Família nunca perde esta mania

“Meu filho, se os pecadores quiserem te corromper, não permitas”. (Provérbios 1.10)

Esta frase do título expressa o tema da IBBG 2016 no mês de Maio, que é justamente o mês da família na agenda batista. Ela foi extraída de uma música do grupo Titãs que faz na música uma brincadeira bastante pertinente e divertida sobre o cotidiano em família.

Falar e pensar sobre família é sempre algo sério e desafiador. Mas o fato de ser sério não significa que não possa ser divertido e contextualizado. Por muito tempo em muitas igrejas o tema família sempre foi tratado de forma moralizante e legalista, os componentes das famílias, especialmente a família do pastor, tinham uma pressão
gigantesca e desumana para ser o “exemplo” para comunidade. Se hoje existem tantos filhos de pastores fora da igreja e tantos filhos de membros das igrejas fora da igreja, por decepção, desencanto e desesperança na instituição, é sinal que este modelo fracassou e deve ser substituído por outro mais inteligente e coerente com as Escrituras Sagradas sendo sempre interpretadas à luz da Palavra
Encarnada que é o próprio Cristo.

Lendo um livro de um pastor que enfrentou a síndrome de burnout que é uma mistura de estafa, com stress, angústia, pânico, irritabilidade, dificuldade de concentração, insônia, desestímulo e decepção com tudo e todos encontrei uma pesquisa feita por
H.B.London Junior que pesquisando sobre pastores em situação de risco descobriu:

(i)
80% consideram que o ministério pastoral afeta a família;

(ii)
33% dizem que estar no ministério é claramente um risco para suas famílias;

(iii)
75% relatam que já tiveram pelo menos uma vez alguma crise importante relacionada a estresse;

(iv)
25% das esposas de pastor veem a agenda de trabalho do marido como uma fonte de conflito;

(v)
80% dos pastores dizem que não passam tempo suficiente com a esposa;

(vi)
70% não têm alguém que considerem
amigo próximo;

(vii)
Entre todas as profissões, o clero (pastores e bispos) tem a segunda taxa mais alta de divórcio. (Fonte: Andando com o tanque
vazio? Wayne Cordeiro, Editora: Vida)

Números preocupantes, estes. Numa conferência de liderança para pastores, quando perguntados sobre seu maior temor, várias lágrimas começaram a cair e uma resposta chamou a
atenção: “Simplesmente não quero que meus filhos cresçam odiando a Deus por minha causa”.  Esta resposta brota certamente de um coração angustiado e até não compreendido dentro de sua igreja, ou mesmo de uma mente que ainda não entendeu que o trabalho na/para igreja não precisa ser em detrimento da família. Atentando para estes dados, e estas informações, podemos questionar: será que as igrejas têm sido sábias em sua postura diante das famílias dos pastores e também das famílias dos membros?!Será que as igrejas têm de fato edificado as famílias? Será que as igrejas são ambientes emocionalmente saudáveis para crescer e se desenvolver? Será que os pastores que fracassam com suas famílias são os únicos culpados nesta história ou será que o modelo/sistema institucional das igrejas tem profundas falhas?! Será que temos aprendido aquilo que é de fato importante?! Será que para buscar a santidade familiar tem
que ser pela via farisaica da acusação, julgamento e condenação?! Ou será que existe outra opção? Por que tantas pessoas, pastores ou não, estão tão desiludidos com a igreja?!

Não estamos aqui para condenar a igreja, ainda mais num tempo em que muita gente gosta de bater nela. Queremos apenas refletir sobre questões que precisam ser discutidas, pensadas e
nos levem para quebra de paradigmas necessários. É óbvio ululante que nem todas as pessoas que saem das igrejas e nem todos que se frustram nas igrejas, saem por falhas das mesmas. Claro que não. Existem pessoas que saem porque querem viver como bem entendem, aquilo que a Bíblia chama de “amar o mundo”. Saem
porque não gostam de se relacionar em profundidade com os outros, saem porque tem o coração duro. E há aqueles que se frustram porque são melindrosos. Porém devemos considerar que existem sim inúmeras pessoas que saem e se frustram porque
são machucadas dentro da igreja onde deveriam ser amadas e cuidadas, são muitas vezes deixadas de lado, ignoradas, etc.

