qualquer dogma, qualquer ato, qualquer gesto. Porque o amor nos leva à existência ou nos devolve para ela. Nele, no amor, eu sou. Você é. Nós somos.

Pois o amor, um desejo humano, um caminho divino oferecido para caminharmos e sermos, é aquilo que nos completa, que nos faz ser o melhor de nós, que mostra em nós e a partir de nós, pessoas humanas e cristãs, o que há de mais belo em ser humano e em ser cristão. O amor nos faz ser, pois…

“o amor é paciente (a partir do verso 04), o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca acaba; […] – 1 Coríntios 13.04-08

Tudo o que vem depois, na vida, acaba (siga os versos 08ss). Tudo o que veio antes, na vida, acaba. Tudo o que acontece durante, na vida, acaba. Mas o amor não. Ele permanece. E permanece especialmente e essencialmente humano, como desejo. E assim se faz como um convite a todos nós, como cristãos e como pessoas humanas, para um caminho ainda mais excelente, não só aqui e não só agora, mas como caminho de vida. Então, sigamos por ele, pois é o amor que nos reconecta uns com os outros, é o amor que nos reconecta com Deus. Assim seja.

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Clademilson Paulino
casado, apaixonado por fotografia, literatura e cinema, é Bacharel em Teologia pela Faculdade Teológica Batista de Campinas (FTBC), curso convalidado pela Faculdade de Teologia da Igreja Metodista (FATEO). É também Mestre e Doutor em Ciências da Religião pelo curso de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Faculdade de Humanidades e Direito da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).