DO JEITINHO QUE SOMOS

No Brasil temos a cultura do político corrupto e desonesto. Muitos brasileiros acreditam que todos eles ou a grande maioria estão mal intencionados em suas motivações de representar o povo e que se aproveitam da posição onde estão para benefício próprio. Não posso discordar do fato que muitos crimes de corrupção foram realmente constatados e que alguns poucos foram condenados por eles. Mas o que faz um político ser desonesto neste país?

Fico pensando como era a vida destes antes de assumirem os cargos que a própria população os deram. Creio que foram (e ainda são) cidadãos como você e eu que andam de carro, compram em padarias, e ganham os seus salários. Até aí tudo bem.

Mas como você e eu agimos quando recebemos uma multa, nos entregam dinheiro a mais no troco da padaria ou vamos fazer nossa declaração de imposto de renda?

Além da cultura do político corrupto que se refere a estas pessoas públicas, temos também a cultura do jeitinho que se refere a muitos brasileiros que agem desonestamente.

Quantas histórias já ouvimos (e já fomos protagonistas) de brasileiros e brasileiras que quando recebem uma multa de
trânsito transferem para algum amigo ou alguém da família que tenha menos pontos, que recebem um dinheiro a mais no troco na padaria e não devolvem, de pessoas que sonegam na declaração de imposto de renda e etc ?

Muitos políticos quanto eleitores do nosso Brasil tem a cultura da desonestidade desde a infância. A diferença é que nas mãos do
povo passam alguns reais e nas mãos dos representantes do povo passam milhares e milhões de reais. Será que se nós estivéssemos nas mesmas posições destes, não agiríamos da mesma forma?

Não adianta reclamarmos deles enquanto nós agimos da mesma forma. Precisamos resgatar esta cultura do jeitinho e prezarmos pela honestidade em nossas vidas. Só assim poderemos melhorar o nosso comportamento e consequentemente o comportamento
daqueles que nos representam em tudo, inclusive na desonestidade. Pois até agora eles nos tem representado muito bem, infelizmente.

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Mateus Feliciano
Seguidor de Jesus Cristo desde 1991; marido da Carol Lourenço desde 2010 e pai da Clara desde 2016; nascido em Santo André-SP desde 1982 e morando em Campinas desde 2003. Formado em administração, teologia e pós graduado em exposição bíblica. Coordenador da Seara Urbana ONG de recuperação de moradores de rua desde 2006; Pastor na IBBG, da REDE (IBBG Jovem) e do HELP (Ação Social); Professor na Faculdade Teológica Betesda nas áreas de teologia, missiologia e eclesiologia; Professor de missões urbanas e discipulado na JOCUM; Membro da FTL-Fraternidade Teológica Latino Americana.

Famílias alicerçadas em Cristo num mundo líquido

Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha. (Mateus 7:24)

 Existe um sociólogo europeu chamado Zygmunt Bauman que pode nos ajudar a entender algumas características de nosso mundo. Ele usa a expressão mundo líquido. Que significa: Tudo está agora sempre a ser permanentemente desmontado, mas sem perspectiva de
nenhuma permanência. Tudo é temporário. É por isso que sugeri a metáfora da “liquidez” para caracterizar o estado da sociedade moderna, que, como os líquidos, se caracteriza por uma incapacidade de manter a forma. Nossas instituições, quadros de referência, estilos de vida, crenças e convicções mudam antes que tenham tempo de se solidificar em costumes, hábitos e verdades “auto-evidentes
”. Ou seja, ele está dizendo que as coisas em nosso mundo não têm consistência, nem durabilidade. São liquidas. Isso é claramente visto por exemplo nos relacionamentos que são, em muitos exemplos,
superficiais e até descartáveis.