Este quadro que foi pintado até agora, demonstra que muitas famílias passam e passaram por experiências amargas dentro das igrejas e queremos enfrentar com coragem e graça todo tipo de postura que possa acontecer dentro das igrejas que ferem o
Evangelho santo de Jesus ao machucar as pessoas. Queremos construir com ajuda de todos e orientação da Palavra de Deus uma comunidade onde as famílias sejam edificadas, tratadas e curadas quando necessário, sem julgamentos. Não queremos
que pessoas desistam de sua vocação porque a igreja escolhe o caminho da dureza de coração. Queremos uma igreja que nos ensine a olhar para nossas famílias sem romantismos e nem idealizações. Afinal, quanto maior a idealização, maior o tombo também. Queremos aprender a olhar para nossas famílias com os dois pés
bem no chão, ver nossos problemas, ver nossas falhas, ver nossos pecados, ver os perigos que nos rondam, ver nossas alegrias, ver nossas vitórias, ver nossas boas manias. Só assim, com muito realismo, regado pela graça divina, que poderemos construir e manter um ambiente espiritual e emocionalmente saudável em nossa comunidade para cada família que já está aqui e as que chegarão.

Pensando nos desafios de servir e honrar a Jesus através de nossas famílias, sem moralismos, sem cobranças exageradas, buscando uma santidade que venha de dentro pra fora pelo Espírito, e não de imposições externas e tradicionalismos mórbidos e cansativos, é que vamos em todo mês de Maio pensar sobre família com seriedade
descontraída e com a leveza de quem se permite ser levado e guiado através da vida pelo Mestre Jesus.

Nós cremos no potencial das famílias, nós cremos na capacidade da igreja de Jesus quando esta é obediente a Palavra. E repudiamos as práticas, costumes e cultura que não encontram respaldo nas Escrituras. Que nossas famílias nunca percam a mania de ser
família alegre, saudável, festiva, corajosa, humilde, trabalhadora e servidora.
E que as igrejas nunca percam a mania de ser a cada dia comunidade de aprendizado, de perdão, de comunicação e vivência do Evangelho inteiro, de cura das feridas mais profundas da alma, que sejam espaço de construir amizades pra vida inteira e praticar espiritualidade sadia e benevolente.

Pelas compaixões de Deus cuidemos de nossas famílias com amor fraternal e zelo regado a conhecimento gracioso e profundo do Cristo. Cuidemos de nossas igrejas para que elas tenham condições de cuidar das famílias. Amém!

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

Perfil de um morador de rua

O trabalho de recuperação de um morador de rua não é uma tarefa fácil e nem simples. A recuperação da comunhão divina com a humanidade é a mesma para qualquer pessoa. Isso se aplica também a um morador de rua, que é um ser humano. Mas para um morador de rua se recuperar de todo o vício da vida na rua é uma tarefa em que ele tem que estar disposto a ser trabalhado, para que ele
tenha forças o suficiente para se recuperar do fundo do poço. Se ele não estiver disposto a isso, a recuperação deste vício da rua é praticamente impossível.

Os resultados de recuperação de homens de rua é baixo, pois a situação é muito complexa e desgastante para ambas as partes (assistente e assistido). Essas pessoas tem o vício químico da bebida alcoólica, das drogas e remédios que os prendem e os fazem querer mais destas substâncias que os deixam sem consciência, fazendo com que sejam capazes de fazer de tudo para obter o que os
seus corpos “gritam” para ter. E muitas vezes ainda é pior o vício de viver nas ruas que lhes tira todo senso de compromisso, responsabilidade e disciplina que são características essenciais para a vida de qualquer pessoa em todos os âmbitos, sejam eles espirituais, físicos, sociais, emocionais, psicológicos e
etc.

Grande parte dessas pessoas em situação de rua tiveram uma vida social normal como de qualquer outro cidadão, com suas dificuldades e alegrias. Mas com uma vida familiar, em sua maioria, sem nenhuma base de amor, compreensão, paz, paciência
e dedicação. Famílias desestruturadas geralmente formam pessoas desestruturadas (com raras exceções). As mágoas e a falta de perdão permeiam a vida de um morador de rua de tal forma, que mesmo passando-se anos ou décadas, estas marcas continuam fortes e quase inseparáveis deles.

O vício psicológico que a rua traz também é muito potente para fazer com que eles permaneçam nas ruas e por mais que queiram sair das ruas, não conseguem. Eles se acostumaram a viver sem responsabilidades, pois não tem emprego fixo e não devem satisfação a nenhum patrão. Não tem família para sustentar e, portanto tanto faz se conseguirem comida ou não para eles. Se não conseguirem comida, cachaça eles conseguem de graça em qualquer bar e com isso tentam “esquecer” da fome e das tristezas (inerentes) da vida. Para com o governo também não tem responsabilidades, pois vivem sem moradia, sem emprego, sem documentos e etc.

Enfim, para alguém estar disposto a ajudar estas pessoas a saírem desta condição, tem que ser participante das suas dores (mais constantes no início) e alegrias (menos constantes no início) junto deles para que haja uma recuperação plena e permanente. Isto tem que ser feito de maneira independente da quantidade de recuperados e ao prazo de recuperação, pois cada pessoa é diferente da outra e o voluntário não pode depender disto como base para decidir se continua ou não neste trabalho.

Este é o perfil normalmente visto destas pessoas nas grandes cidades do Brasil que tanto sofrem consigo mesmas.

O quanto você está disposto a participar da recuperação de alguém assim? A sua resposta pode definir o futuro de muito deles.

Mateus Feliciano on sabyoutubeMateus Feliciano on sabtwitterMateus Feliciano on sabmyspaceMateus Feliciano on sablinkedinMateus Feliciano on sabinstagramMateus Feliciano on sabgoogleMateus Feliciano on sabfacebookMateus Feliciano on sabemail
Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

Normalmente diferentes e diferentemente normais

Quem é diferente e quem é normal? Esta pergunta deve passar pela cabeça de muita gente. Muitos se perguntam: – Eu sou normal ou sou
diferente?

Normalmente quando se encontra com alguém que (aparentemente) é diferente de nós, chega-se a conclusão que somos normais e o outro é diferente. Muitas vezes consideramos o outro diferente sem compara-lo às outras pessoas, mas simplesmente por comparar esta pessoa com a gente mesmo.

É muito comum esta análise ser feita com superficialidade, pois geralmente não se conhece a pessoa a fundo e tira-se conclusões precipitadas baseadas na aparência ou no “jeito” da pessoa.

Mas afinal, quem define o que é normal e o que é diferente? Normal em relação a quê? E diferente em relação a quem?

Todo ser humano é diferente um do outro. Cada ser humano é único. Uma pessoa tem sua impressão digital e mais ninguém durante toda a história da humanidade terá igual.

No final das contas somos todos diferentes um dos outros. Podemos nos vestir parecidos, termos ideias e filosofias de vidas semelhantes, termos temperamentos equivalentes e etc, mas nunca seremos exatamente iguais uns aos outros. Nem irmãos e irmãs gêmeos os são.

Quando analisamos pessoas que são diferentes de nós por causa de um piercing, tatuagem, cabelo, terno e gravata, maquiagem e etc é preciso tomar cuidado para não julgarmos o caráter e quem de fato a pessoa é. A aparência de alguém pode dizer muito sobre a pessoa, mas não a define como um ser. Ser alguém é muito mais que seu visual, pois existe uma mentalidade, sentimentos e características
que muitas vezes nem nós mesmos nos conhecemos rofundamente.