Por exemplo: uma pessoa que tem no Facebook 500 amigos. Com todo respeito, mas por mais legal que tal pessoa possa ser, é impossível ter tantos amigos assim. Amigo é coisa rara. Bauman no seu artigo Sexo Virtual afirma: Não há mais necessidade de flertar ou fazer a corte, não é preciso empenhar todas as energias para obter a aprovação do parceiro(a), nem mover mundos e fundos para merecer e conquistar o consentimento do outro; é dispensável insinuar-se aos olhos dela ou dele e esperar um longo tempo, quiçá uma eternidade, para que todos esses esforços deem resultados. Ele continua: A publicidade de um website que vende sexo rápido e seguro (“sexo sem compromisso”), e se vangloria de ter 2,5 milhões de assinantes, diz o seguinte: “Encontre parceiros sexuais de verdade esta noite mesmo. Diz mais: “os produtos ambicionados estão prontos para o consumo instantâneo, imediato; o desejo e sua satisfação fazem parte do mesmo
pacote”.

Essa liquidez das relações, nas diversas instâncias, criam nas pessoas falsas necessidades, e as legítimas necessidades são atendidas superficialmente ou não são atendidas. Por exemplo, suponha que um jovem tenha um relacionamento superficial com Deus, com seus pais, com seus amigos, e com os companheiros de fé; isso há de gerar certos vazios dentro desta pessoa que vai querer preenchê-los de alguma forma, por isso que tantos meninos e meninas se expõe na internet de forma extremamente exagerada, porque no fundo, seu coração está gritando por relacionamentos que o preencham de verdade.

O cristão não pode ser inocente quando analisa o mundo em que vive. Ele precisa, à luz das Escrituras, reconhecer os ídolos que existem na sociedade e deve interpretar criticamente a
cultura em que está inserido. Num tempo tão cheio de complexidades, os pais devem ser dedicados ao extremo para ajudar seus filhos a se livrarem de tantas ciladas. Não podem ser permissivos, mas devem acompanhar os passos dos filhos,
inclusive o que andam fazendo na internet.

Quando um desejo pecaminoso se instala num coração se for tratado a tempo, é semelhante a um tumor que é descoberto no início, ou seja, as chances de cura são enormes, mas se não
houver tratamento no inicio a coisa vai complicando. Outra metáfora para entender isso é comparar uma muda de árvore com uma árvore já crescida e pensar: qual é mais difícil arrancar?! Depois que a raiz cresceu e se instalou no solo em profundidade, é extramente complexo arrancar esta árvore, o mesmo se dá com hábitos pecaminosos.

O desafio é sermos famílias cristoformes, ou seja, que tenham a forma de Cristo, que sejam impulsionadas pelos
sentimentos e atitudes que estão em Cristo, sendo assim, o que marcará nossos relacionamentos familiares será o cuidado e o amor benevolente que espera sempre o melhor para o outro e trabalha incansavelmente para isso.

Se agirmos assim, estaremos, como disse o próprio Jesus, construindo nossa casa sobre a Rocha. E na Rocha está nossa estabilidade, firmeza, segurança, consistência e solidez para
enfrentar e lidar com sabedoria com a liquidez deste mundo mal.

Segundo Jesus, só tem duas possibilidades: ou você está firmado na Rocha, ou está afundando na areia, pois estar na areia significa que aquilo que você fizer, vai acabar, mais cedo ou mais tarde, ruindo, desmoronando, desabando, ou seja, é um tipo de solo que não
lhe dará condições de resistir às duras provas, os problemas, as lutas que terá que enfrentar.

Vamos lutar para sermos famílias relacionais que lutam com afinco para que Jesus seja glorificado em nossos lares em tudo que fizermos?! Que Deus nos ajude a responder sim para esta questão e que assim seja.

Laurencie Salles on sabtwitterLaurencie Salles on sabfacebook
Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.

Banalização da vida na cidade

Qual o valor de uma vida?! Um carro?! Um celular?! Uma bicicleta?! Um tênis?! Uma boa quantia de dinheiro?! Infelizmente em nosso país muitas pessoas foram assassinadas por conta dessas coisas e isso demonstra o quanto a vida se tornado banal nestas terras brasileiras.

A banalização de vida é resultado de vários fatores e tudo começa obviamente pela maldade que está instalada no coração humano, o próprio Jesus disse: “pois é de dentro do coração humano que procedem maus pensamentos, imoralidade sexual, furtos, homicídios, …” (Mc 7.21). Paulo reforça dizendo: “não há um justo sequer. […] Os seus pés se apressam para derramar sangue. Nos seus caminhos há destruição e miséria” (Rm 3.10, 15 e 16).