As vezes o comportamento “esquisito” de alguém, o jeito de falar e outras coisas deste tipo faz com que nos afastemos das pessoas por considerar a pessoa “diferente” e concluir que a pessoa não é “normal” como você. Perdemos oportunidades incríveis de conhecer pessoas que poderiam muito bem fazer parte do nosso ciclo de amizade por fazer julgamentos precipitados e preconceituosos em relação ao outro.

Claro que devemos nos preocupar com nossa segurança, com más influências, com pessoas vazias que não acrescentam muito, mas nunca descarta-las. Gente não é descartável. Gente é o bem mais precioso neste mundo físico. Não deixemos nos levar por definições rasas para concluir quem é diferente e quem é normal para
conviver comigo, pois no final todos somos NORMALMENTE DIFERENTES E DIFERENTEMENTE NORMAIS.

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

A esperança é a última que morre

A raça humana tem evoluído e crescido muito no conhecimento físico sobre os seres humanos, sobre a criação em geral e sobre o universo e planeta Terra. Tem procurado se desenvolver em todas as áreas que julgam ser importante para a sobrevivência e bem estar dos humanos.

Grandes cientistas e médicos desenvolvem novas fórmulas para as curas das doenças que ameaçam a vida e de desvendar os mistérios do funcionamento dos homens e animais. Biólogos e ambientalistas estudam e proporcionam conhecimento e formas para a preservação do planeta e do universo.

Enfim, toda a raça tem dado muita importância ao presente físico de tudo o que conhecem como realidade. O ser humano tem confiado muito em sua capacidade e dado cada dia mais valor em si mesmo. Atualmente o ser humano é o centro do universo.

Deus ficou de lado. Não tem mais o valor que já teve no passado. Por imposição ou não da igreja, o mundo falava em Deus e respeitava Deus e/ou as pessoas que diziam falar em nome dEle. Mas Deus foi substituído pela confiança no ser humano.

A “morte de Deus”, tratada por Friedrich Nietzsche, não fez com que o ser humano durante sua jornada ignorasse a realidade espiritual. Vivemos em uma época onde a espiritualidade está em “alta” sim e que há uma convivência relativamente harmoniosa entre as diferentes crenças que tratam da vida espiritual.

Esta “morte de Deus” fez com que Deus saísse do centro da espiritualidade e fosse substituído pelo próprio ser humano. Na cultura atual da maior parte da sociedade mundial, o ser humano é o centro do mundo e consequentemente o centro da espiritualidade. Não importa mais o que Deus e seus “profetas” dizem ser e como queiram que o ser humano guie sua vida, mas sim o que o próprio homem “acha” que deve ser feito quanto a sua espiritualidade.

Com o homem no centro da espiritualidade e com o afastamento de Deus, a esperança de uma vida após a morte ficou quase esquecida e muito deturpada. O ser humano não tem mais esperança nesta vida terrena e muito menos na vida “no além”. Tudo gira em torno do “aqui e agora”.

Talvez por isso vemos tantas mortes, violência, falta de amor uns pelos outros e um egocentrismo doentio que tem feito com que o ser humano vivesse como animais em luta de suas próprias necessidades de sobrevivência.

A fonte da verdadeira esperança para esta vida terrena e eterna foi posta de lado e com isso o ser humano está perdido em seus falsos conceitos sobre vida espiritual, mas achando que está com a solução em mãos.

Mas quando as dificuldades que chegam para todos, “bate a porta”, o ser humano reconhece sua impotência e percebe que não tem o controle das coisas. Deus se revela como Senhor através da várias situações para que o ser humano reconheça-o como Deus.

Se o ser humano se entregar a ação do Espírito Santo, então Deus começa uma transformação como faz com todo Cristão. Mas se o ser humano optar por recusá-lo, ele continuará vivendo perdido e cego em seus próprios caminhos que não o levarão para a vida eterna com Deus.

Precisamos o quanto antes obedecer e estarmos em comunhão com Deus para que tenhamos uma vida com esperança plena e segura
aqui na terra e com uma esperança futura garantida com Deus, e que não terá nenhum outro lugar melhor para se estar do que no céu com Jesus.

Se formos pelo o amor e obediência à Deus, iremos ser usados na obra redentora de Deus para o ser humano. Mas que se recusarmos a Deus, a vida será mais difícil sem uma esperança plena em Deus e o futuro incerto e obscuro. Mas que mesmo através da dor, Deus nos dá outra chance de termos comunhão com Ele e desfrutarmos da esperança que só Ele pode nos dar.

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

Igreja: Uma responsabilidade social

“Todos
os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas
propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém
tinha necessidade.” – Atos 2.44-45

 A responsabilidade social da Igreja está no “DNA” desde sua formação. Neste trecho em Atos, está-se iniciando a Igreja de Cristo após a morte, ressurreição e a vinda do Espírito Santo sobre os que creêm. Neste início de encontro e ajustes iniciais desta comunidade primitiva Cristã, tem um ponto muito forte que nasce juntamente com a Igreja, a responsabilidade social. A preocupação por uma
igualdade social, pela vida digna do cidadão e da comunidade, fez com que a igreja começasse a sua caminhada trabalhando para o bem comum.

Uma comunidade que tinha como prioridade o anúncio da salvação e da vinda de Jesus como o Messias a todo o povo e que após o cumprimento desta primeira etapa, já partia para o próximo
passo que era o suprimento das necessidades básicas do povo.

“A vocação original da Igreja ou Eclésia, que se constitui na ‘Assembléia de
pessoas chamadas para fora’, é o chamado de servir ao mundo em nome de Deus.”
¹

Com o passar dos anos e com o crescimento do evangelho e consequentemente da Igreja, algumas necessidades foram surgindo e tomando o lugar muitas vezes das necessidades básicas como Jesus cita em Mt 6.31,33: “Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? buscai,
pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos
serão acrescentadas.”

Com isso a Igreja foi perdendo seu referencia inicial (Atos 2) e percebendo que deixou para trás muitas ideologias Cristãs ensinadas por Jesus e princípios bíblicos. Talvez no afã de querer
corrigir este esquecimento pelo bem da vida social, as igrejas começaram a dar tanta ênfase na prática social, que dividiu-a da prática espiritual.

A bíblia ensina que o ser humano é inteiro e que a sua vida, em qualquer segmento, deve ser coerente com a teoria e prática. Em Tg 2.17 diz: “… a fé, se não tiver obras, está completamente morta”.

“A práxis Cristã no cotidiano é potencializada por meio das práticas sociais da igreja, focando problemas sociais reais e buscando promover o enfrentamento dos mesmos, com vistas à transformação de uma determinada realidade social.” ²

Entendo que a motivação que Jesus espera que a Igreja, que Ele mesmo constituiu, se interesse pelas necessidades do próximo e aja conforme Deus (e nem sempre como o outro quer) espera que façamos quando percebemos uma real necessidade na vida de alguém ou de um certo grupo. Motivações como: ganhar
mais “almas” para Cristo e “corpos” para a igreja é como se déssemos menos valor às almas e deixássemos com Deus, já que não sabemos como cuidar da alma.

E ficamos com o que realmente nos importa, que são números (corpos) em nossas igrejas ou ainda uma imagem que se passa para outras igrejas e comunidades que a Igreja está fazendo alguma coisa. Às vezes nem importa o quê se está fazendo, mas sim se está fazendo simplesmente.