Apesar, do pecado estar incrustado no coração de todas pessoas, não são todos que saem por aí tirando a vida dos outros. Por que o nosso país e tantos outros da América Latina são campeões nos índices de violência no mundo? Os fatores são muitos: um Estado fraco, a força do tráfico de drogas, a facilidade em adquirir armas, a impunidade, cadeias que não corrigem, mas que punem desumanamente, educação de má qualidade e também a desigualdade social. É claro que existem outros fatores como, por exemplo, a mera ganância e a facilidade que a vida no crime pode levar ao poder e ao sucesso financeiro. Isso não são justificativas para os crimes que acontecem, mas demonstram a complexidade da violência por aqui.

E olha que nem falamos da mentalidade que a sociedade de consumo implanta nas pessoas afirmando o tempo todo que o valor de uma pessoa está naquilo que ela tem e não naquilo que ela é, tudo isso somado ao pecado, a atuação do diabo, a fraqueza de nossas instituições e a desigualdade social e muitos outros fatores geram o caos social que nós vemos todos os dias nos noticiários e também no entorno de onde vivemos.

Diante deste cenário tão triste o que a igreja de Jesus pode fazer?! Ela deve orar com mais intensidade para que o Reino venha, como está demonstrado na oração modelo que Jesus deixou (Mt 6). A igreja deve orar pisando no chão da realidade, ou seja, orar por problemas da sua cidade, do estado, do país, do mundo; deve orar pelos governantes, pela polícia, pela segurança em nossas fronteiras e que os funcionários do governo, independente da instância que trabalhem, sejam menos corruptíveis. A igreja pode ainda assumir seu papel profético, demonstrando junto aos governantes e a mídia sua indignação diante do mal social instalado que já pode ser chamado de barbárie. Contudo, as igrejas locais devem se unir para isso, devem enfrentar barreiras denominacionais pelo bem da cidade e do país. A igreja ainda deve encarnar o Evangelho, vivendo-o na prática, com gestos carregados de compaixão e propagando-o nas escolas, universidades, hospitais, cadeias, indústrias, fábricas, batalhões de polícia, nas ruas, nas favelas, enfim, em todos os lugares.

Não podemos ficar indiferentes à banalização da vida, não podemos ficar insensíveis diante de pais que são tirados de seus filhos e filhos que são arrancados de seus pais. Não podemos aceitar que as coisas são assim mesmo e que não há nada que podemos fazer. Não podemos permitir que domine e reine nas nossas mentes uma teologia fundamentalista que pensa e propaga aos quatro ventos que até a barbárie faz parte da vontade de Deus. Não mesmo, a barbárie faz parte do anti-Reino e a igreja precisa se posicionar de forma não alienada.

Nós, como cristãos seguimos ao Crucificado e Ressurreto, o Senhor Jesus, devemos, portanto, num ato de coerência, colocar-nos ao lado de tantos crucificados e injustiçados na história. Juntemo-nos a salmista quando diz: “Creio que verei a bondade do Senhor na terra dos viventes” (Sl 27.13). Associemo-nos ao profeta quando afirma: “assim como as águas cobrem o mar, a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor” (Hc 2.14). Levemos suficientemente a sério Aquele que diz: Bem-aventurados os pacificadores porque eles serão chamados filhos de Deus (Mt 5.9). Kyrie Eleison!

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Laurencie Salles
Sou uma simples pessoa que encontrou a vida por meio da graça de Deus, e esta magnífica graça tem um nome: Jesus Cristo. A partir de Jesus de Nazaré minha identidade é construída, meus papéis de marido, pai e filho, professor e cidadão são exercidos, e minha vocação pastoral é cumprida. Sou alguém amado graciosamente por Jesus e fora Dele não existe nada em mim que tenha valor ou sentido.
Minha formação é na área de Matemática, pela UFSCar (graduação e mestrado) e em Teologia, pela Faculdade Batista de Campinas, convalidado pelo Centro Universitário Clarentiano, com especialização pela FLAM/UNIFIL e especialização em Ética e cidadania pela USP/UNIVESP.