Percebo que Jesus enxerga o ser humano como um todo e quer salvar e resgatar todo o ser humano com tudo o que ele possui: corpo, alma ou espírito, emoções, pensamentos, vontades,
sonhos, limitações, desejos, necessidades e etc e não somente a sua alma, pois não é somente a alma que sofreu uma condenação e um castigo no Éden, mas o corpo também que agora tem uma “validade” determinada, em consequência do pecado.

A igreja tem responsabilidades muito mais que no acompanhamento e crescimento de seus membros, mas da comunidade ou local aonde ela está inserida. Se entendemos que Deus é quem constitui a Igreja, então temos que perceber que aonde a Igreja está não é fruto do acaso, mas sim de propósitos divinos ali revelados.

A Igreja deve amar as pessoas, sejam elas quem for, mas principalmente quem Deus tem colocado dentro da realidade dela. E este amor deveria ser como o amor que o próprio Deus tem por nós. Deus nos ama muito ao ponto de nos aceitar como somos, mas nos ama ainda mais para não nos deixar do jeito que estamos. A Igreja deve ter este amor. Amar as pessoas de sua comunidade, mas amá-las ainda mais para não deixar as pessoas do jeito que estão. A Igreja deve se interessar e se importar com a realidade do mundo que está ao seu redor, e buscar a sensibilidade do Espírito Santo para saber quando, como e aonde agir para trazer dignidade integral na vida das pessoas.

São Francisco de Assis criticava dois tipos de grupos que ele identifica como pessoas que não estavam cumprindo com a missão de ser Igreja. Os teólogos e os monges. Os teólogos por ficarem isolados das pessoas nos seus estudos e os monges por também ficarem isolados das pessoas nos seus atos de piedade pessoal. Ambos acreditavam que este tipo de vida era ser a Igreja de Deus. Ficavam isolados por anos, distante de todos, sem se interessar pela realidade que está latente no mundo, apenas buscando Deus em si mesmos. Os Cristãos devem ser sal neste mundo. E em uma comida, para o sal fazer efeito ele precisa estar junto, misturado à comida.

Assim também é o Cristão, tem que estar junto e misturado ao mundo. Não nos aspectos dos valores plenos da sociedade, mas agindo à criação de Deus que é por quem Cristo deu sua vida.

Se o Cristão se propõe a amar as pessoas cuidando da suas necessidades, evangelizar e etc, ele cria responsabilidade nisto. Não apenas pelos seus atos e formas de como fazer todas estas coisas, mas principalmente com as pessoas que se tornam participantes de nossa vida.

Não creio que todas as igrejas Cristãs locais tenham que ter trabalhos específicos para todo tipo de pessoas em suas mais diferentes e difíceis realidades. Mas a direção de Deus deve ser buscada por cada um, individualmente e consequentemente por toda a Igreja, como uma família, para entender e praticar as “boas obras” que Deus nos confia para realizar. Esta direção de Deus vai manter o foco da Igreja aonde ela deve agir nos aspectos mais necessários das pessoas com as intenções mais puras e despretensiosamente egoístas.

Não acredito também que a Igreja irá conseguir por ela mesma ou somente ela mesma, resolver todos os problemas e suprir todas as necessidades. Uma, porque as necessidades são quase infinitas quando se trata do ser humano e em reconstituir todo o arraso que o pecado fez nos seres humanos e no mundo. E outra porque a Igreja, ainda que seja uma instituição Divina, tem a parte humana (confiada por Deus) que é falha e limitada. Mas a igreja deve sim apontar a direção para a solução e fazer o máximo para levar as pessoas até está direção, que é o caminho estreito até a cruz de Cristo, que vai sarar e restaurar todos os aspectos humanos que afastam as pessoas de Deus.

A responsabilidade da igreja é social, espiritual e completando, Integral.

Bibliografia

 ¹        CUNHA, Maurício. O Reino Entre Nós. Viçosa; Ultimato, 2003.

²        KAPPAUN, Marciano. A Práxis Social da Igreja. Campinas, 2008.

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